sábado, 18 de abril de 2020

A COVID 19 - mais CINEMA e menos FUTEBOL

Entre as medidas que este preclaro Governo se prepara para tomar, na normalização possível no pós estado de emergência, decretado por Sua Excelência  o senhor Presidente da República, está a reabertura de cinemas, com lugar marcado e lotação limitada, e futebol à porta fechada.
Que me desculpem os senhores governantes, mas tenho de lhes dizer: não entendo!!!.
Então os estádios desportivos, ao ar livre, têm de estar de bancadas inteiramente vazias e as casas de espetáculos, pequenos retângulos fechados, acanhados, muitos deles subterrâneos, clautrofóbicos, podem ter público, de duas em duas filas e de três em três lugares?
It is a mad, mad, mad world (título de um filme hilariante que vi, há muitos anos).

sexta-feira, 17 de abril de 2020

DEFESA DE ESPINHO 80 anos

Comemorar 80 anos de vida do jornal "Defesa de Espinho" é, bem vistas as coisas, lembrar e festejar 80 anos de vida do concelho, da terra e de várias gerações de Espinhenses, que o são pelo naturalidade ou, simplesmente, pelo afecto.
Assim é, antes de mais, porque a qualidade do seu jornalismo, a percepção e tradução da realidade, que serve de matéria prima à "Defesa de Espinho", lhe tem permitido cumprir o projecto que faz jus ao próprio título: um projecto de defesa dos valores e de afirmação das singularidades do espaço geográfico e das vivências de que se constrói a identidade desta terra tão extraordinária, de que todos nos orgulhamos.
Através da informação e da opinião plural, da crónica e das notícias do quotidiano, se pode acompanhar um longo percurso colectivo de oito décadas e se guarda a memória de eventos sociais e culturais, de vicissitudes e de problemáticas que marcaram cada época - em suma, da evolução e das transformações da história local.
Há um património riquíssimo da cidade e das suas gentes, que se expande em muitos e muitos milhares de páginas - retratando as tradições piscatórias, que sempre conviveram bem com o vanguardismo da estância balnear dos tempos de juventude de meus Pais, assim como, depois, com o bulício da vila alegre e ainda bastante cosmopolita dos meus anos de "teenager" - os banhos na "Praia Azul", o rinque de patinagem à beira-mar, os bailes no salão da Piscina, as "matinés" do São Pedro ou do Casino, as noites de vai-vem no Picadeiro, entre as mesas dos cafés e as palmeiras... E assim continuou até aos dias de hoje.
Na "Defesa de Espinho" a cidade está ainda agora em retrato de corpo inteiro!
Os parabéns, nesta data festiva, têm de ser repartidos, igualmente, pelos directores, pelos jornalistas, pelos leitores, por um alargado colectivo que interage e partilha uma aventura jornalística de continuado sucesso.
São esses os meus votos, para o jornal e para a cidade: que possa transparecer nas páginas inspiradas da DE nos anos de um longo futuro, a viver por muitas gerações, a modernidade reencontrada de Espinho, cidade rainha da Costa Verde.

AMM NA BIENAL MULHERES D ' ARTES

A AEMM nasceu, bem vistas as coisas de uma fundada crença nas imensas virtualidades dos encontros entre gente que gosta de viver com os outros e para os outros. Os extrovertidos, como nós, os portugueses somos. Quando olho a nossa história dos últimos séculos, a das viagens marítimas, que começaram na vontade de "descobrir" ou achar terras novas, de estabelecer relacionamentos de toda a ordem com povos os mais diversos e, depois, se continuaram na emigração, gosto de falar de uma aventura de extroversão.´ Uma cultura de convivialidade!
Este encontro, como tantos outros na vida da AEMM, começou na ideia de uma simples visita de um grupo de estudantes da Califórnia à Bienal  "Mulheres d'Artes". Claro, é um grupo especial trazido a Portugal por alguém, que para além da sua excecional qualidade como Pedagoga, é a mais dinâmica e a mais comunicativa das Portuguesas da diáspora: a Professora Deolinda Adão!
Uma Bienal de Artes no feminino é, à partida, coisa atrativa,  pelo seu carater aparentemente inédito e, do ponto de vista de alguns,  controverso  também. A merecer uma visita de estudo. E, para a tornar mais interessante e profícua, porque não convidar as Artistas para falarem das suas obras e do da sua perspetiva sobre a Arte e o Género? Ou seja, converter a passagem pela Bienal num diálogo com as Artistas. E, sabendo que num dos átrios do Museu estão expostas quatro belíssimas Caravelas, construídas  por alunos da Escola Domingos Capela, porque não pedir a presença dos seus  obreiros , para que o diálogo se  alargue numa reunião de gerações?  Género e geração - uma simbiose que marcou o primeiro grande encontro realizado pela AEMM, há quase 20 anos. aqui em Espinho
 O Museu, a Câmara Municipal, como sempre, abriram-nos as portas,  entusiasticamente.
Esta evolução da ideia inicial só foi possível porque de todas as partes vieram respostas de imediata adesão :da Vereadora da Cultura Drª Leonor Fonseca, dos responsáveis do Forum de Arte e Cultura de Espinho,  das pintoras, escultoras, professores, alunos, associadas da AEMM... Quase de um dia para o outro o acontecimento cresceu à dimensão daqueles que, normalmente exigem semanas e semanas de preparação.
Muito obrigada a todos por este pequeno e simpático milagre - esta aventura de extroversão e convivialidade
E por, no final, nos terem dado a certeza de que o encontro se vai continuar em muitos outros,  com jovens de Espinho e da Califórnia.

