quarta-feira, 18 de junho de 2014

PEPE PORTUGUÊS COMO MOURINHO

Para mim, é mesmo. Não interessa onde se  nasce. Interessa o sentimento nacional.
Pepe pertence ao meu mundo de princípios e valores - Mourinho, não e, quando o ouço em ataques desvairados chego a lamentar que pertença ao meu país.
O erro de Pepe, no calor do jogo, é desculpável.
O que Mourinho disse sobre Pepe, querendo fazer dele um "português de segunda",  é indesculpável.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

RACISMO CONTRA CIGANOS

Acabo de assistir ao programa "Prós e contras" sobre RACISMO. E aí foi dito pela Presidente do ACIDI que o grupo mais visivelmente discriminado em Portugal é o dos ciganos. Isto acontece no preciso dia em que Ricardo Quaresma, cigano e o mais genial dos jogadores portugueses, com a possível excepção de Ronaldo, é excluído de uma selecção de jogadores banais - pelo menos os que disputam a mesma posição e são os favoritos de Paulo Bento
Que há preconceito contra Quaresma, claro que há... Um dos comentadores da "zona mista" (RTP informação) não hesita em falar, a seu respeito de:
"falta de espírito de grupo"
 "falta de aceitação pelo grupo"
 "inadaptação",
 "inadaptado"
Será só isso? Pode ser, de um  ponto de vista  muito subjetivo e muito distorcido... No mínimo, conflito de fundo cultural...
Ao contrário do referido comentador, eu acho que Quaresma é, pelo menos, vítima de incompreensão. O defeito não está nele...E sem ele, a seleção é menos seleção.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

As revoluções do século XX português

1 - À distância de apenas quatro anos é irresistível fazer a comparação entre a celebração das revoluções que marcaram o século XX português: a revolução portadora das ilusões de uma mudança de regime, que se estendeu pelos 16 anos da breve 1ª República e a revolução fundadora da República em que estamos há 40 anos, ainda com a expectativa de a continuar, para além da crise actual, traduzida em involução e empobrecimento geral e em degradante dependência do Estado numa Europa dividida e desigual.
O centenário da I República foi objecto de inúmeras organizações, do mundo científico e político, dos “media”, das instituições da sociedade civil, que o tornaram um excelente exemplo do que pode e deve ser feito, sem tombar no elogio nostálgico e ritual - .a permitir um olhar sobre nós, sobre a luta das mulheres e dos movimentos feministas, sobre a questão colonial e religiosa, sobre o fervilhar de ideias e de querelas, sobre o dilatado interregno da ditadura, sobre o 25 de Abril e o agitado início de milénio… Um percurso secular de memórias renascidas.
No confronto entre festejos, os de 2014, pelo menos a nível oficial, parecem destinadas a ficar muito aquém do que justifica a importância da maior revolução do século, pelas suas consequências imediatas e futuras…Desde logo, porque representou o fim de um longo ciclo de 500 anos de construção e desconstrução de um vasto império colonial e ultramarino, que, ao entrar do último quartel do século, ia do Atlântico ao Pacífico, em estado de guerra e de desagregação, contra o sentir comum dos Povos. Um anacronismo, um impasse fatal, resolvido no fim de um ciclo de 50 anos de ditadura, de "silêncio e de medo”. Palavras de Maria Teresa Horta, há dias,  numa rádio, onde, como em outros “media”, em universidades, em programas da sociedade civil, 1974 vem sendo tema de debate e rememoração, em fórmulas interessantes de fazer História e advento de História - a partir desse dia simbólico em que o império de desfez, com o anúncio e o começo da descolonização,  e o País de refez, ao entrar no processo de retorno à sua origem geografica– antes de mais, no domínio da política, onde pela força do voto, se sagrou a opção europeia, a par da opção pela democracia representativa, uma das várias alternativas, que se confrontaram nas pulsões contraditórias do PREC... Em qualquer caso, de fora desta estreita fronteira europeia, para sempre ficaria a Diáspora, todo um espaço em expansão de lusofonia e de lusofilia. A melhor de todas as heranças do império finito: a dispersão universal da língua, enraizada em culturas e em afectos...
 
