domingo, 27 de novembro de 2011

A abrir o "Encontro Mundial de Mulheres Portuguesas na Diáspora"a

m nome da Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade Mulher Migrante, uma breve saudação de boas vindas.
Um agradecimento especial ao Senhor Presidente da Câmara da Maia, Engº António Bragança Fernandes, que tão bem nos recebe neste “Forum”, “ex libris” da modernidade da Maia e um centro da sua vida cultural. E, por isso, o melhor lugar para dizer ao Senhor Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Dr José Cesário, que nada do que vai acontecer nestes dias intensos seria possível sem o seu incentivo e apoio, de primeira hora - sem a vontade de que dá provas de querer avançar para uma nova e decisiva fase nas políticas para as comunidades, com uma vertente de género, com acento nas questões fundamentais da cidadania, da sua vivência por mulheres e homens, através do livre exercício dos seus direitos cívicos e políticos, que aqui vão estar no centro dos debates.
Obrigada Aurora Cunha por nos dar hoje, aqui, com tanta simplicidade e simpatia, o que vem dando ao País: tanto ou mais do que vitórias, que ficaram para a eternidade, em muitos campeonatos, em muitas maratonas, o exemplo de uma vida inteira de constante intervenção cívica, de solidariedade, de capacidade de ultrapassar limites, que é, afinal, a essência do desporto em estado puro, e, igualmente a essência da luta por quaisquer ideais servidos com paixão.
Aurora Cunha, um rosto feminino para a nossa história, para a história que se escreve com grandes feitos desportivos. A primeira mulher portuguesa campeã do Mundo de atletismo, tricampeã do mundo, (faz neste Novembro de 2011, precisamente 25 anos!). É uma honra ter entre nós a Mulher encantadora, sincera e vibrante, que humaniza e feminiza o mito vivo, que é a desportista!
Obrigada a todas e a todos pela vossa participação, de um enorme significado, porque com ela, se vai traçar, inteiramente, o destino este Encontro Mundial, na prossecução dos seus objectivos. O primeiro dos quais é criar um espaço de reflexão sobre as formas de transformar a sociedade portuguesa, de a abrir à consciência da sua verdadeira dimensão, que não cabe num pequeno rectângulo europeu e nas ilhas atlânticas. Portugal é muito mais mar do que solo pátrio. Portugal é muito mais a sua gente do que o seu território. Herança de uma história antiga que as migrações prosseguiram, até nossos dias, com homens e mulheres – cada vez mais mulheres - que se dispersam no mapa mundi da geografia, mas permanecem enraizados na cultura de origem e nos afectos.
É desse sentimento de pertença que nascem as comunidades portuguesas, numa emigração de famílias inteiras, como é a nossa. Um movimento caracterizado pelo equilíbrio de género e geração, alcançado desde meados do século passado, e anunciado por um crescendo da emigração feminina já nas décadas anteriores. Um crescendo, então, como se sabe, denunciado e combatido por políticos e estudiosos do fenómeno migratório porque receavam que a presença da mulher reconvertesse o projecto de torna viagem num projecto de integração definitiva no estrangeiro, em "pura perda" para o nosso país. E decretaram medidas de fortes restrições da liberdade de saída das mulheres, que praticamente duraram até a democratização do regime...
E, todavia, só parcialmente tiveram razão, na estrita medida em que se aperceberam da maior propensão para a consolidação de situações de vida em sociedades estrangeiras, para a estabilidade e o bem-estar económico, que a mulher traz à aventura de expatriação no plural. Mas não adivinharam que nessa aceleração do processo de integração devido às migrações familiares - muito directamente à presença das mulheres- se haviam de gerar as comunidades, através das quais Portugal se expande universalmente. O que representa um proveito superior a quaisquer perdas...
Em tempo de crise profunda e regressão económica, cá dentro, como é bom constatar que uma grande parte da Nação Portuguesa progride lá fora, sempre pronta a dar-nos razões de esperança! Assim saibamos ir ao seu encontro, que é justamente um dos objectivos que nos move hoje, aqui…
