terça-feira, 13 de outubro de 2026

MANTRAS DO COLISEU

Um debate sobre feminismo. No palco Ana Gomes, Assunção Cristas e eu. Foi muito divertido. Há muito conheço Ana Gomes e sei bem dos pontos de maior convergência com ela. E nunca me tinha cruzado com Assunção. Foi esplêndido descobrir tantas sintonias insuspeitadas com ela - neste especial matéria. A paridade levada muito a sério, na política, como na vida quotidiana.

GONDOMAR AS MEDALHAS DE MÉRITO

A meu ver, excelente a decisão da Câmara de Gondomar neste retomar da tradição interrompida de distinguir os concidadãos por altura das festas da cidade. E não só pelo destaque dado aos homenageados, como por ser, certamente, fator de reforço da coesão e do sentimento comunitário. O que é muito importante num concelho grande e populoso, onde o número de recém-chegados é muito superior ao dos descendentes das velhas famílias gondomaenses. E mais importante se torna quando tantos dos distinguidos são muito jovens e quase todos, os mais e menos jovens, ligados ao associativismo, sem o qual a identidade da terra se perde na mera cidade-dormitório... O palco encheu-se de jovens desportistas comtítulos nacionais, europeus e mundiais! Ou não fosse Gondomar uma "capital europeia da Cultura Eu tive todo o gosto em receber a medalha de mérito (pensando, inevitavelmente, nos vários ramos da minha família radicados em Gondomar há gerações e gerações), mas sempre com a consciência do que representa coletivamente. E foi muito especial poder falar em nome ds companheiros de jornada, sobretudo naqueles que já não estavam connosco, Diogo J e o irmão André Silva. Para mim, Diogo é o que de melhor nos deu o desporto, sobretudo o futebol, que hoje é mais negócio do que desporto e só merece ser considerado desporto por atletas com a dimensão humana de que Diogo sempre deu provas. Dentro e fora do campo! A grande estrela de Liverpool, que recusou o vedetismo. Um orgulhos para Portugal, um orgulho para Gondomar! Eu sei que falei demais, mas tinha de falar, sobretudo, de DiogoJ...