 
2 - Duas revoluções com sorte diversa...
 A revolução de 1910 morreu antes de envelhecer a geração que lhe deu corpo.
 Não assim a de 1974, com os jovens capitães que tinham, então, como Fernando Salgueiro Maia, 29 anos, ou pouco mais, e com os políticos, a quem eles abriram os caminhos da livre expressão e da acção concreta, e que eram, igualmente, na sua maioria, gente nova e idealista.
Ficam, todos, a meu ver, bem, na galeria dos notáveis da Pátria. Entregaram à geração seguinte um país mais livre, mais justo e mais democrático do que jamais fora e, também, há que dizê-lo, melhor do que é...
De facto, se perguntarmos hoje: Este é o Portugal que quisemos? Esta é a Europa em que acreditámos? A resposta é: "não!". Duas vezes “não”...
Vivemos, assim, naturalmente, a urgência de recuperar, em simultâneo, o espírito humanista e fraternal da construção europeia, e o sentido libertário e pluralista da revolução de Abril, tal como se projectou na Constituição, em sucessivas revisões, e na cena política nas últimas décadas de novecentos. Ou seja, aceitando que a democracia exige sempre a alternância, o diálogo e o respeito da alteridade.
Por isso me parece que uma das iniciativas não formalmente enquadrada em qualquer programação das comemorações, mas que lhe
 veio acrescentar um sinal de esperança - coisa que tanto nos tem faltado - foi o chamado "manifesto dos 74".  E não apenas pelas suas propostas, a meu ver, realistas, sobretudo, na compreensão de que não há boas soluções nacionais, sem boas soluções à escala europeia. Não apenas por essas propostas, mas pela comprovação de que há, entre os Portugueses, na sociedade civil, mais vias de entendimento e de compromisso, do que julgam os políticos “institucionais” , aparentemente limitados no horizonte da sua própria inabilidade de dialogar e alcançar resultados no país e na Europa.
Está em causa o futuro de um tempo começado em 74.
 Há que o demandar sem medo das ideias e dos projectos dos outros
´´
Por exemplo, sem medo de dar, no hemiciclo de São Bento, no próximo dia 25, voz aos militares de Abril, neles personificando a homenagem merecida desta geração à antecedente. À que fez a grande revolução.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

EMIGRAÇÃO E DIÁSPORA NAS VÉSPERAS DA REVOLUÇÃO
 
Em 1973/74  terminava, com o impacto do chamado ?choque petrolífero" na economia europeia e mundial,  o que fora o maior êxodo da história da nossa emigração. A Revolução, que abria, finalmente, as fronteiras à saída e retorno dos Portugueses, acontecia quando a Europa nos fechava as portas de entrada. A Europa, novo destino das nossas migrações na segunda metade do século XX, a par de outros ?novos destinos? transoceânicos, que não só a opinião pública, mas também, estranhamente, reputados académicos costumam subvalorizar . Na verdade, o Canadá, a Venezuela , e, numa escala menor, mas significativa,  vários países de África  - sobretudo a África do Sul, mas também outros -  e a Austrália acolheram um número  de emigrantes equivalente ao da Europa inteira.
As causas, essas, foram as de sempre -. puramente económicas para a grande massa anónima, para alguns outros a atracção do estrangeiro, a valorização pessoal, ou  razões ideológicas e políticas, em tempo de guerra colonial.  
A emigração,como aventura, a emigração como protesto...
"No proteste, emigre" diz-se, com humor,  numa pequena placa que me ofereceram há anos em Caracas. Uma boa síntese de muitas tomadas de decisão, em que formas de conformismo e inconformismo se confundíam?
Mas, quaisquer que fossem as motivações da itinerância dos portugueses,  no ponto de chegada era sempre enorme a sua   propensão associativa, superior à que existia no país, e, igualmente, superior à que se registava em outros grupos étnicos, que com eles conviviam, por esse mundo fora.
Solidariedade e companheirismo levavam à proliferação de organizações, que se substituiamm ao Estado na missão de dar informação e apoio, de ensinar a língua, de manter as tradições - clubes, centros culturais, sociedades beneficentes... O associativismo esteve presente desde a primeira hora, sozinho no terreno. A atitude de completo descaso dos governos de Portugal face aos emigrantes e a essas organizações apenas começou a mudar, depois que se radicaram, em massa, em países próximos. O esboço das primeiras políticas de apoio social (na Europa, quase exclusivamente...) pouco antecede a revolução de Abril.
 Foi da sociedade civil, de dentro do próprio País, que veio a primeira exigência de uma política cultural para toda a Diáspora, para o imenso património material e imaterial que as migrações haviam criado e que os governos teimavam em ignorar.
Falo dos dois Congressos das Comunidades de Cultura Portuguesa realizados em Setembro de 1964 e em Julho de 1967, uma iniciativa do Prof Adriano Moreira, que foi quem, na qualidade de Presidente da Sociedade de Geografia, convocou para os encontros os representantes das maiores instituições das comunidades, os especialistas e os participantes de múltiplas formas de ser português, lusófono, lusófilo...As actas dos Congressos, em seis densos volumes, são um precioso repositório de informação, dão nos um retrato de época, tanto dos movimentos migratórios (objecto de atenção generalizada), como da Diáspora (a que raros faziam alusão). São um retrato de Portugal em corpo inteiro, que permanece, em larga medida, actual (ou não fosse a Diáspora essencialmente permanência, sob pena de deixar ser Diáspora...).
A União das Comunidades de Cultura Portuguesa e a Academia Internacional de Cultura Portuguesa foram os instrumentos saídos dos Congressos para a institucionalização de um forte e pioneiro movimento de vivência da cultura portuguesa no seu "habitat" universal -  movimento  interrompido, oportunidade perdida nos meandros da pequena política, durante o "marcelismo".
Depois do 25 de Abril, surgiria o Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) que era, na sua primeira fase, um órgão consultivo do Governo, de origem associativa. No preâmbulo da lei que  institui o CCP  não se faz referência expressa à "União" da década de 60, mas está lá, na mesma linha de pensamento, o apelo a uma intervenção  da sociedade civil, capaz de chamar o Governo ao diálogo, liderando o processo... Isso tem sido, de vez em quando, anunciado mas não cumprido com vocação de grandeza, à dimensão da  Diáspora .
. O paradigma de Adriano Moreira, o grande precursor, continua, assim,  à espera de protagonistas.
 

