quinta-feira, 23 de outubro de 2014

COLÓQUIO NA SORBONNE - ABERTURA ( junho 2014)

Vamos, em conjunto, na verdadeira capital da emigração portuguesa, que é Paris, refletir sobre a realidade recente deste fenómeno estrutural na vida do nosso país
 É significativo que o possamos fazer na sala Bourjac da Sorbonne - é sinal de que uma universidade de renome universal há muitos séculos, se tornou já a um espaço aberto às segundas gerações de portugueses, e não só como estudantes, mas também como professores e diretores de departamentos. Com  todo o gosto o sublinhámos: é este o caso da organizadora do colóquio e dirigente da AEMM, Porf Doutora Isabelle Oliveira , e também da Doutora Custódia Domingues, que com ela colaborou. Para ambas, os nossos
agradecimentos!
O título escolhido pela Profª Isabelle Oliveira para a jornada de trabalho que aqui nos reune termina com um ponto de interrogação - lança-nos perguntas, para as quais queremos encontrar respostas: Que
perspetivas para a emigração portuguesa?
 É a antecipação do futuro num ciclo de colóquios da Associação de Estudo Mulher Migrante, que começa no tempo passado, na revolução do 25 de Abril, percorrendo quatro décadas de grandes mudanças, de democratização da vida política no País, com projeção nas políticas de emigração, no relacionamento dos poderes públicos com os cidadãos e as instituições da "Diáspora".
 O nosso objetivo principal é ouvir o que têm a dizer os muitos participantes nestas jornadas sobre as migrações contemporâneas, assim como, em particular, sobre a evolução do papel das mulheres nos
movimentos de expatriação  e de retorno e no movimento associativo:. Partimos da história e da memória de sucessivas gerações para chegarmos ao momento atual, às linhas de continuidade ou de rotura, que se antevêem.
 Se em anteriores encontros  acentuámos diversos momentos desta trajetória, hoje, aqui, vamos, sobretudo, convidar a uma avaliação da dimensão atual do fenómeno migratório, sua composição, em termos de género, de qualificação, de projetos, de situação profissional, de  propensão associativa (as novas formas que vai configurando) assim como da evolução das relações entre os emigrantes e as sociedades de origem e
de residência.
Demos ao ciclo de debates o título de "4 décadas de migrações em Liberdade", e estamos a desenvolve-lo em parceria com a Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas e várias instituições da sociedade
civil, dentro e fora do país. O primeiro ato foi em Março, no Palácio das Necessidades,  com intervenção de abertura do Secretário de Estado Dr José Cesário, que assim nos deu mais uma prova no seu empenho  em
promover a igualdade de género na emigração, condição de uma liberdade realmente vivida no quotidiano das comunidades..
Seguiram-se outros colóquios em duas escolas secundárias de Espinho, e, em fins de abril, na Universidade de Berkeley (Califórnia), pela mão da Prof Doutora Deolinda Adão; em Junho, na Universidade Aberta de Lisboa/ CEMRI,  com organização da Prof Doutora Ana Paula Beja Horta, que hoje está de novo connosco para a partilha das suas experiências e estudos.  E mais iremos realizar, até ao termo de 2014...
Na minha intervenção no 1º painel terei ocasião de falar sobre os mecanismos institucionais para a execução das políticas de emigração e, em especial, de um órgão que marca o princípio de uma era de diálogo e de relacionamento democrático entre governo e representantes das comunidades, como é o CCP.
Agora farei apenas uma chamada de atenção para a natureza essencialmente interministerial das políticas neste domínio - pois a resolução dos problemas dos migrantes passa por todos os pelouros e ao Secretário de Estado compete, para além da ação direta em determinados setores - caso do acompanhamento dos movimentos migratórios, dos condicionalismos concretos oferecidos no estrangeiro aos nacionais, da  vida associativa, do apoio consular,  informativo, cultural e social ou da participação em organizações internacionais sobre migrações  -  também  uma ação constante de sensibilização dos colegas de governo para as especificidades da situação dos emigrantes nas mais diversas áreas.
E eu sei, por experiência própria, que esta última tarefa é a mais difícil.. .Quantas vezes outros governantes falam dos assuntos impropriamente, sem o ouvir ou consultar, como deviam... Todos estamos lembrados daquela infeliz exortação de um novíssimo Secretário de Estado a que os jovens portugueses deixem a sua "zona de conforto" e se expatriem... Nunca ouviriam coisa semelhante da boca de nenhum SECP e muito menos do Dr José Cesário, que se preocupa em dar informações corretas, quer ao País sobre o número avassalador dos que saem, quer  aos candidatos à emigração sobre a absoluta necessidade de nenhum deixar o país, sem procurar saber o que o espera, e com o que pode contar...
Os números, são de facto avassaladores e falam, por si, expressivamente, de falta de oportunidades e de horizontes de esperança dentro da fronteiras..
É uma realidade tremenda! Portugal, ao longo destes 40 anos deu aos portugueses o direito de emigrar e de regressar, mas ainda não lhes deu o "direito a não emigrar"...
E, ao mesmo tempo a que  vê partir uma imensidão de portugueses (de todas as idades, mulheres e homens muito ou pouco qualificados...), como forma de resolver problemas de desemprego e de pobreza, não consegue dotar-se dos meios institucionais que já teve  e veio a desmantelar, na década de 90, quando, prematuramente, se ufanou de ter deixado de ser país de emigração, poucos depois da adesão à CEE...
Um outro aspeto que me preocupa é a anunciada junção dos serviços de emigração e imigração. Não porque a ideia não seja teoricamente interessante, mas porque em Portugal receio que sirva para
subvalorizar a componente da emigração portuguesa - a que está mais longe, a que se ignora com mais facilidade...
São algumas das questões que sugiro para debate

