quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

A gentlecat

Jáo-jão era um gato lindo, uma obra-prima da natureza. Tinha uns olhos enormes verdes e expressivos, que nos diziam exactamente o que queria. No seu pelo de "tigre" (tigre muito manso!) as listas eram absolutamente simétricas, escuras sobre o beige a abrir para um tom quase amarelo (herança do pai, o velho gato Mandarim, que esse é amarelo mesmo).
Mas não é, sobretudo, pela sua beleza que mais será lembrado, mas pelo carácter, pelas boas maneiras, pela amabilidade (aqule gesto de fazer festas às pessoas, sempre com as unhas recolhidas, ao contrário do resto da sua numerosa família).
Desde a primeira infância que eu o cumprimentava com a rima a que fazia jus: "Jão -Jão, o gato todo bom!" para o distinguir do temível irmão gémeo, Deco, que, por contraste e por causa da tendência para a asneira, era chamado "o gato todo mau", apesar de ser também simpático e até bem mais extrovertido com estranhos...
Mas o Jão era especial, tão inteligente, tão discreto, tão civilizado - era assim, não foi preciso ensinar-lhe nada (se é que se pode ensinar alguma coisa aos supremos praticantes da independência e da diferença que são estes felinos).
Não há dois gatos iguais em comportamento. E como o Jão-Jão não haverá nenhum, nunca mais. O seu único defeito era ser bastante boémio, grande aficcionado dos telhados... Pacífista de nascença, quando atacado pelo gato mais pequeno e mais guerreiro desta casa, emitia um som semelhante ao da sirene dos bombeiros. E nós corríamos a salvá-lo!
Hoje não pude valer-lhe, na sua última batalha contra a doença. Não pude dar-lhe o que os seus grandes olhos verdes, verdes, me pediam!

domingo, 27 de novembro de 2011

A abrir o "Encontro Mundial de Mulheres Portuguesas na Diáspora"a

m nome da Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade Mulher Migrante, uma breve saudação de boas vindas.
Um agradecimento especial ao Senhor Presidente da Câmara da Maia, Engº António Bragança Fernandes, que tão bem nos recebe neste “Forum”, “ex libris” da modernidade da Maia e um centro da sua vida cultural. E, por isso, o melhor lugar para dizer ao Senhor Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Dr José Cesário, que nada do que vai acontecer nestes dias intensos seria possível sem o seu incentivo e apoio, de primeira hora - sem a vontade de que dá provas de querer avançar para uma nova e decisiva fase nas políticas para as comunidades, com uma vertente de género, com acento nas questões fundamentais da cidadania, da sua vivência por mulheres e homens, através do livre exercício dos seus direitos cívicos e políticos, que aqui vão estar no centro dos debates.
Obrigada Aurora Cunha por nos dar hoje, aqui, com tanta simplicidade e simpatia, o que vem dando ao País: tanto ou mais do que vitórias, que ficaram para a eternidade, em muitos campeonatos, em muitas maratonas, o exemplo de uma vida inteira de constante intervenção cívica, de solidariedade, de capacidade de ultrapassar limites, que é, afinal, a essência do desporto em estado puro, e, igualmente a essência da luta por quaisquer ideais servidos com paixão.
Aurora Cunha, um rosto feminino para a nossa história, para a história que se escreve com grandes feitos desportivos. A primeira mulher portuguesa campeã do Mundo de atletismo, tricampeã do mundo, (faz neste Novembro de 2011, precisamente 25 anos!). É uma honra ter entre nós a Mulher encantadora, sincera e vibrante, que humaniza e feminiza o mito vivo, que é a desportista!
Obrigada a todas e a todos pela vossa participação, de um enorme significado, porque com ela, se vai traçar, inteiramente, o destino este Encontro Mundial, na prossecução dos seus objectivos. O primeiro dos quais é criar um espaço de reflexão sobre as formas de transformar a sociedade portuguesa, de a abrir à consciência da sua verdadeira dimensão, que não cabe num pequeno rectângulo europeu e nas ilhas atlânticas. Portugal é muito mais mar do que solo pátrio. Portugal é muito mais a sua gente do que o seu território. Herança de uma história antiga que as migrações prosseguiram, até nossos dias, com homens e mulheres – cada vez mais mulheres - que se dispersam no mapa mundi da geografia, mas permanecem enraizados na cultura de origem e nos afectos.
É desse sentimento de pertença que nascem as comunidades portuguesas, numa emigração de famílias inteiras, como é a nossa. Um movimento caracterizado pelo equilíbrio de género e geração, alcançado desde meados do século passado, e anunciado por um crescendo da emigração feminina já nas décadas anteriores. Um crescendo, então, como se sabe, denunciado e combatido por políticos e estudiosos do fenómeno migratório porque receavam que a presença da mulher reconvertesse o projecto de torna viagem num projecto de integração definitiva no estrangeiro, em "pura perda" para o nosso país. E decretaram medidas de fortes restrições da liberdade de saída das mulheres, que praticamente duraram até a democratização do regime...
E, todavia, só parcialmente tiveram razão, na estrita medida em que se aperceberam da maior propensão para a consolidação de situações de vida em sociedades estrangeiras, para a estabilidade e o bem-estar económico, que a mulher traz à aventura de expatriação no plural. Mas não adivinharam que nessa aceleração do processo de integração devido às migrações familiares - muito directamente à presença das mulheres- se haviam de gerar as comunidades, através das quais Portugal se expande universalmente. O que representa um proveito superior a quaisquer perdas...
Em tempo de crise profunda e regressão económica, cá dentro, como é bom constatar que uma grande parte da Nação Portuguesa progride lá fora, sempre pronta a dar-nos razões de esperança! Assim saibamos ir ao seu encontro, que é justamente um dos objectivos que nos move hoje, aqui…
Não estamos numa reunião em círculo fechado de mulheres a falar sobre mulheres migrantes, mas sim globalmente sobre emigração, diáspora, Portugal, sem, porém, omitir, como é coisa corrente a componente feminina, quase sempre, esquecida e marginalizada. E justamente porque tem sido marginalizada comporta maiores virtualidades de operar mudanças e assegurar progresso.
A paridade está há muito conseguida na proporção homens/mulheres nas comunidades portuguesas. Todavia, não se reflecte ainda de um modo equitativo e eficiente num poderoso e multifacetado movimento associativo, sobretudo no que respeita aos seus centros de decisão e de poder formal. Pelo contrário, a divisão de trabalho dentro desse todo organizacional, suporte originário e consistente das comunidades, tende ainda a reproduzir na "casa comum", que é a associação, os papéis de cada um dos sexos na casa ou na família tradicional. É ainda um universo predominantemente masculino, conservador de mentalidades, de costumes e de valores - uns intemporais que merecem a nossa admiração, mas outros anacrónicos, que importa deixar para trás - caso das discriminações de género e de geração, que condicionam o crescimento das comunidades, através da metade feminina, tão pouco aproveitada, e dos mais jovens, ainda insuficientemente envolvidos num dirigismo associativo que, com todas as virtudes que se lhe reconhecem , envelheceu no poder, um pouco por todo o lado...
A evolução positiva que vai acontecendo, varia muito, nos vários continentes e países. A perspectiva ou visão comparativa, pode, a meu ver, contribuir para um acertar do passo, com a força dos paradigmas mais igualitários. Por isso, a partilha de resultados de estudos, de observação, a constatação da injustiça, onde quer que exista, e a mobilização para a combater, que se procura em congressos de âmbito alargado, como este, assume verdadeiro interesse estratégico.
Historicamente o que podemos designar por "congressismo", foi uma arena privilegiada de luta pela emancipação das mulheres - um espaço de diálogo, de concertação de esforços e união, de visibilidade e de protagonismo para elas e para as suas ideias. Na cena das convenções, dos colóquios, de sessões de esclarecimento, de comícios, se fez a transição de uma vivência restrita à esfera privada (ou, noutras palavras, de um regime de clausura doméstica...) para a esfera pública. Sair da sombra, sair do anonimato, foi um acto de extrema coragem e audácia para mulheres que se sujeitaram, a todos os riscos e formas de censura social, foi um acto portador de promessas de cidadania.
Elizabeth Cady Stanton, que, em 1848, presidiu à Convenção de Seneca Falls e, pessoalmente, redigiu, a famosa "declaração" , tem hoje a sua estátua no Capitólio, como a sufragista Emmeline Pankhurst faz jus a um monumento junto ao parlamento de Londres, cujas ruas tantas vezes percorreu em ruidosas marchas de protesto.
Nada de comparável, em termos de reconhecimento público, mereceram dos homens seus contemporâneos as notabilíssimas feministas da 1ª República, cuja evocação aqui quisemos trazer. Num "Encontro" pensado para nos levar numa viagem pela história das mulheres da Diáspora não é demais começar na origem remota de um movimento para a igualdade de género, ainda sem fim à vista. Mudam os tempos, o estatuto de direitos, as situações reais, mas os mesmos instrumentos podem servir em novos patamares de progresso civilizacional, particularmente nos domínios da Diáspora feminina. No que à nossa respeita, o congressismo teve a sua grande manifestação pioneira em Viana do Castelo, de 16 a 20 de Junho de 1985, no “1ºEncontro de Mulheres Migrantes no Associativismo e no Jornalismo”.
A Associação "Mulher Migrante" assumiu-se, desde a sua constituição, como herdeira das aspirações e das propostas dessa reunião, precursora de tantas outras: o Encontro Mundial de Espinho, em 1995, os "Encontros para a Cidadania - 2005-2009", e, pelo meio inúmeras iniciativas que cabem na definição ampla de Congressismo.
Contámos com a cooperação do Estado, assim como de ONG’, dentro e fora do País, para uma acção incessante, como tem de ser, para que se não deixe esmorecer a vontade de trabalhar em conjunto...

No ano passado, a Assembleia da República, na Resolução nº 32/2010 da autoria do então deputado José Cesário, veio reconhecer a necessidade de promover um amplo programa que conduza à plena participação das mulheres na vida das comunidades
No Governo, o Dr José Cesário não tardou a dar-lhe início de execução e, como na economia da Resolução se preconiza, em parceria com a sociedade civil.
As finalidades da “Resolução” são também os nossos, as de todas as instituições que se uniram para as levar a cabo, a partir deste Encontro Mundial.

