domingo, 30 de dezembro de 2012

Da portuense Praça da Alegria a uma praça da Capital

A notícia caiu fria e definitva -  o fim da Praça da Alegria nos estúdios do Monte da Virgem...
São 18 anos de história da televisão portuguesa que, assim, sem razão e sem explicação, chegam ao seu termo, prematuramente. A mando de uma administração fraca e transitória da RTP, em vias de privatização - que vejo como um triste sinal dos tempos.
Nós sabemos que isto não é tanto dirigido à Praça (que é um ex-libris da televisão), como à autonomia, à própria  existência de um centro da RTP no norte do País.
 No terreno da economia de meios, de profissionalismo e de dedicação o Porto dá exemplos a Lisboa, pelo que, particularmente em época de austeridade, o seu centro de produção devia estar em expansão e não ser extinto - ou desvalorizado...
Desvalorização que afecta a vivência democrática de todo o País, na medida em que largamente silencia toda a região norte, e também a emigração,  que é maioritarimante da metade norte de Portugal. A democracia exige formas de expressão concreta da cidadania, que passam por um equilíbrio regional. É inadmissível que assim, agora, em 2013, se regrida décadas num equilíbrio conseguido e consolidado progressivamente.
A RTP do Monte da Virgem já demonstrou que é melhor que a de Lisboa,  mais "serviço público", mais capacidade de funcionar economicamente, sem gastos sumptuários e sem recurso a meios "externos", mais próxima das pessoas, mais acessível à sua participação - aspecto em que bem se pode dizer que foi pioneira, que abriu caminhos, que fez história .
Por tudo isso, merece ser tratada de igual para igual e não ver as suas ideias e projectos,  os seus programas e realizações de sucesso, apropriados pela cobiça, pela exibição da  força centralizadora, quase apetece dizer "imperial do Terreiro do Paço televisivo

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Sá Carneiro

Há políticos grandes, fascinantes, carismáticos, que, com a sua vida como com a sua  morte, traçam o destino da Pátria .
Seria tão diferente Portugal, com um Chefe de Governo como ele soube ser!

domingo, 2 de dezembro de 2012

Para a nova revista

Vamos olhar, nas páginas de uma revista, um mundo feito de sonhos e de obras de muitas Mulheres Portuguesas. Vamos à procura da realidade plural, dinâmica e mutável da nossa emigração feminina, situando-a no espaço que efectivamente ocupa no trabalho, na cultura, nas artes e nas ciências, na política, no associativismo, no desporto, na família...
Move-nos a intenção de reflectir sobre a história do passado e sobre a história no seu curso para o futuro, com a vontade de contribuir para a mudança, de influenciar o processo, e de mobilizar para a acção a metade que tem sido marginalizada nas nossas comunidades. Foi esse o objectivo maior do Encontro Mundial de Mulheres da Diáspora, em 2011 -o terceiro organizado pela “Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade Mulher Migrante”. Um forum que trouxe novos dados e perspectivas sobre as migrações femininas e permitiu, pela intervenção de tantas das suas protagonistas, com a força dos sentimentos e experiências de vida, e pelo contributo de especialistas e investigadores, com a sua visão objectiva e rigorosa, repensar os modos combater por uma causa que nos une: a da cidadania assumida pelas mulheres migrantes no seu trajecto transnacional.
A revista é mais uma mostra da nossa forma de estar neste combate, de alargar a colaboração com mulheres e homens, que vivem a emigração, com políticos que a compreendem, como o Secretário de Estado José Cesário, com estudiosos que revelam as suas verdades.
E é, também, um tributo a Maria Lamas, exemplo de cidadania exercida com a máxima generosidade e inteligência.
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Para o "Portugal em Foco" saudação de Natal

Por esta altura, todos os anos, Dona Benvinda Maria telefonava-me a pedir, com urgência, uma saudação de Natal, para a Revistaa, com que o jornal festeja a data.
Faltou-me agora ouvir a sua voz, mas o pedido foi feito, com a mesma intenção, e eu respondi, como sempre, com todo o gosto - e pensando muito nela


Um Natal de Saudade


Vamos viver a mensagem de Natal para que nos sintamos sempre, ao longo do ano inteiro, mais próximos uns dos outros, no acompanhamento das nossas vidas, na solidariedade, na lembrança.

Que as luzes que iluminam as árvores de Natal, as ruas, as casas em festa, nos iluminem também o caminho a andar, com as lições que nos deixaram os nossos maiores, com as perspectivas que os mais jovens vão descobrir!

Que o casal de emigrantes num trânsito aventuroso, mas venturoso, em terra estranha, com o seu menino recém-nascido - o menino que vinha dar-nos um novo mundo de valores humanos transcendentes e com eles abrir nova era na História universal! - seja, verdadeiramente, um modelo inspirador, para que, em Portugal, possamos resistir às dificuldades dramáticas dos tempos que atravessamos, numa maior união entre a parte da Nação que se debate com as maiores agruras, dentro do nosso território (e de outros, também...), e a que contempla o futuro com a certeza do bem-estar e da prosperidade, em Estados melhor geridos e mais desenvolvidos.

Dentro de fronteiras, aumenta, dia a dia, o desemprego, o desânimo, a pobreza, e, com tudo isso, cresce, num dramático recomeço de ciclo, pelas mesmas más razões de sempre, a emigração! "Portugal, País das migrações sem fim" foi o título que dei, na meia década de 90, a um livro sobre estes temas sem querer fazer profecia, e sem adivinhar a colossal dimensão que o fenómeno iria em breve atingir... Sabemos todos que esse movimento infindo de dispersão, com os seus altos e baixos, as suas mudanças de percurso e a diversidade de integração socioeconómica das pessoas, serviu sempre o engrandecimento de Portugal, levando consigo, nos laços mantidos com a terra-mãe, a expansão da cultura e da língua na diáspora, em verdadeiras comunidades extra-territoriais. Assim se fez e faz a nossa História - uma história de família, de “família-comunidade”- e de “família-nação”.

E o Natal é, por excelência, a festa da família, uma reunião que vence distâncias na geografia e que atravessa os tempos, com as reminiscências dos Natais do passado, a memória dos que estão longe ou dos que já partiram... É o grande reencontro no afecto, no coração, no espírito!

Por isso, neste Natal, no meu mundo de saudade, onde revisito família e amigos, vão estar, de um modo muito especial, as recordações que guardo de Dona Benvinda Maria. Da sua amizade. Da sua vida exemplar ao serviço de grandes causas! Da sua energia e coragem! Estou certa que o Filipe e todos os que contribuem para feitura e para o sucesso do “Portugal em Foco” partilham comigo esta vontade de assim sentir o Natal de 2012.

Para todos, Feliz Natal

sábado, 1 de dezembro de 2012


 



  • II Congresso Nacional da Mulher Luso-Venezuelana 2012 organizado pelo Clube dos Comunicadores Sociais Luso-Venezuelanos (www.cslusoven.org) em ocasião do Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres e que contou com a presença da ex-secretária de Estado, Dra. Manuela Aguiar, e da presidente da associação Mulher Migrante Portugal, Dra. Rita Gomes. Em final do evento foi criada a associação nacional “Mulher Migrante na Venezuela” (www.mulhermigrante.org.ve).


    O evento teve lugar domingo 25/11/2012 no salão rio Caroni do Hotel Gran Melia Caracas e contou com:

    - Apoios institucionais: Centro Português em Caracas, Club de Comunicadores Sociais Luso-Venezuelanos (CSLusoVen), Consulados General de Portugal em Caracas e em Valencia, rede “Hijos de Portugueses Nascidos en Venezuela” (HPNV) e associação Mulher Migrante Portugal,

    - Patrocinantes: Calzados Car & Beth 2010, Constructora Pignova, CSLusoVen Club de Comunicadores Sociales LusoVenezolanos, Distribuidora El Manjar del Queso, EcosHost, Embutidos Castelo Branco, Frigoríficos El Manjar de la Carne, Futebol Clube do Porto en Venezuela, Hotel Gran Meliá Caracas, Piscinas Latinoamericanas, Radio Arcoense en Venezuela, Restaurante Marisquería Júpiter, TAP Portugal, Zapatería Agus e Zapatería Oporto

    - Apoios comunicacionais: CLCom Comunicadores Sociais nas Comunidades (Mundo), Correio de Venezuela, CSLusoVen Club de Comunicadores Sociales LusoVenezolanos, Diario de Noticias da Madeira (Portugal), El Europeo, El Metropolitano, Fala (periódico Ultimas Noticias), Hijos de Portugueses Nascidos en Venezuela (HPNV), Lusa - Agencia de Noticias de Portugal, Luso Magazine, Noti-Luso Web, Pabellón y Bacalao Producciones, Radio Arcoense en Venezuela, Radio Patria e Radio Uno 1340 AM

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

O abate das pensões (ou dos pensionistas?)

