quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

LOPETEGUI, UM CASO DE ESTUDO

1 - Os erros, que fazem de Lopetegui um "caso de estudo" não cabem num texto curto. Em síntese, apenas uma referência a dois que lhe foram fatais. Primeiro erro: a forma como viveu o seu estatuto de emigrante. A cabeça e o coração ficaram no país basco, ou em Madrid, ou noutra terra longe de nós. É comum esta espécie de inadaptação, que os portugueses, em regra, superam melhor do que quaisquer outros, simplesmente porque, onde quer sejam bem recebidos (como Lopetegui foi), retribuem, gostando do novo país, fazendo-o seu. E, por isso combinam formas próprias de estar no trabalho e na sociedade, com as dos outros, intuitivamente. A partir de certa altura, já pertencem lá, sem deixarem de pertencer aqui. Há para isto uma palavra: integração...Lopetegui nunca se integrou: o Porto era "Oporto", esperança era "Ilusión". Mais do que mera questão linguística, dificuldade de aprendizagem desculpável, era a ponta de um "iceberg"... Ficamos com a impressão de que se sentiu sempre, subjetivamente, um Gulliver em Lilliput, não viu que todos os homólogos que encontrava nos estádios de Portugal eram da sua dimensão, exceto os que lhe eram superiores... Não percebeu que estava num país de treinadores de excelência, muitos dos quais vão pelo mundo fora, como triunfadores: Mourinho, Villas- Boas, Manuel José, Marco Silva, Fernando Santos, Jardim, Jesualdo, Victor Pereira, etc, etc. Pior ainda: não soube avaliar a grandeza do FCP, não conhecia bem o seu passado, não interiorizou a sua "mística". 2 - Segundo erro e o maior de todos: o excesso de vedetas que exigiu para a equipa com que queria fazer história no futebol português - hispanizando-a, naturalmente. Olhávamos com espanto a revoada de espanhóis, que se instalava no Porto, ao lado de alguns sul-americanos, africanos, e até um português, o Rúben, vindo da "cantera" do clube - única decisão altamente meritória a que deixa o seu nome ligado. Foi o oposto de Mourinho, que chegou ao FCP e prometeu ganhar o campeonato apenas com dois ou três reforços, recrutados em modestos clubes portugueses (Derlei, Nuno Valente...). E assim construiu um conjunto fantástico e cumpriu a promessa. Depois, para vencer a "champions", pediu um nome sonante só um! Benny McCarthy, que já conhecia o clube. As infindáveis contratações de luxo deste "anti- Mourinho" eram de mau augúrio. Estavam reunidas as condições para a "grande nau" sofrer a "grande tormenta"... Não tardaram as tormentas. A primeira atingiu Quaresma, o génio do futebol, o herói portista! Como era possível prescindir de Quaresma? Resposta fácil: tinha bons jogadores a mais! 3 - Nova época, mais exigências milionárias. Nunca o FCP condescendera tanto com um técnico, ainda por cima perdedor em toda a linha. Mas nem por isso ele se mostrava reconhecido. Queixava-se da falta dos jogadores que partiram - alguns, Quaresma, Quintero, em boa verdade, por sua vontade, outros, Óliver, Casemiro, em função de contratos precários que promovera. E, pelo visto, subestimava as numerosas aquisições de 2015, como Maxi Pereira, André André, Layún, Danilo (um Danilo português), Corona, para além de Casillas, Imbula (por 20 milhões), sem falar de Cissoko, Bueno, Varela. Osvaldo, Sérgio Oliveira... . Ora lidar com o excesso num plantel, não parecendo, é mais difícil do que o seu contrário. Foi a super abundância de estrelas que levou um inexperiente Lopetegui à perdição. Não havia um onze base, não havia lugar certo para ninguém (salvo, evidentemente, para o guarda-redes) e era enorme a probabilidade de qualquer um se tornar redundante, caíndo em desgraça. Em suma: muitos jogadores e pouca equipa. Com a qual perdeu tudo qunto havia para ganhar... Partiu, assim, em boa hora, este imigrante do futebol, sem levar saudades e sem deixar saudade. E chega um emigrante português, José Peseiro, homem sensato e telentoso, que nos dá a garantia pôr o FCP a jogar bem (e, sobretudo, para frente! )... e talvez de ganhar tudo o que há ainda para ganhar Maria Manuela Aguiar

