CV
Maria Manuela Aguiar Dias Moreira
Data de nascimento 9 junho 1942 Naturalidade Gondomar - Portugal
FORMAÇÃO ACADÉMICA
(1960) - Curso do Liceu (18 valores) (1965) - Licenciatura em Direito, Universidade de Coimbra (17 valores e media geral de 16, Bom , com distinção). (1969) "Titularisation" - École Pratique des Hautes Études, Paris - Sociologia (1970) - Diplôme Supérieur d' Études et de Recherche en Droit, Institut Catholique de Paris, Faculté Libre de Droit et Sciences Economiques, Paris
2- ESTÁGIOS, CURSOS, BOLSAS DE ESTUDO (1966) - Estágio do Notariado (1966/1967) - Estágio de Advocacia (1968) - Bolsa do Instituto Internacional de Estudos do Trabalho, OIT - "Study course on Labour problems in economic and social development", Geneva (1968/1970) - Bolsa de Estudos da Fundação Gulbenkian, Paris Titularização na "École Pratique des Hautes Études", VI Section (Sociologia Industrial) Certificados em "Sociologia das Instituições", Filosofia do Direito (classificação Bom), Sociologia do Direito (classificação Muito Bom), Diplôme Supérieur d' Études et de Recherche en Droit (1970) - "Connaissance de Suède", Universidade de Upsalla, Instituto de Informação, Estocolmo (1974) . Bolsa das Nações Unidas, Genebra (1978) - United Nations Human Rights Fellowship - bolsa para um estudo comparativo dos modelos de "Ombudsman" ( Londres, Cardiff, Edimburgo, Estocolmo, Copenhaga, Paris) (1996) - Bolsa do Marshall Memorial Fellowship Program, EUA - palestras e conferências - Linfield College, Oregon, Lake Forest College, Illinois
ATIVIDADES PROFISSIONAIS
1967-1974 - Assistente do Centro de Estudos Sociais e Corporativos, Ministério das Corporações e Segurança Social. (1971-1972) - Assistente da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa (sociologia - assistente do Prof Álvaro Melo e Silva). (1974-1976) - Assistente da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (Teoria Geral do Direito e Introdução ao Estudo do Direito, assistente do Prof Rui Alarcão). (1975-1976) - Regência do curso de Introdução ao Estudo do Direito. Membro da Linha de investigação sobre Direito de Família, dirigida pelo Prof. Pereira Coelho. Eleita para o Conselho Pedagógico da Faculdade de Direito (1976-1978 - Assessor do Provedor de Justiça (área da Segurança Social) (!992-1994) - Docente convidada da Universidade Aberta, Lisboa, Mestrado de Relações Interculturais, Disciplina de "Políticas e Estratégias para as Comunidades Portuguesas"
ATIVIDADE POLÌTICA
(1978.1979) IV Governo Constitucional - Secretária de Estado do Trabalho (1980) VI Governo Constitucional - Secretária de Estado da Emigração e das Comunidades Portuguesas (1980) Deputada eleita pelo Circulo de Emigração Fora da Europa (1981/1982) VII Governo Constitucional - Secretária de Estado das Comunidades Portuguesas (1983) Deputada eleita pelo Círculo de Emigração Fora da Europa (1983/1985) Secretária de Estado da Emigração (1985) Deputada eleita pelo círculo de Emigração da Europa (1985/1987) Secretária de Estado das Comunidades Portuguesas (1987) Deputada eleita pelo Círculo do Porto (1987.1991) Eleita Vice-presidente da Assembleia da República (1991) Deputada eleita pelo Círculo de Aveiro (1992 2005) Representante de Portugal na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa e na Assembleia da UEO (1993) Presidente da Sub-comissão das Migrações (1993) Vice-Presidente da Comissão de Regimento (1994/1997) Presidente da Comissão das Migrações, Refugiados e demografia (1997 e, sgs) Membro da Direção ("Bureau") da Grupo Liberal (2002-2005) Presidente da Delegação Portuguesa à Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa e à Assembleia da UEO. Vice-Presidente da Assembleia da UEO Membro da Direção do PPE (2003-2005) Vice-Presidente da Comissão da Igualdade 2004 -2005 - Presidente da Sub-comissão da Igualdade (2005) Membro Honorário da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa e da Assembleia da UEO Numerosos relatórios nas organizações internacionais