FUTEBOL, MUNDO DE AFETOS E EMOÇÕES

FUTEBOL, MUNDO DE AFETOS E EMOÇÕES 1 – Passei o último fim de semana a ler uma fascinante publicação sobre futebol, da autoria da Javier Marías, o grande escritor espanhol nosso contemporâneo. Não falhei um só dos seus romances, faltava-se, porém, este pequeno livro, intitulado “Selvagens e Sentimentais – Histórias do Futebol”. Nem sequer é recente, mas reapareceu, agora, nos escaparates da Livraria Bertrand da Rua 19. Trata-se de um conjunto de artigos, publicados em “El País” (ou no suplemento “El Semanal”), entre 1992 e 2000, por este incondicional adepto do Real Madrid, que combina futebol e Letras, numa prosa cheia de humor e sabedoria. Recomendo-o vivamente! A data é irrelevante, os seus escritos são intemporais (pena não ser ainda o tempo de Mourinhos, Pepes, Ricardos e Ronaldos - o primeiro português, Secretário, é de 1999 e não entra nas crónicas, onde são nomes de referência e infinita reverência Di Stefano, Kubala, Puskas e outras lendas do Real). Não precisamos de ser “madrilistas” para nos reconhecermos nas reações, confissões e máximas disseminadas, com mão de mestre, nas páginas de “Selvagens e sentimentais”. Nelas se recordam jogadas, protagonistas e episódios datados, mas, também, estados de alma, angústias e explosões de gozo - o belo-horrível de que se faz a vida, nos seus momentos mais intensos. E nelas se cruzam artes que raramente vemos associadas, futebol, literatura e cinema, que é termo de comparação recorrente nestes escritos de rara erudição e humor. Vai longe o tempo em que o futebol era universalmente mal visto pela intelectualidade e equiparado a “ópio laico” do povo e para a sua reabilitação muito contribuíram as exceções, os pioneiros, Camus e Nabokov, que foram guarda-redes dos seus clubes, e Javier Marías, que jogava a extremo-esquerdo. 2 – As minhas sintonias com este famoso madrileno, (que não era um Maradona nos relvados, mas merecia ter ganho o Nobel) são imensas, sendo a primeira o desejo de que a minha equipa ganhe, sempre, todos os anos, todas as semanas! Garantido esse objetivo constante e avassalador, emerge a segunda grande prioridade: que as nossas estrelas brilhem em lances inesquecíveis. Para mim, o futebol eximiamente executado em campo pela elegância, agilidade e sincronização de movimentos, equivalente a um ballet clássico, com o suplemento de mistério (sobre o desenlace do jogo) e com o sucedâneo musical dos cânticos rituais das bancadas. Eu digo “ballet”, Marías diz cinema, para ele há a “mão invisível” de um realizador, que através das épocas, mantem a identidade inconfundível das equipas. E assim distingue os três grandes“ de Espanha: O Atlético de Madrid parece-lhe um filme de Serge Leone (“muito tiroteio, e, no fim, tudo se afunda estrepitosamente”); “ O Barcelona influenciado pelas angústias vitais de Antonioni e de Bergman, até ter optado ultimamente pela euforia mortal de Rambo”; “Quanto ao Real Madrid, lembra Hitchcock, cujos filmes se veem com a alma em sobressalto, mas costumam acabar bem”. Marías, na idade adulto, como em menino, privilegia os jogadores e os atores da sétima arte sobre os outros protagonistas, treinadores, realizadores, presidentes de clube, produtores. Como nos seus tempos de criança, em que todos colecionavam os cromos das estrelas, do cinema e do desporto, e ninguém queria saber quem era o presidente do clube. Agora, anda tudo às avessas, em Espanha, e por cá, também. Eu até já dei por mim, de vez em quando, a detestar mais o SCP do que o SLB (que está para o FCP como o Barça para o Real), só por achar de baixíssimo nível o Frederico Varandas e bastante mais tratável o Rui Costa. Uso, note-se, linguagem branda, ao contrário de Javier Marías, que zurze os seus alvos de crítica sem dó nem piedade, por exemplo, adjetivando de “tontos demagógicos” Blatter e Havelange. Imaginem o que chamaria, hoje, a Infantino… O futebol permite-nos esta inteira genuinidade e franqueza e até o seu excesso. É o mundo de infância, que permanece em nós. Para Javier Marías, a violência que, por vezes, irrompe na modalidade não tem a ver com o facto de ser jogada com os pés, com uma suposta dureza intrínseca. É, sim, desencadeada pelas emoções. O clube que aprendemos a amar em pequeninos é espaço mágico de pertença e partilha da mesma vontade de vencer, vencer, vencer. Sempre! O que conta não são as vitórias de ontem, é a vitória de amanhã. Um eterno recomeço, tal como, diz-nos Marías, no mito de Sísifo, que os gregos viam como castigo e nós como um dever de glória. É por isso que ele quer o seu Real composto por um “núcleo duro” de atletas formados no clube, no meio afetivo em que se geram os adeptos vitalícios e incondicionais. “Só com o profissionalismo e a técnica não se joga um jogo tão passional como o futebol”, escreve, defendendo o ideal de “reforçar a equipa com bons jogadores, que se vão integrando, pouco a pouco, e que os adeptos vão chamando seus, individualmente”. Com imensa graça, queixa-se do arquirrival Barcelona nas épocas de Van Gaal, que trouxera consigo grande parte da equipa do Ajax, com a qual fora campeão nos Países Baixos. Porquê? Porque não lhe dava gozo ganhar a um Barça descaraterizado, uma espécie de Ajax da Catalunha. Porém, um Real Madrid descaraterizado seria desgraça ainda maior. 