Recordar tempos idos... Falar do presente, também. E até, de quando em vez, arriscar vatícínios. Em vários domínios e não só no da política...
quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
"O FEMINISMO NATURAL DE MARIA BARROSO" in "Maria Barroso - os Legados"
O FEMINISMO NATURAL DE MARIA BARROSO
Maria Barroso atravessou quase um século e muitos mundos, num movimento a que não deu pausas. A sua vida foi um constante recomeço, muitas vidas numa só, norteada por convicções profundas, que soube repartir pelos campos de ação que ia achando, quando outros se fechavam… Em cada rutura, voluntária ou forçada do percurso, retomava o fio condutor do movimento, conseguindo, desde a sua juventude, ter presença e influência numa sociedade misógina, fechada à modernidade e ferreamente controlada pela força de um regime policial. Aprendeu a lidar com a opressão e a violência da ditadura, as arbitrárias prisões do pai (e, mais tarde, do marido), as perseguições pessoais que lhe cortaram uma fulgurante carreira artística, como atriz do Teatro Nacional. E, depois, outras… Resistiu sempre, erguendo a voz, sem transigências nem vacilação, com o seu perfil feminino de coragem. Como diria décadas depois, relembrando essa época: “É preciso aprender a chorar por dentro”. (As Primeiras Damas”, pp 115).
Do palco do teatro fizera palco de cidadania no anseio de liberdade e de mudança social, pondo ao serviço dos combates a fama e o talento, no modo como dava alma a personagens subversivas dos dogmas sexistas do regime, e como, em sessões culturais, dizia poemas revolucionários e mobilizadores. Em palavras suas: “Fiz imensos recitais de poesia revolucionária com o grupo de Fernando Lopes Graça, que cantava também canções revolucionárias. De facto, a maneira como o coro cantava e a força que eu punha nos poemas que dizia, faziam com que esses recitais de canto e poesia fossem uma espécie de comícios”. (As mulheres políticas e as suas causas, pp 49)
Quando os sonhos de carreira artística se esfumaram, pelo seu “saneamento” político do Teatro Nacional, era já, aluna da Faculdade de Letras, de Ciências Histórico-Filosóficas, curso em que foi colega do futuro marido, como contou, numa entrevista, à distância de várias décadas: “Eu entrara na Faculdade com um certo prestígio, uma vez que era aluna da Faculdade e, simultaneamente, atriz do Teatro Nacional. Fui a aluna mais classificada do Conservatório, o que só por si, dava acesso imediato ao Teatro Nacional”. (As mulheres politicas e as suas causas, pp 49)
Custoso início de uma ininterrupta e longa caminhada cívica em que puro idealismo e sensibilidade ao sofrimento e à injustiça moldaram a humanista, e o espirito prático e a energia fizeram a militante, a mulher de ação em tantos terrenos - a- atriz, a professora, a gestora de um grande colégio, a mãe de família, a oposicionista política, a deputada na democracia, a “primeira dama” da República, a presidente da Cruz Vermelha, a líder de organizações para o desenvolvimento do mundo lusófono, feminista, a defensora dos Direitos Humanos, e da paz.
No enfrentamento da ditadura seria candidata a deputada e a única mulher a tomar a palavra no 3º Congresso da Oposição Democrática, proclamando, com o seu timbre de jovem rebelde: O Congresso não é uma dádiva do regime, é uma conquista nossa! (As Primeiras Damas, pp 116) E seria, também, a única mulher presente na reunião em que o PS se constituiu como partido político, em 1973.
Após o 25 de abril de 1974 vemo-la envolvida na aventura de erguer do chão a arquitetura democrática, informando e comunicando com a eloquência e a sinceridade que atraía multidões, em comícios, debates, sessões de esclarecimento, trabalhos parlamentares. Na década de 1986/96, no papel em que, aparentemente, mais arriscava a sua secundarização como mulher – sendo a mulher do Presidente da República – readquiriu a notoriedade dos anos de juventude, interagindo com a gente de todas as condições e de todo o lado, no país e no estrangeiro. Sobre a sua excecionalmente bem-sucedida missão, diria com sua usual simplicidade: “Ganhei um novo espaço para me reinventar” (Firmeza de convicções, pp 121).