Direi a concluir que este é um "Encontro" em que se entrelaçam muitos encontros:
Um encontro com as lições e ensinamentos do passado, em que lembramos aqueles que connosco estarão sempre na memória…
Um encontro de mundos, do mundo político com o da sociedade civil, do mundo académico com o dos protagonistas da aventura da emigração, e entre portugueses e portuguesas de dentro e de fora dos limites territoriais...
Um encontro de formas de viver a identidade nacional, encontro de culturas, em busca da definição do feminino na cultura – ou da cultura de que "constrói" o feminino. "On ne naît pas femme, on le devient", na lapidar e indesmentível expressão de Simone de Beauvoir…
Dar às mulheres o seu lugar na sociedade, iguais oportunidades de serem sujeitos da "história por fazer”, no País e na Diáspora, significa mais cidadania para elas, mais força para as comunidades, a certeza da expansão da língua e da cultura nacionais.
Queremos olhar a história das Mulheres Migrantes no seu devir, porque, como disse Agostinho da Silva, “toda a História que vale é do futuro”.

domingo, 23 de outubro de 2011

MAIA, 24 a 26 de Novembro - As novas migrações femininas, o seu passado, o seu futuro

Um Encontro Mundial em que se procura fazer a história das mulheres portuguesas na diáspora, com a preocupação de influenciar o curso da realidade actual.
Um olhar sobre o paradigma do "congressismo", herdado dos movimentos feministas de inícios do século XX, com a crença na força da palavra que esclarece, cria solidariedades e projecta acções.
Uma iniciativa da sociedade civil (Associação "Mulher Migrante", Universidade Aberta - CEMRI, Centro de Estudo das Migrações e Relações Internacionais, Fundação Pro Dignitate e Observatório dos Luso-descendentes), patrocinada pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas e apoiada pela Câmara da Maia.
Mulheres e homens, com experiências de vida as mais diversas, envolvidos em reflexão e em debate sobre o fenómeno migratório, que hoje volta a crescer de uma forma desmesurada - como em outras fases, ao longo de séculos, mas agora com uma componente feminina em moldes inéditos.

As sessões de trabalho são abertas ao público.
Aqui fica o programa, com o convite à participação.

ENCONTRO MUNDIAL DE MULHERES PORTUGUESAS NA DIÁSPORA
Local: Fórum da Maia

5ª Feira, 24 de Novembro
21.00 - Inauguração des Exposições
21.30 - Feministas da Diáspora
Homenagem a Maria Lamas (oradora Maria Barroso) e a Maria Archer (Dina Botelho)
Introdução ao debate: "Síntese de Diversas Discussões na Unidade de Acção" (Salvato Trigo)
Moderadora: Nassalete Miranda

6ª Feira, 25 de Novembro
09.00 - Inscrição e entrega de documentos
09.30 - Abertura
Entidades oficiais. Participantes do Encontro (a indicar)
10.45 Pausa
11.00 - História das migrações portuguesas - A nova emigração feminina
Relação transnacional e mudança
Moderadora: Maria Beatriz Rocha Trindade
13.00 - Pausa
14.30 - História do Movimento Associativo – questões de género e de
geração
Moderadora: Rita Gomes
16.00 - Memória - entre o passado e o futuro
Testemunhos
O projecto “Ateliés da Memória”
Moderadora: Ana Paula Beja Horta
17.30 - Pausa
17.45 Novos domínios de afirmação da Mulher na Diáspora
Cidadania e Cultura
Moderadora: Isabel Pires de Lima

Sábado,26 de Novembro
09.00 - Trabalho e Empreendedorismo – no contexto da integração e do
regresso
Moderadora: Ortelinda Barros
11.00 - Pausa
11.15 - O “Congressismo” e as Políticas de Género na Emigração
Liderança e Participação
Moderadora: Joana Miranda
13.00 - Pausa
14.30 - Debate - Conclusões
Relatora: Maria Amélia Paiva
Moderadora Graça Guedes
16.00 - Pausa
16.30 - Encerramento
Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas
Presidente da Câmara Municipal da Maia
Associação Mulher Migrante

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Uma selecção sem classe!

O que eu previa...
No jogo a sério, fracasso sem apelo nem agravo. Ainda por cima, com o povo nórdico a gritar uns sulistas "olés"!...

Para dizer a verdade, a primeira coisa de que gostei na nossa equipa foi de uma trivela de Quaresma, pouco depois de entrar em campo, ao minuto 66. Mas Ronaldo, à boca da baliza, rematou por alto. E de pouco valeu o seu tardio golo de bola parada.

Uma sorte, aliás, não termos sofrido uma goleada, no reino da Dinamarca!

domingo, 9 de outubro de 2011

Raro acordo total com Rui Santos...

Sobre Ricardo Carvalho, Madaíl, e Bento, sobre as ausências de Bosingwé e Danny e outras esquisitas vicissitudes da vida da selecção...
Como se vê, Ricardo Carvalho faz muita falta... Não tem substituto à altura e nunca terá. O melhor central do mundo! Desde há muito e ainda agora.
É preciso ter muito pouca coisa debaixo do cabelo, para o tratar como um novato, um fungível, um insignificante. Até Rui Santos vem dizer que Bento não poria no banco um Ronaldo sem lhe dar uma palavra, uma satisfação. Pois não, não poria... Esqueceu-se que Carvalho é tão importante na defesa como Ronaldo na ofensiva. Ou talvez ainda mais...
Por mim, entre o melhor central do mundo e um vulgaríssimo Bento, resolvia o problema correndo com o medíocre.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

De partida para Budapest

A convite do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Hungria. Para debater sistemas de representação de emigrantes.
Um dos temas de estudo e, também, de luta política que tem preenchido a minha vida.
Óptima ocasião para ter uma visão do que se passa e do que se projecta na Europa, em particular na Europa de Leste. Excelente iniciativa do governo húngaro, em parceria com a Universidade e a Academia de Ciências, onde decorrerá a sessão. Aberta pelo Ministro, naturalmente.
O caso português é considerado interessante. E, apesar de tudo, numa perspectiva de direito comparado, até é!

Convite do Centro Republicano Democrático de Fânzeres

O Centro Republicano de Fânzeres foi um parceiro maior e assíduo das comemorações do Centenário da República em Espinho, nos meses em que fui Vereadora da Cultura da Autarquia e, por isso - e não só por isso! - foi com imenso prazer que recebi o convite para ser oradora na sessão solene que marca o 103º aniversário desta grande instituição gondomarensa, agora a viver nas suas novas e grandiosas instalações.
Outras razões determinantes de uma aceitação entusiástica: uma de ordem geral, que é a admiração pelo voluntariado e pelo associativismo; outro muito especial, pelo facto de ser gondomarense e de ter, nessa terra das minhas origens em longa fila de gerações, o lado mais republicano da família.
Embora nas sessões solenes não seja habitual introduzir o debate, pedi que isso fosse permitido, para melhor nos integrarmos no "espírito da época", essencialmente marcada, tal como a vejo, pela vontade de dialogar, de comunicar ideias e projectos e de incentivar o exercício da cidadania, antes de mais, pela palavra (a crença no poder da palavra a anunciar e a anteceder a acção para transformar a sociedade, através de um "novo homem"- e uma nova mulher!).
Mudar as mentalidades, mudar as estruturas para aceder à liberdade, igualdade e fraternidade, com o acento na vertente da educação - de massas - e da cultura, eis um aspecto fundamental da utopia republicana de inícios do século passado.
Num tempo em que, a meu ver, a "questão de regime" perdeu toda a sua modernidade, o desafio do desenvolvimento cultural (e da participação cívica) é ainda absolutamente actual.
Debate houve e que debate!
Com a intervenção da Drª Fina da Armada e com o meu conhecido pendor feminista - à maneira de Ana De Castro Osório e suas companheiras - largamente partilhado naquele salão do Centro Republicano, onde a Câmara de Gondomar e a Junta de Freguesia tinham, ambas, rostos femininos, não admira que o movimento das mulheres portuguesas do princípio de novecentos, acabasse por estar no centro das atenções.
Um feliz serão, a 4 de Outubro, em que constantemente pensava nesse tios de Gondomar. Tios bisavós - como Manuel Guedes Ferreira Ramos- ou tios avós, como António, Alexandre, Alberto Mendes Barbosa ou José Barbosa Ramos, que foram exemplo de cidadadania e intervenção política, pois não exitaram em arriscar a sua situação profissional e a sua vida, para lutar por ideais.
"O António no Aljube", "o Alberto no Aljube" são inscrições no verso de fotos antigas, escritas pela letra pequena e inclinada da Avó Maria (ela própria monárquica e conservadora), de que me recordo desde criança...
O Tio Manuel Guedes não viu o dia da revolução, mas os seus companheiros de luta, depois do 5 de Outubro, não o esqueceram e deram o seu nome à Praça do Município, em Gondomar. O Tio António, percorreu, no tempo de Sidónio, os caminhos do degredo em África. O Tio José, que era o mais jovem Conselheiro do STJ, juiz com uma carreira brilhante pela frente, foi aposentado compulsivamente, na era salazarista.
O Pai era monárquico, Regenerador, tal como as irmãs, incluindo a Avó Maria, e como o cunhado António Carlos, o meu Avô Aguiar.
Divididos apenas pela "questão de regime", esses antepassados, de que me orgulho por igual, souberam sempre debater ideias opostas e viver em plena harmonia social e afectiva.
Assim deve viver uma família, uma comunidade ou m País, não é verdade?

sábado, 3 de setembro de 2011

Os insondáveis designios de Bento

Um dos quais foi a convocatória de NUNO GOMES...para o banco!!!
Um jogador de enorme curriculum, convocado depois de uma longa ausência, num particular sem importância, não pode entrar em campo, ao menos por alguns minutos?
Nuno Gomes convocado para dar autógrafos, escreveu certa imprensa...


O BANCO DE BENTO...


Já repararam que depois de um golo de penalty (duvidoso), de um joguito medíocre contra uma medíocre equipa, Portugal melhorou, acabou goleando o Chipre com golos de dois jogadores que vieram do banco, para disputar os últimos 15 minutos?
Face ao despropósito das escolhas de Bento, parece que Ricardo até podia ter achado uma distinção ficar no banco. Era aí que estavam os melhores...

NÃO DESERTA QUEM QUER IR À GUERRA

O desertor foge com medo do combate, ou recusa o combate por pacifismo, em nome dos princípios.
Ora, como sabemos, depois de ouvir as palavras de Ricardo Carvalho - e como já antecipávamos, antes mesmo de o ouvir - o seu problema na Selecção Nacional é precisamente o contrário: ele queria "ir a combate", queria jogar!
O insulto de Paulo Bento foi execrável. Não definiu o acto de Ricardo Carvalho: definiu o carácter de Paulo Bento.
E com isto, já não me resta a menor dúvida: Ricardo foi maltratado.
Quem tem o curriculum dele (o melhor "central" do mundo, 75 internacionalizações...), quem é um veterano, um dos pilares e um dos capitães da equipa, merece a titularidade. E se não a titularidade, pelo menos, uma palavra de explicação, quando, depois de um treino em plena forma, é substituído por um colega mais jovem, que nem sequer treinou...

