sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Regresso a casa

Victor Gaspar no FMI. Sem surpresa, para mim. Sempre achei que estava trabalhando  muito para isso durante a sua missão em Portugal.
Um carreirista bem sucedido.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Portugal acima de tudo! NÃO TRADUZIR PARA ALEMÃO

Passos Coelho parece o mais "alemão" dos primeiros ministros da história do nosso País, E, agora apresenta como lema do Congresso do PSD: Acima de tudo! Portugal
Em alemão PORTUGAL UBER ALLES
Saberá ele quem proclamava
 DEUTSCHLAND UBER ALLES?

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

40 anos de Liberdade, 40 anos de Migrações - 1974-2014

 




A  Mulher Migrante - Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade propõe-se levar a cabo uma série de debates, em Portugal e em comunidades portuguesas do estrangeiro, sobre o significado da democratização da vida política no País, sobre a sua projeção nas políticas de emigração e no relacionamento com os cidadãos e as instituições da "Diáspora", ao longo das últimas quatro décadas.
Nesses debates queremos ouvir o que têm a dizer mulheres e homens sobre o quadro geral do fenómeno migratório, assim como sobre a evolução do papel das mulheres nos movimentos de expatriação  e de retorno e no movimento associativo: partindo da História e da Memória de sucessivas gerações para chegar aos dias de hoje.  Consideramos que este é o momento certo para avaliar a dimensão atual do fenómeno, a sua composição, em termos de género, de qualificação, de projetos e situação profissional, assim como da propensão associativa (e das novas formas que vai configurando) e da evolução das relações com as sociedades de origem e de residência.
 Serão  iniciativas em que as questões da igualdade estarão sempre em foco - igualdade entre mulheres e homens, entre mulheres que saíram ou não das fronteiras do país, entre emigrantes e não emigrantes, do ponto de vista do estatuto jurídico  e da situação de facto. Espera-se que seja, também, uma plataforma para o relançamento dos projetos que a AEMM vem incentivando - a recolha de histórias de vida, as  Academias Seniores , a história do associativismo, quer do mais tradicional. quer do que vai assumindo novos modelos, promovendo formas de cooperação e de diálogo de género e de geração.  
Há muitas perguntas a fazer e muitas respostas que se podem dar em conjunto.

 

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

A praxe - boas e más tradições...

Entrei na Faculdade de Direito de Coimbra em 1960.  Sempre gostei do meu traje académico, É um sinal de pertença, é  elegante, é prático. Igualiza.
Usei o "grelo" no 3º ano, as fitas vermelhas no 4º, a cartola e bengala no ano de despedida. Recordo com imensa saudade as serenatas, os cortejos e bailes das "Queimas" O cine clube, o teatro, as tertúlias de café. Tudo o que diverte, sem ser à custa de ninguém.
Praxe só neste sentido!
O resto é barbaridade, é prepotência, é opressão - mesmo que não haja violência física. Umas tesouradas na cabeleira dos caloiros não é propriamente coisa que ponha em risco a sua vida e isso foi o pior que vi na Coimbra do meu tempo. Mesmo assim, eu detestava as trupes, que irrompiam  das sombras da noite na perseguição dos "caloiros".  E que levavam os incautos, sem que estes resistissem, para lhes aplicar o castigo ritual.
Para mim, tudo aquilo era sinistro, os vultos negros das trupes, as cabeças rapadas dos colegas...
Vivi, assim, o primeiro ano em estado de revolta contra a praxe, e nunca recuperei desse sentimento profundamente "anti"
Não me afetava pessoalmente, porque as  estudantes não estavam sujeitas a essas praxes. Pelo contrário: como quaisquer outras senhoras, até podiam "dar proteção" aos caloiros, desde que com eles fossem de braço dado. Várias vezes, salvei colegas, com um gesto rápido ao pressentir o "inimigo" ...

E se não estivesse num lar de freiras (o lar das Dominicanas, junto às escadas monumentais) nada mais teria para contar sobre o meu 1º ano.   Nesse mundo fechado, imagine-se, havia uma réplica da praxe,  numas festas noturnas,  em que as "caloiras" eram gozadas pelas "doutoras" e não podiam responder na mesma moeda. Respondi. Insurgi-me, saí pela porta fora e fui naturalmente, de imediato, ostracizada.
Isto é, no pacato lar era a única a não ser convidada para aquelas sessões patéticas de basófia (de um lado) e de servilismo (do outro). Excelente solução! Nunca mais me maçaram, e vice versa.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

O destino de GASPAR...

