segunda-feira, 6 de abril de 2015

Páscoa em MONTREUX 1968

Uma Páscoa memorável, a de 1968!
Uma decisão felicíssima a de escolher Montreux para passar um fim de semana do tempo Pascal. Montreux  é a mais bela cidade das margens do lago Léman , não muito distante de Genebra , onde eu participava, então, num curso do Instituto de Estudos do Trabalho da OIT e a minha prima Eduarda fazia turismo.
Fomos as duas à aventura, sem reserva de hotel - acabamos no albergue local da juventude, mas até isso teve a sua graça e representou uma imensa poupança no nosso orçamento de viagem...
Tudo estava destinado a correr bem. O sol brilhava sobre o Castelo de Chillon e sobre o grande lago. Foi por puro acaso que vimos, na rua, o cartaz que anunciava a final da Taça das Nações de hoquei em patins. A nossa Nação disputava, nessa noite, o título com a Espanha. Conseguimos ingressos na 1ª fila, rigorosamente ao centro. Nunca tinha visto um jogo tão perto, sentia-me em campo...  A Eduarda nunca tinha visto um jogo sequer, mas o seu entusiasmo era igual ao meu... E igual ao de numerosos portugueses que nos ladeavam. Não sei de onde tinham surgido - tantos... -,  atendendo a que a grande emigração para a Suiça só haveria de acontecer mais de uma década depois.
Uma fantástica vitória, seguida de convívio,  celebração e  jantar com os nossos vizinhos do lado! Eram do Porto,  logo descobrimos que tínhamos muitos amigos em comum. Graças a elas e a eles, antecipámos o regresso a Genebra, aproveitando uma simpática boleia (e escapando, assim, a mais uma dormida no albergue, muito pitoresco e juvenil - mas a experiência estava completa, não era preciso exagerar...).

sábado, 4 de abril de 2015

MANUEL DE OLIVEIRA NO PANTEÃO?

Esta moda de povoarem o Panteão...  Nenhum notável parece poder escapar, nos tempos mais próximos
Se se discute o mérito, claro que o grande cineasta o merece.
Mas compreendo bem aquelas senhoras que a Tv entrevistou ontem e que diziam:
"Ele é do Porto , queremos que fique no Porto". Isto é, na sua terra, onde está o coração de D Pedro, I do Brasil e IV de Portugal. Ao lado dos seus, no jazigo de família..
Há tantas outras formas de o homenagear - bem mais vivas!  Dar-lhe, a ele, ao seu cinema, ao cinema português e universal, um novo espaço, uma nova centralidade e importância, aqui no Porto. Na  cidade onde morou, junto ao Douro, que imortalizou na arte cinematográfica..

domingo, 1 de março de 2015

EM MOVIMENTO

O gosto da vida e o gosto do movimento, para mim, foram sempre a mesma coisa.
Não importa tanto a distância, como a atitude.
Um astrólogo diria –“está nos astros – o seu signo é gémeos”. Um conhecedor da história da família diria antes: "está nos genes – sai à Avó Maria”.
Mas mesmo essa mítica Avó Aguiar, poderosa matriarca, mãe de 8 filhos -  4 nascidos em Gondomar, quatro nascidos no Rio de Janeiro - , de muitos mais netos e bisnetos, que cuidou ao longo dos 91 anos sobre o planeta terra, se inquietava com a pequena descendente que, aos 3 ou 4 anos, já corria por escadas e corredores longos ou pelo jardim, e, caso único entre tantas crianças da família, não parava nunca...
A Avó comprava-lhe cadeiras interessantes e diferentes, alentejanos, de cores garridas, de madeira, de verga... Agradecia, expansiva, fazia à volta delas uma festa, experimentava-as de imediato, naturalmente, mas não ficava muito tempo sentada. Só com um livro na mão, alguns anos depois... 