Vamos imaginar que uma situação semelhante acontecia com Cristiano Ronaldo: é um dos melhores jogadores do mundo, é capitão da selecção, faz um treino fantástico, e, depois, sem lhe darem uma palavra, apercebe-se de um facto insólito - vai ser substituído, no plantel, por um rapaz novo, uma vedeta ascendente.

E se o Cristiano tivesse, então, de cabeça perdida, abandonado o estágio da selecção?
Bento, sendo Bento, podia até dizê-lo "desertor". Mas a imprensa não iria tratar Ronaldo com está a tratar Ricardo...

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Pouco Bento...pouco Bento...

A história da saída de Ricardo Carvalho do estágio da selecção nacional está por contar.
Não obstante, quantos comentários, ontem, pela noite fora - e todos os que chegaram ao meu conhecimento condenatórios do jogador!
Por mim, não faço julgamentos sumários, sem sequer conhecer todos os dados relevantes.
Mas, a avaliar pelo passado de Ricardo e de Bento, até prova em contrário, presumo Ricardo inocente. Mais vítima do que culpado.
De Bento conhecem-se atritos e sarilhos vários no balneário. Ricardo, por contraste, é um "senhor", para além de ser - como diz Mourinho - o melhor central do mundo.
Mesmo que tivesse razão, Bento tê-la-ia perdido com os excessos de linguagem.
Desertor?
Desertor?
Só faltou exigir o "fuzilamento".
Ou não faltou... pelo menos na forma metafórica.



sábado, 27 de agosto de 2011

BATOTA NO CASINO!

Imaginem se era os portistas a dizê-lo!
Choveriam sobre eles (ou elas) os adjectivos do costume: fanáticos, doentes, convencidos... Isto dentro da linguagem de salão. Dos outros, nem falemos.
Mas quem o diz, em grande título de 1ª página, é o diário desportivo "A Bola", que está acima de qualquer suspeita de clubismo azul!
Ainda não comprei, mas vou já comprar esta BOLA. Para ler e para para guardar a 1ª página como recordação.
Recordação do dia em que a chamada "melhor equipa do mundo" precisou de BATOTA para ganhar ao FCP!

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

OUTRA SUPERTAÇA E DOIS " PENALTIES" SONEGADOS

É sina nossa... Na supertaça nacional ficaram 3 "penalties" por assinalar, na supertaça europeia "só" dois. O efeito, porém, foi bem mais determinante: deu o troféu ao Barcelona.
Ganhar aos ombros da arbitragem é sina do "Barça" - seja contra o Real, seja contra o FCP.
Grande jogo fez o FCP de Vitor Pereira. Valha-nos isso!

PORTUGUESES CONTRA O PORTO!

Em Lisboa, foram muitos os portugueses que vestiram a camisola do Barça e festejaram a derrota do FCP, como mostrou a RTPN, sem o mais leve comentário crítico ou depreciativo.
Acham que a atitude da RTP - estação pública - seria semelhante numa reportagem sobre gente do Porto a festejar, do mesmo modo, uma derrota internacional de uma equipa lisboeta?
Eu acho que não.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A supertaça, muita alegria e 3 razões para preocupação

Refiro-me a 3 "penalties", todos a favor do FCP, que não foram assinalados.
Como a equipa ganhou, ninguém se queixa...
(5-1 seria melhor do que 2-1, mas o mais importante nem é isso: é que fomos objectivamente prejudicados - e, se calhar, vamos continuar a sê-lo!).

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

PORTO CANAL

Sempre que, hoje, fiz "zapping" para o Porto Canal vi no ecrã caras conhecidas: à tarde a Sameiro, à noite a Balbina Mendes (ambas muito bem).
Pelo meio, porém, uma vereadora da cultura de uma Câmara nortenha, muito jovem, muito à vontade, que disse várias vezes "houveram"...

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O futebol tem destas coisas...

Na pré-temporada o FCP ainda não tinha perdido e o Lyon ainda não tinha vencido.
O FCP jogou mais do que o suficiente para justificar a vitória, e não a alcançou e o OL merecia continuar como antes, mas foi de volta para casa com 3 pontos na bagagem...
O Porto perdeu porque não concretizou um sem número de oportunidades criadas e porque o OL aproveitou as únicas duas que teve - a segunda das quais logo depois de uma girândola final de substituições do seu adversário, que muito lhe facilitou o objectivo.
É óbvio que o jogo foi encarado pelo treinador do FCP apenas como um daqueles "jogos de preparação" em que todos os rapazes têm necessariamente de entrar em campo... mais para fins de "observação" do que de verdadeira "competição". Mas a competição não tarda.

Somos Porto

Claro que às 22.00 estive a ver o Porto Canal!
O primeiro "somos Porto" com o entrevistado Jorge Nuno Pinto da Costa no seu melhor. A dizer, por exemplo, que não trocava Hulk por Cristiano Ronaldo.
Eu também não!
CR joga quando integrado numa grande equipa (e se não, não!). De algum modo, é a equipa que faz Cristiano.
Hulk faz a equipa...

sexta-feira, 8 de julho de 2011

O FEST tem o seu lugar cimeiro entre os eventos que, ano a ano, animam Espinho.
Vemo-lo, antes de mais, como um meio esplêndido de continuar as tradições de uma história rica de expressão de valores humanos e de criatividade artística, renovando uma antiquíssima ligação à "7ª Arte", uma vez que teremos sido a terceira terra de Portugal a visionar um filme, certamente com o sentimento de participar num momento pioneiro e mágico.
E, ao longo das décadas seguintes, em que se vai construir uma estância de turismo de renome nacional e internacional, vários foram as salas e os espectáculos de cinema a fazer parte do seu desenvolvimento e poder de atracção.
O Festival Internacional de Cinema Jovem não é, com certeza, uma volta ao passado, antes promete, com a qualidade e o prestígio que se lhe reconhece, transportar para o futuro a magia eterna de uma arte a que Espinho se afeiçoou. Merece, assim, naturalmente, o encorajamento e o apoio de quem é responsável pelo pelouro da Cultura neste Concelho, ciente de que mais do que a dimensão geográfica estática de uma urbe pequena importa a sua superior e dinâmica dimensão cultural, que o FEST contribui para engrandecer e projectar.

terça-feira, 5 de julho de 2011

EM ESPINHO - O CINQUENTENÁRIO DA GUERRA COLONIAL - 1961-2011

As comemorações do centenário da República, na cidade de Espinho, estenderam-se durante meses, a partir de Março de 2010, ao ritmo de duas a três iniciativas mensais.
Foi um esforço notável para as unidades do pelouro da Cultura, todas muito sub-dimensionadas quantitativamente... Tenho de o reconhecer e, por isso, em 2011, não me atreveria a exigir outro tanto para uma efeméride, que obviamente constitui ocasião imperdível de olhar o passado e de reflectir sobre uma realidade que nos marcou decisivamente, condicionando a revolução de Abril e, com ela, o nascimento de novos Estados lusófonos.
Falo da guerra colonial, como é evidente.
O repto foi-me lançado por um ilustre membro da Assembleia - o Deputado Municipal Jorge Pina.
Como dar-lhe uma resposta condigna, sem sacrificar excessivamente os serviços?
Encontrámos uma solução fácil e pragmática - a rentabilização de um espaço e de uma parceria, que estão perfeitamente disponíveis para colaborar e podem suprir as nossas referidas dificuldades: a Calendário, que tem a seu cargo a organização da"Feira", possui o "know how", os contactos pessoais, os meios necessários e aceitou prontamente a nossa sugestão de convidar especialistas e autores de livros sobre esta temática, para a apresentação das suas obras, ou participação em Colóquios - a decorrer, ali mesmo, no acolhedor recanto da "Alameda", um "open space" devidamente protegido das nortadas de verão. (eu sei que temos agora uma belíssima Biblioteca Municipal, mas a verdade é que no verão, com as férias do pessoal, é extremamente complicado mantê-la em intenso funcionamento para estas finalidades...).
Eis a primeira proposta (ainda sujeita a alterações e adendas) para a realização dedebates sobre a Guerra Colonial:

16/7 – “ Dias de Coragem e Amizade” – 21h30 horas – Nuno Tiago Pinto
27/7 – “ Lá Longe Onde o Sol Castiga Mais – a guerra colonial contada aos mais novos” – 15 horas - Jorge Ribeiro
5/8 – “A Guerra Colonial e o 25 de Abril” – CoronelDavid Martelo

27/8 – A coluna do lago Niassa
(obra coordenada pelo Coronel Jacinto, a apresentar um precioso inédito sobre a guerra de 1916/ 18 em Moçambique, as memórias do Alferes Jacinto, que foram editadas pela Câmara Municipal de Espinho, no quadro do centenário da Republica).

Nessa data, o debate alargar-se-a à história das guerras em Moçambique, ao longo de um século Moçambique, será moderado pelo Mestre Teixeira Lopes, e terá como um dos intervenientes o Coronel Jacinto, ele próprio, como seu Avô combatente nesses mesmos territórios.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

CINQUENTENÁRIO DA GUERRA COLONIAL - 1961-2011

- Colóquios sobre a Guerra Colonial:

* Associação 25 de Abril – com a presença do Coronel David Martelo.

* Associação de Deficientes das Forças Armadas – 16/7 – às 21h30 – Com a participação de Abel Fortuna e apresentação do Livro “Dias de Coragem e Amizade”.

* Miguel Urbano Rodrigues – “A Guerra Colonial e os Movimentos de Libertação”

– Guerra em Moçambique 1916-18” - apresentação do livro sobre o“Alferes Jacinto, seguida de debete. Moderador Mestre Teixeira Lopes.
Participação do Coronel Jacinto, coordenador da edição das memórias de seu Avô

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Como se engana Pacheco Pereira!...

Quadratura do círculo, há poucos minutos...
Pacheco Pereira peremptório: o Secretário de Estado das Comunidades serve para controlar a emigração; a emigração é o único domínio onde o controlo político do Estado é possivel(em matéria de votos, de associações...); o Secretário de Estado é o "homem do aparelho", o responsável pela emigração do partido.
Que ideia!!!
Pode ser e pode não ser!
Basta estudar o perfil dos que se sucederam nesse cargo desde 1974, onde se encontram nomes como os de Rui Machete, Sérvulo Correia, o Embaixador Paulo Enes, o Embaixador Mário Neves, Sousa de Macedo (Mesquitela). Ou mesmo José Vitorino ou Correia de Jesus, militantes do PSD, mas não oriundos do "secretariado da emigração" do PSD. (Nem pensei, em primeira linha, no meu caso, mas posso esclarecer que quando o Doutor Sá Carneiro me convidou para o cargo, em Janeiro de 1980, era INDEPENDENTE - filiei-me, então, voluntariamente no partido, que era o meu (por puro Sá-carneirismo, diga-se...), mas as minhas relações com o dito "secretariado da emigração" foram quase sempre más, e nunca passou pela cabeça de ninguém convidar-me para encabeçar semelhantes estruturas...