PRESIDÊNCIA DE DELEGAÇÕES PORTUGUESAS A CONFERÊNCIAS E ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS
(1980) Presidente da Delegação Portuguesa à Conferência a meio da década das Nações Unidas para as Mulheres", Copenhaga (1983) Presidente da Delegação Portuguesa à II Conferência de Ministros do Conselho da Europa responsáveis pelas migrações, eleita Vice-presidente da Comissão, Roma (1984) Presidente da Delegação Portuguesa à I Conferência de Ministros do Conselho da Europa para a Igualdade, Estrasburgo (1987) Presidente da Delegação Portuguesa e Presidente eleita da III Conferência de Ministros dos Conselho da Europa, responsáveis pelas migrações, Porto (1988) Presidente da Delegação Parlamentar ao Japão, na primeira visita nas relações parlamentares dos dois países (1989) Presidente da Delegação Parlamentar à Hungria (1990) Presidente da Delegação Parlamentar à Suiça (2002-2005) - Presidente da Delegação Portuguesa às Assembleias Parlamentares do Conselho da Europa e da Organização da Europa Ocidental
COMUNICAÇÕES E RELATÓRIOS EM ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS
ONU (1980) Intervenção na Conferência a meio da década das Nações Unidas à Mulher - Igualdade, Desenvolvimento e Paz, Copenhague, 15 de julho APCE (1981) Migrações portuguesas e cooperação internacional", exposição à reunião da Comissão das Migrações, dos Refugiados e da Demografia, Lisboa, Assembleia da República, 3 de setembro (1983) Intervenção na 2ª Conferência dos Ministros Europeus responsáveis pelas questões das migrações, Roma, 25 de outubro (1984) Comunicação ao Colóquio "Os estrangeiros - uma ameaça ou um trunfo?", organizado pela Comissão das Migrações, dos Refugiados e das Migrações. Estrasburgo, 20 de março (1984) Comunicação ao seminário sobre "As relações intercomunitárias", Estrasburgo, 8 de novembro (1988) ONU, Peticionária a favor de Timor Leste, Comissão de Descolonização. Nova York (1999) - Liens entre les Européens vivant à l' étranger et leur pays d' origine" (rapporteuses Manuela Aguiar et Ana Guirado), Commissin des migrations, des réfugiés et de la démographie (2001) - "Non-expulsion des immigrés de longue durée" (rapporteuse), Commission des migrations, des réfugiés et de la démographie (2001) - "Le droit de vivre en famille pour les migrants e les réfigiés", Commission des migrations, des réfugiés et de la démographie (2002) - "Séjour, statut juridique et liberté de circulation des travailleurs migrants en Europe: les enseignements du cas du Portugal", APCE, Commission des migrations, des réfugiés et de la demographie (2004) - "Droits de la nationalité e égalité des chances" (rapporteuse), Commission sur l' égalité des chances pour les femmes et les hommes (2005) - "Discrimination des femmes et des jeunes filles dans les activités sportives" (rapporteuse), Commission sur l'égalité des chances pour les femmes et les hommes AUEO (2001) - "European defence: pooling and srengthening national and European capabilities" (reply to the annual report of the Council), Defense Committee OCDE (1984) Comunicação à Reunião sobre "Aforro privado ao serviço do desenvolvimento da empresa nas regiões de emigração - o papel das instituições financeiras", Esmirna, 3 de abril (1986) "A experiência dos países europeus de origem", comunicação à Conferência sobre "L' Avenir des migrations, Paris, 13 de maio
