Entrei na Faculdade de Direito de Coimbra em 1960. Sempre gostei do meu traje académico, É um sinal de pertença, é elegante, é prático. Igualiza.
Usei o "grelo" no 3º ano, as fitas vermelhas no 4º, a cartola e bengala no ano de despedida. Recordo com imensa saudade as serenatas, os cortejos e bailes das "Queimas" O cine clube, o teatro, as tertúlias de café. Tudo o que diverte, sem ser à custa de ninguém.
Praxe só neste sentido!
O resto é barbaridade, é prepotência, é opressão - mesmo que não haja violência física. Umas tesouradas na cabeleira dos caloiros não é propriamente coisa que ponha em risco a sua vida e isso foi o pior que vi na Coimbra do meu tempo. Mesmo assim, eu detestava as trupes, que irrompiam das sombras da noite na perseguição dos "caloiros". E que levavam os incautos, sem que estes resistissem, para lhes aplicar o castigo ritual.
Para mim, tudo aquilo era sinistro, os vultos negros das trupes, as cabeças rapadas dos colegas...
Vivi, assim, o primeiro ano em estado de revolta contra a praxe, e nunca recuperei desse sentimento profundamente "anti"
Não me afetava pessoalmente, porque as estudantes não estavam sujeitas a essas praxes. Pelo contrário: como quaisquer outras senhoras, até podiam "dar proteção" aos caloiros, desde que com eles fossem de braço dado. Várias vezes, salvei colegas, com um gesto rápido ao pressentir o "inimigo" ...
E se não estivesse num lar de freiras (o lar das Dominicanas, junto às escadas monumentais) nada mais teria para contar sobre o meu 1º ano. Nesse mundo fechado, imagine-se, havia uma réplica da praxe, numas festas noturnas, em que as "caloiras" eram gozadas pelas "doutoras" e não podiam responder na mesma moeda. Respondi. Insurgi-me, saí pela porta fora e fui naturalmente, de imediato, ostracizada.
Isto é, no pacato lar era a única a não ser convidada para aquelas sessões patéticas de basófia (de um lado) e de servilismo (do outro). Excelente solução! Nunca mais me maçaram, e vice versa.
Recordar tempos idos... Falar do presente, também. E até, de quando em vez, arriscar vatícínios. Em vários domínios e não só no da política...
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
O destino de GASPAR...
Sem surpresa a nomeação de GSPAR para o seu alto cargo europeu.
Eu sabia, todos os portugueses sabiam que foi para isso que trabalhou, enquanto ministro das finanças - o ministro das finanças da troika.
Apoios ; o governo alemão, e o governo português (os alemães da Alemanha e os de Portugal)
Eu sabia, todos os portugueses sabiam que foi para isso que trabalhou, enquanto ministro das finanças - o ministro das finanças da troika.
Apoios ; o governo alemão, e o governo português (os alemães da Alemanha e os de Portugal)
O admirável mundo novo da Internet - ler uma reportagem, 8 anos depois...
MANUELA AGUIAR: NO CÍRCULO DA EMIGRAÇÃO | Reportagem de Vitália Rodrigues |
|
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Colóquio em Recife
para mim
![]() |
Estamos a partilhar momentos históricos neste admirável salão nobre do Gabinete Português de Leitura de Recife, porque falar de "expressões femininas da cidadania" numa grande e tradicional instituição das comunidades portuguesas do Brasil é coisa absolutamente inédita. Estamos, certamente, a abrir um caminho longo, a que não vão faltar os caminhantes. E é excelente que o possamos fazer em conjunto, em reunião de representantes do Estado e da sociedade civil, brasileiros e portugueses, mulheres e homens de várias idades, todos olhando a realidade das migrações, das mulheres na sociedade de hoje, com uma mesma vontade de reinventar as formas de lhes assegurar, concreta e individualmente, o seu " direito de cidade".
O Brasil é um dos países do mundo onde, nas últimas duas décadas, as cidadãs, mais rapidamente e com mais naturalidade, ascenderam a altos cargos políticos, mas nem por isso podemos dizer que, aqui, como no resto do planeta, a questão de género está resolvida. Na verdade, não está.
Mas que o Brasil se tornou um paradigma de abertura da política às mulheres, também é verdade!
E, por isso, se torna particularmente anacrónica a falta de participação feminina nas diretorias das mais prestigiadas organizações da comunidade portuguesa, como salienta. na sua mensagem, o deputado Carlos Páscoa..
Sabemos bem que o movimento associativo dos portugueses no Brasil é, no universo da emigração nacional, não só o primeiro, mas também o mais grandioso. Como tantas vezes disse, por todo o lado onde deveres de ofício me levaram, reconheço o mérito de tantos emigrantes portugueses, que se destacaram pela sua obra individual, mas maior é ainda, embora seja bem menos referenciada e reconhecida, a sua obra coletiva - exemplificada nas instituições luso brasileiras, Gabinetes de Leitura, Beneficências , Hospitais, Clubes. Uma obra monumental!