Do inventário da sua década em Belém constam centenas de intervenções, incluindo sobre a Mulher (o capítulo mais volumoso) e bem assim o registo de iniciativas pioneiras, como o primeiro passo dado na pré-história do processo de paz de Moçambique, pela abertura aos refugiados do corredor de Ressano Garcia. Um feito que “O Século de Joanesburgo”, jornal distante do seu quadrante ideológico, destacou em manchete “Maria Barroso em África, uma lição de amor ao próximo” (Viagem a Moçambique, pp 87). O que nos faz pensar como poderia ter-se “reinventado” nos mais altos cargos nacionais e, sobretudo, internacionais…
Nas duas décadas seguintes, de fora das estruturas partidária, realizou uma obra notabilíssima, no país, no universo da lusofonia e na Diáspora, no estrangeiro, por uma cultura de paz e solidariedade, com crescente foco na situação das mulheres e em novas formas de exclusão e de violência - a violência na família, nos média, o tráfico de armas… O trabalho sempre inacabado de uma ativista, que, no seu ímpeto de transformação social, abraçava todos as pessoas injustiçadas e desprotegidas, sem favoritismo (mulheres e homens, portugueses, africanos, timorenses, refugiados, imigrantes), em gestos concretos, com infinita dedicação e dinamismo, no dia a dia, sem abrandar até ao seu derradeiro dia.
Com tudo isso, podemos considera-la feminista? Sim, respondeu ela própria, sem ambiguidade, como era seu hábito: “Não sou feminista à outrance, sou-o apenas por ter consciência das desigualdades que subsistem, na prática, entre mulheres e homens. Acho que devia haver uma maior colaboração e participação das mulheres na procura dos grandes problemas que nos afligem. Costumo dizer muitas vezes que se as mulheres estivessem em lugares de decisão em maior percentagem dificilmente as guerras se arrastariam por tanto tempo. [...]. Apreciamos mais o diálogo do que a guerra. Esta é a minha convicção profunda”. (As Mulheres na política - as suas causas, pp 54)
Foi nos caminhos do feminismo que nos cruzámos, há quase meio século, numa fácil sintonia, apesar de virmos de direções opostas – eu do “feminismo à outrance”, ela de uma multifacetada experiência de luta, em que nenhuma discriminação a deixava indiferente: "O ambiente de minha casa e a minha formação tornavam-me mais desperta para as injustiças que no país se iam cometendo, para a falta de Liberdade, para as perseguições dos que não alinhavam com o Estado Novo, para o perigo que representava ter-se sequer qualquer atividade cívica, mesmo a mais simples” (Mulheres na política - as suas causas, pp 49).
O seu feminismo emergiu de um pelejar, em muitas frentes, por uma nova revolução, tal como a de 1910, portadora da esperança numa democracia capaz de erradicar todas as desigualdades, incluindo a de sexo. Numa conferência sobre “As mulheres na primeira República”, na abertura das comemorações do centenário da Revolução, em Espinho, Maria Barroso aludia às grandes expetativas das feministas portuguesas do dealbar do século XX: “Esperavam as que aderiam à República e às suas instituições – quase todas – que este novo sistema político curasse a sociedade de todos os males”. (Jornal Memória da República, Câmara Municipal de Espinho, 2011, pp 1)
E como não acreditariam nas virtualidades da revolução e na solidariedade masculina quando eram pais, maridos, irmãos, que as convidavam a colaborar, a seu lado, na propaganda republicana, transpondo, enfim, a fronteira entre o espaço privado e o público? Famílias inteiras partilhavam a mesma ideologia, as mesmas causas e essa cumplicidade contribuiria para singularizar o movimento feminista português, que, em regra, recusou a “guerra dos sexos”, e somou à questão do sufrágio as reivindicações de emancipação pela educação e pelo trabalho profissional.
Maria Barroso olhava o período da 1ª República, como a travessia de um “deserto de direitos”, onde começaram a emergir “oásis de igualdade”. Não esquecia, contudo, a recusa fatídica do sufrágio feminino, que provocou a cisão do movimento, e insanáveis divisões entre as mulheres: “divergências de opinião, de estratégia, de liderança e de rumo, conforme se assumiam como mais feministas do que republicanas e vice-versa”. (jornal Memória da República, Câmara Municipal de Espinho, pp 2)
A história ia repetir-se na geração seguinte - também Maria Barroso, nascida em 1925, se formou numa família solidária e aberta aos valores democráticos, em oposição frontal ao regime, o que, a meu ver, contribuiu para a tornar uma natural continuadora das pioneiras feministas, quase todas já desaparecidas. Ninguém mais do que ela, por si só, sem a preocupação de aderir a correntes ou a grupos, trouxe, até ao século XXI, a firmeza sem radicalismo e a intemporal modernidade das suas reivindicações, com o enfoque na paridade, (vendo a emancipação da mulher como inseparável da emancipação do homem), na educação e no acesso ao trabalho. Antes de mais na educação: só a educação e a cultura podem libertar a Mulher, pensava Maria Barroso, como Ana de Castro Osório, Angelina Vidal, Veleda ou Cabete…
Porém, num tempo em que a última associação feminista (o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, dirigido por Maria Lamas e Elina Guimarâes), fora abrupta e despoticamente extinta pelos poderes constituídos, era inevitável a diluição do feminismo na resistência antifascista, numa faixa de oposição, que atraía as mulheres com clara consciência da problemática feminina, entre elas, Elina Guimarães, a última das sufragistas, Maria Lamas e Maria Archer, e, na nova geração, Maria Antónia Palla e Maria Barroso.