3 - Como eu o compreendo! Penso, nostalgicamente, no FCP da minha infância, onde era invariável a preponderância de vedetas nascidas no clube. Recordo o exemplo do herói portista, que me permitiu festejar o meu primeiro campeonato, Yustrich. Veio de Minas Gerais e trouxe consigo apenas dois reforços: Gastão, um médio de alta craveira, e Jaburú, um super Jardel, que era imparável, com a bola nos pés. No século XXI, uma equipa de “portistas natos” tornou-se, praticamente, uma utopia, mas houve, sobretudo, dois treinadores, que conseguiram brilhar com a “prata da casa” (já não inteiramente coincidente com a “formação da casa”): Mourinho e Sérgio Conceição. Confesso que não acreditei em Mourinho, com o seu ar de galã de cinema, a gabar-se de que seria campeão no ano seguinte com um modestíssimo investimento em três desconhecidos, Derlei, Nuno Valente e Paulo Ferreira. Dois do Leiria e um do Vitória de Setúbal. Felizmente, enganei-me e fomos mesmo campeões, em Portugal, na Europa, e, depois, (já sem ele, mas ainda graças a ele) no mundo. Em época de “vacas magras”, Sérgio Conceição não foi tão longe, mas fez milagres logo no 1º ano, não só ao dar-nos o título, como ao interromper a marcha do SLB para o penta. E sem um só reforço sonante. Motivou os que lá estavam, chamou algumas “promessas” das camadas jovens, foi buscar os que andavam emprestados por esse mundo fora – entre outros, Marega, Aboubakar e Sérgio Oliveira. Depois, sem nunca ter o que queria, foi somando títulos, e, na esteira de Mourinho, mostrou verdadeira classe internacional, pela forma como o “team, em regra, se exibia na “Champions”. No extremo contrário coloco dois treinadores que estão na minha lista negra: Co Adriaanse e Julen Lopetegui. Adriaanse, entre outras coisas, por perseguir os meus favoritos Vítor Baía, símbolo vivo do “portismo”, e o empolgante Diego, que, depois, levaria às costas o Werder Bremen o o Atlético de Madrid de Simeone. Lopetegui por ser, no meu tempo de vida, o maior erro de “casting” da história do clube. Desgraçadamente, sobre o fracasso, que eu, na altura, profetizava em angustiados escritos, despejaram dinheiro à farta. Reforços de luxo foram mais de uma vintena (alguns, note-se, por empréstimo). Um recorde de investimento no plantel, que só foi batido agora! Eu sei que, com Farioli, fomos campeões no ano passado e temos esperança no “bis”, mas não gosto da sua opção por um plantel que cumpre, em termos de jogadores nacionais e da formação, pouco mais do que os mínimos impostos de fora. São[U1] cerca de vinte os estrangeiros que podem alinhar na equipa principal ou sentar-se no banco (e já se foram Thiago Silva e Luuk de Jong), e três ou quatro os nacionais vindos de outros clubes. Não quero azarar, quero vencer, seja com quem for. E quem sabe se um, ou mais, daqueles rapazes que têm nomes difíceis de pronunciar vão ficar connosco e fazer história? Tal como acontece no Real Madrid, são, afinal, estrangeiros algumas das lendas eternas do FCP: Madger, Deco, Hulk, Falcão… Do melhor Porto que vi jogar neste século ainda não falei: foi o de Villas Boas. Maravilha das maravilhas, não só pelos resultados (campeonato sem derrotas, vitória por 5-0 ao SLB, Liga Europa, Taça, Supertaça), mas, também, pela fulgurante beleza do seu jogo de ataque. Alcançou o equilíbrio perfeito entre os craques que aqui encontrou - Hulk e Facão num coletivo poderoso em todos os setores - e as aquisições cirúrgicas, como James Rodriguez, Otamendi ou Moutinho. Originalidade nossa, esta de ter um presidente que faz falta como treinador (gerir tanta qualidade, não foi coisa fácil, foi obra-prima!). No Porto haverá sempre lugar para os grandes executantes da arte do futebol, para os recém-chegados, venham de onde vierem, e para os que partiram cedo demais, e estão nos nossos corações, os Moras, os Vitinhas, os Quaresmas, os Diegos. Tem toda a razão Javier Marías - o futebol é, acima de tudo, um mundo de afetos. .