Não é a única campanha absurda do  executivo de Passos Coelho, mas é uma das mais espantosas, esta que está em curso contra os idosos, os reformados. Mais concretamente contra 10% de pensionistas que têm direito a verbas superiores a mil e tal euros.
Ainda não ouvi ninguém levantar esta dúvida: será que por aqui passa uma guerrilha "institucional" surda e larvada? Ou seja: será uma forma de atingir o PR Cavaco Silva e sua pensão superior a 7.000 euros? (que vai ser reduzida pelo OE de 2013 em 40%, a título de "contribuição solidária" ou outra qualquer expressão que encobre um verdadeiro "assalto fiscal", para citar Marques Mendes, um dos ordeiros defensores do partido de governo -  ainda que, porventura, mais do partido do que do governo).
Para quem conhece a cena  política portuguesa e assiste a atitudes governamentais de constante descaso pelas opiniões do PR (vd as provocações do Ministro Gaspar, de tão duvidoso gosto...)  é uma hipótese a considerar...
 Para quê, em qualquer outra hipótese, arriscar a mais gritante das inconstitucionalidades?

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

RESOLUCIÓN N°3 DEL CONSEJO DE LA CONDECORACIÓN DE LA ORDEN: “D. AFONDO HENRIQUES” DE LA “FEDERACIÓN AMERICANA DE LUSO DESCENDIENTES”

Resolución:

Por disposición General de la “FEDERACIÓN AMERICANA DE LUSO DESCENDIENTES” y Jefe de la Orden “D. AFONDO HENRIQUES”, de conformidad con lo establecido en los artículos N° 2 y 9 del Reglamento sobre la Condecoración de la Orden y previo el voto favorable del Consejo
de la Orden.
Considerando:
Que es de estricta justicia reconocer los meritos de las personalidades que con su aporte dignifican la imagen de las Comunidades Portuguesas en el continente americano.
Considerando:
Que existen personalidades que han dado un destacado apoyo a la FEDERACIÓN AMERICANA DE LUSO DESCENDIENTES” y a las diversas asociaciones afiliadas a esta Institución.
Resuelve:
Artículo Único: Conferir la condecoración Orden: “D. AFONDO HENRIQUES” DE LA “FEDERACIÓN AMERICANA DE LUSO DESCENDIENTES” en su Grado de Gran Oficial a la Dra. Maria Manuela Aguiar, Fundadora de la Asociación de la “Mulher Migrante” y Ex~Secretaria de Estado de las Comunidades Portuguesas.
Comuníquese y publíquese

Profesor Dr. Jany Augusto Moreira Ferreira
Presidente General de la Federación Americana de Luso Descendientes y Jefe de la Orden,
Refrendado por: La Junta Directiva a los quince días del mes de noviembre de dos mil doce.

Recibe:
Por su trayectoria Política y en pro de la mujer migrante, la Dra. Maria Manuela Aguiar.
Entregan: Profesor Dr. Jany Augusto Moreira, Presidente de la FEDERACIÓN AMERICANA DE LUSO DESCENDIENTES, acompañado del Ing. Mario Da Silva Presidente de ASOLUDEVEN y Director de RRPP de la Federacion y el resto del Ciudadano Presidente de su Junta Directiva.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Mary Giglitto, vista por M A


Mary ensinou-me, por palavras e actos, que os portuguesas já nascidos no estrangeiro podem ser tão ou mais patriotas do que nós e melhor continuar uma história antiga de convivialidade no mundo.
O Festival Cabrilho, que não pode ser dissociado do seu nome, como uma autêntica "alma mater", é a evidência do seu querer e do seu "poder": se Portugal esteve e está no centro das Comemorações (através da Marinha, representada ao mais alto nível numa “cimeira” de altas patentes da Marinha de quatro países, que se juntam para homenagear o navegador), a ela isso se deve. E acho que até se lhe deve também o facto de Cabrilho, que, ao serviço de Castela " realizou a viagem de achamento da Califórnia, aí manter, intocada, a sua nacionalidade portuguesa - pois sem Mary, no terreno da disputa, o teriam, com toda a probabilidade, feito postumamente castelhano... (tentativas houve, mas não fizeram vencimento...)
História, cultura, comunidades portuguesas encontraram nela uma defensora (ou porque não dizer, uma "guerreira"?), que sabia ganhar as batalhas com as armas que cada ocasião reclamasse: irreverência ou diplomacia, confronto ou consenso... mas sempre com os argumentos da inteligência, da simpatia irradiante, da impetuosidade lusíada e de um sentido de humor muito americano,
A tese doutrinal da dupla pertença, da dupla nacionalidade, tem em Mary, na sua pessoa e na sua obra, a mais perfeita encarnação.
E porque era na América que vivia, Portugal tornou-se mais a sua causa, a sua missão!

domingo, 18 de novembro de 2012


Maria Alice, jornalista e directora do mais antigo jornal de língua
portuguesa em Toronto era uma Mulher de cultura, de Letras e de
causas, com um intenso interesse pelas coisas da política, tanto nacional,
como canadiana e mais ainda pelas da sua comunidade.
Sempre pronta a conversar à mesa do café, ou ao telefone, como se o
tempo que perdia connosco, não o fosse gastar em noitadas de porfiado
trabalho.
Sim, havia o seu “quê” de excessivo na personalidade de
Malice – mas todos os seus excessos eram virtuosos (excepto o de
fumadora inveterada): excesso de generosidade, de voluntariado, de cuidado
com o detalhe, com o sucesso de todas as vertentes de uma acção, que a fazia
uma parceira mais do que fiável, infalível, em qualquer iniciativa conjunta. As suas
organizações tinham o rigor de um relógio suíço, a par de um entusiamo e uma
emotividade muito à portuguesa. Amigos não lhe faltavam, Sabia
escolhe-los na perfeição, e pô-los a trabalhar para o “bem comum”. Foi
através dela que conheci o filantropo Virgílio Pires, o Manuel Leal (que ela
achava “esquerdista” – que exagero! …) ou o Laurentino Esteves, o jovem
promissor, que tratava como um segundo filho
Só ela me faria estar numa passagem de ano em Toronto (porque para
além da minha família portuguesa, achava que eu tinha obrigações para com
a minha vasta família de afectos luso.canadiana…). E não nos
limitamos a confraternizar em duas ou três festas de associações, mas
em quatro ou cinco, umas visitadas no ano que findava e outras já no
ano seguinte,,, No meio de um nevão que cobria os passeios, onde se
afundavam os nossos sapatos de salto alto. Coisa benigna, quando
comparada a uma ida de Toronto a Kingston, que durou horas e horas,
sob sucessivas tempestadas de neve, com o Virgílio Pires firmemente ao
volante do seu Cadillac, que patinava aqui e ali, mas sempre sem
perder o rumo…. E, depois de cumprirmos na íntegra o programa - visita
à Igreja portuguesa, encontro no clube, entrevistas à rádio e à
televisão e jantar como Mayor – regressamos à aventura de mais umas
horas de condução exímia do Virgílio, sob a fúria da intempérie. Em
ininterrupta e divertida conversação a três…
Malice era assim, cheia de energia, de ideias e de projectos, que
levava por diante contra todos os obstáculos, fossem os da natureza ou
os dos seus opositores - que nunca a venceram nem convenceram...
O que a movia? Julgo que era, antes do mais, o portuguesismo, a
vontade de defender a cultura portuguesa na imensa panóplia de
culturas conviventes no Canadá e também o inconformismo face às
práticas e tradições que desvalorizavam o que era feminino .
O Correio Português era o o jornal da Maria Alice e do António
Ribeiro, numa paridade perfeita, pragmática e eficaz.. Mas para
Malice, como os amigos lhe chamavam, o jornal foi mais do que um jornal
bem dirigido e bem escrito. Com ele deu voz à comunidade, fez a
história da comunidade, mas também soube ter voz própria e ser
protagonista de primeiro plano na construção de um universo luso
canadiano que não parou de crescer, após o início das migrações dos
anos 50.
Do seu pioneirismo no campo da escrita e do jornalismo ao seu
pioneirismo na representação dos emigrantes no Conselho das
Comunidades Portuguesas, desde os anos 8o até ao último dia de uma
luta contra grave doença, fica a força de um exemplo de vida, Fica a
memória de um tempo da emigração portuguesa no Canadá, em páginas e
páginas do seu "Correio". E fica, também. à espera dos investigadores
que o possam tratar e divulgar, um precioso arquivo fotográfico,
recolhido no Museu Português deToronto, graças a uma intervenção de Virgílio
Pires, quase na 25ª hora.
Na verdade, Malice tinha sempre à mão para além do inevitável maço de cigarros,
também uma excelente máquina fotográfica...Um mundo a descobrir...
E numa revista que fala de mulheres na ´Diáspora não poderemos
esquecer que a ela se deve a proposta, apresentada no Conselho
das Comunidades, para a realização do mítico 1º Encontro Mundial de
Mulheres Portuguesas, que veio a acontecer em 1985.