É uma época em que Maria barroso se situa, a meu ver, na área mais “republicana do que feminista”, só mais tarde evidenciando o seu empenhamento particular nas questões de género, na medida em que o ritmo lento das transformações sociais e políticas em direção à paridade, contrastava com a igualdade jurídica formal, tão rapidamente alcançada na Constituição e nas leis. Vinte anos depois da Revolução de setenta e quatro, denunciava o impasse, com veemência, “Uma vez que a democracia está ferida de grandes injustiças e imperfeições, até na medida em que beneficia e valoriza ainda o modelo masculino do poder, pode por isso, dizer-se que está em crise”. (Firmeza de convicções, pp 185).
A clara consciência da enormidade das discriminações de género, que a malha das leis deixava escapar, por um lado, e, por outro, da importância fundamental do equilíbrio de poderes, feminino e masculino, no governo das Nações, acorda o seu feminismo, elevado a causa maior. No seu primeiro quinquénio no Palácio de Belém são destacadas dez intervenções neste domínio, no segundo, cerca de cinquenta, com o capítulo referente a temáticas sobre “A Mulher” a ultrapassar o da “Cultura” e da “Educação e Família”. Não é, certamente, por acaso.
Maria Barroso acreditava na paridade natural, vista como exigência ética, mas perdera a esperança de que se concretizasse durante a sua vida: “A paridade natural – que consiste na igualdade de possibilidades dadas, à partida, a homens e mulheres, e não no estabelecimento definitivo e artificial de percentagens – levará o seu tempo a conseguir”. (A Firmeza das Convicções, pp 164). Consequente e pragmaticamente, apostaria, nos anos seguintes, na imposição do sistema de quotas, a fim de acelerar o processo de empoderamento das mulheres, condição “sine qua non” de uma mutação civilizacional: “Penso sinceramente que o mundo complexo em que vivemos e sofremos poderia ser diferente se a vez e a voz das mulheres tivessem o peso nas decisões que traçam e determinam os destinos de cada povo”
O seu feminismo achava, até nas diferenças de género, argumentos para abrir campo de participação às mulheres, nos seus lugares de ausência na política, na sociedade, nas diversas profissões, rejeitando toda e qualquer forma de supremacia sexista. Era o “verdadeiro feminismo”, na expressão de Ana de Castro Osório, que o queria partilhado por mulheres e homens, para formar as mulheres pela inteligência, pela razão, pela educação, para garantir sua independência. Do mesmo modo, Maria Barroso insistia na importância de “sermos solidários uns com os outros”, a fim de atingir a igualdade natural entre mulheres e homens. Considerava a humanidade “dividida em duas partes, uma masculina, outra feminina”, com dons e virtualidades semelhantes, que deviam ser potenciados pela boa e útil cooperação, porque “a humanidade é uma família”. (A Firmeza das Convicções pp 131).
Não quis ser uma teórica do feminismo, antes uma praticante, que soube mobilizar pelo exemplo e pelo discurso, pela antiga, e sempre atual, via do congressismo, com uma intensificação do ritmo, que aumentava com a idade. Foi entre 2005 e 2009, que se envolveu na mais sistemática e movimentada das suas campanhas pelos direitos das mulheres, junto das comunidades da Diáspora. Deu rosto a um plano estratégico para chamar as emigrantes à intervenção nas comunidades espalhadas pelo mundo, onde os movimentos feministas nunca haviam curado de se expandir, nem os Governos, com raríssimas exceções, tratado de promover, a igualdade entre mulheres e homens (uma tarefa de que o incumbe a Constituição, sem a limitar ao território). E teve, de facto, um papel fundamental nessa fase de viragem histórica nas políticas públicas de emigração - presidiu aos congressos, deu a sua própria dimensão cultural, a sua idoneidade, a sua marca ao projeto conjunto do Governo e de várias ONG´s do estrangeiro e do país, entre as quais a “Mulher Migrante - Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade” (AMM) e a Fundação Pro Dignitate”.
Como dirigente da AMM, (entidade que apresentara o projeto inicial ao Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas), tive a sorte e o privilégio de a acompanhar na aventura cívica, que constituíram os chamados “Encontros para a Cidadania – a Igualdade entre Mulheres e Homens”.