OS PIONEIROS DO CONSELHO DAS COMUNIDADES (1981)

Os representantes eleitos pelas Comunidades na 1ª Reunião Mundial do CCP AFRICA- Afonso Henriques Ferreira (S TOMÉ E PRÍNCIPE), Álvaro do Nascimento Chaves (ZAIRE), ÁFRICA DO SUL (RAS) - Comendador Álvaro, de Campo Amorim, C D Barbosa, Comendador José Bernardo, Gaspar da Silva Cardoso, Comendador Santos Gomes, Dr. Luís Leal, Jaime Margarido, Filipe Marques, Jorge de Sousa ALEMANHA (RFA) - António Cláudio, José Mendes ARGENTINA - Armando Antunes, Paulino Lopes AUSTRÁLIA – Padre Artur Sardo BÉLGICA – Luís Peres Ferreira BRASIL – Dr. Amadeu Pinto da Rocha, Ângelo Viegas, António de Andrade e Moura, Dr. António Gomes da Costa, Carlos Carvalho, Germano Augusto Tomé, Comendador Henrique Dias Ferreira, Dr. Joaquim de Matos Pinheiro. Joaquim Marques dos Reis, João Pereira da Silva, Júlio Portugal Nave Bizarro, Dr. Manuel António Mónica, Manuel Romão dos Santos, Paulino Romeira de Sá Ferreira, Rui Lopes dos Santos CANADÁ – Alexandre da Silva, Padre António Pires, Arlindo Frazão Vieira, Fernando Cruz Gomes ESPANHA – Fernando Veloso Rodrigues EUA – Dr. Fernando da Silva, Padre José Alves Cachadinha, Eng.º Lourenço Aguiar, Sebastião Tavares da Silva, Eng.º Victor Cardoso FRANÇA – António Manuel Garcia, António Mota Ribeiro, Belmiro Ramos, Carlos Duarte de Morais, Dr. Francisco Ribeirinho, João Paulo da Fonseca, José Bernardino, José Coutinho da Silva, Luís Filipe Rios, Manuel da Silva Fernandes, Manuel Vaz Dias INGLATERRA - Padre José Salgueiro da Costa LUXEMBURGO – Carlos Moura Bernardino URUGUAI – Luís Viriato Caetano Panasco VENEZUELA – J Carlos de Sousa Correia, Dr. Mário Gonçalves Bento, José Costa Castanho