No novo século, marcado por um recomeço das correntes migratórias para o Brasil, queremos vê-lo sobreviver, numa ponte de afetos entre as certezas do passado e as transformações que o futuro exigirá. O que não será possível sem o envolvimento das mulheres e dos jovens. Por isso, o Secretário de Estado Dr José Cesário nos vem lembrar, nas palavras de saudação que nos enviou, o papel das mulheres, qualificando-o como "absolutamente decisivo".
Serão várias as razões que explicam um quadro geral de exclusão feminina na cúpula do nosso associativismo no Brasil, a que quase só escapam a organização Elista e algumas Câmaras de Comércio, talvez porque sejam luso-brasileiras. Ao que parece, uma ativa componente brasileira vai sempre num sentido mais inclusivo e igualitário, à imagem da própria estrutura política do país.
Uma das razões para explicar um tal panorama associativo será o caracter masculino da emigração portuguesa, até meados do século XX, precisamente quando cessa o êxodo para o Brasil - muito embora a proporção de mulheres viesse a crescer significativamente desde o começo do século, contrariando as políticas limitativas com que os governos, até então, sempre haviam procurado proibi-las de sair (sabe-se porquê: a presença feminina transforma o projeto de emigração, facilita a integração familiar e dificulta o regresso à terra...)
Em meados de novecentos, quando termina o ciclo das partidas para o Brasil, principia o da Europa - e não só. Porém, os outros destinos tiveram menor visibilidade, apesar da sua importância, o Canadá, a Venezuela, a África do Sul, a Austrália ( de novo, a dispersão universal...) e, por isso, tornou-se é um lugar comum dizer que a França se converteu no "novo Brasil".
Por todo o lado, o movimento associativo dessas comunidades emergentes, tal como o das antigas, fortíssimo e multifacetado na sua vocação - e necessidade - de se substituir à ausência de ação do Estado português, mantém a sua feição masculina...
Nesta fase mais marcadamente europeia, o inesperado iria aconteceu, sobretudo no que respeita à "metade feminina" (metade mesmo, matematicamente, ainda que , em regra, elas tenham seguido os maridos, à distância de algum tempo) . Os primeiros estudos sociológicos realizados em Paris sobre as portuguesas, em 70 e 80, revelam um quadro muito diverso do que se antevira - as emigrantes, vindas de meios rurais para grandes cidades, haviam conseguido adaptar-se melhor do alguém poderia imaginar, haviam sido o esteio da integração familiar e alcaçado um novo estatuto dentro e fora de casa. O acesso a trabalho remunerado, regra geral no setor dos serviços, o melhor domínio da língua, e com ele, a capacidade de melhor interagir na sociedade de acolhimento, explicam o fenómeno. A verdade é que a emigração foi para toda uma geração de emigrantes portuguesas - mesmo para as mais pobres, as menos qualificadas profissionalmente - uma via de emancipação. Nesse ciclo migratório, quase todos ganharam, e as mulheres ganharam mais ainda. Eduardo Lourenço, ele próprio emigrante em França e um dos nossos mais prestigiados e queridos intelectuais, chama-lhes "uma geração de triunfadores". Podemos, com segurança, escrever a frase no feminino.
Na geração seguinte, é espantoso o número de luso-francesas envolvidas na política, para já sobretudo a nível municipal, e as ligações que mantêm com o nosso país. No Brasil, ao pensar em exemplos semelhantes, logo me ocorre o nome de Ruth Escobar, a portuguesa que, ao abrigo do Tratado de Igualdade de Direitos, se candidatou e foi a 1ª Mulher eleita à AL do Estado de SP. No Rio de Janeiro, igual pioneirismo protagonizou, como Secretária do Governo do Estado, a médica Manuela Santos, que, mais tarde, seria a primeira representante eleita no Brasil ao Conselho das Comunidades Portuguesas
Constatamos, assim, que, no Brasil como em França, tem sido mais conseguida a ascensão das emigrantes na sociedade de acolhimento do que no mundo conservador e masculino do associativismo.
A AEMM, consciente desta evolução assimétrica, na generalidade dos países, tem concentrado os seus esforços na mobilização das mulheres para uma participação de vanguarda nas comunidade portuguesas, a fim de que se convertam em espaço de expressão da cidadania e se expandam com a inclusão de grupos marginalizados, invertendo a tendência para o seu declínio, que tantos profetizam e justamente receiam.
Vemos o associativismo feminino, essencialmente, como um instrumento para viabilizar, a prazo, a participação paritária nas organizações das comunidades da diáspora.
E encorajamos as novas formas, criativas, que vem assumindo. Penso, sobretudo, em iniciativas que se projetam na internet , com o grupo das "Marias, corações de Portugal" ( a partir da Alemanha), ou nas tertúlias, que combinam a vertente lúdica com a beneficente ou cultural, caso das Universidades ou Academias Seniores, (que se multiplicam do Canadá à Argentina,, da Alemanha à África do Sul), ou das Academias da Espetada, em grande crescimento nas comunidades madeirenses da Venezuela e África do Sul ( a "espetada é um prato típico madeirense).