Mas o que mais me irritou nem foi essa apressada e falsa generalização - que pode até ser hoje mais próxima da realidade, correspondendo, porém, à maior "partidarização" do aparelho de Estado, da administração pública, à "profissionalização" dos jovens políticos, quando não dos menos jovens... (Creio que ele estava a pensar em José Lello e, agora, em José Cesário, que, de facto, eram, ou são, influentes na hierarquia do partido, nas estruturas da emigração).

O que mais me irritou foi a falsíssima visão das comunidades do estrangeiro como "coutada" dos partidos.
Não são!
Não precisam dos partidos políticos para nada!
Não precisam do Estado Português para nada!
Ao contrário do que acontece em Portugal, onde fundações, associações, iniciativas da chamada "sociedade civil", vivem na inteira dependência dos dinheiros do orçamento de Estado, lá fora tudo é obra das pessoas. Imponentes Beneficências, Gabinetes de Leitura, Hospitais de 1º mundo, clubes sociais ou desportivos de dimensão gigantesca... Se tivessem esperado o apoio do país de origem, nem um só existiria!... Nem uma cabaninha, nem um modesto posto médico, quanto mais o Clube Português de Caracas (com as suas piscinas olípicas, restaurantes de luxo, teatro, jardins, uma frequência de 2000 a 3000 sócios em cada fim-de-semana...) ou o Hospital Português de Recife (o maior, o mais moderno de todo o nordeste brasileiro - um, entre tantos fantásticos hospitais portugueses de norte a sul do Brasil)
Na sua maioria, os emigrantes são mais portugueses do que os portugueses do território, mas poucos se interessam pela política.
O discurso político passa-lhes quase completamente ao lado! A organização do PSD - que é o maior partido nos votos da emigração, sobretudo Fora da Europa - é ínfima: na África do Sul ou nos EUA, onde sempre consegue as melhores votações não tem organização nenhuma! No Canadá, onde está o PSD? No Rio há um núcleo pequeno, de onde é originário um dos deputados do círculo...
Nada de grandioso!

O mundo das comunidades é feito de um movimento associativo poderoso, que serve Portugal, pelo afecto e do qual Portugal pode ter a tentação de se servir mal. Mas é um mundo que tem todas as condições para ser completamente autónomo.

Poucos votam, como é mais do que sabido. E votam como querem. Sampaio foi eleito pela maioria dos seus votos. Cavaco também.
Fora da Europa, a maioria é PSD,
Na Europa, a maioria é socialista.
Quando há viragem , isso deve-se quase sempre mais às políticas do governo do que aos homens políticos do governo...

Quanto a Cesário:
Ele será um bom SECP, porque conhece as comunidades e as comunidades o conhecem. Ser ou não um homem importante das estruturas do PSD é coisa mais relevante dentro do que fora do país...

sábado, 25 de junho de 2011

Revolução protocolar

É o que eu chamo à decisão do Primeiro Ministro de viajar nos aviões em classe económica.
Como fiz, por dever de ofício, incontáveis viagens aéreas, para mim, esse meio de transporte é tão banal como outro qualquer, comboio, carro... E, por isso, poderia pensar que a revolução protocolar ficaria incompleta se não viesse a estender-se à 2ª classe do Alfa e do Intercidades ou à opção por viaturas oficiais pequenas, de baixo consumo.

Mas a questão é simbólica, não é financeira. (Alguém consegue imaginar Sócrates a assentar os seus fatos Armani na económica de uma aeronave?).

Quando era membro do Governo, em modestos lugares de Secretária de Estado, tinha uma espécie de livre trânsito da CP e sabia perfeitamente que a TAP não cobrava o custo da viagem aos governantes (pelo menos aos do Ministério dos Negócios Estrangeiros). Mas parecia-me bem, e utilizava a Executiva, que raras vezes ia cheia. Nessas condições, sentia-me apenas a ocupar um assento que, de outro modo, ficaria simplesmente vazio.
Mais tarde, na Assembleia, já não era esse o caso - apesar do enorme volume de deslocações, não havia qualquer acordo que visasse privilegiar a TAP (companhias estrangeiras eram correntemente escolhidas), não se negociava com esta companhia de bandeira sem intermediários, não se beneficiava, consequentemente, de um estatuto mais favorável do que o do passageiro ocasional (as milhas são outra história, mas o certo é que premeiam os passageiros frequentes, pessoas ou empresas).

Porque sempre procurei poupar dinheiros públicos, sempre examinei as tarifas em que estava emitido o bilhete (se calhar, um tique feminino...). Por isso, sei um pormenor que não vi ainda referido por ninguém: qualquer das classes, 1ª, executiva ou económica, comporta uma multiplicidade de tarifas. E há tarifas de económica mais onerosas do que as de executiva...

Não vejo nada de mal em recorrer a transportes colectivos. Sou uma adepta de metros e comboios, em qualquer país do mundo, incluindo Portugal, Espinho, Porto, Lisboa...
A história regista um Presidente da República que se deslocava para o Palácio presidencial de carro electrico (Manuel de Arriaga?).

Não pertecendo a esta linha da frente da política nacional, não qualifico para simbolizar coisissima nenhuma com os meios em que me faço transportar, mas recordo-me que, uma vez, não sei já bem porquê (avaria mecãnica no veículo oficial? irritação com o atraso do motorista?)tomei um autocarro de Benfica para Alcântara, a caminho do Palácio das Necessidades - em frente à Pastelaria Evian. Por acaso, na paragem seguinte da Av. do Uruguai, ali perto da Livraria Ulmeiro, entrou pela porta dentro o Pedro Cid. Ficou atónito. Disse-me que nunca tinha visto um Secretário de Estado viajando, tranquilamente, de autocarro para o local de trabalho. Tudo pode acontecer...

sexta-feira, 24 de junho de 2011

MAIS AZUL PARA VILLAS BOAS!

Sim, ele é portista como nós, os que o somos para sempre. Mas é também um profissional, que tem um destino a cumprir. A proposta do Chelsea surgiu, irrecusável. Face a ela, não era legítimo exigir que ele continuasse no Dragão. E a sua partida não vai, sequer, previsivelmente, prejudicar os objectivos do nosso clube na próxima época... A equipa aí está intacta, tão bem construída por ele (hopefully...assim se consiga manter o colectivo, com poucas e selectivas transacções sensacionais).
À frente fica agora um técnico reconhecidamente competente, que era nº 2 de Villas Boas - uma promessa de continuidade de sucessos (uma solução rápida e inteligente à Pinto da Costa).
Ninguém exige a "champions", com ou sem André: "apenas" o campeonato, a dobradinha, um excelente percurso europeu... Coisas ao alcance de Vitor Pereira.
Oportunidade para o FCP revelar ao mundo um novo grande treinador português, mais 15 milhões de clausula de rescisão nos cofres.
Boa sorte para Villas Boas!
Por mim, vou torcer por ele, sempre! (em não estando em causa o Porto, é evidente).
Mourinho, que é também um génio, mas não é portista, nem se preocupa em jogar um futebol necessariamente apaixonante, fica, daqui em diante, um lugar abaixo.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

O 10 de junho e a véspera

Nos últimos 31 anos, poucas vezes passei em território português o dia nacional. A prioridade espontânea, sentida, vivida, era estar nas comunidades do estrangeiro, respondendo a convites, quer quando ocupava cargos que o exigiam por dever de ofício, quer quando o fazia como pura e simples "voluntária", por boas razões afectivas. O dia tem outra força, outra expressão e outro encanto nesse imenso Portugal!

A véspera do 10 de Junho é um dia comparativamente banal, para todos nós, mas, é, por acaso, aquele em que nasci no ano distante de 1942. Pelo que comecei por dizer se torna evidente que raras foram, ao longo das 3 décadas mais recentes, as ocasiões de passar este dia em casa, com a família.
O facto nunca agradou à família, mas a mim não me incomodava excessivamente. Preocupava-me, sim, que isso fosse de conhecimento público, porque se há coisa que me constrange é ver-me no centro de uma festa de aniversário, fora das peredes estreitas de minha casa... Nem sequer nunca admiti jantar em restaurantes nesse dia, mesmo que apenas com pais, avós, tios e primos à volta da mesa...

Por isso, os meus colaboradores no Governo ou na Ar estavam rigorosamente proibidos de revelar à entidade anfitriã do 10 de Junho em países dos 5 continentes, que eu fazia anos na véspera. Quando a véspera era um domingo, lá fora, esse era mesmo o dia da festa nacional...
E eu em perfeita segurança, tranquilamente, porque quem sabia mantinha o compromisso do segredo!

Outros tempos, antes da net e do facebook.

Em 2011, em Espinho, não consegui obter o mesmo resultado. O dia 9 era uma quinta-feira e às quintas há muitas vezes concertos no Multimeios. Assim aconteceu ontem (confesso, que, à cautela, ainda tentei que o concerto se realizasse no feriado, mas Sofia Guedes já tinha compromissos nessa noite!) Quem trabalha directamente comigo recebeu as mesmíssimas instruções. Não foi suficiente. Acho que o facebook revelou a coincidência. Quando ouvi os acordes do "happy birthday" percebi o que me esperava...
Mas, devo dizer que, depois de acontecer, foi muito simpático.

E, antes, o concerto foi memorável!!!

quinta-feira, 9 de junho de 2011

CONCERTO DE FAUSTO NEVES - HOJE NO MULTIMEIOS ÁS 21.30

Reviver Espinho do compositor e pianista Fausto Neves, num ambiente de café concerto que lhe foi familiar...
Lembrar Espinho na sua época de ouro, que pode ir ranascendo...

Ao piano um grande pianista, Fausto Neves.
Canta Sofia Guedes, maravilhosamente.

Estão todos convidados!

E, seguidamente, há o lançamento do CD PRAIA DE ESPINHO, para levarmos para casa, connosco, o som da música, que acabamos de ouvir ... e as boas memórias!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Um percurso breve de "inexperiência" a mestria...

Não é só na política que os nossos críticos bem pensantes se enganam muitas vezes - com dificuldade em aceitar o que é novo ou diferente. Há um recentíssimo exemplo no mundo do futebol.
Villas Boas, é claro!
Quem não se lembra do que dele diziam os sábios da matéria, nos media todos, da imprensa à TV?
E o que é que dizem actualmente, passados uns escassos 10 meses?

