sábado, 28 de fevereiro de 2015

CRATO e JUSTINO


 A minha divisa é: "de exames e chumbos, o menos possível".
Estou, pois, nas antípodas do actual Ministro da Educação, que, ao que parece, acredita na multiplicação dos exames, a todos os níveis, como a grande panaceia para a melhoria do nível do ensino...Acho esta perspectiva completamente errada. Os exames não acrescentam nada a ninguém. A melhor avaliação é a que os professores fazem de forma continuada, atentos ao progresso dos alunos. A qualidade do ensino é a qualidade das pessoas - de quem ensina e de quem aprende.
Os exames nacionais são apenas uma prova de desconfiança nas escolas, nos professores...
E chumbar não pode ser visto como um castigo, mas antes como um privilégio. Assim se pensava já na Suécia, em finais da década de 60. Na altura, isso para mim foi uma surpresa, porque nunca tinha imaginado que fosse possível criar um sistema em que os chumbos fossem uma anomalia, mas logo aderi àquela escola de pensamento (estava num curso organizado para francófonos pelo Instituto da Informação em Estocolmo - "Connaissance de Suéde"). Um verdadeiro achado: só repetia o ano um aluno, que por razões excepcionais, não tivesse conseguido acompanhar os outros - caso em que era objecto de atenção e apoio especial. Era a social -democracia, no seu melhor!
Em Portugal não havia, então, sequer democracia, quanto mais social-democracia... Mas seria o modelo praticável no Portugal depois de 1974? Nunca um Ministro de Educação ousou propo-lo... Parecia-me que não...
De repente, em 2015, um antigo Ministro da Educação e actual Presidente do CNE veio abrir caminho a considerar esta opção. Já era coisa de causar espanto, neste país conservador, de tradição patriarcal e autoritária! Fantástico descobrir que, na nossa "inteligentsia", ao lado dos Cratos existem Justinos - mesmo que os Cratos sejam muitíssimos e os Justinos poucos...
Porém, mais fantástica ainda é a notícia que vem na 1ª página do Expresso: o Agrupamento de Escolas  de Carcavelos aplica este modelo "nórdico", com sucesso, há já 12 anos!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

BOYHOOD EM ESPINHO

Uma bela iniciativa, esta de organizar um mini ciclo de cinema com filmes candidatos a óscares,
Na verdade, os óscares são o que menos me interessa - o que me interessa são mesmo estes 3 filmes. O Grande Hotel Budapest, que vi quase por inteiro no Dolce Vita Porto - tive de sair antes do fim- Que prazer  voltar ao princípio e chegar até ao último fascinante momento...
Comecei, hoje por Boyhood... excelente... não tem altos e baixos, é sempre, sempre excelente. True to life , in USA.
E aquela verdade universal: the moment seizes you...
Pelo meio, há ainda Birdman.
Tempos houve em que em Espinho se podia ver 60 filmes por mês, um por dia em dois cinemas, o do Teatro S Pedro e o do Casino... depois fomos dos 60 aos 2 - ou menos.
Agora poder ver 1 filme por dia durante 3 dias no Multimeios é uma festa!!! 
  .

COM JC JUNKER

Conheco-o há muitos anos - ainda ele era um jovem Secretário de Estado, responsável pelas questões do trabalho e da imigração. Um bom aliado dos trabalhadores portugieses.
 As suas afirmações sobre a torika não me surpreendem.
Sempre gostei dele. Continuo a gostar e, como se vê, tenho boas razões para isso

ICH BIN ( nicht) EIN BERLINER

Asssim falaria, provavelmente, Kennedy hoje... É mais ou menos isto o que tem dito Obama sobre a nova Alemanha -  pós queda do muro e reunificação - e as suas políticas de austeridade, a troika, a Grécia, o futuro de uma Eurpa subjugada pelo egocentrismo germânico, .
É o que digo com crescente sentimento de revolta, apenas alterando "ein" para "eine"  - "um" para "uma".
Já não somos berlinenses. Berlim, capital da Alemanha é agora a capital da Europa, contra a Europa... Teremos de ser cada vez mais gregos. para sermos europeus em liberdade...