Maria Manuela Aguiar

Os dislates de Bento

Uma vergonha  a aventura africana da Selecção Nacional de futebol - difícil seria jogar pior com uma equipa dos fundos dos rankings: Foi tudo mau -  um  relvado deplorável, um estádio despovoado, uma arbitragem delirante e um clima de ananazes, como diria Eça...
Equipazinha medíocre à imagem e semelhança de Bento. Mas o dia seguinte ainda foi pior. O seleccionador guerrilheiro voltou a metralhar palavras de escárnio e mal dizer, desta vez contra Pinto da Costa.  
A arrogância dos medíocres, tipo Bento, é insuportável, ao contrário da arrogância dos génios, como Mourinho, quase sempre estimulante e divertida.
Mas desta vez, os dislates de Bento, deixaram-me encantada. Depois do que disse a Pinto da Costa já não corremos o risco de o ver a treinar o FCP. Que alívio!!!

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Clube Brasil Montevideo

Não foi a primeira vez que me convidaram para falar de mim e do que me levou aos caminhois da pollítica -  ali o que fez a diferença foi uma audiência tão simpática de uruguaios que frequentam os cursos de portugués do Clube Brasil. O presidente do Clube, filho de portugueses comoveu-se até às lagrimas a falar do país e da língua de seus pais. Estava criado o ambiente propício às emoções e às confidências. A recordar o meu passado feminista que vem da infância, De ouvir as Avós a dizerem-me: "As meninas não fazem isto, não fazem aquilo". Era o  plural o que mais me intrigava...  E partia em frente a provar que "as meninas" eram tão capazes como os meninos de escalar uma árvore, de me dependurar nas traseiras de um eléctrico ou de marcar um golo a jogar futebol com os primos... Comecei por me sentir uma espécie de representante das "meninas" e acabei no Governo e no parlamento, a representar a Nação...

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

MANUEL LEAL - um amigo, um irmão

Manuel Leal era um daqueles raros líderes natos, que sabia repartir a sua energia e capacidade de acção entre a vida e a carreira pessoal e a vida da sua comunidade, com sucesso em ambas. Um homem sempre em movimento, no espaço geográfico e nos projectos, que realizava facilmente e bem.
 Dos Açores emigrou para o Canadá e, dentro deste país, passou de cidade em cidade, fazendo sempre amigos, fazendo sempre obra!
 Foi dirigente de um sem número de associações, dos Açores ou do Continente, por igual, membro do CCP e Presidente do Conselho das Comunidades do Canadá, onde com Alice Ribeiro, sua grande amiga e aliada, marcou uma época no associativismo – e no próprio Conselho. E até também da Associação da Mulher Migrante, que com ele, chegou a comunidades mais distantes, em iniciativas que é difícil repetir no futuro  
Deixou, por todo o lado, um rasto de simpatia, esse Homem bom, bem disposto, extrovertido, descuidado de si e da sua saúde, mas sempre pronto a pôr um dinamismo extraordinário, e um enorme cuidado e atenção ao serviço dos outros

Maria Manuela Aguiar

Virgílio Teixeira, Fama e simpatia

A fama, viveu-a numa carreira fascinante, a partir dos estúdios de Madrid e de Hollywood. Uma carreira em que o actor se impôs pelo talento e o Homem pelo encanto. Foi sempre ele, discreto, com o sentido de humor das pessoas cultas e inteligentes, com a natural distinção que levava já consigo, e que a notoriedade não poderia abalar. Simpático, magnânimo, Virgílio Teixeira, o cidadão, brilhava também fora da tela
Um dia, como muitos outros emigrantes, quis, simplesmente, regressar à terra, à Madeira, ilha dos seus amores - para iniciar uma nova vida, para ser feliz com a Vanda, “para sempre”, como num filme que termina bem.
  E quis colocar toda a sua experiência do mundo da Diáspora ao serviço dos seus conterrâneos. Foi, durante anos, um talvez inesperado, mas muito eficiente Director dos Serviços para as Comunidades Madeirenses – e nessas funções o conhecemos.
Na Associação de Estudo Mulher Migrante pudemos contar com ele, invariavelmente, solidariamente, na defesa de causas comuns, no esforço de reconhecimento do papel e dos direitos dos emigrantes: um aliado, um amigo disponível para a acção conjunta, simples, generoso, com a atitude positiva e o sorriso com que sempre o lembramos.
Estas são algumas das qualidades com que fez história, prestigiando o País e tornando a sociedade do seu tempo melhor -  mais civilizada e mais convivial.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

introdução - nova revista

O Encontro Mundial de Mulheres da Diáspora, organizado pela “Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade Mulher Migrante” em fins de 2011, foi não apenas um acontecimento que trouxe novas reflexões e perspectivas sobre as migrações portuguesas, mas também um recomeço de trabalho por uma causa que nos une "num mundo sem fronteiras" - a da cidadania assumida pelas mulheres migrantes, como membros de pleno direito de duas comunidades nacionais. O reconhecimento não só de um do estatuto jurídico, que é, muitas vezes, o mais fácil de obter, mas da necessidade da criação de condições para a sua facticidade, para a assunção de direitos e deveres em concretos e sua vivência, à medida da vontade e das capacidades de cada pessoa uma - é ainda um caminho a fazer.

A diversidade de situações é inegável, influenciada por factores individuais, mas também societais. E destes decorre para o Estado a obrigação de activa intervenção, que é, na nossa ordem jurídica, uma exigência constitucional que, porém não constitui exclusivo dos poderes públicos, antes é partilhada pela sociedade civil. É a consciência dessa obrigação que nos move, que nos leva a uma colaboração de mais de duas décadas, ininterrupta e estreita com os governos constitucionais, independentemente do seu quadrante ideológico – porque esta não é uma questão partidária, mas uma questão nacional – ou universal, e temos, por isso, neste domínio das políticas de género para a emigração um percurso singular. Que igualmente nos leva ao contacto com outras ONG’s dentro e fora do País, com especialistas de centros de investigação, como com escolas secundárias ou universidades seniores, com municípios. Com mulheres e homens que querem construir comunidades mais igualitárias e mais justas.

Esta publicação pretende mostrar como o levamos a efeito ao longo do ano de 2012., através de uma Associação que crescentemente vem reforçado a sua vocação para os estudos de género, sempre na perspectiva da acção concreta – da cooperação e da solidariedade.

Vamos olhar um mundo, feito de sonhos e de obras de muitas Mulheres Portuguesas, nas páginas de uma revista.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Maria do Céu Cunha Rego e o Encontro de Viana 85


Recordando o 1º Encontro de Portuguesas Migrantes no Associativismo e no Jornalismo

 
Maria do Céu da Cunha Rêgo

 

No fim da primavera de 1985, quando Portugal aderiu às então designadas Comunidades Europeias em busca de crescimento e de sustentabilidade para a democracia, Manuela Aguiar, então Secretária de Estado da Emigração, chamou a Viana do Castelo mulheres das comunidades portuguesas, que se tivessem distinguido nas áreas do associativismo ou do jornalismo nos países que também tinham feito seus. Antecipou assim, em cerca de 10 anos, o que haveria de ser uma das principais recomendações da IV Conferência Mundial sobre as Mulheres organizada pelas Nações Unidas em Pequim, em 1995: a indispensabilidade do empoderamento das mulheres, de que são pressupostos, a visibilidade e o reconhecimento. Foi, com efeito, antes de mais, uma acção positiva: as reuniões institucionais de representantes das comunidades portuguesas eram, em princípio, redutos de homens. Dar voz às mulheres, constatar as suas realizações, ouvir as suas críticas e as suas vontades, registar as suas propostas, celebrar este encontro em Portugal foram objectivos conseguidos.

 

As comunicações - seleccionadas de entre as que enviaram “mulheres consideradas relevantes quer no jornalismo quer no associativismo pela estrutura diplomática e consular”, no dizer de Maria Luísa Pinto, então presidente Instituto de Apoio à Emigração - agruparam-se em três temas e foram apresentadas por portuguesas de todos os continentes e de diversas idades:  

·         As mulheres migrantes na sociedade (com comunicações do Brasil, da República da África do Sul, do Luxemburgo, de França, do Canadá, da Austrália e dos Estados Unidos da América);

·         As mulheres migrantes e o jornalismo (com comunicações do Reino Unido, da Argentina, dos Estados Unidos da América, do Brasil, de França e do Canadá);

·         As mulheres migrantes e o associativismo (com comunicações dos Estados Unidos da América, da Venezuela,  da Argentina, de França e do Canadá).

 

Houve ainda teatro e cinema sobre a emigração portuguesa em França apresentado por jovens residentes naquele país, concertos, palestras, exposições e momentos de lazer e de convívio.

 

A iniciativa, organizada pela Secretária de Estado e pelo então Instituto de Apoio à Emigração, foi apoiada pela UNESCO e outras instituições a nível nacional e local. Nela intervieram, para além das entidades organizadoras e de elementos do Conselho das Comunidades Portuguesas, figuras públicas residentes em Portugal - deputadas, escritoras, académicos, jornalistas e representantes de diversos departamentos da Administração Pública.