Sem surpresa a nomeação de GSPAR para o seu alto cargo europeu.
Eu sabia, todos os portugueses sabiam que foi para isso que trabalhou, enquanto ministro das finanças -  o ministro das finanças da troika.
Apoios ; o governo alemão, e o governo português (os alemães da Alemanha e os de Portugal)

O admirável mundo novo da Internet - ler uma reportagem, 8 anos depois...


MANUELA AGUIAR:

NO CÍRCULO DA EMIGRAÇÃO

Reportagem de
Vitália Rodrigues

Manuela Aguiar, deputada pelo círculo da Emigração e Carlos Oliveira, cônsul-geral de Portugal em Montreal

Círculo de livros ao centro da mesa. Livros que Manuela Aguiar ofereceu aos presentes.



Francisco Salvador, Conselheiro das Comunidades Portuguesas no Canadá, ladeado por Manuela Aguiar e Corinne Descombes

Manuela Aguiar autografa o seu último livro


Dr. Carlos Oliveira em amena cavaqueira com o docente do Instituto Camões, dr. Luís Aguilar


Mário Conde e Corine Descombes ladeiam o representante de Portugal em Montreal, dr.Carlos Oliveira, retribuindo-lhe a visita que o diplomata fez aos Estudos Portugueses da Universidade de Montreal
Vitália Rodrigues e Manuela Aguiar
Luís Aguilar com alguns dos Representantes da Comunicação Social de Montreal presentes: Luís Tavares Belo, Conseição Rosário e Sylvio Martins

É difícil, numa figura humana, política, social, artística, económica e, até literária, como é vista Manuela Aguiar por aqueles que tiveram o privilégio de com ela contactar, acreditar na sua partida da vida política activa. Um retiro, local para onde os descendentes de Viriato, muitas vezes querem remeter figuras incómodas, que configuram uma postura independente, não-alinhada e, sacrilégio maior, pensam pela sua própria cabeça, descarrilando vezes de mais, das correias de transmissão do partido a que pertencem.
É quase consensual ter sido Manuela Aguiar a conseguir a mais significativa actuação, quer como Secretária de Estado da Emigração, quer como deputada pelo círculo da emigração, nas várias localidades deste país da América do Norte, em particular e por todo o reino da Emigrolândia, em geral.