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

ENTREVISTA NO JORNAL "AS ARTES ENTRE AS LETRAS"

UM OLHAR (subjectivo) SOBRE FEMINISMO E DIÁSPORA
Longe e perto de 1910


1- O movimento feminista e republicano do começo de novecentos não teve um grande impacto nas comunidades do estrangeiro, nem mesmo globalmente nas colónias portuguesas - embora em algumas cidades ,como é o caso de Luanda ou de São Paulo,  haja registo de actividades da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas ou da Associação de Propaganda Feminista  (a Liga com estreitas relações partidárias, a
APF aberta a todos os credos e autenticamente sufragista, criada quando se tornou evidente o incumprimento pelo Partido Republicano das promessas de voto para as mulheres, em 1911. As conhecidas ligações da
APF ao Brasil devem-se  à presença nesse país, entre 1911 e 1914, de Ana de Castro Osório, a grande impulsionadora e ideóloga da Associação, que, todavia,logo depois da sua constituição, rumou a São
Paulo, onde deixaria  o seu nome na memória e na toponímia da cidade.
 Mas a regra foi, naturalmente, a oposta… As singularidades daquele movimento, a sua matriz republicana, maçónica, revolucionária, anti-clerical, tornavam-no irrepetível na emigração. Não se poderia esperar uma
aproximação entre mulheres separadas não só pela distância, como pelas condições de luta cívica e política, numa época em que não existia tradição de diálogo com as instituições das comunidades -  aliás, círculos masculinos t,anto ou mais fechados do que a sociedade local.
 À absoluta exclusão do movimento associativo, responderam as mulheres com organizações próprias. A primeira terá sido uma sociedade fraternal na Califórnia, em fins do século XIX – a Sociedade Portuguesa Rainha Santa Isabel, nascida no interior de uma igreja católica, logo seguida da União Portuguesa Protectora do Estado da Califórnia. Ambas cresceram espantosamente, desenvolvendo, a par da sua vocação mutualista, um  papel cimeiro na comunidade portuguesa, sobretudo na área cultural e beneficente.
Há registo de mútuas femininas oitocentistas em Portugal, mas sem atingirem a mesma grandiosa
dimensão e longevidade...
 No domínio social se centram outras grandes organizações da segunda metade do século, como a Sociedade Beneficente das Damas Portuguesas de Caracas, a Liga da Mulher da África do Sul ou, já no alvorecer do
século XXI, a Associação Mulher Migrante Portuguesa da Argentina.