UMA IMFAME CAMPANHA POPULISTA

Assim falou Manuel Alegre (bem!)sobre a vergonhosa demagogia que colocou no centro da campanha eleitoral uma questão que verdadeiramente nada tem a ver com os poderes e o exercício do cargo presidencial - as subvenções vitalícias. Matéria que pertence ao domínio da competência da Assembleia da República, em relação à qual o Presidente apenas pode fazer o que, com mais cerca de 30 deputados, fez Maria de Belém: suscitar a sua inconstitucionalidade. A meu ver, mais do que um direito, suscitar a inconstitucionalidade do que é inconstitucional não é um direito, é um dever dos deputados. Maria de Belém cumpriu o seu dever!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

PERGUNTAS A MARISA

MARISA brada em campanha contra as badaladas "subvenções"... entre gente pobre que a olha como solidária - e pobre, também... Será que tem coragem de lhes dizer que recebe mais num mês do que eles ganham de salário, em vários anos? Será que tem coragem de lhes dizer que, para além do vencimento-base, recebe de ajudas de custo, por cada dia de presença no Parlamento Europeu, mais do que muitos deles auferem de pensão ( 306 euros por dia...)? Será que tem coragem de lhes falar do que vai receber quando se reformar desse Parlamento...indemnização milionária?...subvenção? o que quer que seja...

2015 O ANO DA MORTE DE MARIA BARROSO

2015, o ano da morte de Maria Barroso

! - Num tempo propício a festas de família, balanços e prognósticos políticos, estava eu posta perante a dificuldade da escolha de tema para esta coluna, enquanto ouvia, na Antena 1, um programa sobre os factos marcantes de 2015. Primeiro pronunciaram-se comentadores e celebridades, depois a voz do povo, glosando motes: a aliança de esquerda pós eleitoral, o Banif e outros buracos negros, o desaparecimento de três vultos da vida portuguesa, dois cineastas e um poeta…
Reagi, de imediato ao esquecimento em que via deixada uma grande personalidade que, em julho, partira do nosso convívio, a Dr.ª Maria Barroso. Tinha de escrever sobre ela…

2 - Maria Barroso foi um símbolo de excelência em tudo quanto fez durante uma vida longa, em tantas e diversas vestes – jovem e talentosa atriz do Teatro Nacional D Maria II, pedagoga e diretora de um colégio que colocou no topo dos “rankings”, militante da causa da liberdade, que usou o palco do teatro, a expressão artística, a força da poesia na sua voz, como instrumento de luta, mulher que ousou subir ao mundo masculino dos comícios políticos e falar sem medo.
Esteve no centro da sua própria família como esteve no centro da vida pública nacional, com a mesma dedicação e competência. Foi o rosto da cultura, da inteligência e da elegância das mulheres do seu país, na Europa e no mundo. A conversão, sincera e emotiva ao catolicismo, aprofundou o seu sentido de missão, a vontade de viver para os outros, num mundo melhor, que foi o fio condutor do seu percurso, nas Artes, na Política (com letra grande), no Voluntariado. O trabalho que, nas últimas décadas levou a cabo, no campo dos direitos humanos, na Fundação Por Dignitate, foi notabilíssimo, ultrapassou fronteiras, em especial no espaço da Diáspora e da lusofonia (no processo de paz de Moçambique, em Angola, na Guiné), no combate ao tráfico de armas, à intolerância e à violência nos “media” (e sobre todas as formas!), no apelo à participação das mulheres nas suas comunidades - como eu pude testemunhar, durante os chamados “Encontros para a Cidadania”, nos quatro cantos do mundo, admirando, de perto, a sua energia contagiante, uma enorme proximidade das pessoas, feita de compreensão dos problemas e de simpatia, uma rara capacidade de mobilização, pelo discurso e pelo exemplo - ia já nos 80, quase nos 90 anos.
Uma caminhada intensamente vivida em todas as idades, com a sabedoria dos que não envelhecem intelectualmente, com uma espantosa modernidade de pensamento e vontade de ação – até ao seu último dia entre nós!
Maria Barroso foi a maior figura feminina do século XX português, um incomparável exemplo de cidadania, que seu (e nosso) tempo lega ao futuro, um legado verdadeiramente intemporal, como o cinema de Oliveira ou os versos de Helberto Hélder.