E ela cá esteve, de novo, desta feita, para lançar um livro que reúne documentos que testemunham a sua permanente batalha em prol das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo: No Círculo da Emigração. Na última quinta-feira, dia 6 de Janeiro de 2005, na sala multiusos do Consulado-Geral de Portugal em Montreal, no círculo restrito dos órgãos de informação deste círculo da emigração portuguesa que acaba de comemorar o seu cinquentenário. Incansável, com uma energia bastante superior à que demonstrou na anterior visita a Montreal, Manuela Aguiar foi questionada sobre a sua
anunciada retirada. Uma resposta simples e imediata: - Não, eu não me retiro de coisa nenhuma. Eu apenas saio do Parlamento, o que, afinal, é muito pouca coisa.
Manuela Aguiar decide, fazer perguntas que ninguém colocou, apesar do bombardeamento de questões a que foi submetida pelos jornalistas da diáspora:
- O que falta para que se consiga fazer uma Federação Internacional das Comunidades Portuguesas Espalhadas pelo Mundo? Se ninguém perguntou, naturalmente, ninguém se mobilizou para responder a este apelo à unidade, cooperação e solidariedade.
É uma iniciativa que muitas comunidades de polacos, italianos, romenos, gregos, etc., têm levado a cabo, estranhando-se que as associações portuguesas não sigam a ideia de criar uma Federação Internacional que tanta falta faria para articular iniciativas, desenvolver projectos de cooperação, etc. Mas é a trica política - lá como cá- que mobiliza os lusos para o debate. É que Manuela Aguiar, com as questões que coloca, politicamente incorrectas, insiste numa série de medidas ameaçadoras para alguns reumatismos que habitam a comunidade portuguesa de Montreal em particular e as comunidades portuguesas, na sua generalidade.
Manuela Aguiar demonstra uma certa incompreensão, ou mesmo desespero, pelo abandono de mulheres de todos os partidos que muito ajudaram à construção de uma estranha forma de fazer política e intervir socialmente. Sente-se, por ventura, incompreendida quando olha para cada um dos presentes e percebe o desfile de olhares que se escondem por detrás de cada cumplicidade com aqueles que julgam que a diferença que marcou (e esperamos que continue ainda a marcar) um outro modo de ver as coisas, foi derrotado pela cartilha de compressão de obediências, que o politicamente correcto quis e quer impor. Com efeito, Manuela Aguiar tem um pensamento límpido, obsessivo e grávido de coerência que compagina dificilmente com o alinhamento que se espera de um político, geralmente, o oposto disso mesmo.
Respira-se outro ambiente na sala multiusos do Consulado-Geral de Portugal, ambiente a que não será alheia a postura discreta, mas empenhada, disponível, experiente e humorada do novo cônsul-geral de Portugal, cuja curiosidade pelas pequenas e grandes coisas também não cessa de espantar quem a tal não está habituado na diplomacia portuguesa. Faz-nos falta, a dinâmica presença da Maria Luísa Fernandes que, temos a certeza de que, num contexto destes, se sentiria como peixe na água.
Admiramos a extrema paciência que detém, a nossa deputada e Secretária de Estado, como muita gente de todos os quadrantes políticos gosta de chamar-lhe aqui em Montreal, para, com a pinderiquice lamecha de alguns representantes de um Portugal queixinhas, trajado de pobreza franciscana, que se esgueiram da varanda da hipocrisia, sempre a verter lágrimas de crocodilo, penduradas da algibeira oportunista.
Manuela Aguiar, entende Portugal como uma nação de comunidades e, quanto a nós, entende aquilo que, afinal, de Portugal, se espera, porque, foi esse sempre o grandioso, misterioso e glorioso significado que tem e que sempre teve como Nação do V Império visionário de Pessoa ou religioso do Padre António Vieira ou mesmo profético do sapateiro Bandarra. Isso mesmo leva um número crescente de estudantes universitários, luso-descendentes ou estrangeiros a estudar a língua de Camões e a cultura lusitana.
Foi nesse sentido que dois estudantes do programa de Mineur en langue portugaise et cultures lusophones da Universidade de Montreal, acompanharam o docente de língua portuguesa, Luís Aguilar, a este encontro: o Mário Conde, de origem galega e a Corinne Descombes uma gaulesa da Haute-Savoie que ficaram fascinados, tanto com a deputada Manuela Aguiar como com o dr. Carlos Oliveira. Foram acolhidos com simpatia os estudantes de Português, pelos dois políticos, num encontro que ficou pautado pela espontaneidade, por uma dinâmica de troca, de curiosidade e até por um certo carinho por serem eles aprendentes da nossa cultura e magna língua.
Nenhum dos dois representantes de Portugal correspondeu à imagem que eles têm dos políticos e diplomatas, pois a deputada manteve um discurso frontal e desprovido de superioridade e snobismo e o cônsul-geral, constantemente à procura da novidade e a não faltar a uma possibilidade de dois dedos de conversa que lhe apeteça.
O livro de Manuela Aguiar, cujo lançamento serviu de pretexto para este Encontro informal, mais parecido com uma tertúlia do que uma conferência de imprensa como foi alcunhado, apresenta documentos escritos na primeira ou na terceira pessoas, a actividade parlamentar da deputada e os percursos percorridos nos tempos de exercício de funções e de avidez de comunicação. Nele podemos encontrar o que escrevíamos na edição do jornal LusoPresse do dia 1 de Janeiro de 2000, a propoósito do lançamento do seu livro anterior, Manuela Aguiar. Migrações sem Fim ( Manuela Aguiar, cita-nos na página 168 deste seu novo livro):
]...[ Os temas abordados durante cerca de duas horas foram variados, mas com vincada insistência sobre o problema da nacionalidade. Manuela Aguiar voltou a esclarecer a importância da lei de

No Círculo da Emigração
1981, que veio acabar definitivamente com a lei salazarista e fascista de 1959, a qual retirava automaticamente a nacionalidade portuguesa a qualquer indivíduo que optasse por outra. Com esta nova lei, velha de 18 anos, é possível através de um processo burocrático, infelizmente moroso, reaver a nacionalidade portuguesa e manter a dupla nacionalidade. Lei libertadora, mas não menos discriminatória para todos os portugueses que se naturalizaram Canadianos entre 1959-1981. Antes de partir a deputada prometeu fazer tudo o que estivesse ao seu alcance a fim de facilitar e diminuir este processo burocrático. Esperemos que consiga obter a aprovação de um decreto, de uma alínea, de algo que permita restabelecer de uma forma simples e rápida a nacionalidade portuguesa. Boa sorte.
Hoje, aqui estamos a anunciar e a render homenagem a quem soube levar a bom porto, uma batalha de Bom Senso e Bom Gosto, mas nem por isso fácil. Cinco anos depois.
Aplica-se a Manuela Aguiar o que o povo muitas vezes diz: Água mole em pedra dura tanto dá até que fura. Furou! As pedras duras que são a burocracia lusa e a ociosa e sonolenta actividade parlamentar portuguesa.
E à Manuela Aguiar dizemos, como habitualmente, até à próxima e Boa Sorte com o seu No Círculo da Emigração, e com o novo Círculo da Emigração por e para onde não concorre desta vez, mas que, nem por isso, estamos certa, deixará de marcar o caminho desta emigrolândia, onde muito se ressona, pouco se inova, muito se grita, quase nunca se reconhece e, permanentemente se insiste em agir de costas voltados uns para os outros. Uns porque são do Benfica e outros do Sporting, uns porque são de São Miguel e outros da Terceira, uns porque são da Voz de Portugal e outros do LusoPresse, uns porque são da Escola Portuguesa do Atlântico e outros porque são da Escola de Santa Cruz, etc. Enquanto, paralelamente, todos se queixam da falta de meios e de recursos humanos. Não parece.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Colóquio em Recife