 2 - À  primeira vista, são mais evidentes as diferenças do que as sintonias entre estas organizações que queremos comparar. Falta no nosso associativismo da Diáspora uma forte  reivindicação pública da
igualdade no dirigismo  –  o equivalente ao sufragismo de então....De facto,  a sua expressão nos "fora" do “congressismo” vem sendo suscitada mais do exterior do que de dentro das comunidades: o 1º Encontro Mundial de Mulheres no Associativismo e no Jornalismo, foi convocado pelo Governo, em 1985. Já neste século, os “Encontros para a Cidadania” (2005-2009) e os congressos mundiais de 2011 e 2013 foram iniciativas
de ONG's, como a Mulher Migrante, com sede no País, em parceria com a Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas.
 As conferências periódicas sobre “A vez e a voz da Mulher”, cuja principal dinamizadora é Manuela Marujo, professora da Universidade de Toronto, são uma das excepções que confirmam a regra..
 Todavia, há também convergências no associativismo das mulheres portuguesas em diferentes épocas e regiões do mundo.
 Movem-se por um feminismo muito feminino ("feminismo" no preciso sentido em que Ana de Castro Osório falava de "verdadeiro feminismo" - um humanismo partilhado com o outro sexo, em companheirismo e
cumplicidade ). Um activismo que  nasceu, frequentemente,  dantes como nos novos tempos, dentro da família, numa cooperação  entre cônjuges, mães e gerações - realidade que se adivinha nos apelidos comuns de
republicanos de ambos os sexos e que é bem visível no associativismo da emigração – são as mulheres de dirigentes que, nos bastidores, com eles colaboram, discretamente. E, quando elas decidem militar nas suas próprias organizações, são eles, em muitos casos, os seus primeiros apoiantes.
 Mulheres desenquadradas do grupo familiar activo, também existem, evidentemente, mas são, sobretudo professoras primárias, jornalistas, escritoras… – tanto na República portuguesa de 1910 , como  nessas
“pequenas repúblicas de homens”, que são os clubes e centros comunitários no estrangeiro.
 Proporcionar o ensino da língua, a vivência cultural portuguesa aos mais jovens, são as prioridades que mais atraiem as mulheres à liderança associativa, ainda hoje - a relembrar a luta pela educação e instrução
feminina, o máximo denominador comum, dentro do movimento feminista e republicano, que a reivindicação do sufrágio dividiria irremediavelmente.
De um século ao outro, e mesma mundivisão, a mesma crença de que a mulher se emancipa pelo trabalho, ao lado do homem, e que quer direitos de cidadania para melhor servir a comunidade e o País..
Sobra essa busca da paridade em harmonia, onde falta o afrontamento de sexos. Até a APF, a mais sufragista de todas, se envolveu enormemente na vertente humanitária e beneficente do associativismo.
 Foi assim . É assim...
Se mais resultados teria obtido uma postura mais radical é coisa que não saberemos nunca...

domingo, 7 de setembro de 2014

BRASIL EM CAMPANHA ELEITORAL

Na corrida presidencial, duas mulheres vão na frente. Se eu fosse brasileira, como são tantas pessoas da minha família, não tinha dúvidas - votava em Marina
Uma delas vai ser Presidente do Brasil - ou presidenta se for Dilma,
Impossível este cenário de uma escolha presidencial no feminino em Portugal - país que consegue ser na UE o único Estado membro que nunca indicou uma Mulher para a Comissão... Partilhava esse último lugar, salvo erro, com a Bélgica. Agora a Bélgica nomeou uma Comissária e deixou-nos orgulhosamente sós lá no fundo...

INCOMPETÊNCIA, mais INCOMPETÊNCIA

A Albânia foi a prova dos nove...Tudo aconteceu dentro das previsões que há precisamente uma semana deixei bem claras  neste blogue...
Um jogo sem Quaresma, sem estratégia, sem classe. Com muito Bento em mais uma derrota humilhante.
O nosso futebol está, assim, ao nível de outros domínios da nossa vida colectiva. Da política, por exemplo...

domingo, 31 de agosto de 2014

MARTINEZ FICA!

Já soaram as 12 badaladas nesta noite de 31 de Agosto e J M continua cá (ainda há mercados abertos, mas não parece que nos levem o goleador...). Fantástico, este ano, com alma nova! Mais dois golos, depois daquele que abriu a contagem - o de Oliver, numa bela jogada começada no passe perfeito de Quaresma.

CAPITÃES "IN ITINERE"

Jogadores em trânsito,  imigrantes temporários, à espera do próximo contrato de trabalho,  num outro clube, num outro país, recebem com naturalidade a braçadeira de "capitães", que outrora era de verdadeiros símbolos eternos de um clube...
É assim um pouco por todo o lado. É o futebol como negócio, para além do futebol como desporto. São raros os jogadores da formação, os que  sentem o emblema como coisa sua, os que, mesmo que tenham vindo de longe,  estão onde querem ficar´.
Nós, adeptos fieis a vida inteira, não deixamos de admirar os que nos encantam com o seu talento, por uma breve época ou duas. Mas sabemos distinguir os que são verdadeiramente "nossos" e os outros.
 João Pinto, Jorge Costa, Victor Baía foram alguns dos grandes capitães do FCP, que é o meu clube e o deles também. Agora, esse título não tem o mesmo sentido. Se tivesse, claro que Quaresma era o nosso capitão. As palmas dos adeptos, que hoje saudaram tão vibrantemente a sua entrada em campo, não deixam margem para dúvidas.