sábado, 28 de fevereiro de 2015

CRATO e JUSTINO


 A minha divisa é: "de exames e chumbos, o menos possível".
Estou, pois, nas antípodas do actual Ministro da Educação, que, ao que parece, acredita na multiplicação dos exames, a todos os níveis, como a grande panaceia para a melhoria do nível do ensino...Acho esta perspectiva completamente errada. Os exames não acrescentam nada a ninguém. A melhor avaliação é a que os professores fazem de forma continuada, atentos ao progresso dos alunos. A qualidade do ensino é a qualidade das pessoas - de quem ensina e de quem aprende.
Os exames nacionais são apenas uma prova de desconfiança nas escolas, nos professores...
E chumbar não pode ser visto como um castigo, mas antes como um privilégio. Assim se pensava já na Suécia, em finais da década de 60. Na altura, isso para mim foi uma surpresa, porque nunca tinha imaginado que fosse possível criar um sistema em que os chumbos fossem uma anomalia, mas logo aderi àquela escola de pensamento (estava num curso organizado para francófonos pelo Instituto da Informação em Estocolmo - "Connaissance de Suéde"). Um verdadeiro achado: só repetia o ano um aluno, que por razões excepcionais, não tivesse conseguido acompanhar os outros - caso em que era objecto de atenção e apoio especial. Era a social -democracia, no seu melhor!
Em Portugal não havia, então, sequer democracia, quanto mais social-democracia... Mas seria o modelo praticável no Portugal depois de 1974? Nunca um Ministro de Educação ousou propo-lo... Parecia-me que não...
De repente, em 2015, um antigo Ministro da Educação e actual Presidente do CNE veio abrir caminho a considerar esta opção. Já era coisa de causar espanto, neste país conservador, de tradição patriarcal e autoritária! Fantástico descobrir que, na nossa "inteligentsia", ao lado dos Cratos existem Justinos - mesmo que os Cratos sejam muitíssimos e os Justinos poucos...
Porém, mais fantástica ainda é a notícia que vem na 1ª página do Expresso: o Agrupamento de Escolas  de Carcavelos aplica este modelo "nórdico", com sucesso, há já 12 anos!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

"BOYHOOD" (o filme) EM ESPINHO

Uma bela iniciativa, esta de organizar um mini ciclo de cinema com filmes candidatos a óscares,
Na verdade, os óscares são o que menos me interessa - o que me interessa são mesmo estes 3 filmes. O Grande Hotel Budapest, que vi quase por inteiro no Dolce Vita Porto - tive de sair antes do fim- Que prazer  voltar ao princípio e chegar até ao último fascinante momento...
Comecei, hoje por Boyhood... excelente... não tem altos e baixos, é sempre, sempre excelente. True to life , in USA.
E aquela verdade universal: the moment seizes you...
Pelo meio, há ainda Birdman.
Tempos houve em que em Espinho se podia ver 60 filmes por mês, um por dia em dois cinemas, o do Teatro S Pedro e o do Casino... depois fomos dos 60 aos 2 - ou menos.
Agora poder ver 1 filme por dia durante 3 dias no Multimeios é uma festa!!! 
  .

COM JC JUNKER

Conheco-o há muitos anos - ainda ele era um jovem Secretário de Estado, responsável pelas questões do trabalho e da imigração. Um bom aliado dos trabalhadores portugieses.
 As suas afirmações sobre a torika não me surpreendem.
Sempre gostei dele. Continuo a gostar e, como se vê, tenho boas razões para isso

ICH BIN ( nicht) EIN BERLINER

Asssim falaria, provavelmente, Kennedy hoje... É mais ou menos isto o que tem dito Obama sobre a nova Alemanha -  pós queda do muro e reunificação - e as suas políticas de austeridade, a troika, a Grécia, o futuro de uma Eurpa subjugada pelo egocentrismo germânico, .
É o que digo com crescente sentimento de revolta, apenas alterando "ein" para "eine"  - "um" para "uma".
Já não somos berlinenses. Berlim, capital da Alemanha é agora a capital da Europa, contra a Europa... Teremos de ser cada vez mais gregos. para sermos europeus em liberdade...