quarta-feira, 1 de abril de 2026

ESPINHO 2050

Espinho 2050 As singularidades de Espinho são uma invariável da sua trajetória desde as origens mais remotas. Na verdade, atravessam todos os seus tempos, os de ascensão vertiginosa como estância balnear moderna e cosmopolita e os de declínio e de perda de estatuto turístico nacional e internacional para outras geografias. Uma dessas particularidades é, claramente, a coexistência de contrastes, a mescla harmoniosa de comunidades que se reconhecem no todo. E isso vale igualmente para a confraternização dos naturais ou residentes de longa data, com a gente de fora, as vagas de “nómadas” em férias, tão essenciais à sua natureza como as vagas do mar. Em fins do século XX e durante o primeiro quartel deste século ninguém parecia adivinhar a segunda vida de Espinho no palco do mundo num amanhã não muito distante. A esta distância temporal, numa breve análise do fenómeno e das suas causas, eu diria que o movimento começou na aposta em outros destinatários para uma antiga vocação de atrair os de fora: aposta no turismo sénior através de cadeias de residências seniores, com uma forte componente internacional, quer no segmento mais abastado, quer no das classes médias. Investir na solução de um problema maior de sociedades em envelhecimento rápido era estratégia inteligente, mas quem esperava que Espinho se colocasse na vanguarda desse nicho de mercado? A meu ver, tudo começou “a latere”, com a modernização do balneário marinho e da piscina Solário Atlântico. Sobretudo do “Balneário”. A fama dos tratamentos de talassoterapia estendeu-se a nível nacional e rapidamente ultrapassou fronteiras. A qualidade e a beleza arquitetónica e ambiental do complexo balnear tornaram-no em verdadeiro “ex-libris” da cidade, que, assim, retornava a uma tradição de pioneirismo, ao mesmo tempo que alavancava um turismo cosmopolita há décadas perdido (voltaram, em grande número, os espanhóis, e não só...). Um turismo maioritariamente sénior! De facto, os mais idosos preponderavam, tendo descoberto, para além das benesses do tratamento, as facetas de uma cidade que parecia pensada primeiramente para eles, com o seu centro quase plano, o traçado geométrico de ruas, uma infinidade de lojas e “boutiques”, cafés e restaurantes, o casino, os parques e as deslumbrantes vistas de mar das esplanadas e dos passadiços, que puseram no mapa o Rio Largo. Essa foi a fase 1, logo seguida pela fase 2: a crescente fixação desses novos "descobridores" de Espinho. De princípio, por iniciativas individuais e esporádicas, logo enquadradas num plano de apoio municipal à expansão de residências séniores – algumas construções de raiz, outras reconstruções de velhas casas e mansões. Residências que evoluíram para habitats adaptativos, equipados com robôs de assistência social e plataformas de telemedicina baseadas em IA, permitindo um envelhecimento ativo e mais saudável, com espaços de coworking cultural. A "revolução grisalha" foi para a cidade o início de uma segunda vida de enorme prosperidade. “Dinheiro faz dinheiro”, diz a sabedoria popular. A Câmara de Espinho é uma das mais ricas do país e eu considero que vem utilizando os seus consideráveis meios de uma forma hábil, jogando na intergeracionalidade, realizando o sonho antigo de atrair e integrar os jovens, com os seus projetos de habitação acessível e com o acento no desporto, (que nos dá campeões em tantas modalidades e o direito a ser uma das capitais do “surf”), na investigação (o centro de ciências do mar), na crescente atração de “startups”. Cientistas e “nómadas digitais” já fazem parte da comunidade, tal como músicos, artistas, cineastas… Há movimento todo o ano e em todo o espaço do concelho, onde se diversificaram as centralidades e os eventos culturais. Espinho é a terra dos concertos ao ar livre ou nos seus vários auditórios, dos congressos e conferências, dos festivais de cinema, de música, de teatro, de literatura... O centro histórico ainda mantém a animação das ruas, hoje impecavelmente pavimentadas, mais floridas, mais bonitas. As emblemáticas esplanadas de mar integram redes de sensores IoT que monitorizam a qualidade ambiental e acolhem dispositivos de realidade aumentada, projetando reconstruções holográficas do vaivém da antiga “Avenida”, da arte Xávega, (da pesca que Unamuno eternizou na literatura) e narrativas interativas do Castro de Ovil – um convite a que o visitem “in loco”, no seu fantástico cenário paisagístico. O espaço da antiga linha de comboio, após a sua extensão para além do Rio Largo e do Bairro Piscatório, converteu-se num longo corredor verde com mobilidade autónoma partilhada, ligando o centro histórico ao polo das “startups”, ao laboratório de ciências do mar e ao FACE. As Galerias Amadeo de Souza Cardoso, foram enriquecidas com uma coleção permanente de obras do seu patrono captadas em 3D (uma coleção protocolada com outras instituições). O novo Museu da Memória adota as tecnologias digitais que, através de aplicações cívicas, envolvem os cidadãos em processos colaborativos de planeamento urbano, traduzindo dados abertos em políticas participativas e reforçando a identidade de Espinho como capital de vanguarda no e-Society. A estação de comboio é, agora, considerada uma das mais espetaculares do mundo, convertida em mostra da geografia e da história de Espinho, sobres as paredes do túnel outrora tão sombrio. E o verão ainda é o verão da enchente de visitantes. Os que vêm gozar o mar e os que chegam nas correntes de “turismo cultural”, para o seu banho de imersão na cidade revivalista, na cidade museu, na cidade onde se faz Futuro. Luís Costa 13/06/2025, 15:24 (há 8 dias) para Mario, mim Muito, muito obrigado! Por mim "está fechado", como costuma dizer o