SOBRE O FCP NO facebook

Edmundo Macedo Há qualquer coisa com o Porto que transcende o Porto! Just amazing!
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  • Maria Elvira Lemos Oh, campeão, o teu passado
    É um livro de honra de vitórias sem igual
    O teu brasão abençoado
    Tem no teu Porto mais um arco triunfal
    Porto, Porto, Porto, Porto
    Porto, Porto, Porto, Porto
    Porto, Porto

  • Maria Manuela Aguiar Há uns 3 ou 4 anos , nas festas de um desses nossos 27 títulos de campeão, recebi um telefonema do programa de rádio da Linha Cunha (Rio de Janeiro), para entrar em directo a comentar. No fim, a família Aguiar, que me rodeava cantou o hino, com a letra na íntegra e a música na perfeição...

    Maria Manuela Aguiar Há uns 3 ou 4 anos , nas festas de um desses nossos 27 títulos de campeão, recebi um telefonema do programa de rádio da Linha Cunha (Rio de Janeiro), para entrar em directo a comentar. No fim, a família Aguiar, que me rodeava cantou o hino, com a letra na íntegra e a música na perfeição...

    Maria Manuela Aguiar Pertenci, em tempos, ao Conselho Cultural do FCP e durante anos, mais recentemente, ao Conselho de Delegações e Filiais do Clube - e, por isso, sei o que o Porto tem crescido no País e no mundo! inteiro! Ainda ontem o grande jornalista Ribeiro Critovão, que é uma simpatia e sabe o que é o "fair play", dizia que na sua Beira interior, quando ele era jovem não havia um portista. Agora, é o que mais há!

    Maria Manuela Aguiar Um grande país portista é, por exemplo, o JAPÃO. Na final de Yokohama, em 2004, o estádio estava cheio de adeptos vestidos de azul e branco, pintados de azul e branco - japoneses, evidentemente. Não vi nenhum com as cores do "Once" sul-americano... Quando encontrar as minhas fotos com esses adeptos do longínquo oriente, a celebrar o título mundial do FCP, prometo colocá-las no facebook!

    Manuela Bairos e Maria Manuela Aguiar participaram no II Simpósio Internacional "Rosa dos Ventos O Português nos quatro cantos do mundo", que, comemporava 65 anos de ensino de Português na Universidade de Toronto. Com uma excelente organização da Profª Manuela Marujo e da sua equipa e intervenções, nomeadamente, do Professor Malaca Casteleiro, da Presidente do Instituto Camões, do Cônsul de Portugal, Dr Júlio Vilela e de conferencistas brasileiros, contando com a presença de alunos da Universidade e de membros da comunidade portuguesa, o simpósio decorreu nos dias 28 e 29 de Setembro.
    No painel dedicado ao tema "A língua portuguesa e a Diáspora" , moderado pelo Cônsul Geral Júlio Vilela, Manuela Bairos falou sobre "A diplomacia da língua portuguesa e a Diáspora" e Manuela Aguiar sobre " Histórias de vida" - ASAS para voar - lançamento do projecto na Diáspora portuguesa" (Academias Seniores de Artes e Saberes)
    No final dos trabalhos, Manuela Bairo e um grupo de participantes do simpósio visitaram o Museu Português de Toronto, enquanto Manuela Aguiar partiu para a festa do 56º aniversário do First Portuguese Canadian Cultural Centre, onde teve ocasião de se dirigir aos presentes, enaltecendo a acção do First nos vários domínios em que foi pioneiro, mas, muito em particular, co campo da acção para os mais idosos, qualificando o seu Centro de III Idade, como uma verdadeira universidade sénior, em pleno funcionamento.
    No dia 30, antes do regresso ao Porto, Manuela Aguiar esteve na Casa dos Açores com Virgílio Pires e com Manuela Marujo e Aida Baptista, que aí realizaram a primeira das actividades do projecto ASAS em Toronto - uma aula sobre escrita criativa, com enfoque no tema narrativas de vida: "Minha vida numa moldura". Um sucesso, que se espera tenha continuidade ao longo dos próximos meses.