Não estamos numa reunião em círculo fechado de mulheres a falar sobre mulheres migrantes, mas sim globalmente sobre emigração, diáspora, Portugal, sem, porém, omitir, como é coisa corrente a componente feminina, quase sempre, esquecida e marginalizada. E justamente porque tem sido marginalizada comporta maiores virtualidades de operar mudanças e assegurar progresso.
A paridade está há muito conseguida na proporção homens/mulheres nas comunidades portuguesas. Todavia, não se reflecte ainda de um modo equitativo e eficiente num poderoso e multifacetado movimento associativo, sobretudo no que respeita aos seus centros de decisão e de poder formal. Pelo contrário, a divisão de trabalho dentro desse todo organizacional, suporte originário e consistente das comunidades, tende ainda a reproduzir na "casa comum", que é a associação, os papéis de cada um dos sexos na casa ou na família tradicional. É ainda um universo predominantemente masculino, conservador de mentalidades, de costumes e de valores - uns intemporais que merecem a nossa admiração, mas outros anacrónicos, que importa deixar para trás - caso das discriminações de género e de geração, que condicionam o crescimento das comunidades, através da metade feminina, tão pouco aproveitada, e dos mais jovens, ainda insuficientemente envolvidos num dirigismo associativo que, com todas as virtudes que se lhe reconhecem , envelheceu no poder, um pouco por todo o lado...
A evolução positiva que vai acontecendo, varia muito, nos vários continentes e países. A perspectiva ou visão comparativa, pode, a meu ver, contribuir para um acertar do passo, com a força dos paradigmas mais igualitários. Por isso, a partilha de resultados de estudos, de observação, a constatação da injustiça, onde quer que exista, e a mobilização para a combater, que se procura em congressos de âmbito alargado, como este, assume verdadeiro interesse estratégico.
Historicamente o que podemos designar por "congressismo", foi uma arena privilegiada de luta pela emancipação das mulheres - um espaço de diálogo, de concertação de esforços e união, de visibilidade e de protagonismo para elas e para as suas ideias. Na cena das convenções, dos colóquios, de sessões de esclarecimento, de comícios, se fez a transição de uma vivência restrita à esfera privada (ou, noutras palavras, de um regime de clausura doméstica...) para a esfera pública. Sair da sombra, sair do anonimato, foi um acto de extrema coragem e audácia para mulheres que se sujeitaram, a todos os riscos e formas de censura social, foi um acto portador de promessas de cidadania.
Elizabeth Cady Stanton, que, em 1848, presidiu à Convenção de Seneca Falls e, pessoalmente, redigiu, a famosa "declaração" , tem hoje a sua estátua no Capitólio, como a sufragista Emmeline Pankhurst faz jus a um monumento junto ao parlamento de Londres, cujas ruas tantas vezes percorreu em ruidosas marchas de protesto.
Nada de comparável, em termos de reconhecimento público, mereceram dos homens seus contemporâneos as notabilíssimas feministas da 1ª República, cuja evocação aqui quisemos trazer. Num "Encontro" pensado para nos levar numa viagem pela história das mulheres da Diáspora não é demais começar na origem remota de um movimento para a igualdade de género, ainda sem fim à vista. Mudam os tempos, o estatuto de direitos, as situações reais, mas os mesmos instrumentos podem servir em novos patamares de progresso civilizacional, particularmente nos domínios da Diáspora feminina. No que à nossa respeita, o congressismo teve a sua grande manifestação pioneira em Viana do Castelo, de 16 a 20 de Junho de 1985, no “1ºEncontro de Mulheres Migrantes no Associativismo e no Jornalismo”.
A Associação "Mulher Migrante" assumiu-se, desde a sua constituição, como herdeira das aspirações e das propostas dessa reunião, precursora de tantas outras: o Encontro Mundial de Espinho, em 1995, os "Encontros para a Cidadania - 2005-2009", e, pelo meio inúmeras iniciativas que cabem na definição ampla de Congressismo.
Contámos com a cooperação do Estado, assim como de ONG’, dentro e fora do País, para uma acção incessante, como tem de ser, para que se não deixe esmorecer a vontade de trabalhar em conjunto...