 

Ficaram conclusões que, nos anos seguintes, vieram a inspirar políticas públicas em Portugal e iniciativas das comunidades portuguesas por todo o mundo, incluindo a criação da Associação Mulher Migrante, que actualmente integra o Conselho Consultivo da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género. Ficou um livro a dar conta de tudo, editado pelo Centro de Estudos da Secretaria de Estado, ao tempo já designada das Comunidades Portuguesas. E ficou uma saudade de repetição, só concretizada 20 anos depois, numa versão actualizada, com os “Encontros para a Cidadania: A igualdade de homens e mulheres nas comunidades portuguesas” que tiveram lugar em diversos continentes entre 2005 e 2009 e que encerraram em Espinho.

 

E eu que, pelas funções que fui exercendo, contribuí para a organização de vários destes encontros, só posso agradecer o privilégio, a alegria e o enriquecimento que este trabalho me deu.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Memórias de companheiros de caminhada

MÁLICE RIBEIRO
Há 30 anos raras eram as portuguesas emigradas que tinham voz na sua comunidade. Maria Alice foi para mim, desde o dia em que a conheci, uma revelação do que pode ser a liderança no feminino - e no seu melhor!

Na verdade, muitos anos de convívio confirmaram o que antevi desde esse encontro inicial, na primeira "missão de serviço" que me levou à América do Norte: ali estava alguém que tinha infindas reservas de energia, de coragem, de dedicação à "res publica" e que delas fazia uso, apaixonadamente, intensamente, no quotidiano de uma das maiores e mais dinâmicas comunidades lusas à face da terra (como, com ela e com outros dos seus dirigentes, aprendi que é a de Toronto).

O que a movia? Julgo que era, claramente, o portuguesismo, o sentimento patriótico, sempre mais desperto no estrangeiro – na aventura da emigração - a par do inconformismo com as regras, as práticas e as tradições que desvalorizam o género feminino e lhe reservam um papel secundário. E, também, as causas que abraçava, com entusiasmo, tais como: a defesa dos direitos dos imigrantes, e das mulheres; a defesa da cultura portuguesa na imensa panóplia de culturas conviventes no Canadá; propósito de informar, com rigor, com verdade, sobre o passado e a actualidade de uma Pátria, distante mas presente; a vontade de dar corpo e alma a uma comunidade, que para sempre lhe deve parte da dimensão que alcançou - e que não para de crescer.

Málice, como os amigos lhe chamavam - e por isso a chamo eu assim - foi um pioneira da emigração portuguesa em Toronto. Fundou, com o marido, António Ribeiro, o primeiro jornal de Toronto, escrito – e muito bem! - Na nossa língua. Tornou-o um semanário "de referência" no mundo português de além fronteiras, e um espaço de vivência de ideias e de grandes causas. Envolveu-se em inúmeras realizações importantes e campanhas de mobilização comunitária, porque vivia para a sua própria família, como para a família mais extensa, a do associativismo, o núcleo agregador dos emigrantes, que constrói verdadeiras comunidades.
Foi Conselheira eleita do CCP, desde os anos 80 (quando o "Conselho" era, quase em exclusivo, masculino) e para o CCP trabalhou, eficiente e incansavelmente, até ao fim dos seus dias, vencendo a doença enquanto lhe foi possível. Um grande exemplo para os jovens, para as gerações que farão o futuro!

Maria Alice Ribeiro tem, para sempre, o seu lugar na história do jornalismo da diáspora, na história das comunidades portuguesas do E, connosco, os que tivemos o privilégio de ser seus amigos e admiradores, permanece viva na memória e na saudade.

E, connosco, os que tivemos o privilégio de ser seus amigos e admiradores, permanece viva na memória e na saudade.


VIRGÍLIO TEIXEIRA

A fama, viveu-a com imenso talento e natural distinção a partir dos estúdios de Madrid ou Hollywood, Mas, um dia, como muitos outros emigrantes, quis regressar à terra, à Madeira, ilha dos seus amores - para iniciar uma nova vida, servindo, com toda a dedicação e competência, a emigração, portuguesa, em geral, e madeirense, em especial, dirigindo os serviços para as comunidades na Região Autónoma.
E para ser feliz, com a Vanda!
Pudemos contar com ele, invariavelmente, solidariamente, na defesa das  nossas causas, no esforço de reconhecimento do papel e dos direitos dos emigrantes: um aliado, um amigo generoso, simples e encantador.
Estas são algumas das qualidades com que fez história, prestigiando o País e tornando a sociedade do seu tempo melhor, mais civilizada e mais convivial.


MARY GIGLITTO

Conheci a Mary Giglitto em 1980, ao iniciar o convívio com um Portugal
bem maior do que o imaginava - o da "diáspora". Na primeira das
"viagens de descoberta" desse novo mundo, que me levou ao diálogo com
as nossas comunidades da América do Norte, ninguém me impressionou
tanto como a Mary!

Na Califórnia fiz, logo, grandes e ilustres amigos, que ficariam para
o resto da vida, mas, de facto, de entre eles, de entre os muitos
Homens e as muito poucas Senhoras, que, então, influenciavam
poderosamente a vida das comunidades portuguesas, Mary foi a que se
tornou o mais formidável paradigma da "arte de viver Portugal" no
exterior do território. Ela ensinou-me, de uma forma muito concreta e
evidente, que os portugueses de segunda ou terceira geração podem ser
tão ou mais patriotas do que nós, os nascidos e criados dentro das
fronteiras, e que sabem continuar, porventura melhor, e mais
eficazmente, a história antiga, dando-lhe visibilidade, força actual e
futuro.

 Bem o exemplificava já o Festival Cabrilho de San Diego! Se o navegador Cabrilho aí conservava, indiscutível, a sua nacionalidade portuguesa e se as faustosas comemorações do feito da descoberta da Califórnia mantinham a dominante da sua terra de origem, era porque Mary, a líder, alma de toda a organização, não consentia, em nome de uma dinâmica comunidade, que outros se adiantassem e se apossassem da herança nossa...

História, cultura, comunidades portuguesas encontraram nela uma defensora, que não hesitava perante nada e sabia ganhar todas as batalhas, com as armas que cada ocasião reclamasse: diplomacia ou irreverência, confronto ou consenso... sempre com os argumentos da sua inteligência, sentido de humor, irradiante simpatia e capacidade de comunicação e, também, infinita energia e coragem. Uma Mulher pronta a avançar, rápida e fulgurantemente, em qualquer "missão impossível" – e a vencê-la. Portugal foi a sua causa maior e não poderá esquecê-la - Mary Giglitto merece ser considerada como verdadeiro rosto feminino da nossa Diáspora!


Maria Manuela Aguiar

sábado, 27 de outubro de 2012

MULHERES EM MOVIMENTO - o II Encontro

Em Espinho, na Biblioteca José Marmelo e Silva, uma iniciativa da
Profª Isabelle Oliveira, apoiada pela Vereadora da Cultura
Drª Leonor Fonseca.
Movimento para a cidadania, para a igualdade, para o futuro.
Isabelle de Oliveira, uma grande Mulher sempre em movimento, Uma jovem
que vive em Paris, é professora da Sorbonne e investigadora do CNRS,
mas nem por isso deixa de intervir na vida portuguesa, para promover
mudanças e  progresso -  conseguindo a  aproximação de países ( Portugal, França ), de cidades ( Famalicão, Braga, Porto, de onde vieram várias  participantes para este encontro), de mulheres e homens que acreditam que a paridade de género na política pode fazer toda a diferença...
Bem precisamos de quem faça a diferença na política portuguesa, a partir dos diversos partidos ou fora deles. E de reconhecer que há questões que nos devem unir, para além das bandeiras partidárias - como há um século já dizia Ana de Castro Osório - e pessoas capazes  de mobilizar para essa união, como é o caso da Profª Isabelle Oliveira.
Exemplar!

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Polo Norte

Hoje, de entre os canais informativos por cabo, só pode ver-se o Porto Canal.Por sinal, um excelente programa!
 Os outros estão a dar cobertura às eleições num clube de futebol, como se fossem eleições para a Assembleia da República. O provincianismo lisboeta!

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Maria Archer - um reencontro no Teatro da Trindade

Poderão  perguntar porque se envolveu a Associação de estudos MM na evocação de Maria Archer, em sucessivas iniciativas -  no Encontro Mundial da Mulheres Portuguesas da Diáspora, em Novembro de 2011, na comemoração do Dia Internacional daMulher, 2012, na cidade de Espinho e, agora, em Lisboa, nesta sessão
que nos reune no Teatro Nacional da Trindade.
Responderemos que razões não nos faltam para  justificar o empenhamento cívico com que o fazemos.
Uma primeira razão tem evidentemente a ver com o facto de Maria Archer ter sido uma Portuguesa expatriada. Uma grande Portuguesa da Diáspora, que, desde a sua juventude, passou largos anos em cinco países da
lusofonia, e em 3 continentes,  olhando sempre em volta, com uma inteira compreensão das pessoas, dos ambientes, dos meios sociais, que  soube traduzir em dezenas de escritos de incomensurável valor literário e, também, de muito interesse etnológico, sociológico e político....
Seria motivo bastante para nos lançarmos na aventura de partir à procura desse legado multifacetado e vasto, que guarda  experiências e segredos de tanta gente  e de tantas terras.  Mas há mais...