Pedro Passos Coelho - quando as aparências não iludem

Acho que Pedro Passos Coelho é o que transparece: um homem bom, bem intencionado, que cultiva a simplicidade, em desfavor do exibicionismo da sua inteligência e da sua cultura, e acredita que, na política, mesmo em tempos tão difíceis, é possível dizer a verdade sem perder a corrida do poder.
Ele é, como eu gosto de dizer, um político "estilo nórdico", o menos "latino" que jamais se viu em Portugal. É contido, é discreto, é sereno e - o que não é dispiciendo...- é sério. Não quer parecer melhor do que, de facto, se sente (antes pelo contrário, por pura modéstia).
Os comentaristas políticos, de ambos os sexos, na maioria, ao invés de Passos Coelho, tem "egos" medonhos e não conseguem entender a sua maneira de ser. Para eles, é politicamente "contra natura". Chamam-lhe outras coisas: juventude, ingenuidade... um comentarista do "Público" de hoje chega ao snobíssimo excesso de falar da "candura inexperiente" do nosso futuro Primeiro Ministro.
Não concordo nada!
Penso que estamos perante um fenómeno de inexperiência "nacional" da nossa "intelectualidade" face ao modo de ser e de fazer política de Passos Coelho, que eu, pessoalmente, aprecio tanto. E, como é evidente, muito povo anónimo também.
Agora, vamos ver quem tem razão...

quarta-feira, 18 de maio de 2011

ANA del RIO nova exposição

Os artistas são de todas as terras e de todas as gentes, mas é da diversidade e da
originalidade das suas formas de expressão que se faz a identidade na diferença
de cada comunidade cultural, de cada terra.
Por isso, ousarei "reclamar" para Espinho a mais-valia que nos dá a inserção, a
permanência de Ana del Rio entre nós, permitindo-nos partilhar a sua pertença
com a Espanha natal (não esquecendo, naturalmente, a influência espanhola,
desde a origem oitocentista, na vida social e cultural espinhense, que, agora,
nela encontra um esplêndido meio de se continuar).
E, por o reconhecer, gostaria de lhe manifestar a vontade de ver
nas Galerias do Forum de Arte e Cultura de Espinho uma sua próxima exposição
individual - uma exposição, por certo, tão fascinante quanto a que presentemente se pode visitar na Biblioteca Municipal de Gaia.

Lembro a presença de Ana del Rio na recente 1ª Bienal "Mulheres de Artes" ,
no "Forum". Guardo na memória as imagens de três telas figurando mulheres que encarnavam, na perfeição, o espírito daquela iniciativa - personagens irradiantes de cor, de feminilidade, e de certezas sobre os caminhos a seguir, num movimento assertivo e gracioso. Ali, tomavam conta do espaço que lhes estava destinado, humanizando-o, ou melhor, feminizando-o, com uma mensagem subtil e promissora. A mostrar que, no nosso tempo, a representação pictórica se pode converter numa outra maneira de dar às mulheres existência - na Vida pela Arte .

sábado, 14 de maio de 2011

Paralelos e paralelos no eixo

Eixo do mal. Nunca perco o programa.
Mas quando um dos comentaristas se indigna com as diatribes antisocráticas de Catroga, em particular, com o paralelo Sócrates-Hitler, eu lembro uma outra comparação célebre, feita em plena Assembleia da República (circunstância agravente): o paralelo AJ Jardim - Bokassa, traçado pelo sereníssimo socialista Jaime Gama.
Nada de novo no nível do debate político a que estamos habituados.
Escolher entre Hitler ou Bokassa é obra...

Filhos de um deus menor

Fim do campeonato de futebol...

Tudo serviu, neste 14 de Maio, nos 3 canais "noticiosos" da televisão - RTP-N, SIC Notícias e TVI 24 - para não se falar do FCP (ou para falar o menos possível). O jogo do Braga com o SCP foi o prato forte, com as entrevistas de Pacência e Couceiro a fazerem esquecer Villas-Boas... Do SLB não convinha falar demais, porque o Leiria estragou o que seria outro tópico ideal para desviar as atenções de um invicto vencedor do campeonato nacional. Uma maçada! O treinador portista tão jovem, a ganhar, aos 33 anos, o campeonato sem derrotas, deixando o segundo classificado a 21 pontos de distância. Sem derrotas, sem "casos", sem defeitos... Definitivamente uma "não notícia"...
Mas porque consigo ainda irritar-me com a dualidade de critérios?
Foi sempre assim e eu já sou tão velha!
De repente, lembrei-me do Tio David (um dos tios super-portistas!) a dizer-me, há cerca de 60 anos: Quando ouvires grandes elogios ao Porto, desconfia. Só nos elogiam quando ganhamos "moralmente" e perdemos em campo!
O Tio tinha razão e, neste aspecto, está tudo como dantes. Porém, graças a Deus, a Pinto da Costa, Mourinhos e Villas-Boas já lá vai o tempo das vitórias morais e agora ganhamos, gloriosamente, dentro do rectângulo e eles não nos elogiam...

terça-feira, 10 de maio de 2011

O FCP de DECO e o DECO do FCP

O FCP do início do século XXI, o Porto campeão da Europa, fica para sempre ligado à magia do jogo de Deco, que foi, depois, relançar, com a mesma incomparável inteligência estratégica e precisão de passe, o Barça (muito por mérito dele!) elevado às alturas de melhor clube do mundo.

Houve um "FCP de DECO", que ficou na História do futebol, mas é, igualmente, verdade que há um "DECO do FCP" - um Deco "dragão" para sempre.
Condição publicamente assumida por ele e reconhecida por todos os adeptos portistas, como o provaram quando, no estádio do Dragão o aplaudiram de pé, em delírio, não obstante envergar nesse dia a camisola do Chelsea. Eu estava lá. Foi dos momentos mais empolgantes que partilhei com uma multidão perfeitamente unida pelas emoções do companheirismo e do fascínio por uma estrela do seu imaginário, do seu universo.

Vi no jornal "O jogo" de hoje, um grande título, que me encantou mas, verdadeiramente, não me surpreendeu: Deco a dizer aos mais talentosos deste novo FCP de Villas Boas que "não serão tão felizes noutro clube".
Ninguém pode fazer uma mais perfeita e elogiosa declaração de pertença, baseada numa experiência de vida, que, aliás, passou, de seguida, com imenso sucesso, pelo clube que ocupava e continua a ocupar o 1º lugar do ranking mundial.

Reunião na Biblioteca Municipal José Marmelo e Silva

Amanhã uma primeira reunião de trabalho a nível do pelouro da cultura no novo edifício da Biblioteca Municipal. Utilizar, de imediato, aquele espaço tão bonito é uma tentação irresistível. A reunião é mais uma de muitas das realizadas em "mesa redonda", para balanço de actividades e planeamento de acções - que sempre antecipo como criadoras de novas ideias e dinâmicas - mas, agora, a tudo o mais, acresce o encanto do lugar.
Que bela obra de arquitectura!
(Esta semana pude visitar, a convite da Drª Maria Ricardo, a Escola Manuel Laranjeira - e senti-me num país de primeiríssimo mundo, que é exactamente como a Bibioteca da cidade de Espinho nos faz sentir. O arquitecto é o mesmo...).

sexta-feira, 6 de maio de 2011

No centenário de José Marmelo e Silva

Uma brevíssima introdução às intervenções proferidas no auditório das novas instalações da Biblioteca Municipal de Espinho, no dia em que adoptou o nome do seu "patrono" José Marmelo e Silva, e em que, por coincidência, pode abrir as portas ao público. Numa verdadeira corrida contra o tempo, os funcionários conseguiram o milagre de ter tudo como deve ser para a abertura - apesar de as últimas peças de mobiliário estarem ainda a ser descarregadas na tarde de ontem...
E que bela obra de arquitectura (com a assinatura do Arquirecto Rui Lacerda) se nos oferece! Espinho merece. José Marmelo e Silva também.

A ocasião era mais de emoções do que de palavras, em que, por isso, procurei poupar. Mais do que tomar a palavra eu queria dar a palavra a quem se seguia - o Dr José Emílio Marmelo e Silva e o Prof Doutor Arnaldo Saraiva...



"Este é, certamente, um dia para a História de Espinho.
Antes do mais, porque, na data do centenário do seu nascimento, prestamos homenagem a José Marmelo e Silva, na Biblioteca, à qual de hoje em diante dá o nome.
Um nome, como teria de ser, com um grande significado para nós: o significado da pertença a Espinho de um génio das Letras portuguesas, que foi também um exemplo de afirmação da cidadania em tempo de ditadura e que soube fazer da escrita uma via de transformação da sociedade e de dignificação da condição humana.
Podemos dizer, com todo o rigor, que o distinguimos desta forma, que o escolhemos, porque primeiramente, ele mesmo nos escolheu – elegendo Espinho para viver e conviver, para ensinar gerações e gerações de jovens, para compor obras-primas em língua portuguesa.
Fizemo-lo por decisão unânime do Executivo da Câmara Municipal, a revelar a consciência havida da dimensão cultural que José Marmelo e Silva acrescentou à cidade, como Espinhense no afecto e na vivência. E queremos prolongar este acto de comemoração, simbólica e exultante, num reencontro incessante, quotidiano com o pensamento, a escrita, a mensagem deste Autor que vale a pena ler e reler.

Vale a pena conhecer melhor o Homem que ousou denunciar o imobilismo - a trave mestra do regime - cumprindo a sua parte num afrontamento sem medo aos limites impostos, porque, como lucidamente enunciou, “a anquilose atinge um povo, como uma pessoa. Atinge a humanidade (não havendo quem se oponha)". O Autor que, na expressão de um dos seus personagens mais comoventes, na hora de maior infortúnio, nos deixa uma exortação que serve qualquer tempo e qualquer lugar:
“Tende esperança! Tende esperança!”

Mais ou menos utópica ou realista é sempre de um pouco de esperança que se alimenta a vida. Foi José Marmelo e Silva que nos disse "a vida ... que coisa contrastante e apesar de tudo irresistível”.

domingo, 24 de abril de 2011

Abril: o dia.
Portugal estava parado no tempo, décadas atrás do tempo real... Um anacronismo assente numa ditadura asfixiante, ultramontana, misógina, enredada numa guerra colonial, isolada na Europa e no mundo. Nada acontecia, nada mudava. E nesse dia 25, assim, de súbito, todas as utopias, todas as mutações pareciam ao nosso alcance...

Abril: o processo dinâmico

Foi uma época vertiginosa, fantástica, de refundação do Estado, de reconstrução da democracia. Vieram para a política os melhores - e com eles, com um povo corajoso e de espírito aberto, se atingiram tantas metas, uma a uma (se cumpriram os sonhos).
Sá Carneiro foi, para mim, a expressão máxima de uma nova visão de Portugal e dos meios de lutar por ela. Era, mais do que os outros, o anti-Salazar, o oposto mais oposto. Salazar desconfiava dos portugueses, da sua capacidade de viver em democracia, sem o paternalismo de uma tutela. Sá Carneiro confiava nos portugueses e, por isso, exigia democracia no imediato e sem tutelas, fossem elas civis ou militares, nacionais ou internacionais. Onde muitos, dentro e fora do partido que criara, preconizavam, por temor e calculismo, a cedência a uma transição gradual, ele queria o povo a decidir, na hora, e a fazer futuro, como os povos seus iguais na Europa.