No ano passado, a Assembleia da República, na Resolução nº 32/2010 da autoria do então deputado José Cesário, veio reconhecer a necessidade de promover um amplo programa que conduza à plena participação das mulheres na vida das comunidades
No Governo, o Dr José Cesário não tardou a dar-lhe início de execução e, como na economia da Resolução se preconiza, em parceria com a sociedade civil.
As finalidades da “Resolução” são também os nossos, as de todas as instituições que se uniram para as levar a cabo, a partir deste Encontro Mundial.

Direi a concluir que este é um "Encontro" em que se entrelaçam muitos encontros:
Um encontro com as lições e ensinamentos do passado, em que lembramos aqueles que connosco estarão sempre na memória…
Um encontro de mundos, do mundo político com o da sociedade civil, do mundo académico com o dos protagonistas da aventura da emigração, e entre portugueses e portuguesas de dentro e de fora dos limites territoriais...
Um encontro de formas de viver a identidade nacional, encontro de culturas, em busca da definição do feminino na cultura – ou da cultura de que "constrói" o feminino. "On ne naît pas femme, on le devient", na lapidar e indesmentível expressão de Simone de Beauvoir…
Dar às mulheres o seu lugar na sociedade, iguais oportunidades de serem sujeitos da "história por fazer”, no País e na Diáspora, significa mais cidadania para elas, mais força para as comunidades, a certeza da expansão da língua e da cultura nacionais.
Queremos olhar a história das Mulheres Migrantes no seu devir, porque, como disse Agostinho da Silva, “toda a História que vale é do futuro”.

domingo, 23 de outubro de 2011

MAIA, 24 a 26 de Novembro - As novas migrações femininas, o seu passado, o seu futuro

Um Encontro Mundial em que se procura fazer a história das mulheres portuguesas na diáspora, com a preocupação de influenciar o curso da realidade actual.
Um olhar sobre o paradigma do "congressismo", herdado dos movimentos feministas de inícios do século XX, com a crença na força da palavra que esclarece, cria solidariedades e projecta acções.
Uma iniciativa da sociedade civil (Associação "Mulher Migrante", Universidade Aberta - CEMRI, Centro de Estudo das Migrações e Relações Internacionais, Fundação Pro Dignitate e Observatório dos Luso-descendentes), patrocinada pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas e apoiada pela Câmara da Maia.
Mulheres e homens, com experiências de vida as mais diversas, envolvidos em reflexão e em debate sobre o fenómeno migratório, que hoje volta a crescer de uma forma desmesurada - como em outras fases, ao longo de séculos, mas agora com uma componente feminina em moldes inéditos.

As sessões de trabalho são abertas ao público.
Aqui fica o programa, com o convite à participação.

ENCONTRO MUNDIAL DE MULHERES PORTUGUESAS NA DIÁSPORA
Local: Fórum da Maia

5ª Feira, 24 de Novembro
21.00 - Inauguração des Exposições
21.30 - Feministas da Diáspora
Homenagem a Maria Lamas (oradora Maria Barroso) e a Maria Archer (Dina Botelho)
Introdução ao debate: "Síntese de Diversas Discussões na Unidade de Acção" (Salvato Trigo)
Moderadora: Nassalete Miranda

6ª Feira, 25 de Novembro
09.00 - Inscrição e entrega de documentos
09.30 - Abertura
Entidades oficiais. Participantes do Encontro (a indicar)
10.45 Pausa
11.00 - História das migrações portuguesas - A nova emigração feminina
Relação transnacional e mudança
Moderadora: Maria Beatriz Rocha Trindade
13.00 - Pausa
14.30 - História do Movimento Associativo – questões de género e de
geração
Moderadora: Rita Gomes
16.00 - Memória - entre o passado e o futuro
Testemunhos
O projecto “Ateliés da Memória”
Moderadora: Ana Paula Beja Horta
17.30 - Pausa
17.45 Novos domínios de afirmação da Mulher na Diáspora
Cidadania e Cultura
Moderadora: Isabel Pires de Lima

Sábado,26 de Novembro
09.00 - Trabalho e Empreendedorismo – no contexto da integração e do
regresso
Moderadora: Ortelinda Barros
11.00 - Pausa
11.15 - O “Congressismo” e as Políticas de Género na Emigração
Liderança e Participação
Moderadora: Joana Miranda
13.00 - Pausa
14.30 - Debate - Conclusões
Relatora: Maria Amélia Paiva
Moderadora Graça Guedes
16.00 - Pausa
16.30 - Encerramento
Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas
Presidente da Câmara Municipal da Maia
Associação Mulher Migrante

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Uma selecção sem classe!

O que eu previa...
No jogo a sério, fracasso sem apelo nem agravo. Ainda por cima, com o povo nórdico a gritar uns sulistas "olés"!...

Para dizer a verdade, a primeira coisa de que gostei na nossa equipa foi de uma trivela de Quaresma, pouco depois de entrar em campo, ao minuto 66. Mas Ronaldo, à boca da baliza, rematou por alto. E de pouco valeu o seu tardio golo de bola parada.

Uma sorte, aliás, não termos sofrido uma goleada, no reino da Dinamarca!

domingo, 9 de outubro de 2011

Raro acordo total com Rui Santos...