para mim
Estamos a partilhar momentos históricos neste admirável salão nobre do Gabinete Português de Leitura de Recife, porque falar de "expressões femininas da cidadania" numa grande e tradicional instituição das comunidades portuguesas do Brasil é coisa absolutamente inédita. Estamos, certamente, a abrir um caminho longo, a que não vão faltar os caminhantes. E é excelente que o possamos fazer em conjunto, em reunião de representantes do Estado e da sociedade civil, brasileiros e portugueses, mulheres e homens de várias idades, todos olhando a realidade das migrações, das mulheres na sociedade de hoje, com uma mesma vontade de reinventar as formas de lhes assegurar, concreta e individualmente, o seu " direito de cidade".
O Brasil é um dos países do mundo onde, nas últimas duas décadas, as cidadãs, mais rapidamente e com mais naturalidade, ascenderam a altos cargos políticos, mas nem por isso podemos dizer que, aqui, como no resto do planeta, a questão de género está resolvida. Na verdade, não está.
Mas que o Brasil se tornou um paradigma de abertura da política às mulheres, também é verdade!
E, por isso, se torna particularmente anacrónica a falta de participação feminina nas diretorias das mais prestigiadas organizações da comunidade portuguesa, como salienta. na sua mensagem, o deputado Carlos Páscoa..
 Sabemos bem que o movimento associativo dos portugueses no Brasil é, no universo da emigração nacional, não só o primeiro, mas também o mais grandioso. Como tantas vezes disse, por todo o lado onde deveres de ofício me levaram, reconheço o mérito de tantos emigrantes portugueses, que se destacaram pela sua obra individual, mas maior é ainda, embora seja bem menos referenciada e reconhecida, a sua obra coletiva - exemplificada nas instituições luso brasileiras, Gabinetes de Leitura, Beneficências , Hospitais, Clubes. Uma obra monumental!
No novo século, marcado por um recomeço das correntes migratórias para o Brasil, queremos vê-lo sobreviver, numa ponte de afetos entre as certezas do passado  e as transformações que o futuro exigirá. O que não será possível sem o envolvimento das mulheres e dos jovens.  Por isso,  o Secretário de Estado Dr José Cesário nos vem lembrar, nas palavras de saudação que nos enviou, o papel das mulheres, qualificando-o como "absolutamente decisivo".
Serão várias as razões que explicam um quadro geral de exclusão feminina na cúpula do nosso associativismo no Brasil, a que quase só escapam a organização Elista e algumas Câmaras de Comércio, talvez porque sejam luso-brasileiras. Ao que parece, uma ativa componente brasileira vai sempre num sentido mais inclusivo e igualitário, à imagem da própria estrutura política do país.
Uma das razões para explicar um tal panorama associativo será o caracter masculino da emigração portuguesa, até  meados do século XX,  precisamente quando cessa o êxodo para o Brasil - muito embora a proporção de mulheres viesse a crescer significativamente desde o começo do século, contrariando as políticas limitativas com que os governos, até então, sempre haviam procurado proibi-las de sair (sabe-se porquê: a presença feminina transforma o projeto de emigração, facilita a integração familiar e dificulta o regresso à terra...)
Em meados de novecentos, quando termina o ciclo das partidas para o Brasil, principia o da Europa  - e não só. Porém, os outros destinos tiveram menor visibilidade, apesar da sua  importância, o Canadá, a Venezuela, a África do Sul, a Austrália ( de novo, a dispersão universal...) e, por isso, tornou-se é um lugar comum dizer que a  França se converteu no "novo Brasil".
Por todo o lado, o movimento associativo dessas comunidades emergentes, tal como o das antigas, fortíssimo e multifacetado na sua vocação - e necessidade -  de se substituir à ausência de ação do Estado português,  mantém a sua feição masculina...