Abril: hoje

A história feita nas três primeiras décadas comprova que que uma democracia, modelo europeu, pode florescer entre nós, convivial e fraterna. O povo respondeu às dúvidas que tantos levantavam
Ma até que ponto o descalabro económico, fruto do mau governo minou, em poucos anos, a soberania do Estado e o estado da democracia? É ainda possível afastar a sombra de novas tutelas, agora impostas do exterior?
A resposta à dúvida só pode ser dada, uma vez mais, pelos Portugueses - políticos e sociedade civil.

Maria Manuela Aguiar

sábado, 23 de abril de 2011

Abril e depois de Abril

dia 25 de Abril de 74 foi, para a jovem que ainda era, um dia de grandes expectativas. Vivi a primeira revolução da minha vida em casa, com rádio e televisão ligadas, ansiosa por notícias, encantada com as músicas que, melodicamente, profetizavam radicais transformações.
Portugal vivia, então, parado no tempo, décadas atrás do tempo real...
Um anacronismo. Uma ditadura patriarcal, ultramontana, misógina, enredada numa guerra colonial, só na Europa e no mundo. Nada acontecia, nada mudava. E, nesse dia, assim de súbito, todas as mutações pareciam ao nosso alcance...

De seguida,O o processo dinâmico do 25 de Abril foi uma época fantástica de refundação do Estado, de reconstrução da democracia. Vieram para a política os melhores - com eles e com um povo corajoso e de espírito aberto, se atingiram tantas metas, uma a uma.
Para mim, Sá Carneiro foi a expressão máxima de uma nova visão de Portugal e dos meios ideais de lutar por ela. Era, mais do que os outros, o anti-Salazar, o oposto mais oposto. Salazar desconfiava dos portugueses, da sua capacidade de viver em democracia, sem o paternalismo de uma tutela. Sá Carneiro confiava nos portugueses e, por isso, exigia democracia no imediato e sem tutelas, fossem elas civis ou militares.
Onde muitos, até mesmo dentro do partido que criara, preconizavam, por temor e calculismo, a cedência a uma transição gradual, ele queria o povo a decidir, na hora, e a fazer futuro, como os povos seus iguais na Europa ocidental.
A História das primeiras décadas de regime democrático deu-lhe inteira razão, porque a democracia floresceu entre nós, convivial e fraterna.
E agora? Até que ponto o descalabro económico pode minar a soberania do Estado e o estado da democracia? Poder, pode, mas eu continuo a acreditar nos Portugueses, na sua capacidade de tomar em mãos o destino traçado a partir daquele Abril.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

The special ones

Felicidade a dobrar, num inesquecível 20 de Abril de 2011.
Mourinho, Villas -Boas...
Fazem-me pensar em Siza e Sotto Moura.
O nosso surpreendente Portugal, onde, por vezes, os génios se levantam, aos pares, por sobre a mediocridade geral...
"The special ones" do futebol europeu, o que quer dizer universal.
Quem diria, alguns meses atrás, que Villas-Boas ascenderia tão rapidamente a este patamar?
Eu, por acaso, acreditei nele, desde a 1ª hora - ao contrário do que normalmente acontece, quando chega ao clube um novo treinador, seja ele novo ou velho em experiência (confesso uma conversão tardia e ditada pela força das evidências, no caso de José Mourinho).
Em relação a Villas-Boas, portuense e portista de nascença, com o seu ar civilizado e extrovertido, a crença no talento juntou-se à imensa simpatia pela pessoa.
Mas nem eu esperava tanto, tão depressa.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

No futebol: uma outra imagem de Portugal

Dois Portugais: vão mal as coisas no país de Sócrates; vão bem as coisas no país de Villas Boas, de Domingos Paciência e de Jesus.

Com PEC 4 ou sem PEC 4...

Com ou sem PEC 4, Portugal na bancarrota.
É a verdade.
E não queiram repartir culpas, porque não há culpas a repartir, pelo menos com os partidos da oposição. Quem nos trouxe até aqui foi quem nos desgovernou, em vez de nos governar. Ao longo de anos, sobretudo, a partir da entrada em funções de um executivo minoritário, visceralmente incapaz de diálogo, com um Primeiro-Ministro intratável.
Ao PEC 4, ter-se-ia seguido o PEC 5 e 6 e 7... (etc) até ao inevitável recurso à intervenção externa.
Sem o 4º PEC, isso aconteceu logo, porque logo se começou a conhecer o estado das finanças do Estado. Não o estado por inteiro, mas a ponta do "iceberg".

Gente do meu tempo...

Ontem, a chegada do FMI ocupava em grandes debates todos os canais que eu costumo ver, RTPN, SIC NOTÍCIAS, TVI 24. Fixei-me nesta última.
À volta da mesa, Jacinto Nunes, Rui Machete, Alípio Dias, Torres Couto, Joaquim Letria.
Políticos que souberam lidar com os precedentes de intervenção "externa".
Falou-se de política, com dignidade e com elevação, não dos "faits divers" da politiquice, que escondem as verdadeiras causas da nossa queda no abismo.
Deram-me razões para ter orgulho na minha geração! Homens com quem partilhei - sem com eles me poder ou pretender comparar... - o Executivo em, pelo menos, dois decisivos governos da República. O Prof Jacinto Nunes, no de Mota Pinto, Rui Machete e Alípio Dias no do chamado "Bloco Central". Ou com quem mantive diálogo (Torres Couto) ou colaboração em programas de televisão (Letria).
Gente de bem e de sabedoria, "salvadores" de uma Pátria, que agora, arrastada para o fundo por uma novíssima geração, busca, de novo, em piores condições do que nunca, uma problemática salvação...

terça-feira, 5 de abril de 2011

O dia da comunidade luso-brasileira

22 de Abril de 2011.
Data que no Brasil será lembrada muito mais do que em Portugal, apesar de ter, e dever ter, o mesmo significado para os dois Povos e os dois Estados.
É o dia simbólico do primeiro encontro dos portugueses da expedição de Cabral com a terra e as gentes de um país futuro, destinado a ser o maior da Lusofonia e maior do que nunca no século XXI. Uma cultura, uma economia e uma política liderantes no presente - e cada vez mais, no seu trajecto ascendente de potência mundial. Uma Mulher na presidência - outro sinal de que o futuro é já presente!
Dilma Roussef esteve entre nós e disse, numa entrevista dada na véspera da chegada, uma frase inteligente e lúcida sobre as relações luso brasileiras: "Acho que Portugal não é Europa. Portugal é Portugal".
Admirável forma de nos distinguir, de nos reconhecer em toda a singularidade de laços que nos une. Tomara que cada um dos nossos políticos saiba dar a "reciprocidade" a esta constatação feliz, declarando: "Acho que o Brasil não é América Latina. O Brasil é o Brasil"
Há uma geografia dos afectos que passa à frente da pura geografia! À qual é necessário dar espaço em actos de natureza muito concreta. Parece-me que o Brasil, nos tempos recentes, o tem feito mais e melhor do que Portugal. Por exemplo, na forma como acolheu os nossos refugiados de África, no período da descolonização. Ou como consagrou na Constituição de 1988, o estatuto de igualdade de direitos políticos entre Portugueses e Brasileiros, oferecendo-lhes todos os direitos da nacionalidade, como se naturalizados fossem, sem necessidade de o serem. E porquê? Porque, como afirma a Presidenta Dilma, "Portugal é Portugal"! Os políticos que temos, levaram 13 longos anos a dar, na Constituição Portuguesa, a reciprocidade a este Estatuto de Igualdade, em que se funda juridicamente uma preexistente comunidade de culturas e sentimentos.
No 22 de Abril de 2011, o meu desejo é que a vivência das leis fraternas, que nos regem, se aprofunde e se alargue, em novas vagas migratórias, em um e outro país, para que sejam crescentemente, como já vão sendo, forças de progresso e aproximação dos Estados.

Uma aventura luso-brasileira - no jornalismo

O “Portugal em Foco” do Rio de Janeiro está em festa!
E bem merece, neste aniversário especial, que é uma verdadeira etapa de vida, palavras elogiosas, porque continua sendo um meio insubstituível de informação e de conhecimento sobre a comunidade lusa - brasileira em toda a sua dinâmica e capacidade de se afirmar.
Nas suas páginas marcam presença os mais participativos e influentes dos cidadãos e das cidadãs, os dirigentes das maiores instituições, os animadores das grandes realizações populares. E, por isso, o jornal é a memória de um tempo, que fica para sempre captado nas suas reportagens, crónicas e artigos - e servirá os vindouros, quando quiserem fazer a história da emigração portuguesa da nossa época e, também, a do trajecto dos indivíduos e das colectividades, que formam as nossas comunidades no Rio e no Brasil.
E o próprio jornal, que bem reflecte o pensamento e a acção dos seus criadores, a mítica Benvinda Maria e o marido, o Comendador Marques Mendes, se converteu em autêntica “instituição”. Quantas aventuras inéditas, ousadas e bem sucedidas nascerem do seu espírito empreendedor, da sua iniciativa concreta! Aventuras que se destinaram, sobretudo, aos jovens, como as fantásticas digressões anuais a Portugal do Rancho Português do Rio de Janeiro, que trouxeram até nós milhares de luso-brasileiros à procura e ao encontro das suas origens, das suas famílias. Ou os campeonatos desportivos, ou a celebração do dia do emigrante e de muitos dias de festa popular e de convívio… Exemplos, entre tantos outros, do contributo constante, inteligente e determinado para a preservação de uma presença portuguesa no Brasil - o que passa pela atracção dos descendentes de emigrantes, de novas gerações.
Muitos parabéns e muito futuro, em novos projectos, para todos os colaboradores do “Portugal em Foco”, e, muito em particular, para a Comendadora Benvinda Maria -que não gosta de ser chamada pelo título, a que tem pleno direito. Uma grande Mulher Portuguesa, irrepetível e inimitável, das poucas que, há décadas, se soube impor num mundo então quase totalmente masculino. Uma pioneira, referência e fonte de inspiração para as jovens no século XXI.