Maria Barroso tinha mais de oitenta anos, no começo dessa longa caminhada, e não hesitou em “correr mundo”, para trazer as mulheres ao exercício da cidadania, no universo das comunidades portuguesas do estrangeiro, onde a sua situação de discriminação era patente. Situação que fora amplamente analisada e denunciada no 1º Encontro de Mulheres no Associativismo e no jornalismo, organizado pela Secretaria de Estado da Emigração, em 1985, e que, vinte anos depois, permanecia realmente inalterável: as emigrantes mais facilmente acediam ao ensino, ascendiam no trabalho profissional e eram aceites na sociedade de acolhimento do que no espaço institucional demarcado pela cultura de origem. E, por isso, se concentrou no associativismo o esforço de consciencializar para a igualdade, através dos “Encontros”, onde o Governo português esteve representado pelos Secretários de Estado da Presidência, Jorge Lacão e das Comunidades Portuguesas, António Braga.
Maria Barroso dirigia-se a esse mundo fechado e tradicionalista, para o abrir às realidades de um novo relacionamento e cooperação entre os sexos, com um estimulante discurso de dominante cultural, numa abrangência que não deixava os homens de fora. Uma estratégia consonante com o seu “feminismo natural”, que se revelou particularmente eficaz, e seria continuada nos Encontros Mundiais de 2011 e 2013, e em diversos colóquios e debates, até 2015.
Passada apenas uma década, é impressionante a evolução do papel das mulheres nas organizações das nossas comunidades extraterritoriais. Ainda longe da paridade, dirão… Sim, todavia, ver uma mulher presidente de uma associação, grande ou pequena, antiga ou recente, tornou-se coisa normal. E, uma vez que as barreiras do preconceito ruíram, a sua ascensão é imparável, está, com elas, criada uma dinâmica de resposta à necessidade sentida de ultrapassar o envelhecimento, a crise de lideranças, a ameaça de declínio do movimento associativo da Diáspora..
Maria Barroso acreditava no futuro que está acontecendo, que as suas palavras anteciparam, em terras longe e perto. Na nossa memória ecoam, com o som da sua voz… Na América do Sul (Buenos Aires, 2005): “Mulheres e homens têm de assumir um papel, onde ambos os géneros contribuem para a melhoria da sociedade”. Na Europa (Estocolmo, 2006): “É muito importante que os homens estejam aqui presentes, não queremos uma sociedade de mulheres, mas antes de homens e mulheres conscientes dos seus direitos e deveres”. Na América do Norte, costa Leste (Toronto, 2007), com o anúncio da “Lei da Paridade”, sentindo os ventos de mudança, proclamava: “A Mulher pode governar uma Nação” (e, tendo dado provas dadas a esse nível do Estado, porque não passarem de imediato, ao “governo” das associações da sua comunidade?). Na América do Norte, costa oeste (Berkeley, 2008), apelava à criação de laços entre as mulheres das diásporas lusófonas, uma meta ainda hoje largamente por cumprir. (Entre Portuguesas, 2015, pp 32 a 36). Na África (Joanesburgo, 2008), proferiu uma brilhante conferência sobre “A diacronia do pensamento sobre a Mulher”, e aflorou uma outra forma larvada de discriminação de género, o apagamento “póstumo” dos feitos das mulheres: “Apesar da História ter sido tecida por mulheres e homens, só a estes é dada relevância”. (Século de Joanesburgo, 11 de fevereiro, 2008, pp 4).
Era o retomar de um temática, que há muito preocupava a feminista, licenciada em Ciências Histórico-Filosóficas: “A história humana evidencia a ação do homem, esbatendo a importância da mulher”. (A Firmeza das Convicções, pp 166). “As histórias das mulheres foram sendo sempre deixadas fora da História, sendo acentuada, sobretudo, a dimensão masculina das transformações sociais e do progresso humano” (A firmeza das convicções, pp 174).
Eis sobre a História, ao longo de séculos e séculos, reescrita pela pena seletiva dos cronistas, a visão de uma Mulher para a História. Uma reflexão que, hoje, pensando nela, nos interpela… quanto do que Maria Barroso fez, no passado, chegará ao distante futuro?
Neste breve apontamento, procurei destacar a sua pertença, não só, mas também, à história do feminismo. A par do “feminismo prático” de Carolina Beatriz Ângelo, ou do “feminismo tácito”de Maria Lamas, não esqueçamos o feminista vivido, o “feminismo pro dignitate” de Maria Barroso. (E que não o esqueça, sobretudo, a comunidade académica…).
Ela mesma, olhando as mulheres cujas vidas foram de “persistente doação” pela igualdade de direitos e oportunidades, dizia: “lembremos-lhe a memória, seguindo o rasto de luz que nos traçaram” (Firmeza das Convicções, pp165).
Agora, ao comemorar o seu centenário, dez anos depois de ter partido do nosso convívio, recordemos, nós, Maria Barroso e a sua mensagem universalista, feminista e fraternal. Recordemos que nenhuma figura pública do nosso país, no nosso tempo, foi tão consensual, inspiradora e amada pelos Portugueses.
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