Maria Archer é uma daquelas figuras do passado, que é intemporal, por saber captar as constantes da natureza humana, ou por se constituir na memória crítica de um tempo português, que foi opressivo e cinzento, pautado por estreitos conceitos e por regras de jogo social e político, que  inteligentemente desvenda e que põe em causa,  sem contemplaçõ  Ninguém como ela retrata a vida quotidiana desse Portugal estagnado
e anacrónico, avesso a qualquer forma de progresso e de modernidade,  em que os mais fracos, os mais pobres não têm um horizonte de esperança, e as mulheres,  em particular, são  dominadas pela força das leis, pelo cerco das mentalidades, pela censura dos costumes, depois de terem sido deformadas pela educação.
Tendo por pano de fundo os estereótipos impostos para o relacionamento de sexos, a entronização rígida dos papéis de género dentro da famílias e as consequentes desigualdades, distâncias e preconceitos sociais, num
doloroso e longo impasse da nossa história colectiva, .Maria Archevai dar presença às portuguesas suas contemporâneas, tal como elas foram, com um realismo, que é, sem dúvida e quer ser, uma busca e uma evidência da verdade - doa a quem doer e  para que se saiba...Então e no futuro.

 Na melhor tradição nacional, Maria Archer, a mais feminista escritoras portuguesas, é uma "feminista muito feminina", que ousou ser um ícone de beleza e de distinção e  ter  uma carreira  no jornalismo e nas Letras , em simultâneo,  fazendo combate pela dignidade  e peafirmação das capacidades intelectuais e profissionais negadas à mulher Ousou fazer um nome no mundo fundamentalmente másculo da cultura portuguesa.  Ousou ser Maria Archer, sem pseudónimos...

Na verdade, por tudo isto, julgo que podemos dizer que ela é mais do nosso tempo do que do seu tempo - aliás, uma afirmação que se deve generalizar às mais notáveis feministas do princípio do século XX, que dão rosto à exposição da Câmara Municipal de Espinho, há pouco, inaugurada aqui, nas salas e corredores do Teatro da Trindade.
Maria era, então, demasiado jovem para poder participar nos movimentos revolucionários  em que estiveram a Liga Republicana daMulheres Portuguesas ou o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas,
mas iria ser uma das poucas  que, no período de declínio dessesmovimentos e de desaparecimento de uma geração incomparável,continuou, a seu modo, solitariamente, uma luta incessante contra o obscurantismo,que condenava a metade feminina de Portugal á subserviência, à incultura, ao enclausuramento doméstico.

 Maria Archer foi uma inconformista,  consciente das discriminações e das injustiça em geral, e, em particulardas  que condicionavam o sexo feminino, numa sociedade retrograda e, como se diria em linguagem actual, "fundamentalista", em queregime  impôs a regressão às doutrinas e práticas de um patriarcalismo ancestral.
A escrita, servida pelos dons de inteligência, de observação e de expressividade  foi  uma arma de combate  político - como dizia Artur Portela "a sua pena  parece por vezes uma metralhadora de fogo rasante". 
Um combate em que a sua vida e a sua arte  se fundem - norteadas por um ostensivo  propósito de valorização dos valores femininos, de libertação da mulher e com ela da sociedade como um todo. Ela é já uma Mulher livre num país ainda sem liberdade - coragem que lhe custou o preço de um  tão longo exílio ...

 Maria Archer é uma grande escritora (ou um grande escritor, como alguns preferem dizer, alargando o campo das comparações possíveis). Pode ser lida como tal. Mas permite também diversas outras leituras. 
 Por exemplo, uma leitura sociológica ou política.  Ninguém. como ela , escrutinou e caracterizou o pequeno mundo da sociedade portuguesa da 1ª metade do século XX. Aurea mediocritas, brandos costumes implacáveis... o mundo de contradições  de um estado velho, que se chamava Estado Novo
Ou uma leitura feminista,,, Ninguém como ela conseguiu corroer essa imagem da "fada do lar", meticulosamente construída sobre a ideia falsa da harmonia de desiguais (em que, noutro plano, se baseava a ideologia corporativa do regime), da falsa brandura do autoritarismo e da subjugação no círculo pequeno da família como no mais alargado, o  do País.
É uma retratista magistral da mulher e da sua circunstância... O rigor da narrativa, a densidade das personagens, a qualidade literária, só podiam agravar, aos olhos do regime, a força subversiva da  denúncia.
O regime não gostou desses retratos femininos, como não gostavada Autora. Primeiro, tentou desqualificá-la, desvaloriza-la .Sintomática a opinião de um homem do regime, Franco Nogueira, que em contra-corrente , num texto com laivos misóginos,  a apresenta como apenas uma mulher a falar de coisa ligeiras e desinteressantes, como o destino das mulheres....). Sintomático também que a crítica seja divulgada pela própria editora da romancista. a par de tantas outras, todas de sentido contrário.
Não tendo conseguido os seus intentos, o Poder passou à acção: os seus livros foram apreendidos,  os jornais onde trabalhava ameaçados de encerramento... Maria Archer viu-se forçada a partir para o Brasil - uma última e infindável aventura de expatriação, de onde só viria, envelhecida e fragilizada, para morrer em Lisboa.

 Mas o desterro não era pena bastante! Teresa Horta, no prefácio da reedição de "Ela era apenas mulher"
afirma que Maria Archer foi deliberadamente apagada da História. Sim, o ser emigrante é já factor comum de esquecimento, como que  natural, na memória da Pátria, mas este caso foi um caso mais grave, mais
doloso...
Uma outra razão  para intervirmos, pois ainda é tempo de vencermos  o  acto persecutório, implacavelmente executado há décadas, para restituirmos à vida e obra de Maria Archer o lugar que lhes é devido no mundo vivo da  cultura portuguesa...
E se é certo que revisitar a mulher de Letras, através dos seus escritos, tem, da nossa parte,  esse objectivo proclamado de desvendar o passado, de lançar luz sobre a realidade insuficientemente analisada e realçada da sociedade portuguesa de 40 e 50,  é também um momento mágico de reencontrar a própria Maria Archer,  bem viva em páginas fulgurantes de tantos dos seus livros, artigos, crónicas - sobretudo quando fala na primeira pessoa do singular!
Pela elegância do seu estilo, torna-se, afinal, sempre um prazer acompanhá -la nas incursões ao universo bafiento e confinado que se confrontaram e conviveram as portuguesas e os portugueses durante meio século - e em que as personagens femininas raras vezes cumprem as suas  potencialidades e os seus sonhos (mesmo que modestos), e os enredos quase nunca têm um fim feliz  - ou justo...

Elegância é uma palavra que quadra com Maria Archer, que a caracteriza na maneira como pensou, como escreveu, como se vestiu e apresentou em sociedade, como atravessou uma rua de Lisboa ou de São
Paulo, como atravessou uma vida inteira, até ao fim...
Até ao fim, não! Estamos aqui justamente reunidos pelo projecto de lhe assegurar uma 2ª vida, no sentido em que  Pascoaes dizia: "Existir não é pensar, é ser lembrado" Este não é o primeiro nem será o nosso último encontro sobre a sua personalidade, o seu exílio, o seu retorno... Talvez um próximo
encontro aconteça em São Paulo... Sobre a obra ou a pessoa... qual delas a mais interessante?
A pessoa é certamente tão fascinante como as mensagens da sua escrita.
E ainda mais desconhecida. Mas só assim continuará se não quisermos conhecê-la porque ela está
lá, eternamente jovem, vibrantemente eterna, em muitas das páginas que poderemos ler e reler.
Dizia a   Mariana desse esplêndido romance que é  o "Bato às portas da vida": "Ando na saudade de mim, mesmo perdida no tempo"
E nós queremos, afinal, andar na saudade de Maria Archer, reencontrada no nosso tempo.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Vamos lá a ver: somos um povo de piegas ou somos o melhor povo do mundo?

Na verdade, não só neste retrato da alma popular, mas em tantas e tantas matérias (a TSU, o IMI, o horizonte de fim da crise...) este governo tem o discurso do 8 ou 80.
O que eu pergunto é: seremos mesmo, pelo menos, um povo de "brandos costumes"?
Espero que sim. Que a paciência do povo se não esgote.

O Braga desapareceu do mapa...

Agora, na SIC - Notícias, David Borges, ao fazer o balanço da semana europeia dos clubes de futebol, esqueceu a vitória do Braga!!!
Para ele, de positivo, só a vitória do FCP e a derrota do SLB. Uma DERROTA POSITIVA (com um Barça a pensar no Real e a poupar esforços, mas isso ele não disse...)
Somou depois o empate da Académica e as derrotas do SCP e do Marítimo para falar de desastre...

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Há uns mais portugueses do que outros...

