Recordar tempos idos... Falar do presente, também. E até, de quando em vez, arriscar vatícínios. Em vários domínios e não só no da política...
sábado, 21 de fevereiro de 2026
Dialogar é preciso
Dialogar é preciso
Fui sempre uma praticante de diálogo, tanto em debates académicos e tertúlias de café à portuguesa, como no espaço público, no Governo, na Assembleia, no Conselho das Comunidades Portuguesas e em organizações internacionais.
Sou social-democrata "à sueca", desde os tempos de estudante e uma admiradora incondicional de Sá Carneiro, a partir dos inícios de 70, quando ele, na "Ala Liberal" da AN, reivindicava a liberdade de expressão e de reunião e a libertação de presos políticos, a democracia plena. E dava entrevistas a declarar--se, precisamente, "social democrata à sueca".
Nunca mudei de quadrante. É um facto. Parece ser comum, e, porventura, positivo, evoluir mais para a direita ou para a esquerda , com o passar dos anos. Eu, ("hélas"), fiquei no mesmo lugar ideológico, desde os 16 ou 17 anos, apesar de todas as voltas que dei ao mundo - ao mundo geográfico.
Vivi esperançosamente o período da revolução e da construção da democracia, votando PPD/PSD, por causa de Sà Carneiro e dos meus amigos de Coimbra (Morta Pinto, Barbosa de Melo, Figueiredo Dias, Pereira Coelho...), sem, contudo, me filiar no partido, Na Faculdade de Direito, fui assistente de Mota Pinto e, em 1978/79 Secretária de Estado do Trabalho no seu Governo . Um Executivo de independentes., como é sabido
Conheci o Dr. Sà Carneiro somente em janeiro de 1980, no dia em que me convidou para ser Secretária de Estado da Emigração. Por essa altura, tomei, livremente, a decisão de me filiar no PSD. E, assim, por acaso, me tornei a primeira mulher do partido a exercer um posto governativo. Fui militante durante 45 anos, apesar de o partido se ter deslocado, pouco a pouco,, para o centro-direita, e, mais recentemente, a meu ver, para a direita sem barreiras à extrema-direita e mimetizando o seu discurso anti-imigração.
Na realidade, o PSD, (como os outros partidos) tinha alas e eu mantive-me na minha, cada vez mais minoritária. Há muitos anos, já Nascimento Rodrigues, menos otimista do que eu, me dizia: "Pertencemos a uma ala do partido que já não existe."
De qualquer modo, acredito, sobretudo, nas pessoas, na diferença que fazem à frente das instituições. Trabalhei igualmente bem com Mota Pinto, Sá Carneiro e Freitas do Amaral, Mário Soares (com outros, nos mesmos cargos não direi o mesmo).
No partido, fiz parte dos chamados "críticos", que preferiam Cavaco e Silva a Balsemão, estive, depois, com líderes de perfil tão diferente como Fernando Nogueira e Durão Barroso. Do ponto de vista do diálogo nas afinidades e nas diferenças, a relação mais interessante foi com este último. Concordamos sempre, até em discordar - na regionalização, no regime de quotas para a igualdade, que eu defendia, na guerra do Iraque, contra a qual me insurgi publicamente, etc etc. Nunca esquecerei que, graças a ele, consegui realizar o mais desafiante projeto da minha vida parlamentar, a consagração na Constituição da igualdade de direitos entre Portugueses e Brasileiros, em 2001, assim como desempenhar o mais grato de todos os lugares políticos em que me fui vendo: a presidência da Delegação Portuguesa à Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, organização onde muito gostei de representar o país, durante 14 anos.
Na veste de cidadã estive, também, disponível para me envolver na ação concreta, em prol de valores partilhados com democratas de diversos partidos - por exemplo, com socialistas como António Costa, nas persistentes diligências para a legalização de imigrantes, na década de noventa, com António Braga (2005.2009) e José Luís Carneiro (2005-2019), meus sucessores na pasta das Comunidades Portuguesas, em campanhas pela igualdade entre mulheres e homens na Diáspora, e com o meu então correligionário José Cesário, que, no mesmo cargo, levou as políticas públicas para a igualdade ao seu expoente máximo ( 2011- 2015).
No mesmo espírito, aceitei, no final do ano passado, o convite para participar no Conselho Estratégico do PS.
No mesmo espírito, espero poder colaborar sempre, com excelentes companheiros da infindável luta pelos direitos de cidadania dos expatriados ,como José Luís Carneiro e José Cesário, que considero verdadeiros amigos
Hoje, como há 45 anos, tenho como prioridade dar voz e fazer justiça aos mais marginalizados e para isso todos os fóruns são bons. Assim me parece o Conselho Estratégico do PS, felizmente aberto a independentes.
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