Maria Manuela Aguiar

domingo, 3 de abril de 2011

Alegria e civilidade na festa do título em Espinho

Clima de alegria e de civilidade na festa do título do FCP na cidade de Espinho. Em frente à "Casa do FCP", bem no centro da cidade e tão perto do mar, os portistas afluíam, espontaneamente, dando a uma praça ali improvisada as cores, azul e branca, da sua bandeira.
Cheguei na hora certa para assistir à colocação da faixa de campeão 2010/2011 na fachada da "Casa" - no meio de uma multidão feliz. Lá dentro, o mesmo ambiente - e registo a visita de alguns benfiquistas, a darem um exemplo de desportivismo, que Lisboa deveria seguir.

terça-feira, 29 de março de 2011

Portugal é Portugal

Ontem, subitamente, tornei-me fã de DILMA .
Excelente, a Presidenta Dilma, no diálogo com Miguel Sousa Tavares. Nunca o imaginei a entrevistar uma assumida feminista, com o ar de quem está encantado. Mas quem não estava?
A Presidente impressiona. Usa a palavra certa, de uma forma contida e assertiva. A sua maneira de estar é perfeita - nem demais, nem de menos. Uma imagem do espírito e da força de um Brasil no feminino.
Gostei muito em especial desta frase sobre as relações luso brasileiras:
"Não acho que Portugal seja a Europa. Portugal é Portugal".
Que modo tão inteligente de nos singularizar, identificando-nos!

domingo, 27 de março de 2011

"Quem interviu no meu despedimento?"

A interrogação é do douto Carlos Queiroz, na entrevista exclusiva concedida à TVI24, que acabou há poucos minutos.
INTERVIU? O homem precisa de voltar à escola primária!

A entrevista não teve graça nenhuma, mas eu resisti, de princípio ao fim. Fiquei a saber, por exemplo, que se sentiu pertubado no seu "momento de glória" (a decisão que o iliba no caso doping) pelas palavras de Pepe, lançando agora a nova acusação de que ele foi "instrumentalizado".
Queiroz meteu os pés pelas mãos - para usar uma daquelas expressões populares em que ele se exprime, habitualmente - e até chegou a reconhecer que a opinião de Pepe pode ser "verdadeira" (ou seja, que ele disse o que pensa). Não pode é ser "expressa".
Não pode ser expressa? Mas em que democracia vive este senhor?
Não pode ser expressa, porque não é "profissional". E serão "profissionais" os insultos xenófobos que ele dirigiu ao luso-brasileiro Pepe, gozando até com as cores da bandeira do BRASIL?

sexta-feira, 25 de março de 2011

Queiroz : Por que no te callas?

Queiroz acabou. É um "has been". Ninguém por cá o vai querer nunca mais. É um produto invendável... De todos os erros de Madaíl, ele, com a sua arrogância, a disfarçar mal o medo de "ir a jogo", encarnou o mais monumenal de todos.
Falhou o "mundial" mais por essa falta de coragem e de "fair-play" do que pelos resultados e comprometeu o futuro no "europeu", de uma forma miserável, num clima persecutório de alguns, e de desânimo geral. Parente próximo do caos absoluto.
Desbaratou as potencialidades de um grupo talentoso, que emergiu, imediatamente, com a sua mera substituição por um treinador muito mais jovem, com curriculum bem mais modesto, mas com capacidades profissionais e, sobretudo, humanas, infinitamente superiores. Nem foi preciso Mourinho. Bastou Bento. Bastou Bento para mostrar onde estava o mal da selecção (Queiroz) e o bom (jogadores, libertos do ambiente kafkiano da era queirosiana).
O que Pepe disse, no seu apelo a que os deixe tranquilos com o novo e tranquilo responsável pela selecção, foram coisas úteis no contexto, mas que não constituem segredo ou novidade para ninguém.
O que Queiroz respondeu também não é surpresa, porque dele esperamos sempre o pior...
Foi vergonhoso!
Um ataque xenófobo a um luso-brasileiro - ridicularizando-o, a imitar sotaque e particularidades de expressão - coisa absolutamente inadmissível, que, num país civilizado lhe devia merecer processo e sanção. Óbvio! Se a atitude racista de meros adeptos, quando, por exemplo, atiram bananas a um jogador negro, o merece (evidentemente!), o que se dirá de um professor, de um ex-seleccionador que desce a estas profundezas de ódio anti-brasileiro?
Segue-se a referência, igualmente odiosa, a um episódio muito antigo e muito infeliz da vida de Pepe, um descontrolo emocional (do qual ninguém está livre). Uma agressão SEM QUAISQUER CONSEQUÊNCIAS para o agredido, mas que Queiroz refere como pontapear "selvaticamente" a cabeça do adversário. Na verdade, a cabeça do adversário ficou de boa saúde (ao contrário do que aconteceu em agressões deliberadas, a sangue frio, como aquelas de que foram vítimas, por exempolo, Pedro Mendes ou Petr Ceh, que só por sorte estão vivos. Ou Anderson, no Porto - SLB, ou Derlei, num amigável(?) Boavista-Porto, que ficaram muitos, muitos meses fora dos relvados. Ou Nani, recentemente.
Selvático é, também, o ataque de Queiroz à moral e ao equilíbrio emocional de Pepe, que espero, possa resistir, com a força que lhe deve dar o facto de saber que falou verdade, em linguagem simples e respeitosa. Exactamente o oposto do que pode dizer-se de Queiroz...
O homem sem qualidade e sem clase, que devia ter sido demitido pela FPF, não nos tortuosos e extemporâneos processos, que lhe moveram "ex post" mundial, mas muito antes, quando, segundo a boa imprensa, agrediu, a sangue frio, em público. num aeroporto, um jornalista cujo único crime era o de o ter criticado, ao abrigo da liberdade de expressão.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Sobre o (Des)Conserto

Uma entrevista di jornal "DEFESA DE ESPINHO"

Tem-lhe encantado mais a verve do maestro António Victorino D’ Almeida
ou os seus dotes musicais (ao piano) no ciclo “Café (des)conserto” (em curso
no Centro Multimeios)?

Acho que o músico genial - não só um virtuoso pianista, mas um grande maestro e compositor – tem o seu lugar de vanguarda na vida cultural portuguesa do nosso tempo. E não podemos deixar de reconhecer , antes do mais esta qualidade, que só por si, tornaria histórica a sua continuada presença em Espinho. Em concerto. O (Des)concerto, porém, só é possível, graças à outra faceta, que acresce e o torna tão versátil, tão fascinante para todos os públicos, mais ou menos eruditos: a de comunicador, tendo a seu crédito uma assombrosa vivacidade, uma vastíssima cultura geral e não só musical, mais a sua imaginação e a sua “verve”. Com ele no palco, tudo é imprevisto e espontâneo e temos a certeza, não só de viver momentos de emoção artística, como outros de puro humor e diversão. E, para além disso, a certeza de aprender, porque também é o perfeito professor.
Quando o título (Des)conserto me ocorreu (não esqueço que foi por acaso, ao descer, numa bela manhã de Outono, a Rua 19), pensei imediatamente no Maestro. Ou ele, ou nada! Apenas o achado de um trocadilho, sem mais consequências…


2 – Argumentando ser o música como pela
palavra”, a Câmara Municipal perspectivou na antecâmara didadas (seis) sessões
(nas primeiras quintas-feiras do corrente semestre) que o ciclo “Café
(des)conserto” iria “certamente” marcar a vida cultural da cidade, “com a
vivência de momentos inesquecíveis”… Assim foi (com o grupo coral da
Academia de Música de Espinho sob a batuta do maestro Fausto Neves, a
pianista Olga Prates e a cantora Nádia Sousa. E assim será nas noites de 7
de Abril, 5 de Maio e 2 Junho? Com puro café-concerto…

A aposta na “vivência de momentos inesquecíveis” foi certamente ganha nestes 3 primeiros (Des)consertos, como sabem os que podem dizer “eu estive lá!”
O que vão ser os próximos? Mais e mais surpresas, a animar a vida cultural de Espinho, e a recordar memórias de outros génios musicais que por aqui passaram ou aqui viveram. Cada sessão pode ter um “leit-motiv”, uma temática, mas será sempre, acima de tudo, improviso “(des)consertante”. O Maestro é ele próprio e cria as mais prodigiosas circunstâncias… Mas os participantes podem ser parte do improviso e do seu destino. Já aconteceu: um pequeno comentário sugestivo basta para provocar uma explosão de graça e uma mudança da rota do programa. Aqui fica o convite.

(publicado a 17 de Março)

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

MULHERES D ' ARTES

Uma exposição aberta unicamente a “Mulheres d’Artes” legitima à partida uma pergunta, que se insinua, incontornavelmente: porquê?
Primeira certeza que queremos dar: o propósito não é o de excluir, segundo o sexo. É, pelo contrário, o de procurar caminhos de aceitação e valorização recíproca. Sabemos que o"masculino" avulta, desde sempre, como o "padrão", enquanto o feminino é visto como a “alteridade”. Por isso, consideramos que os movimentos e experiências que contribuam para a chamada de atenção, o enfoque sobre esta matriz ancestral vão, afinal, no sentido do encontro das metades separadas (separadas ainda, em tantos domínios, a que o artístico, em alguns aspectos, não escapará...). Ou seja, vão no sentido da expansão e universalização da vida cultural.
Tão invulgar mostra do "feminino" na Arte, convocará, assim, à reflexão sobre condicionantes e estereótipos “sexistas”, sobre a relação entre “género” e formas de expressão da criatividade e do talento, sobre os modos de asserção das Mulheres, quer em áreas onde, supostamente, estão em igualdade (pintura, escultura, fotografia...) quer em outras, onde os homens praticamente inexistem (rendas e bordados tradicionais, por exemplo, que custa ainda a imaginar saídos de hábeis mãos masculinas...).
Todavia, esta reunião com Mulheres d'Artes, em Espinho nem por todas estas considerações sobre a aparente natureza das pessoas e sobre a origem da diversidade e das discriminações ("on ne naît pas Femme, on le devient", escreveu, para a eternidade, Simone de Beauvoir!) deixa de ser, antes do mais, um tempo de convívio entre todos nós, tempo de contemplação destes espaços do Museu Municipal de Espinho , esplendidamente preenchidos pela Arte, tempo de revelação da excelência de tantas obras, que valem e se impõem por si próprias, sem olhar a quem, a nomes e a títulos.
O meu “obrigada” a cada uma das admiráveis Artistas, vindas do País, de norte a sul, para dar curso a esta aventura colectiva e plural, e bem assim às autoras da ideia, surgida numa conversa, a que assisti, entre pintoras do Porto e Nassalete Miranda, a Comissária da exposição - conversa ocasional e breve, que espero venha a converter-se, através da sucessão de Bienais, num projecto com longo futuro.

Maria Manuela Aguiar

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Obrigada!
É verdade: Sevilha 2003 foi uma "aventura" colectiva, dentro e fora do
rectângulo de jogo.
E, não o esqueço, começou a revelar ao mundo o fenómeno Mourinho. Foi
o seu fulgurante lançamento europeu. O cérebro dessa
equipa chamava-se DECO e já era, embora não reconhecidamente, o melhor jogador
do mundo (no ano seguinte, quando na votação para esse título ficou num injusto 2º lugar, Platini diria isso mesmo - que ele era o melhor e que não lhe tinham feito justiça- o único ponto de acordo que tive com semelhante personagem...)
Mesmo correndo o risco de desafinar o coro, do Dragão (porque desafino constantemente) quantas vezes cantei:
É o nº 10,
Dribla com os dois pés,
Melhor que Pelé
É o Deco, olé, olé!