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Regresso a casa

Victor Gaspar no FMI. Sem surpresa, para mim. Sempre achei que estava trabalhando  muito para isso durante a sua missão em Portugal.
Um carreirista bem sucedido.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Portugal acima de tudo! NÃO TRADUZIR PARA ALEMÃO

Passos Coelho parece o mais "alemão" dos primeiros ministros da história do nosso País, E, agora apresenta como lema do Congresso do PSD: Acima de tudo! Portugal
Em alemão PORTUGAL UBER ALLES
Saberá ele quem proclamava
 DEUTSCHLAND UBER ALLES?

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

40 anos de Liberdade, 40 anos de Migrações - 1974-2014

 




A  Mulher Migrante - Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade propõe-se levar a cabo uma série de debates, em Portugal e em comunidades portuguesas do estrangeiro, sobre o significado da democratização da vida política no País, sobre a sua projeção nas políticas de emigração e no relacionamento com os cidadãos e as instituições da "Diáspora", ao longo das últimas quatro décadas.
Nesses debates queremos ouvir o que têm a dizer mulheres e homens sobre o quadro geral do fenómeno migratório, assim como sobre a evolução do papel das mulheres nos movimentos de expatriação  e de retorno e no movimento associativo: partindo da História e da Memória de sucessivas gerações para chegar aos dias de hoje.  Consideramos que este é o momento certo para avaliar a dimensão atual do fenómeno, a sua composição, em termos de género, de qualificação, de projetos e situação profissional, assim como da propensão associativa (e das novas formas que vai configurando) e da evolução das relações com as sociedades de origem e de residência.
 Serão  iniciativas em que as questões da igualdade estarão sempre em foco - igualdade entre mulheres e homens, entre mulheres que saíram ou não das fronteiras do país, entre emigrantes e não emigrantes, do ponto de vista do estatuto jurídico  e da situação de facto. Espera-se que seja, também, uma plataforma para o relançamento dos projetos que a AEMM vem incentivando - a recolha de histórias de vida, as  Academias Seniores , a história do associativismo, quer do mais tradicional. quer do que vai assumindo novos modelos, promovendo formas de cooperação e de diálogo de género e de geração.  
Há muitas perguntas a fazer e muitas respostas que se podem dar em conjunto.