    Síntese da Intervenção de Maria Manuela Aguiar
    Manuela Aguuiar começou por referenciar os esforços da Associação a que pertence, e, antes disso, até dos seus próprios projectos na Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, para promover a recolha de narrativas de vida de emigrantes, como embrião de um futuro Museu das Migrações. Um Museu cujo primeiro património seria a história das pessoas e das instituições de que se são formadas as comunidades portuguesas, em sentido orgânico - uma forma ideal de fazer a história das migrações, como parte da história da Nação portuguesa - guardando a riqueza. das singuralidades de experiências individuais imersas na grande vaga dos movimentos de expatriação e de retorno,
    O Museu da Emigração sueca , em Vaxö , com os seus registos de milhares de imagens e de entrevistas de gente comum foi o modelo inspirador do Fundo Documental e iconográfico das Comunidades Portuguesas, criado na primeira metade da década de 80, (no âmbito do Instituto de Apoio à Emigração e às Comunidades Portuguesas), para proceder à recolha de imagens e de contributos de investigadores e dos próprios emigrantes, e à sua publicação, mas o "Fundo" acabou por não ter continuidade.
    Manuela Aguiar não escondeu as dificuldades com que tem deparado os projectos da Associação de Estudos Mulher Migrante, que se enquadram no mesmo tipo de preocupações - incluindo o que está em curso, com a denominação de "Ateliers da memória" . Resultados concretos foram obtidos no Rio de Janeiro, onde a Directora do Jornal "Portugal em Foco" Benvinda Maria impulsionou uma publicação com narrativas de vida de cerca de 120 mulheres portuguesas e luso-brasileiras e na região de Buenos Aires está em curso um projecto semelhante, encabeçado pela Associação Mulher Migrante Portuguesa da Argentina.
    Segundo Manuela Aguiar o próprio projecto da criação de Academias Séniores de Artes e Saberes foi desde o início visto como um meio de incentivar a recolha das narrativas, pela via da oralidade ou pela escrita. Essa é a única matéria que se coloca como prioritária no programa de funcionamento das "Academias" tudo o mais sendo deixado ao critério de cada organização, por se entender que só cada um dos interlocutores saberá como adaptar o paradigma das chamadas universidades sénires às características do associativismo local .Mais importante do que o número inicial de participantes, o número de cursos ou actividades. a própria designação que cada iniciativa tome, é que se vá num crescendo de participação, que signifique mobilização dos mais velhos para o intercâmbio de saberes, para o convívio, lúdico e útil, para o aumento da auto-estima. Para que se sintam cidadãos que ainda podem dar muito de si aos outros, à sua comunidade Para que possam ajudar a combater a tão falada decadência de boa parte das associações portuguesas.

    JFK

    O dia mais triste de todos quantos passei em Coimbra,
    Vivia então num prédio donde via os muros da penitenciária e estava a entrar na porta de casa quando uma colega me disse
    Assassinaram o presidente Kennedy