" COMUNICAÇÔES
(1980) "Problemas e perspetivas da emigração portuguesa", exposição ao curso de Defesa Nacional, Instituto de Defesa Nacional, 10 de março (1981) Comunicação ao 1º Conselho das Comunidades Portuguesas, Lisboa, 2 de abril (1981) "Bases e prioridades da política relativa à emigração e às comunidades portuguesas", exposição ao Curso de Defesa Nacional, Instituto de Defesa Nacional, 5 de maio (1983) Comunicação ao 2º Conselho das Comunidades Portuguesas, Porto, novembro (1984) "A política de apoio ao emigrante português na conjuntura atual", exposição ao Curso de Formação para Emigrantes, Bona, 24 de fevereiro (1984) "As Comunidades Portuguesas no estrangeiro - situação atual e perspetivas futuras", exposição ao Curso de Defesa Nacional, Instituto de Defesa Nacional, 7 de março (1985) "Emigração: os regressos invisíveis", exposição ao Curso de Defesa Nacional, Instituto de Defesa Nacional, março (1985) Comunicação ao "1º Encontro de Mulheres Portuguesas no Associativismo e no Jornalismo", organizado pela SECP, Viana do Castelo, junho (1985) "A dupla nacionalidade dos imigrantes, do ponto de vista de um país de um país de emigração", Mesa redonda sobre Dupla Nacionalidade dos Migrantes, organizada pelo Governo Sueco, Estocolmo, 6 de setembro (1986) "Linhas fundamentais das politicas de emigração", exposição ao Curso de Defesa Nacional, Instituto de Defesa Nacional, 10 de março (1986) "Emigração e Regresso", exposição ao Curso Superior de Guerra Aérea, Instituto dos Altos Estudos da Força Aérea, 13 de março (1986) "Portugal na CEE - consequências para a emigração", colóquio organizado pelo Instituto Sindical de Estudos, Formação e Cooperação (1986) Intervenção no colóquio "A 2ª geração da emigração contemporânea no cinema" - Festival Internacional da Figueira da Foz, 20 de setembro (1986) Intervenção no II Congresso das Comunidades Açorianas, Angra do Heroísmo, 26 de setembro (1987) " Emigração portuguesa, fenómeno persistente - uma visão diacrónica", exposição ao Curso de Defesa Nacional, Instituto de Defesa Nacional, 9 de março (1987) Comunicação à III Conferência dos Ministros Europeus responsáveis pelas questões de emigração, Porto, 13 de maio (1988) " L' importance des liens des Européens de l'étranger avec leurs pays d'origine" - exposição à Assembleia Geral do Congresso dos Suíços no Estrangeiro" , Baden, 28 de agosto (1993) Comunicação à V Conferência dos Ministros Europeus responsáveis pelas questões das migrações, Atenas,18 de novembro (2015). "Políticas de Género na Emigração Portuguesa", Colóquio "Expressões de Cidadania no Feminino", organização da Mulher Migrante,Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade, da Universidade do Minho e da Câmara de Monção (2015) "Origem e Evolução do 1.º Conselho das Comunidades Portuguesas", Colóquio "Diálogos sobre Cultura, Cidadania e Género", Sorbonne Nouvelle, Paris (2016) "Políticas de Género e Movimentos Cívicos na Emigração Portuguesa", Colóquio "Mulheres em Movimento", Universidade de Toronto, Departamento de Espanhol e Português (2017) "O Conselho das Comunidades Portuguesas : institucionalização do Diálogo com o movimento associativo" - Colóquio "Dar voz à Diáspora - perspetiva diacrónica dos mecanismos de diálogo", promovido pela Comissão das Migrações da Sociedade de Geografia e pela "Mulher Migrante, Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade
PUBLICAÇÕES