No noticiário da TV I24 à meia noite:
A abrir,  uma referência ao hat-trick de C Ronaldo. Para o 2º lugar ficou a menção da vitória do FCP sobre o Paris SG...
Depois de ontem, à mesma hora, o Braga, que venceu na Turquia, ter sido completamente ofuscado, nos comentários, face ao SLB, derrotado na Luz.
A velha questão norte/sul...  Geograficamente, e não só, as televisões, como os governos, estão situadas a sul.
De Gaspar é melhor nem falar  (até rima).
Direi apenas que o governo continua a anunciar calamidades antes de um bom jogo de futebol...


terça-feira, 18 de setembro de 2012

Portuguese Women - out of the shadows

Um pequeno texto da intervenção feita na Universidade de Berkeley, integrada no seminário sobre o centenário da República Portuguesa. (1ª versão)


MARIA MANUELA AGUIAR
Former Secretary of State for the Portuguese Communities; Founder and President of the Assembly of the “Mulher Migrante” (Migrant Women -Association for studies and cooperation)
mariamanuelaaguiar@gmail.com

1910 PORTUGUESE REPUBLICAN WOMEN OUT OF THE SHADOWS

In the beginning of the XX century a feminist and republican movement made history in Portugal. In a country where there was no tradition of feminine participation in public life an elite of highly cultured, courageous and strong-minded women came suddenly out of the shadows, with the support of republican leaders, in defense of democratic ideals and righteous causes, like education for all, equal civil laws and universal suffrage.
Suffrage was a promise never fulfilled and the cause of immediate dissent among the heads of the feminist movement, because some of them were more feminists than republicans, and others definitely more republicans than suffragists, even if they all remained faithful to the new regime. Did their natural moderation and their innate republican complicity with their male partners – husbands, family and friends - play against them?
In the end, they won their main battle through future generations of women and they are alive in the memory of the Republic today.

FEMINIST MOVEMENTS IN THE BEGINNING OF THE XX CENTURY

Feminist movements were in fast development in Europe from mid nineteen century on, with its main focus on suffrage. Portugal made no exception. However the first initiatives that started by the end the XIX century were restricted to a limited circle of believers on equality of sex and the circle did not expand much until 1907-1908, on the verge of the change of regime, and, when it did, it was by direct interference of republican prominent leaders – all men, of course. This particularity would, in my opinion, give historical feminism in Portugal its quite unique features and destiny, because it was supposed to become an asset to the republican cause, as well as to the cause of the emancipation of women. If not for that reason, the country did not seem to have much in its favor to be singled out for accomplishments in this special field. As in other southern European societies there was no tradition of women playing a role in public life. We know that throughout the centuries our historians portrayed a few outstanding women, monarchs, heads of state or acting as such, very influential and powerful Queens of Portugal, ruling side by side with their husbands or descent, unexpected fighters in heroic battles in faraway lands of the empire - in the Portuguese half of the world as divided by a Pope... - and a few remarkable writers, poets, artists, and even leaders or participants of mass upraises, the last one alive in the memory of the people being the legendary Maria da Fonte – who inspired one the hymns of the Republic, still sung in official ceremonies . They were accepted and admired by their contemporaries as exceptions - our own iron ladies.
However, European ideas, tendencies, social movements, sooner or later, had its effects among us and later than sooner "feminism" did. By 1902, a leading intellectual and feminist Carolina Michaelis de Vasconcelos - German born, Portuguese by marriage, and the first woman to belong to the Academy of Sciences and to become professor of the University of Coimbra - wrote that there was no women's organization at all in the country and that from her point of view, that of someone born and brought up abroad, women’s political participation was unthinkable, seen as unnatural by Portuguese standards (1). At the time, French or British feminists were already promoting huge marches of protest against discrimination through the avenues of Paris or London. In 1903, Mrs. Pankhurst was engaged in setting up the "Women Social and Political Union". In 1910, the so called suffragettes, her potent and radical movement, organized a march that extended for several miles along the streets of London on the way to the parliament, the very day a proposal on feminine suffrage was defeated. Over 200 MP'S had supported it - many, but not enough... In the same circumstances, every time an electoral law denied them the right to vote, the Portuguese put all their indignation in a carefully and beautifully written paper or asked for an audience to express their disillusion to a sympathetic but ineffective high dignitary - the President of the Republic himself, or the Prime Minister, or the Speaker of the House... (2).
In this domain, accomplishments or lack of them have more to do with a cultural gap “north-south” than with the nature of the regime. Stable Nordic monarchies like Denmark, Norway and Sweden, did not need to envisage a change of system in order to improve women's status and they did set an example of good laws and good practices much earlier than the two revolutionary Republics, France and Portugal, and many other countries in the world...(3).
In Denmark, women were on the way to get the right to vote at local level (1908) even if they had to wait until 1915 to equal unrestricted vote in all elections and until 1921 to access to all careers, army excepted. In Norway, Camilia Collet was a pioneer activist, since 1884, followed, in the beginning of the new century, by Gina Kroeg, founder of the "Union for Working Women". Norwegian women advanced step by step, first as full members of School Councils (1889), Social Security Councils (1890), and Municipal Councils (1901). In 1907 they were recognized as citizens with the right to vote at local and at national level. In 1911 the first Norwegian woman was elected to parliament. By 1912 most of the careers in the public sector were open to them. In Sweden clever support of the cause in the literary domain and religious ideals of fraternity seem to have played a more important role than legal arguments or the involvement of political personalities, mainly through the thesis and action of Frederika Bremer, contemporary of feminist writers like Ibsen or Ellen Key and herself an acknowledged writer, literary critic and a great speaker and campaigner as well. Sweden was the last northern country to approve legislation on women’s vote and eligibility for the parliament in 1919, three years later than Island. Finland had been the earliest. In 1906 an electoral law was passed and in 1907 the first female parliamentarian was elected. Southern Europe pursued the trend much later. In fact, in that geographical and cultural area only Spain was ahead of Portugal. (4)

FEMINISM IN PORTUGAL - A brief chronology

As predictable knowing the dominant mentality on what concerned women's participation in politics, the feminist movement never got much visibility and wide-ranging recognition. Even historians, nowadays, tend to under evaluate the influence it had in the birth of the new era. The history of Portuguese women is still in waiting, unwritten to the full extent of its worth as Elina Guimarães, the last survivor of that dazzling generation, appropriately asserted. (5 ) But facts are available for research... Women were there as the living proof that the feminine half of the republic was capable of living up to the social and cultural revolutionary ideals of gender equality, along with the principles of a new order in State and society. In fact, Portuguese feminism was never a vast mass movement, and although it engrossed gradually with a significant number of strong-willed, well-learned women, it was not to be as successful as it should have been, for several reasons. None had to do with their own capacity to make things work out better, in other time, other place… When you assess their culture or political “savoir faire” as expressed in so many speeches, and writings, you find no “gap” at all, looking at feminist leaders all over Europe... Among them, before and after the revolution, there are illustrious medical doctors, like Adelaide Cabete or Carolina Ângelo, writers like Ana de Castro Osório, Sara Beirão or Maria Lamas, teachers like Maria Veleda, Clara Correia Alves or Alice Pestana, journalists like Albertina Paraíso or Virgínia Quaresma, lawyers like Regina Quintanilha or Elina Guimarães (then a young law graduate).
A distinguished elite, in the company of a minority of few thousands of female citizens, unfortunately more and more divided, like republican politicians themselves, yet not for the same reasons - rather because some of the feminists, as the revolution went on and left them behind, took it better than others. Regrettably, they had a late appearance in the course of action for Women’s rights, they occupied their political and civic space for more or less 20 years and then their lessons or patterns of civic intervention were practically forgotten and lost, after the collapse of the Republic and the advent of a long and misogynous dictatorship, never to regain the same human dimension and radiance.
We will briefly look into these two decades- from 1906/7 to 1926.Initiatives undertaken in the end of the XIX century, interesting as they were, as the first “Feminist Congress” ,in 1892, or the first feminine newspaper (A Fronda) ,in 1897, had such limited impact that Carolina Michaelis in her essays on feminine enterprises does not take them into due consideration. In 1904, a few brave women did participate in the first "Congress of Freethinking" ( Congresso do Livre Pensamento) - names that would be part of the history of the Republic, like Adelaide Cabete and Maria Veleda, among others. Congresses, huge political meetings, as well as daily activities in republican centers played an important role in mobilizing public support that made the impossible revolution possible. Women suddenly became partners accepted and welcomed, sharing the intense and clever effort of republican propaganda widened by such means. Many of them got drawn in the daily life of Mason organizations, in journalism, in associations providing all kinds of social help to children and needy girls or women, including educational and vocational training. By the turning of the century, republican centers and clubs were being set up all over the country, to promote social and cultural activities, publishing papers and leaflets, in an attempt to spread the Republican Party line, the promises of an era of freedom, prosperity, democracy and equal participation for all. Women gained access to such clubs, mainly in Lisbon and other minor cosmopolitan urban areas. It was the proper way to prepare them for future headship and political commitment, even if, as we cannot ignore, they were given the opportunity to work for the victory of the republican cause rather than for the advance of their suffragist agenda, as they would soon find out...
In 1908, influential personalities, like Ana de Castro Osório and Adelaide Cabete were invited by António José de Almeida and other major members of the party to join the Portuguese Republican Party (PRP) in an organization of their own, the "Republican League of Portuguese Women". In 1909, the "League” became a formal structure of the party. In 1911, the denial of the suffrage in the legislation approved in March and April, grounded discontent that would lead to the coming apart of the "League". Mrs. Osório and Dr. Carolina Ângelo set up the "Association on Feminine Propaganda" (Associação de Propaganda Feminista") that became a member of the "International Women Suffrage Alliance". In 1913, a new electoral law unequivocally excluded female citizens. In 1914, another founder of the "League", Dr. Cabete formed the "National Council of Portuguese Women” (Conselho National das Mulheres Portuguesas), that was admitted to the International Council of Women, another international suffragist organization. (6)
In 1918, the electoral Law-decree, of March 30, did not open suffrage to women, and the same happened in 1919 (Decrees of March 1 and April 11). By then, no major founder remained in the League. They went their separate ways, divided by their different set of priorities. From 1914 to 1918, they were once again reunited in defense of Portugal participating in the world war. The Committee "Pro Pátria" was founded in 1914 and the “Portuguese Women Cruzade” (Cruzada das Mulheres Portuguesas) in 1916 headed by Ana de Castro Osório. It was her last civic crusade, a last display of great dynamism and courage not only in the diffusion of opinions but also in the direct help of wounded soldiers through “Committees” of nurses, regulated and supported by the government. (7)
In 1924, the I Congress on Feminism and Education (I Congresso Feminista e da Educação) was held. President Teixeira Lopes and future (soon to be) President Bernardino Machado were both there. In 1928, already under dictatorship, without any kind of official support, a second and last Congress took place.
The vote came 3 years later, incongruously by the hand of Salazar, the quintessence of antifeminism - a restricted vote as proposed and as defeated many a time during the 16 agitated years of the first Republic. (8)