3 – Há alguns anos, numa brilhante intervenção na cidade de Joanesburgo, a Dr.ª Maria Barroso lembrava que “apesar da História ter sido tecida por Mulheres e Homens, só a estes é dada relevância”.
 Não deixemos que isso aconteça no seu caso!


Maria Manuela Aguiar

TONY CARREIRA e um incidente pouco diplomático

Quem não se regozija com a atribuição a Tony Carreira de uma alta condecoração francesa? Chevalier des Arts et des Lettres! Um honra para o cantor, que ele quis partilhar com os portugueses de França, seus incondicionais admiradores. Pena é que um acontecimento, que devia ser de grande alegria para todo o país, acabasse no centro de um imbróglio diplomático (difícil de compreender e de justificar...), provocado pela inabilidade de um embaixador. Tony Carreira pediu para receber a condecoração na Embaixada de Portugal em Paris. A resposta foi negativa, a pretexto de que não faria sentido a entrega de uma distinção estrangeira na sede de uma representação nacional (versão do próprio diplomata, de viva voz nos "media"!). Pode até aceitar-se a desculpa. Inaceitável é que Sua Excelência não tenha recebido Tony Carreira nos salões da residência oficial, ou na chancelaria, para o felicitar, aproveitando o encontro para, pessoal e civilizadamente, dar explicações sobre os motivos que não lhe permitiam corresponder ao pedido. Se assim tivesse procedido, seguindo regras não escritas de respeito e cortesia por um ilustre compatriota, nada disto seria (triste)notícia. Conheço, felizmente, muito diplomatas que, por altura de tão prestigiante condecoração, onde quer que houvesse ocorrido, teriam tido o bom gosto e o bom senso de se associar à homenagem, em vez de a ensombrar. Maria Manuela Aguiar

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Luxemburgo Entrevista jornal CONTACTO


Antiga secretária de Estado das Comunidades


               “Governo tem de reconstituir uma máquina de apoio aos portugueses no estrangeiro”




Publicado Quarta-feira, 10 Junho 2015 às 14:27

“O Governo português deve reconstituir a Secretaria de Estado da Emigração” para dar resposta aos problemas dos emigrantes, como os novos casos de exploração de portugueses na construção. A antiga secretária de Estado da Emigração e das Comunidades, Manuela Aguiar, esteve no Luxemburgo e defende que o Governo deve ter uma política virada para os portugueses que emigram, mas também para os que regressam.

Maria Manuela Aguiar esteve quinta-feira em Esch-sur-Alzette, enquanto presidente da Assembleia da Associação Mulher Migrante para acompanhar e coordenar a conferência-debate do maestro António Victorino d’Almeida sobre a “Portugalidade” (ver pág. 20).

À margem da conferência, o CONTACTO confrontou a antiga secretária de Estado da Emigração e das Comunidades (1980-1987) com os novos casos de exploração de portugueses a trabalhar na construção. Um dos últimos casos dá conta de subempreiteiros portugueses que exploram imigrantes portugueses numa obra pública num estaleiro dos Caminhos de Ferro Luxemburgueses, na cidade do Luxemburgo (ver pág. 5).

“É uma história clássica de portugueses explorados pelos próprios portugueses. Nos séculos XIX e XX encontramos muitos casos desses e julgamos que não se repetem, mas quando olhamos para estas situações terríveis são muito iguais às do passado e acontecem em países onde menos se espera, como o Luxemburgo, Noruega, Inglaterra ou Holanda. Este é um dos aspectos para o qual sempre chamei à atenção quando estava no Governo”, recorda Manuela Aguiar, que foi convidada em 1980 pelo primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro a integrar o seu executivo.

Depois de ter deixado a Secretaria de Estado da Emigração e das Comunidades, Manuela Aguiar continua a trabalhar com as comunidades portuguesas no estrangeiro. Na Associação Mulher Migrante coordena vários estudos sobre os emigrantes portugueses. Considerada uma das maiores especialistas portuguesas da emigração, critica qualquer governo, mesmo do seu PSD.

“O Governo tem a obrigação constitucional de reorganizar os serviços de emigração, o Governo tem de reconstituir uma máquina de apoio aos portugueses nos países onde estão, para combater estes fenómenos de exploração”, defende Manuela Aguiar.