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

FÉRIAS EM ESPINHO

Férias em Espinho - a marcha do tempo 1 - O mês de agosto é de "férias gerais" como impõe, antes de mais, a agenda escolar, que determina a de várias gerações de cada família e a do mundo do trabalho. Já assim acontecia no final dos anos sessenta, por exemplo, em Paris, (onde eu fazia estudos de pós-graduação), quando em Espinho, a "saison" estival ainda se prolongava ao longo de três meses, de julho a fins de setembro, com vagas de turistas que se revezavam a arrendar as casas de praia, e a encher as esplanadas, os cafés e restaurantes, a piscina, os cinemas (o Cine teatro São Pedro e o Casino, com programação diária, num total de sessenta filmes por mês), os salões de dança (da Piscina, do Casino...), e as ruas de um comércio tão ativo e diversificado quanto o de hoje - ou mais. É certo que agosto já ganhara, para os veraneantes, o estatuto de mês mais procurado e mais caro, mas não o único. Eu vinha com a família no início da época, às vezes em junho, e ficava até ao começo das aulas, em outubro, na pequena casa de verão dos meus bisavós, na rua 7. Que tempo maravilhoso!... Manhãs na praia azul, ou na piscina, tardes divididas entre sessões de cinema, corridas de bicicleta, jogos de damas e de dominó no café Palácio, no Costa Verde. A Avenida das imponentes palmeiras, luzes e música ambiente, tinha ainda mais encanto à noite, com as esplanadas frequentadas por gente vestida a preceito, e o alegre vaivém de velhos e novos, entre a estação do comboio e a rua 23. O programa alternativo era um salão de dança, de longe a longe, e, quase sempre, o cinema. Quando passavam dois filmes imperdíveis, íamos à tarde a um, à noite ao outro. Havia dois intervalos, aproveitados, no São Pedro, para tomar café e deambular entre os enormes quadros de vedetas de Hollywood, pendurados nas paredes, e no Casino, para vir às varandas olhar a multidão em lento e prazeroso movimento na Avenida. Duas vezes por semana, o Casino oferecia, ao intervalo, variedades em palco - grandes artistas como Simone ou Tony de Matos, no auge da fama - com um acréscimo de preço insignificante. Na verdade, era através da sua sala de cinema que o Casino participava na nossa vida e faz hoje parte das minhas saudosas memórias da alma da cidade. Outra época, outro mundo... Tudo mudou, e, contudo, eu não mudei a minha relação com Espinho durante o ano inteiro, agosto inclusive. É aqui que faço praia, ao contrário de muitos espinhenses, que rumam ao Algarve, em busca de sol tórrido e mar (incertamente...) morno. 2 - Estranhamente, para a generalidade das pessoas "bom tempo" é sinónimo de sol e calor - calor sem limites. A minha definição é mais exigente, excluindo os excessos, para mais e para menos. E começo a admitir que, com o fenómeno do aquecimento global, esta opinião minoritária vá recolhendo crescentes adesões. Se a evolução de tendências for nesse sentido, é uma boa notícia para Espinho, onde as famosas nortadas criam uma espécie de microclima temperado, quando o resto do país sofre com perto de 40º à sombra. O fenómeno beneficia o litoral norte e centro, da Póvoa do Varzim e Espinho à Figueira da Foz, praias que estavam "trés à la mode" no século passado e que, se a minha profecia se realizar, virão a estar, de novo. A brisa (ou ventania), fonte desta singularidade, não parece estar em risco de se esbater, devendo-se, ao que julgo, à depressão provocada pela dramática diferença de temperatura entre o interior da península e o atlântico. Quem na nortada via incómodo, terá de se ir convertendo à tese de que constitui, afinal, um ativo importante, responsável pela existência de agradáveis "estâncias climáticas atlânticas". Falando de ativos, um outro é, certamente, a “praia da baía”, hoje banhada por uma “quase piscina” natural. Na mesma categoria, entram a talassoterapia (o balneário marinho) e a emblemática “Piscina Solário Atlântico", que é absolutamente prioritário restituir à cidade. E, também, a antiga animação noturna que, há muito, vem definhando. Sinal positivo, neste domínio e neste ano, é a programação musical de agosto, à beira-mar, num polo sazonal de diversão, que está, devemos reconhecer, bem publicitado em cartazes espetaculares! 