Outro dia perfeito!

Para mim dia perfeito é aquele em que o FCP nos dá "mais uma alegria, mais uma vitória"!
Na verdade, não vi o jogo em directo (poupei o coração) e aguardo, neste momento, as imagens da tv.
Sevilha é cidade de boas memórias, daquele troféu conquistado com tanto mérito, depois de muito sofrimento... Em 2003, nos últimos 15 minutos não aguentei a pressão: fechei os olhos e nem vi o golo de DERLEI. Um golo para a eternidade, mil vezes revisto, posteriormente, nos registos de video...

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Fim de dia perfeito!

Claro, com a convincente vitória dos Dragões em Braga.
Contra os profetas da desgraça - que nos anunciavam o plano inclinado do FCP no campeonato... - vê-se que a equipa está, afinal, em alta, mesmo sem Falcão. No futebol como na vida é assim mesmo - há ciclos, há momentos melhores e piores. Um jogo menos bom não é coisa significativa. Porém, os comentadores anti portistas (uma esmagadora maioria!) quiseram fazer-nos acreditar no contrário, entrando de forma encapotada no próprio jogo - através dos seus "mind games". Hoje tiveram a resposta das evidências. Para já, vão desdizer-se, mas - não nos iludamos - hão-de tentar repetir as manobras...

domingo, 6 de fevereiro de 2011

O grande (des)conserto!

Francamente, quando pensei o título - Café (des)concerto, com "c", logo depois tão bem transmutado para "S" pelo engº Helder e pelo próprio Maestro António Victorino de Almeida - nunca imaginei concretização assim perfeita e constantemente desconsertante, como aquela a que temos tido oportunidade de assistir.

A realidade ultrapassa tudo o que se poderia pedir à sorte... e ao génio do Maestro.
O espaço presta-se, pelo insólito, num espaço cheio de colunas, numa espécie de "floresta urbana". O espanto de Olga Prats, na sua estreia entre nós, no 1º momento, levou-a a perguntar onde estava. Nunca tocou piano num lugar sequer vagamente semelhante, isso foi por demais evidente...
A audiência está sempre pronta a dar calor humano ao fantástico lugar, cumprindo a sua parte...
O piano é um piano a sério (bom investimento de não sei qual membro de um executivo camarário, a quem devemos estar gratos, porque agora não me parece que alguém pagasse o seu preço de mercado...).

A Pianista e o Maestro mostraram-se em mais do que perfeita "concertação", para maior e mais inesquecível (Des)conserto. Náo haverá nunca momento igual. Equivalente talvez. Melhor não é possível.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Perdeu-se o jogo, mas não o fair-play de Villas Boas

Diziam que o "miúdo" não sabia perder. Mostrou que sabe.

A falta que fez o David Luiz...

Noite para esquecer, no Dragão...
Pena não termos tido, de novo, o David Luiz a marcar o Hulk...
Digamos que, do nosso ponto de vista, se marchou para o Chelsea, prematuramente.

Café concerto em Café (des)conserto, 5ª feira, dia 3

É assim mesmo, não é trocadilho.
O "leit-motiv" do próximo encontro com o Maestro António Victorino de Almeida, àmanhã à noite no Multimeios, é, de facto, o fenómeno "Café Concerto", através do tempo e da geografia. Em Espinho e em outros lugares. (À partida, porque, logo de seguida, quem sabe para onde pode levar-nos a criatividade, o "charme" e a capacidade de improvisação do Maestro?).
E há mais: a presença de Olga Prats, sua convidada especial, e nossa, também, naturalmente! Tocando e conversando connosco!
Estão todos convidados para assistir a uma sessão que promete talento e génio musical em duplicado.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

À PROCURA DO MUSEU...

Onde fica o Museu Municipal de Espinho?
Não é óbvia a localização, para quem não é da terra.
Em vão os visitantes procuram nas placas distribuídas pela cidade a indicação que os leve até lá.
"Estilhaços", a espectacular exposição de Agostinho Santos, inaugurada no sábado passado, teve uma verdadeira enchente, um sem número de visitantes - poucos de Espinho, mas muitos, muitos de fora. De novo, como já acontecera na belíssima exposição de Mestre António Joaquim, ouvi as queixas de quem venceu obstáculos vários para descobrir o lugar.
Fico sem saber o que dizer... Como explicar a aparente secundarização de um espaço que, por si só, coloca Espinho na vanguarda do país? (Sem exagero! Haverá, em Portugal, galerias de exposição com as mesmas características, o mesmo enquadramento paisagístico, as mesmas janelas imensas para ver o mar? Eu acho que não...). E, por isso, quero partilhar esta boa nova: está pronta a ser colocada a sinalética que aponta os caminhos que vão dar ao Museu!
Informação directa do autor do projecto, o Vereador Quirino de Jesus.

ESPINHO: A NOVA BIBLIOTECA

Quando abrirá portas?
Há livros e meios para os transportar. A viagem é curta...
Há funcionários e concurso aberto para "reforços"(aberto, em fins de Dezembro de 2010, por quem podia tomar a decisão).
Há mobiliário que será ainda, transitoriamente, utilizado, na parte não aberta ao público. Falta comprar - por quem tem a delegação de competências nesse domínio - mobiliário, coisas evidentes, como estantes, por exemplo .
E há pormenores de ordem técnica a resolver, mas nada que pareça tarefa impossível.
Sobretudo nada a que os funcionários da Biblioteca não tenham dado a resposta que estava ao seu alcance. O "por fazer" - como diria o Poeta - não é com eles.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Sem surpesa de maior...

Resultados eleitorais dentro do que era previsível. Pelo menos, dentro do que eu previa.
Abstenção muito alta...eleição de Cavaco à 1ª volta, mas longe dos 60 e tal por cento... Alegre abaixo do que conseguiu quando candidato anti-partidos... Nobre muito acima do que as sondagens indiciavam... O homem do PCP com os votos estritamente comunistas...
Mais surpreendente o voto do madeirense. Espantoso! Francamente, julgava os portugueses mais imunes a campanhas de um castiço que se passeia com um coelho nos braço em pleno Funchal. (uma espécie de aproximação ao fenómeno Tiririca, que eu pensava exclusivo dos trópicos...).

Curioso o facto do Prof. Marcelo ter errado tão completamente os seus prognósticos.
Wishful thinking?

No que respeita a uma possível expressão eleitoral de Fº Nobre, bastaria olhar o resultado das últimas presidenciais e lembrar como o PS se dividira então... Estavam agora postas todas as condições, e mais algumas, para que a história se repetisse.
Sócrates e a sua persistente ambiguidade, a "preguiça" do aparelho - mais a heterodoxia do candidato oficial, o apoio, por causa dele, partilhado com aliados indesejados...
E havia ainda os frustados do "cavaquismo", a ala consevadora ofendida com a complacência do PR face à lei do casamento gay e outras modernidades que os atormentam. Não creio que tenham votado Coelho...

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Périplo sem fim

Os Poetas não morrem.
Não veremos mais o Dr. Edgar Carneiro, mas vamos continuar a ler os seus poemas...
São muito bonitos, irradiam esperança e sensibilidade, um suave humanismo, como ele próprio. O Poeta era a imagem do Homem. Encantava do mesmo modo, com a mesma verdade.
Estive com ele apenas algumas vezes - uma das derradeiras na apresentação do "Périplo", no Auditório da Junta de Freguesia de Espinho, em Dezembro de 2009.
Impressionou-me imensamente!
Não me surpreende que todos, os que o conheceram de perto, os que o encontraram ocasionalmente, usem de palavras tão semelhantes para o relembrar - falando da sua irradiante simpatia, da afabilidade, da sensibilidade, do gosto pela vida e pelo convívio! Alguém muito, muito especial!
Fica a recordação do seu sorriso, a mensagem dos versos que dão sentido à vida.
Como este:

NADA SE PERDE

A flor da roseira
quando solta
ao mesmo seio volta
botão perfeito
que nos seduz.
Assim do nosso corpo
finda a lida
como um rebento novo
a alma volta à vida
e vai juntar-se à luz.

Eu acredito que ele, o Homem, foi apenas "juntar-se à luz".

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

E MOURINHO GANHOU

Tão habituada a injustiças, invejas e cumplicidades contra os melhores - aqueles que estão muito acima da mediania reinante - não acreditei que Mourinho recebesse este reconhecimento pelo que realmente é. Todos sabemos que é.
O melhor. Ever! For ever!
Em português, a língua que ele insistiu em usar, para agradecer, em palco:
o melhor de sempre - e para sempre (acredito que sim, não consigo imaginar alguém a superá-lo!).

domingo, 9 de janeiro de 2011

A primeira Mulher Presidente da República que fala português

Tinha de ser no Brasil. De todos os países lusófonos, aquele que primeiro entrou no século XXI...
Ainda por cima, uma "mulher de armas", antiga guerrilheira.
Não teria votado nela, mas vou "torcer" para que brilhe. (caso idêntico ao de Obama)
Das notícias nacionais sobre a sua posse, aquela de que mais gostei foi a da reconversão das prioridades do Engº Sócrates, em matéria de política externa.
Agora, com Dilma, é o Brasil!
Ainda bem! Para mim, foi sempre o Brasil.
Mas ainda me lembro de o ouvir proclamar que a sua 1ª prioridade era a Espanha! A Espanha! A Espanha!
Assim repetido, como o eco da sua reconhecida teimosia (e, frequentemente, reincidência no erro).

O melhor jogador do mundo

SNEIJDER.
É a opinião de Rogério Azevedo, em "A Bola" de hoje.
Concordo!
Quem viu o Inter de Mourinho jogar antes e depois de Sneijder só pode pensar assim...
O Inter que ganhou tudo na Itália e na Europa tinha este "baixinho" holandês como maestro. E a Holanda na RAS, também - e não ganhou por pouco o campeonato...
Foi a opção de Mourinho, quando o Chelsea não libertou Deco, a sua 1ª escolha, para essa missão, como se sabe.
Para mim, Sneijder, é, realmente, um novo Deco.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

CAFÉ (DES) CONSERTO em Espinho

O maestro António Victorino de Almeida é simplesmenta genial.
Génios há poucos. Génios divertidíssimos são coisa ainda mais rara.
A não perder o próximo (des)concerto, no átrio do Multimeios. O 1º foi um espectáculo de sonho. E deu para rir, rir, imparavelmente. E, claro, também para aprender, porque ele é um constante e compulsivo pedagogo!