Sobre Ricardo Carvalho, Madaíl, e Bento, sobre as ausências de Bosingwé e Danny e outras esquisitas vicissitudes da vida da selecção...
Como se vê, Ricardo Carvalho faz muita falta... Não tem substituto à altura e nunca terá. O melhor central do mundo! Desde há muito e ainda agora.
É preciso ter muito pouca coisa debaixo do cabelo, para o tratar como um novato, um fungível, um insignificante. Até Rui Santos vem dizer que Bento não poria no banco um Ronaldo sem lhe dar uma palavra, uma satisfação. Pois não, não poria... Esqueceu-se que Carvalho é tão importante na defesa como Ronaldo na ofensiva. Ou talvez ainda mais...
Por mim, entre o melhor central do mundo e um vulgaríssimo Bento, resolvia o problema correndo com o medíocre.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

De partida para Budapest

A convite do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Hungria. Para debater sistemas de representação de emigrantes.
Um dos temas de estudo e, também, de luta política que tem preenchido a minha vida.
Óptima ocasião para ter uma visão do que se passa e do que se projecta na Europa, em particular na Europa de Leste. Excelente iniciativa do governo húngaro, em parceria com a Universidade e a Academia de Ciências, onde decorrerá a sessão. Aberta pelo Ministro, naturalmente.
O caso português é considerado interessante. E, apesar de tudo, numa perspectiva de direito comparado, até é!

Convite do Centro Republicano Democrático de Fânzeres

O Centro Republicano de Fânzeres foi um parceiro maior e assíduo das comemorações do Centenário da República em Espinho, nos meses em que fui Vereadora da Cultura da Autarquia e, por isso - e não só por isso! - foi com imenso prazer que recebi o convite para ser oradora na sessão solene que marca o 103º aniversário desta grande instituição gondomarensa, agora a viver nas suas novas e grandiosas instalações.
Outras razões determinantes de uma aceitação entusiástica: uma de ordem geral, que é a admiração pelo voluntariado e pelo associativismo; outro muito especial, pelo facto de ser gondomarense e de ter, nessa terra das minhas origens em longa fila de gerações, o lado mais republicano da família.
Embora nas sessões solenes não seja habitual introduzir o debate, pedi que isso fosse permitido, para melhor nos integrarmos no "espírito da época", essencialmente marcada, tal como a vejo, pela vontade de dialogar, de comunicar ideias e projectos e de incentivar o exercício da cidadania, antes de mais, pela palavra (a crença no poder da palavra a anunciar e a anteceder a acção para transformar a sociedade, através de um "novo homem"- e uma nova mulher!).
Mudar as mentalidades, mudar as estruturas para aceder à liberdade, igualdade e fraternidade, com o acento na vertente da educação - de massas - e da cultura, eis um aspecto fundamental da utopia republicana de inícios do século passado.
Num tempo em que, a meu ver, a "questão de regime" perdeu toda a sua modernidade, o desafio do desenvolvimento cultural (e da participação cívica) é ainda absolutamente actual.
Debate houve e que debate!
Com a intervenção da Drª Fina da Armada e com o meu conhecido pendor feminista - à maneira de Ana De Castro Osório e suas companheiras - largamente partilhado naquele salão do Centro Republicano, onde a Câmara de Gondomar e a Junta de Freguesia tinham, ambas, rostos femininos, não admira que o movimento das mulheres portuguesas do princípio de novecentos, acabasse por estar no centro das atenções.
Um feliz serão, a 4 de Outubro, em que constantemente pensava nesse tios de Gondomar. Tios bisavós - como Manuel Guedes Ferreira Ramos- ou tios avós, como António, Alexandre, Alberto Mendes Barbosa ou José Barbosa Ramos, que foram exemplo de cidadadania e intervenção política, pois não exitaram em arriscar a sua situação profissional e a sua vida, para lutar por ideais.
"O António no Aljube", "o Alberto no Aljube" são inscrições no verso de fotos antigas, escritas pela letra pequena e inclinada da Avó Maria (ela própria monárquica e conservadora), de que me recordo desde criança...
O Tio Manuel Guedes não viu o dia da revolução, mas os seus companheiros de luta, depois do 5 de Outubro, não o esqueceram e deram o seu nome à Praça do Município, em Gondomar. O Tio António, percorreu, no tempo de Sidónio, os caminhos do degredo em África. O Tio José, que era o mais jovem Conselheiro do STJ, juiz com uma carreira brilhante pela frente, foi aposentado compulsivamente, na era salazarista.
O Pai era monárquico, Regenerador, tal como as irmãs, incluindo a Avó Maria, e como o cunhado António Carlos, o meu Avô Aguiar.
Divididos apenas pela "questão de regime", esses antepassados, de que me orgulho por igual, souberam sempre debater ideias opostas e viver em plena harmonia social e afectiva.
Assim deve viver uma família, uma comunidade ou m País, não é verdade?