“Logo a partir de 74, a primeira coisa que os governos provisórios fizeram foi criar uma Secretaria de Estado da Emigração e reorganizar os serviços para servir os portugueses. Mas quando Portugal aderiu à CEE [Comunidade Económica Europeia], achou que a emigração tinha acabado e desmantelou os serviços de emigração. Neste momento, em que temos uma emigração como nos anos 60, temos a obrigação de voltar a ter adidos sociais, que há pouco tempo acabaram, ter pessoas que possam fazer relatórios ao Governo, que possam seguir a situação dessas pessoas exploradas e indicar soluções também para outros casos. Precisamos de novos serviços, à semelhança dos que tivemos, adaptados aos tempos modernos”, propõe Manuela Aguiar.

Para a também antiga deputada eleita pelo círculo da Europa, o Governo português deve também ter uma política virada para os que querem regressar.

“O Governo tem de apoiar os que querem sair, mas também apoiar de todas as formas possíveis os portugueses que querem regressar. Tem de haver uma política de regresso, ainda que não seja um regresso imediato, e chamar as pessoas à medida que for possível. É certo que neste momento são muito mais os que querem sair do que os que querem regressar, mas os governantes têm de adequar os instrumentos, os serviços e os meios institucionais às realidades”, defende Manuela Aguiar, lembrando o “sinal positivo” dado por Pedro Lomba, secretário de Estado do ministro-adjunto, Miguel Poiares Maduro. “Ele apelou ao regresso dos portugueses e é bom que o Governo não tenha apenas o discurso do ’vão embora’”.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