Mário Augusto. E bem fechado! O texto é imaginativo e desafiador! Bem-haja, forte abraço e bom fim-de-semana, Espinho 2050 As singularidades de Espinho são uma invariável da sua trajetória desde as origens mais remotas. Na verdade, atravessam todos os seus tempos, os de ascensão vertiginosa como estância balnear moderna e cosmopolita e os de declínio e de perda de estatuto turístico nacional e internacional para outras geografias. Uma dessas particularidades é, claramente, a coexistência de contrastes, a mescla harmoniosa de comunidades que se reconhecem no todo. E isso vale igualmente para a confraternização dos naturais ou residentes de longa data, com a gente de fora, as vagas de “nómadas” em férias, tão essenciais à sua natureza como as vagas do mar. Em fins do século XX e durante o primeiro quartel deste século ninguém parecia adivinhar a segunda vida de Espinho no palco do mundo num amanhã não muito distante. A esta distância temporal, numa breve análise do fenómeno e das suas causas, eu diria que o movimento começou na aposta em outros destinatários para uma antiga vocação de atrair os de fora: aposta no turismo sénior através de cadeias de residências seniores, com uma forte componente internacional, quer no segmento mais abastado, quer no das classes médias. Investir na solução de um problema maior de sociedades em envelhecimento rápido era estratégia inteligente, mas quem esperava que Espinho se colocasse na vanguarda desse nicho de mercado A meu ver, tudo começou “a latere”, com a modernização do balneário marítimo e da piscina Solário Atlântico. Sobretudo do “Balneário”. A fama dos tratamentos de talassoterapia estendeu-se a nível nacional e rapidamente ultrapassou fronteiras. A qualidade e a beleza arquitetónica e ambiental do complexo balnear tornaram-no em verdadeiro “ex-libris” da cidade, que, assim, retornava a uma tradição de pioneirismo, ao mesmo tempo que alavancava um turismo cosmopolita há décadas perdido (voltaram, em grande número, os espanhóis, e não só...). Um turismo maioritariamente sénior! De facto, os mais idosos preponderavam, tendo descoberto, para além das benesses do tratamento, as facetas de uma cidade que parecia pensada primeiramente para eles, com o seu centro quase plano, o traçado geométrico de ruas, uma infinidade de lojas e “boutiques”, cafés e restaurantes, o casino, os parques e as deslumbrantes vistas de mar das esplanadas e dos passadiços, que puseram no mapa o Rio Largo. Essa foi a fase 1, logo seguida pela fase 2: a crescente fixação desses novos "descobridores" de Espinho. De princípio, por iniciativas individuais e esporádicas, logo enquadradas num plano de apoio municipal à expansão de residências séniores – algumas construções de raiz, outras reconstruções de velhas casas e mansões. Essas residências evoluíram para habitats adaptativos, equipados com robôs de assistência social e plataformas de telemedicina baseadas em IA, permitindo um envelhecimento ativo e mais saudável, com espaços de coworking cultural. Essa "revolução grisalha" foi para a cidade o início de uma segunda vida de enorme prosperidade. “Dinheiro faz dinheiro”, diz a sabedoria popular. A Câmara de Espinho é uma das mais ricas do país e eu considero que vem utilizando os seus consideráveis meios de uma forma hábil, jogando na intergeracionalidade, realizando o sonho antigo de atrair e integrar os jovens, com os seus projetos de habitação acessível e o acento no desporto, (que nos dá campeões em tantas modalidades e o direito a ser uma das capitais do “surf”), na investigação (o centro de ciências do mar), na crescente atração de “startups”. Cientistas e “nómadas digitais” já fazem parte da comunidade, tal como músicos, artistas, cineastas Há movimento todo o ano e em todo o espaço do concelho, onde se diversificaram as centralidades e os eventos culturais. Espinho é a terra dos concertos ao ar livre ou nos seus vários auditórios, dos congressos e conferências, dos festivais de cinema, de música, de teatro, de literatura... O centro histórico ainda mantém a animação das ruas, hoje impecavelmente pavimentadas, mais floridas, mais bonitas. As emblemáticas esplanadas de mar integram redes de sensores IoT que monitorizam a qualidade ambiental e acolhem dispositivos de realidade aumentada, projetando reconstruções holográficas do vaivém da antiga “Avenida”, da arte Xávega, (da pesca que Unamuno eternizou na literatura) e narrativas interativas do Castro de Ovil – um convite a que o visitem “in loco”, no seu fantástico cenário paisagístico. O espaço da antiga linha de comboio, após a sua extensão para além do Rio Largo e do Bairro Piscatório, converteu-se num longo corredor verde com mobilidade autónoma partilhada, ligando o centro histórico ao polo das “startups”, ao laboratório de ciências do mar e ao FACE. As Galerias Amadeo de Souza Cardoso, foram enriquecidas com uma coleção permanente de obras do seu patrono captadas em 3D (uma coleção protocolada com outras instituições). O novo Museu da Memória adota as tecnologias digitais que, através de aplicações cívicas, envolvem os cidadãos em processos colaborativos de planeamento urbano, traduzindo dados abertos em políticas participativas e reforçando a identidade de Espinho como capital de vanguarda no e-Society. A estação de comboio é, agora, considerada uma das mais espetaculares do mundo, convertida em mostra da geografia e da história de Espinho, sobres as paredes do túnel outrora tão sombrio. E o verão ainda é o verão da enchente de visitantes. Os que vêm gozar o mar e os que chegam nas correntes de “turismo cultural”, para o seu banho de imersão na cidade revivalista, na cidade museu, na cidade onde se faz Futuro. Luís Costa

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