Nesta fase mais marcadamente europeia, o inesperado iria aconteceu, sobretudo no que respeita à "metade feminina" (metade mesmo, matematicamente, ainda que , em regra, elas tenham seguido os maridos, à distância de algum tempo) . Os primeiros estudos sociológicos realizados em Paris sobre as portuguesas, em 70 e 80, revelam um quadro muito diverso do que se antevira - as emigrantes, vindas de meios rurais para grandes cidades, haviam conseguido adaptar-se melhor do alguém poderia imaginar, haviam sido o esteio da  integração familiar e alcaçado um novo estatuto dentro e fora de casa. O acesso a trabalho remunerado, regra geral no setor dos serviços, o melhor domínio da língua, e com ele, a capacidade de melhor interagir na sociedade de acolhimento, explicam o fenómeno. A verdade é que a emigração foi para toda uma geração de emigrantes portuguesas - mesmo para as mais pobres, as menos qualificadas profissionalmente - uma via de emancipação. Nesse ciclo migratório, quase todos ganharam, e as mulheres ganharam mais ainda. Eduardo Lourenço, ele próprio emigrante em França e um dos nossos mais prestigiados e queridos intelectuais, chama-lhes "uma geração de triunfadores". Podemos, com segurança, escrever a frase no feminino.
Na geração seguinte, é espantoso o número de luso-francesas envolvidas na política, para já sobretudo a nível municipal, e as ligações que mantêm com o nosso país. No Brasil, ao pensar em exemplos semelhantes, logo me ocorre o nome de Ruth Escobar, a portuguesa que, ao abrigo do Tratado de Igualdade de Direitos, se candidatou e foi a 1ª Mulher eleita à AL do Estado de SP. No Rio de Janeiro, igual pioneirismo protagonizou, como Secretária do Governo do Estado, a médica Manuela Santos, que, mais tarde, seria a primeira representante eleita no Brasil ao Conselho das Comunidades Portuguesas
 Constatamos, assim, que, no Brasil como  em França, tem sido mais conseguida a ascensão das emigrantes na sociedade de acolhimento do que no mundo conservador e masculino do associativismo.
A AEMM, consciente desta evolução assimétrica, na generalidade dos países, tem concentrado os seus esforços na mobilização das mulheres para uma participação de vanguarda nas comunidade portuguesas, a fim de que se convertam em espaço de expressão da cidadania e se expandam com a inclusão de grupos marginalizados, invertendo a tendência para o seu declínio, que tantos profetizam e justamente  receiam.
Vemos o associativismo feminino, essencialmente, como um instrumento para viabilizar, a prazo, a participação paritária nas organizações das comunidades da diáspora.
E encorajamos as novas formas, criativas, que vem assumindo. Penso, sobretudo, em iniciativas que se projetam na internet , com o grupo das "Marias, corações de Portugal" ( a partir da Alemanha), ou nas tertúlias, que combinam a vertente lúdica com a beneficente ou cultural, caso das Universidades ou Academias Seniores, (que se multiplicam do Canadá à Argentina,, da Alemanha à África do Sul), ou das Academias da Espetada, em  grande crescimento nas comunidades madeirenses da Venezuela e África do Sul ( a "espetada é um prato típico madeirense).
 Julgo que nesta corrente inovadora se inclui, com toda a originalidade, e um jeito bem tropical,  a  "Folia das Deusas". justamente porque tão bem concilia o tempo de festa, e o tempo de ação solidária.
 A parceria que agora iniciamos com  a "Folia das Deusas" vai, certamente, continuar. Foi a
  
 Drª Berta Guedes Santana quem nos convidou a vir ao Recife. Depois do sucesso desta iniciativa, somos nós que a vamos convidar a ser  a nossa representante em Pernambuco, a participar nos nossos projetos - a criação de Academias Séniores de Artes e Saberes, a recolha de narrativas de vida,  as tertúlias literárias, as mostras  artísticas, as várias modalidades de "congressismo"  em que  denunciamos discriminações, a mobilizamos mulheres e homens para a vivência paritária da cidadania, no associativismo e na política. 
De tudo isto se falou neste dia inesquecível, com Mulheres Brasileiras e Portuguesas do Recife, que em diversos campos, (até no do associativismo tradicional, como o provam as dirigentes do Hospital Português que integram o painel de oradores) são admiráveis expressões da cidadania no feminino.
A todos os amigos aqui presente, o meu "bem-hajam"
Não vamos dizer adeus uns aos outros, mas sim "até logo".