MULHERES MIGRANTES no Conselho das Comunidades Portuguesas
MARIA VIOLANTE MARTINS, presidente da Associação das Mulher Migrantes Portuguesas da Argentina, MILÚ DE ALMEIDA e FÁTIMA PONTES, Presidente e Vice-presidente da Associação da Mulher Migrante da Venezuela, concorreram às eleições para o CCP, neste mês de setembro de 2015, como cabeças de lista e venceram. Entraram no Conselho pelo voto das suas comunidades e entraram também na história desta instituição e na do movimento associativo, que lhe dá força identitária e personalidades com um saber de experiência feito em terra estrangeira..
Chegam as três de um associativismo feminino, que, pela primeira vez, na nossa Diáspora ultrapassa as fronteiras de uma região ou de um país, e inclui nos seus principais objetivos a igualdade de participação cívica e política das mulheres. Pela primeira vez, vimos as suas dirigentes a tomar a iniciativa de constituir listas para o CCP - listas abertas, paritárias - a fim de assumirem a defesa dos intereses das comunidades a que pertencem e dos seus compatriotas no interior do órgão que os representa face ao governo de Portugal.
O CCP foi inicialmente um universo de homens, que dominavam as intituições das comunidades - sua primordial base de recrutamento, nos termos da lei fundadora. Aliás, ainda hoje, num modelo de eleição por sufrágio universal, a maioria dos seus membros são homens, a que acresce uma minoria de mulheres, quase todas e todos provenientes do viveiro de lideranças e de notoriedade, que é o associativismo.
É certo que, desde o começo do século XX, coexistiam em algumas das então chamadas "colónias" da emigração portuguesa um amplo círculo das organizações masculinas e um pequeno círculo feminino, uma elite pioneira, que, em casos contados, deu vida a empreendimentos de ampla dimensão - por exemplo, as sociedades fraternais da Califórnia. Todavia, as mulheres dirigentes de ONG's, qualquer que fosse o seu poder de facto, nos anos 80, não se sentiram suficientemente motivadas para intervir numa instância consultiva, à qual o Governo reconhecia uma enorme importância, como plataforma para debate de questões prioritárias e definição das grandes linhas das políticas públicas neste setor. A que se deve o alheamento mais ou menos voluntário das mulheres? Não é fácil dar respostas a uma interrogação que, de início, não se colocou, talvez por se considerar - tal era a desproporção da sua presença no todo institucional - uma inevitabilidade. Talvez pelo facto de funcionarem em paralelo, à margem do associativismo-padrão, onde pontificava o outro sexo. Ou - é uma outra hipótese plausível - por terem o seu enfoque matricial em domínios que julgaram fora das prioridades do CPP - a entreajuda entre as próprias associadas, o voluntariado beneficente, o puro bem-fazer, em conformidade com a tradição.
Como sabemos, o movimento feminista de novecentos veio colocar a tónica na defesa dos direitos de cidadania e no acesso à educação e ao trabalho profissional ( sem abandonar a vocação beneficente e humanitário), mas não curou nunca, diretamente, da situação das mulheres migrantes. Estas foram, de facto, insolitamente esquecidas. Marginalização, na altura, tanto mais definitiva quanto nas Diásporas, não surgiu, de uma forma autónoma e espontânea, militância num ativismo norteado pela ideia da igualdade, no campo político e social. O obra visível das portuguesas expatriadas na esfera pública floresceu, como dissemos, sobretudo, em moldes menos reivindicativos, mais consonantes com uma configuração consevadora dos papéis de género.
As primeiras conselheiras do CCP ganharam o lugar nessa magna assembleia de líderes comunitários, não pela dinâmica coletiva (feminina), antes tão só pela vontade de intervenção cívica e pelo prestígio individualmente grangeado entre os seus pares. Não é surpreendente que tenham vindo sobretudo do jornalismo - caso de CUSTÓDIA DOMINGUES, de MARIA ALICE RIBEIRO, desde 1983 e , depois, de MANUELA DA LUZ CHAPLIN, advogada, que mantinha uma colaboração regular e importante na imprensa luso americana..
Creio que MANUELA DA ROSA, fundadora da Liga da Mulher Portuguesa da África do Sul, terá sido a primeira conselheira oriunda de uma estrutura feminina (aliás não "feminista", no sentido revolucionário ou, pelo menos, fortemente reivindicativo, da palavra). Não tendo tido, provavelmente em razão do sexo, acesso a cargos de relevo na hierarquia do Conselho, nem por isso deixou de ter sempre uma voz influente, tal como aquelas cujos nomes acima lembrámos.
A uma conselheira deve o CCP o ficar na história como o improvável, mas autêntico, impulsionador do embrião de políticas atentas às especificidades da situação das migrantes . Foi Maria Alice Ribeiro, quem propôs, em 1984, uma audição governamental de portuguesas da Diáspora, que a SECP levou a cabo logo em 1985. Foi um auspicioso primeiro passo, que se queria continuar, com a formação de uma organização internacional, no plano da sociedade civil, e, a nível das políticas governamentais, através de conferências periódicas na órbita do Conselho - uma forma hábil de inclusão das mulheres na vertente consultiva do Conselho.
A Associação "Mulher Migrante" foi criada, quase uma década depois, em 1993, para reavivar aquela valiosa herança, levando por diante o projeto de ampla cooperação transnacional para uma participação igualitária na vida das comunidades e do país.
O segundo CCP é posterior (1996) e não tem manifestado, até agora, particular propensão para agir no domínio da igualdade de género, apesar de em muitos outros campos ter sido um poderoso e insubstituível instrumento de co -participação nas políticas de emigração, de expansão da língua e da cultura portuguesas, de aprofundamento dos laços com o País de origem e de integração no país de residência.
É a hora de o CCP se preocupar mais com os fenómenos de exclusão não só da metade feminina, como também dos mais idosos e experientes, dos jovens, da nova emigração. Para isso, contamos com a intervenção das Mulheres Migrantes e com os aliados que, com toda a probabilidade, encontrarão no interiror do Conselho.
Apesar de a Associação Mulher Migrante - a que está sedeada em Lisboa, com ramificações pelo mundo - não ter tido qualquer interferência na apresentação das candidaturas ou nas campanhas vitoriosas das suas associadas da Argentina e da Venezuela, vè nelas a comprovação da eficácia de uma estratégia de envolvimento cívico das portuguesas do estrangeiro, desenvolvida, em colaboração com sucessivos governos, sobretudo a partir dos "Encontros para a Cidadania", nas Américas, África e Europa entre 2005 e 2009, continuados com os Encontros mundiais de 2011 e 2013 e outras ações integradas no que podemos chamar "congressismo". Daí que partilhemos o sabor e o significado destas vitórias, com um sentimento de esperança num CCP mais próximo da realidade das comunidades e mais eficaz, porque o equilíbrio de género é, obviamente, uma mais valia. da representação democrática