    A PROPÓSITO DE UM PASSO DE DANÇA DO PRESIDENTE OBAMA

    A propósito de um passo de dança do Presidente Obama 

     1 - Correram mundo as imagens do Presidente dos EUA a dançar o tango em Buenos Aires, acompanhado por uma veterana bailarina. Se não era uma sua primeira tentativa, parecia. Descobri, assim uma nova afinidade com um dos políticos que mais admiro: dançamos o tango imperfeitamente, apesar de ser uma música fascinante. (Na verdade, o tango é considerado uma expressão da alma argentina, como o fado é da portuguesa. Um e outro fáceis de compreender ou de sentir, difíceis de interpretar...). Falando por experiência própria, atrevo-me a profetizar que. tal como eu, o Presidente não vai conseguir melhorar muito. 
    Todavia, o que importava, ali, não era a qualidade da exibição, mas a vontade de partilhar saberes, aprendizagens, rituais de amizade, em gestos de empatia, que, um a um, somados, tornaram memoráveis as suas históricas visitas a Cuba e à Argentina - coisa que, aliás, se dirá de dois mandatos inteiros, generalizando. Pode até a América vir a ter um (ou uma!) presidente igual ou superior a Obama em pura competência - dificilmente terá o seu encanto, feito de simplicidade e simpatia. Imune, de princípio a fim, aparentemente, aos malefícios do Poder. Sempre igual a si próprio, um grande ser humano .

     2 - Ao ver Obama, caminhar em frente, na pista de dança, sem ritmo mas sempre sorridente. Lembrei-me, não de magnas questões da política internacional, mas da minha experiência pessoal num espaço culturalmente argentino (uma residência de estudantes da Cidade Universitária de Paris), a que não faltavam as noites de festa, noites de tango. 
    Nos dois anos de estudos de pós-graduação em França (68/70), vivi o primeiro na Casa de Portugal, em meio tão português, que mal podia acreditar que tinha deixado a Pátria - um meio politicamente fraturado, agitado por toda a ordem de mal entendidos, embora não ,por sorte, dentro do círculo de amigos com quem convivia - e passei o último ano "emigrada", e feliz, na casa de estudantes da Fundação Argentina. A Fundação pertencia ao Estado e era dirigida por um professor de Direito, com estatuto de embaixador e, por sorte nossa, perfil de independência face ao próprio regime do país, onde já havia sinais da pavorosa ditadura que não tardaria a implantar-se. 
     Quando deixava o "campus" universitário, psicologicamente, sentia-me como que a atravessar a fronteira para a França, porque lá dentro, vivia-se o modo de estar, a cultura nacional de cada residência, apesar dos regulamentes da "Cité" exigirem, para evitar a "guetização”, uma quota de estrangeiros… A quota era, com certeza, respeitava, mas em pouco ou nada contribuía para alterar a cultura dominante - o "mainstream" de ca uma das unidades de que se compunha a !Cité",  Na Casa de Portugal (então pertença da Fundação Gulbenkian), quase não se sentia a presença dos "outros", e não me lembro de eventos "comunitários" a que fossem chamados (não havia nada digno desse nome, apenas grupos mais ou menos antagónicos. Não se cantava o fado, não se jogava a sueca, nem se bailava folclore. Via-se televisão francesa e conversava-se ou discutia-se, na nossa língua. A Casa dos Estudantes Argentina, pelo contrário, era uma festa! Quase todos os estrangeiros eram sul-americanos. Abundavam os bons cantores e os músicos, com as suas violas. E ao fim de semana, invariavelmente, com o gira-discos no volume máximo, dançava-se o tango. Todos eram convidados e ninguém assistia sentado. Até eu... Nunca me faltava par, apesar de ir aos solavancos pela sala adiante, sem acertar o passo. Sentia-me bem, no meio de amigos. Fazíamos confidências sobre os nossos problemas, contávamos histórias da nossa família, da nossa terra. A política não era obsessão, emergia, por vezes, (não muitas...), naturalmente. O meu “grupo argentino” de Paris foi tão importante como o português – ali fiz amigos para toda a vida. Não assim, curiosamente, no meio académico – não há um só colega francês cujo nome recorde. .
    3 – Estes diferentes espaços em que, então, circulava ofereciam diferentes paradigmas de relacionamento intercultural. Eram microcosmos, é certo, correspondiam a um certo tempo e a um especial contexto, mas evidenciavam (evidenciam...) o modo como, em todos os tempos e contextos, uma sociedade se pode abrir aos outros e fazê-los felizes ou se pode fechar e ignorá-los, deixando-os à margem. 
    Hoje, mais ainda do que há 40 anos, um dos maiores problemas da Europa tem a ver com isto: é o medo da vaga de refugiados que aí vem. É o drama da sua imigração - o drama dos jovens, de segunda e terceira geração, que se sentem estrangeiros no seu próprio país. E, afinal, a solução pode começar num simples gesto, numa simples palavra, num passo de dança…