3 - E, por fim, no capítulo dos ativos existentes com um potencial de imediato aproveitamento, menção aos passadiços sobre a areia, numa faixa marítima de mais de trinta e cinco quilómetros, que se pode percorrer, a atravessar as praias de Gaia, desde a foz do Douro, e as de Espinho, continuando, a sul, até à bela Barrinha de Esmoriz. Assim se unem três concelhos e dois distritos, através de algumas das mais formosas paisagens atlânticas: extensos areais, antiga e moderna arquitetura balnear, sobrevivência de aldeias piscatórias e da arte xávega, património religioso, fascinantes paisagens de dunas, de caniçais e a maior lagoa costeira do Norte de Portugal! Um percurso que se apresenta aos caminhantes em cenários cinematográficos, de uma fantástica diversidade. Pensando no exemplo dos “Passadiços do Paiva”, grande cartaz turístico nacional e internacional, temos de reconhecer que não seria coisa impossível converter estes congéneres numa atração algo semelhante. O que têm em comum? Obviamente, tratar-se de um recurso natural, que Arouca soube transformar em valiosíssima “marca” da terra, muito para além de fronteiras da região e do país. Recurso que, no nosso caso, está, simplesmente, ao serviço dos residentes e, mesmo em relação a eles, ao que julgo, em estado de subaproveitamento. Falamos de projetos e paisagens completamente distintos - num caso o interior, o rio, a famosa ponte, um circuito de oito quilómetros, construído com um determinado destino, no outro o litoral, um extenso corredor de madeira, que convida residentes e veraneantes, de todas as idades, a passeios saudáveis, ao ritmo e na distância preferida, sempre a ver o mar, nas suas infinitas transformações, mais as praias e as bonitas estâncias balneares que se sucedem ao longo da costa. É excelente que os passadiços tenham sido pensados para melhorar a qualidade de vida dos residentes de cada concelho e dos visitantes que o descobrem, ocasionalmente. Mas porque não dá-los, também, a conhecer ao mundo? Torná-los, "de per si", um polo de atração turística, que traga os caminhantes a descobrir as vilas e cidades que vão cruzando ao andar? Podem, a todo o tempo, aqui e ali, sair para almoçar, tomar um café, um banho de mar ou de sol, retomando a marcha, mais adiante decidindo onde pernoitar ou ficar por uns dias. (quando não venha já com tudo programado, num pacote turístico). Estou, é claro, a apontar a um projeto intermunicipal. Promover os passadiços à escala de atração nacional e internacional passa pela diversidade que só a três (ou, pelo menos, a dois) é conseguida plenamente, somando-se a outras condições que os tornam únicos no país e no espaço atlântico: a mobilidade suave, a segurança, a amenidade de clima, a abertura ao longo de todo o ano, e, "last but not least", a facilidade de acesso, em qualquer ponto do percurso, usando meios individuais ou as múltiplas estações de uma linha ferroviária paralela ao mar. Penso que todas as vilas e cidades ganhariam, por igual, sem perda, antes com reforço, da sua identidade, pela valorização do próprio património e oferta cultural - porque, como salientei, a primeira aposta de um tal projeto seria na diversidade. O investimento poderia, certamente, beneficiar de fundos europeus, mas está ao alcance dos orçamentos municipais - não é nada de muito oneroso. As infraestruturas existem, a sua manutenção e melhoramento impõe-se, em qualquer caso, e o preço a pagar seria, sobretudo, o da promoção turística. Essencial é uma designação sonante, ligada à ideia de que constitui uma experiência única em Portugal, (um grande trilho atlântico). E, como é evidente, uma ampla programação anual - caminhadas temáticas (história, ambiente, arte xávega, observação da fauna, das aves, da flora dunar), desporto, corridas, concursos de fotografia e pintura, roteiros gastronómicos, etc. etc. Hoteis, empresas, escolas, instituições para seniores, escolas, a CP poderiam ser alguns dos parceiros da aventura de tornar os passadiços um destino de referência. E Espinho poderia ver-se como a sua melhor "porta de entrada", pela grande proximidade da estação ferroviária à praia, por ser a "cidade do meio", pela sua tradição piscatória, fazendo a transição entre as praias urbanas de Gaia e a beleza natural das dunas de Paramos e da Barrinha de Esmoriz. Talvez, um dia, este sonho se realize,

segunda-feira, 6 de julho de 2026

DIZ MANICHE

O jOGO ACABOU QUNADO MARTINEZ TIROU VITINHA (Vitinha não tinha falhado um passe...)

A IDADE É UMA COISA RELATIVA - também no futebol, é claro

Portugal fora do mundial. Nada de surpreendente. Uma questão de troca de quarentões: faltou PEPE, sobrou RONALDO. Pior não podia ser, mas, mesmo assim, há um ponto positivo: estamos livres de Martinez (e de Ronaldo?).