A TOUCH OF LONG LASTING MODERNISM

Portuguese feminists gained very important battles, like education for women, co-education, more or less egalitarian civil laws, family laws and divorce, more opportunity for professional work, involvement in politics, in journalism, in sciences and arts. They got the moral certainty of their remarkable contribution for the change of customs, mentalities, and laws on the line of democracy... However, they were never full citizens in the new Republic, as they never acquired the right to vote. None of them would ever have the option of running for parliament, like Mrs. Pankhurst, or of being elected as a Member of Parliament as Lady Astor was, in England, soon after the end of the first war... But in the 8th of March 1988, more than eight decades after the commencement of their long struggle for emancipation and of the setting up of the "Group of Women' Studies" (joining Cabete, Osório and followers) a tribute was paid to them in the House. Some of them were, at last, "given the floor” through the voices of women of our generation. The proposal had been made by poet Natália Correia, then a Member of Parliament, someone you could compare to the best of the 1910 generation.(10)
Let me repeat some of the citations chosen for that memorable occasion, as the words sound surprisingly meaningful, significant and up to date, even if something gets lost in my translation… We, nowadays, would not put it differently, and their terms point out to many challenges still to be met.
Angelina Vidal
"For us the emancipation of women is the founding stone of public morality. We recognize many difficulties to reach such a fair scope, but we cannot forget that all the great ideals of what is fair or beautiful or lawful, worked out through sacrifices and merit of successive generations, were formerly considered as utopias. And in two other very interesting remarks she concluded: “We cannot separate our emancipation from men’s emancipation”. Freedom does not tolerate any kind of slavery, only freed women may bring into being free, strong, moral and healthy societies (11)
Emmeline Pankhurst, who once said "if civilization is to advance at all, it must be through the help of women, freed of their political shackles, women with full power to work their will in society", would agree.
Maria Veleda
"We want a new world, without discrimination based on race, caste, without discouraging laws, without slavery of any kind, without mistrust between sexes... men and women united to reach the same scope, to share the same possessions, rights and ideals" (...) women have to walk side by side with men, calm, spirited and self-possessed”.
She defends education and the need of professional training for women and equal participation - topics still in our agenda. And she calls attention to the fact that lack of direct participation may induce evil forms of compensation: "If a woman can't elect she may conspire, she has done so in different ages, or fought with arms in their hands like those sturdy peasants who followed Maria da Fonte". 12)

Alice Pestana
Pestana (her pseudonym “Caiel”) is considered more a pacifist than a conventional feminist, but in fact I think she was both. President of the "Portuguese League for Peace", since 1889, a synthesis of her thought was presented in the parliamentarian session we are referring to: “The Portuguese Nation must give women modern learning, mobilize them to get interest in social actuality they now think about much more with their heart than with adequate comprehension, instruction and intellectual capacity”.
She is above all a peace fighter engaged in a war against war: “We ask for the creation of Committees for the cause if peace in each country, so that in the XX century we may live in harmony, meaning peace, freedom, and justice”. Nonetheless, she makes an exception, not seen as a contradiction, for what she designates the battle for a noble cause, stating that women, “have been on the side of justice, democracy and peace throughout the ages, even when written history does not mention it. In classical armies she usually finds no place, but in guerilla, resistance or liberation armies, in mass movements she is present.” She, specifically, refers to mass movements as those contributing to the independency and the foundation of national identity in Portugal. (13)
Ana de Castro Osório
Mrs. Osório was the most famous of the feminists of her time and also the one who seems to have been the first one to fear the incapacity of the Republic to carry out the promise of feminine suffrage, as she said: “If a Republic does exclude us from its civic laws, we cannot consider ours the country where we have no rights, where we don’t have a voice to protest”. Suffrage is her priority, a target always pursued and never attained, yet she does not minimize progress where it really happened, as in social and cultural spheres – education, more family rights, opportunities of revealing unexpected competence in social and civic activities, or in professional work. She stresses that things were already moving fast: “One who would defend the idea of feminine subjection or inferiority in a public statement would be compared to those who would have the poor courage of being in favor of slavery".
“To be feminist does not scare anyone today, because the advancements brought by feminism are so many and so revealing of the high principles that guide intelligent women, that opponents do not dare speak against it - even if they wanted to - because their opinion would be considered as outrageous”. Many a time she addresses “true feminism” in precisely that logic: “to be feminist is a duty of all parents". It has to do with "the aim of educating women in a practical and useful way", to turn them into “sensible and able human beings free from dependence, that denies human dignity”. According to her, true feminism is to be shared by men and women. It is not to be seen simply as part of the social problems of class struggle or poverty. The rights of poor or wealthy women, commoners or aristocrats are to be taken in the same level of importance. On the other side, states Mrs. Osório, true feminism is not “a defense of the egotism of one sex against the other”. It is about altruism and women’s will to take their share in collective life, to improve the situation for all, for a better society. And as a true democrat, as well, she adds: “Good and practical ideas as they come from private initiative should be supported and followed by governments that respect public opinion”. (14)
Carolina Beatriz Ângelo
Last in the short list of the 1988 MP's in that historical session, Dr. Ângelo was specially remembered by her celebrated solitary act of voting, as a woman citizen, in the earliest election after the proclamation of the Republic - in 1911, May 28. She became the first southern European woman to exercise the right to vote. It was news all over Europe! In fact, she skillfully took advantage of the text of the electoral law that admitted to suffrage all citizens who were over 21, heads of a family and literate. As a 33 years old widow, the mother of a child, and a doctor by profession, she formally satisfied all the conditions required to vote. Nevertheless, being woman, her registration was denied by the authorities, because no electoral laws in the country had ever mentioned sex, either to include or exclude one, but women had always being implicitly barred. She went to court and won her case against the authorities. The Judge, who by the way, was a liberal republican and the father of Ana de Castro Osório (a true feminist, by his own daughter’s definition) decided in her favor. If the legislator intended to leave out the feminine sex, he should say so, unambiguously, ruled the Judge… In 1913, that is exactly what the law-makers did say. Women had to wait for over 20 years to be integrated in a limited circle of officially registered participants in elections. (15).
We cited the favorable press Dr. Ângelo´s suffrage immediately obtained, at national and international level. We should also refer to the enthusiastic standing ovation she got from all men who had the privilege of witnessing the historical moment of her ballot vote. In the Portuguese Parliament in 1988 her daring act was once again given a round of applause.
Not only these few women we cited but others, who were at their side a hundred years ago, look like our contemporaries, as if they could be our sisters rather than our grand-mothers… I think the main explanation for this kind of “anachronism” is the fact that theirs was feminism more "feminine" by contrast with other concepts of their epoch and of our own, at least in Portugal. A feminism inspired by the concept of gender equilibrium and cooperation, of "gender parity", as we call it nowadays, than that of gender war, refusing rage or hate between sexes and preaching acceptance and tolerance between them. The uttered opinion of Ana de Castro Osório : "We never witnessed violent fights as in foreign countries where the feminist question turned out to be a true sex war.”
Gender parity is how still what Portuguese legislator is seeking today, in our Constitution and in our laws, along with the majority of women and men engaged in the fight for equality, even if some of them may disagree with the existing regulation imposing the quota system.(16 ) The reasons why they seem ahead of their times are certainly due to their own merit, to their own awareness of the social problems involved and the best possible solutions, but it is also partly explained by their position in family and society. They were select few of educated women linked by ideological as well as family ties with the republican counterpart. They came suddenly out of the shadows by their own free will, but with the help and complicity of men, with whom they shared beliefs and aims, destiny, global political projects for a future in which they had a role to play. They were ready to engage in the same revolution, to accept the same duties, to undergo the same risks as their fellow men. They believed that a Republic would mean general progress and would treat them as equal citizens with full civil, family and political rights. They were part of the cosmopolitan assertive leadership emerging in the Republican Party, conspiring side by side with parents, husbands, brothers and friends. In 1910 no Portuguese feminist could foresee that the laws on suffrage would remain unchanged. Their long fighting had started in full hope and amiable complicity with men, seen as allies not foes. For them laws concerning women’s rights were far behind social practices, because at least in their own upper class of cultured people they were treated as equals. The Republic, they felt sure, would instantly fill the space between law and life. We know how wrong they were…