Julgo que nesta corrente inovadora se inclui, com toda a originalidade, e um jeito bem tropical, a "Folia das Deusas". justamente porque tão bem concilia o tempo de festa, e o tempo de ação solidária.
A parceria que agora iniciamos com a "Folia das Deusas" vai, certamente, continuar. Foi a
Constatamos, assim, que, no Brasil como em França, tem sido mais conseguida a ascensão das emigrantes na sociedade de acolhimento do que no mundo conservador e masculino do associativismo.
A AEMM, consciente desta evolução assimétrica, na generalidade dos países, tem concentrado os seus esforços na mobilização das mulheres para uma participação de vanguarda nas comunidade portuguesas, a fim de que se convertam em espaço de expressão da cidadania e se expandam com a inclusão de grupos marginalizados, invertendo a tendência para o seu declínio, que tantos profetizam e justamente receiam.
Vemos o associativismo feminino, essencialmente, como um instrumento para viabilizar, a prazo, a participação paritária nas organizações das comunidades da diáspora.
E encorajamos as novas formas, criativas, que vem assumindo. Penso, sobretudo, em iniciativas que se projetam na internet , com o grupo das "Marias, corações de Portugal" ( a partir da Alemanha), ou nas tertúlias, que combinam a vertente lúdica com a beneficente ou cultural, caso das Universidades ou Academias Seniores, (que se multiplicam do Canadá à Argentina,, da Alemanha à África do Sul), ou das Academias da Espetada, em grande crescimento nas comunidades madeirenses da Venezuela e África do Sul ( a "espetada é um prato típico madeirense).
Julgo que nesta corrente inovadora se inclui, com toda a originalidade, e um jeito bem tropical, a "Folia das Deusas". justamente porque tão bem concilia o tempo de festa, e o tempo de ação solidária.
A parceria que agora iniciamos com a "Folia das Deusas" vai, certamente, continuar. Foi a
De tudo isto se falou neste dia inesquecível, com Mulheres Brasileiras e Portuguesas do Recife, que em diversos campos, (até no do associativismo tradicional, como o provam as dirigentes do Hospital Português que integram o painel de oradores) são admiráveis expressões da cidadania no feminino.
A todos os amigos aqui presente, o meu "bem-hajam"
Não vamos dizer adeus uns aos outros, mas sim "até logo".
terça-feira, 26 de novembro de 2013
Com o Papa Francisco
Este é o Papa que vive, seguindo o exemplo de Jesus Cristo... que exerce a sua missão, com simplicidade e alegria. E muita coragem, Não hesita em dizer o nome das coisas, fala de capitalismo como a nova tirania...
Nós, Portugueses, não somos os únicos a sentir o peso deste capitalismo selvagem, desta tirania...mas que sentimos, sentimos!
Nós, Portugueses, não somos os únicos a sentir o peso deste capitalismo selvagem, desta tirania...mas que sentimos, sentimos!
Nova tirania económica gera violência
Quem proclamou esta verdade não foi o Dr Mário Soares, mas o Papa Francisco
Aguarda-se que aqueles estouvados rapazes do PSD e do CDS-PP. que rasgam as vestes da indignação perante os avisos do Dr Soares, se atrevam a criticar o Papa, que afinal vem dizer o mesmo, com meridiana clareza...
Aguarda-se que aqueles estouvados rapazes do PSD e do CDS-PP. que rasgam as vestes da indignação perante os avisos do Dr Soares, se atrevam a criticar o Papa, que afinal vem dizer o mesmo, com meridiana clareza...
DE LOS ANGELES, EDMUNDO MACEDO
O NOSSO
BEETHOVEN FOI À SUÉCIA DAR RECITAL DE PIANO
Às tantas foi como se
no centro do estádio houvesse um piano e Beethoven tocasse um excerto sublime.
calorosamente às suas
casas, suando neles a lembrança indesejável do desaire mas repondo neles a
recordação de uma peça desportiva de grande espectáculo -- verdadeiramente uma peça difícil de tragar
para suecos e afinal, bem vistas as
coisas, exibição preciosa, gratíssima até, pois nem sempre aparece por ali um
Cristiano Ronaldo todo inclinado a oferecer o seu 'produto-para-sonhar', todo
propenso a dar show!
Não houve equívoco quando trouxeram ao mundo
Cristiano Ronaldo-para-o-futebol! Do mesmo modo,
ninguém se equivocou quando, por exemplo, trouxeram ao mundo Muhammad
Ali-para-o-box, Michael Jordan-para-o-basquetebol, Rosa
Mota-para-coleccionar-maratonas.
Quatro predestinados
desafiando os rigores da perfeição!
Irá recordando os
futebolistas portugueses de que lhes será legítimo alimentar todas as
esperanças desde que nunca desprezem todas as realidades.
21 de Novembro de
2013
Edmundo Macedo
Em 19 de Novembro de
2013 a selecção nacional de futebol foi à Suécia conquistar acesso ao Mundial
de 2014 no Brasil
viveu horas tao
refrescantes como a agua que brota das fontes de Sintra
Subscrever:
Mensagens (Atom)