A FEMINIST AND REPUBLICAN MOVEMENT
A feminist and republican movement - as it was two in one in 1910. It makes a distinction when you differentiate the Portuguese example from others, even if links of feminists groups with political parties existed elsewhere. In Portugal, the advent of the Republic was truly seen by the suffragists as a prerequisite for the achievement of their goal. On behalf of the Republic many of them would, in fact, in later years confirm a no-nonsense approach to politics, including the sacrifice of the vital issue of women's right to vote. They gave up equal suffrage, limiting their claim to a small circle of highly educated ladies... These exceptional women kind of ladylike way of behaving inside the political world, carefully staying away from foreign examples of extremism in their individual outward show in public life, and sometimes even in their manner of demanding equality and justice did probably play against them. (16). Very often it does not pay off to be too much ahead of times! Theirs was or is, as I see it, the right attitude for us in the new century, but then and there it may have been premature... Now we can afford reconciliation and harmony - or synthesis. A century ago it was time for antithesis, for unbending and hard opposition.
Lack of harshness was, on my opinion, only one the main reasons for (partial) failure: a kind of contradiction between their consistent and often brilliant writing or speeches, even if they were more or less temperate, and their way of political intervention, too much soft to have the necessary impact. Another cause was dissent among them: dispute on what concerns priorities, the priority of many of them being education, employment and massive civic intervention initially and suffrage later – obviously, a very convenient order of precedence for the republican leaders. The movement did spit into several smaller circles because some of them were republicans above all - like Maria Veleda, the unconditional supporter of Afonso Costa and his radical Democratic Party - and others were more feminists than republicans, like Cabete and Osório, who never gave up the fundamental battle for suffrage, along with other more consensual issues, like education. Education was, as they all agreed upon, an indispensable basis of the emancipation of the feminine sex. Radical, revolutionary or law abiding feminists, and even a more conservative non feminist wing, shared that conviction. (17) Education for women - a very limited number, of course - was already under way before the Republic was established, but from them on the focus was on the relevance of equal public instruction for both sexes, from primary to high school and to university, and it became an irreversible process that lasted during the ages of the so called “New State". (18) . The trend that started in 1910, with the help of the feminist movements may be considered as the most important contribution of the Republic to the emancipation of women.
The refusal of universal suffrage was a major disillusion for the feminists. In a way, their suffragist campaign started hand in hand with their male associates, and they gave up the aim of immediate and full equality to help strengthening the new regime, until it could be self confident enough to be able to satisfy their demands. Unlike suffragists in England and almost everywhere, they seemed as afraid as men proved to be of the consequences universal suffrage. It is well known that leftist parties feared the conservative vote of women - and the conservative parties, sure to gain by their voting, were simply against it... In Portugal, ruling republicans also rejected conservative male vote, artificially reducing the electoral universe to a very small percentage of the adult population… The hostile rural catholic and monarchist vote was largely reduced by the requisites of alphabetization and tax-paying.(19) Electoral laws introduced a few changes, but never eliminated these two very useful discriminations. Republican women were themselves, aware of the risk of endangering the future of the regime by adopting a system a liberal and open voting system. That explains their approval of the manipulation and cutback of the electoral universe. They never asked for the ballot vote for all women - just for the much reduced number of those who were educated, and considered as more republican than the others.... That is why they went as far as accepting unequal vote, according to sex.
Looking back , we must conclude that Republics, like France and Portugal, delayed fair treatment of female citizens for as long as they could and so many of the countries where women firs got equal civil and political rights were - and remained until now! - Constitutional democratic monarchies. In Portugal, really, feminists had no alternative but to trust republicans, because there was no place for them in any of the monarchist parties, as the very few monarchists who were in favor of women's emancipation did acknowledge. (20) Unfortunately there was no proper place for them in the Republican public institutions, either... They worked hard for the revolution, they remained faithful to the republican principles, and their participation inside public institutions could have made a difference.
The incapacity of the republican politicians and parties to play it fair with them was a sign of the inevitable decline of the regime, lost by dissension and instability, by centralist and authoritarian urges and by growing lack of public support. Part of our dead past…
Feminist thoughts and ideals, as the parliamentarians of 1988 wanted to stress, are very much alive. The feminists of the Republic, their hopes and dreams, did have more future than present - the opposite of the regime... Many Portuguese of my generation still look at them as inspiring and amazing fighters, so gentle and strong, setting good examples and making us think that in 1910 we, too, would have been republicans and feminists. In 2010, we are simply democrats, and feminists, true feminists, according to Osorio’s definition.
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Notes
(1) In “ O Primeiro de Janeiro”, 11 de Setembro, 1902
(2) João Esteves, “Mulheres e Republicanismo (1908-1928), Colecção “O Fio de Ariana”, Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, Lisboa, 2008, p. 9-22)
(3) See for detailed comments one of the best books written in Portuguese on the situation of women around the world “As Mulheres no Mundo” by Maria Lamas.
(4) There was a tremendous gap “north-south” on what concerns legislation and access to seats in Parliament, as a simple chronology clearly reveals: Spain 1924,1927; Portugal 1931,1935; France 1944, 1946; Italy,1945, 1946; Malta 1947,1947; Greece,1952, 1952
In Maria Reynolds de Sousa “A Concessão do Voto às Portuguesas”, colecção “O Fio de Ariana”, Comissão para a Igualdade e os Direitos das Mulheres, Lisboa 2006, p. 81-89
(5) In 1926 lawyer Elina Guimarães and writer Maria Lamas, were in their twenties. They, along with a few others, held the fight during Salazar’s and lived long enough to spend their last years in democracy. Public tribute to the highest degree was then paid to them.
(6) The NCPW , resisted for years, under the "Estado Novo" or "New State", along with the paper "Alma Feminina", where many of the texts and some of the reports on international congresses made by Adelaide Cabete were published . The “Council” was extinguished by Salazar's government in 1947, its last president being Maria Lamas.
(7) To Ana de Castro Osório the campaign was an opportunity for many Portuguese women: “women prisoners of stereotypes, deprived of ideals, aims and initiatives will now be in contact with the grand, romantic and valiant soul of the people, alive in our soldiers. In “Em tempo de Guerra, aos soldados e mulheres do meu país”, Lisboa, Editores Ventura e companhia, 1918, p 22.
(8)Maria Reynolds de Sousa, cit , p. 37.
(9) In “Diário da Assembleia da República”, Sessão Plenária, 8 de Março de 1988.
(10) Op cit, p. 2081-2082.
(11) Op cit, p. 2082-2084
(12) Op cit p. 2084-2085
(13)Op cit, p. 2085-2088. Mrs Osório's book "As Mulheres Portuguesas", published in 1905 is considered the first one written in favor of a feminist movement, as it would develop in the immediate future.
(14) Op cit, p. 2088. See letter from Dr Ângelo on the immediate effect of her ballot vote in « A Capital », 29 de Maio de 1911.
(15) In “Iniciativas para a Igualdade de Género”, Coordenação Maria Manuela Aguiar, Edição “Mulher Migrante, Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade”, 2006, p. 90-97
(16) Two statements by Cabete on education and on feminism show what we are trying to convey, that is, the mixinf of high principles with a certain kind of conventionality:
“It is necessary that the educated men takes care of the education of his companion, that the freed man takes her as a freed woman”.
“Feminism is not what it supposed to be by so many people – women eager to mimic men by smoking, by using white collars and ties and other ridiculous imitations.”
(17) Among the anti feminists, Maria Amália Vaz de Carvalho was one of the voices “pro” education for girls and one of the high schools in Lisbon is named after her.
(18) It enables us to be, right now, at the top of the ranking, worldwide, where percentages of women graduates are concerned in almost any area, from law to medical studies where women are well over 60%.
(19) The program of the Republican Party by the end of the XIX century was definitely in favor of universal suffrage as well as a constituency system throughout the country - in the name of real decentralization of power. None was to be accomplished... Portugal had at the time a population of 5 million people and only one million could read and write, among them not much more than 300.000 women. According to successive laws only about 700.00 in the total population could register to vote...
(20) Dom Antonio da Costa, one of the few monarchist to support the rights of women, praises the program of the Republican party for the defense of equality of gender a famous book published in 1892 : “A Mulher em Portugal".