(1987) "Política de Emigração e Comunidades Portuguesas", Série Migrações, Centro de Estudos, Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas (1995) "Portugal o Pais das Migrações sem fim", Lisboa, Cabográfica. (2004 ) "No Círculo da Emigração", Lisboa, Belgráfica (2005) "Comunidades Portuguesas - os direitos e os afetos", Gaia, Rocha Artes Gráficas. (2007) "Migrações - Iniciativas para a igualdade de género", (coord.) Edição Mulher Migrante, Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade (2006) Brasil-Portugal: a questão da reciprocidade (2009) "Cidadãs da Diáspora" (coord), Edição Mulher Migrante Associação de estudo, Cooperação e Solidariedade. (2009) Problemas Sociais da Nova Emigração (coord) Edição da Mulher Migrante, Associação de estudo, Cooperação e Solidariedade (2011) Encontro Mundial de Mulheres Portuguesas na Diáspora, Maria Manuela Aguiar e Maria da Graça Sousa Guedes (org) (2014) Entre Portuguesas 2014, Maia Manuela Aguiar, Graça Guedes, Arcelina Santiago, (coord), Ed Mulher Migrante Associação de estudo, Cooperação e Solidariedade (2015) Entre Portuguesas 2015, Maria Manuela Aguiar, Graça Guedes, Arcelina Santiago (coord), Edição Mulher Migrante Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade
ARTIGOS RECENTES
- Aguiar, Manuela (2008) "Mulheres migrantes e intervenção cívica", em Maria Rosa Simas (org.), A mulher e o trabalho nos Açores e nas comunidades, Ponta Delgada, UMAR- Açores, pp. 1247-1258
- Aguiar, Manuela (2009) "Formas de exteriorização da pertença", em Maria Beatriz Rocha Trindade (org.), Migrações, Permanências e Diversidades, Lisboa, Biblioteca das Ciência Sociais, pp.263-269
- Aguiar, Manuela (2009) "O Conselho das Comunidades Portuguesas e a representação de emigrantes" em Beatriz Padilha e Maria Xavier, Migrações entre Portugal e a América Latina, Revista Migrações, Lisboa, outubro, pp.257-263
- Aguiar, Maria Manuela (2010) "Emigração portuguesa - olhares sobre a ausência: uma perpetiva diacrónica" em Polígonos Revista de Geografia, nº 20, Departamento de Geografia, Universidade de León, pp 91-115
- Aguiar, Maria Manuela (2012) "Portuguese republican women out of the shadows" em Richard Herr and António Costa Pinto (ed.), The Portuguese Republic at one hundred, Portuguese Studies Program, University of California, Berkeley. pp.181-196
- Aguiar, Manuela (2014) "A questão de nas políticas de emigração portuguesa", em Joana Miranda e Ana Paula Beja Horta (org.), Migrações e Género - espaços, poderes e identidades, Lisboa, Mundos Sociais, pp. 75-93Maria Manuela Aguiar Dias Moreira
Born in Gondomar (Porto), in 1942
Law graduate in the University of Coimbra. (1965)
Diplôme Supérieur d' Études et de Recherche en Droit - Faculty of Law and Economical Sciences, Institut Catholique, Paris (1970).
Professional
Activities Legal Adviser, Centre for Social Studies, Ministry of Corporations and Social Security (1967/74)
Assistant Professor (Sociology), Catholic University, Lisbon (1971/72)
Assistant Professor, Law Faculty, University of Coimbra (1974/76))
Legal Adviser Ombusman - Serviço do Provedor de Justiça (1976-1978)
Invited Professor, Open University, Lisbon (1991/1993), Masters on Intercultural Relations, study course on "Policies and Strategies for the Portuguese Communities)
Political Activities
Secretary of State for Labour (1978/79)
Secretary of State for Emigration and the Portuguese Communities in the VI Constitutional Government (1980), in the VII Constitutional Government (1981/82), in the IX Constitutional Government (1983/85) and in the X Constitutional Government (1985/87)~
Member of Parliament elected by Portugueses Emigration Constituencies in 1980, 1983, 1985,
1995, 1999, by Oporto (1987), by Aveiro (1991).
Deputy Speaker of the Parliament (1987/91),
Chair of the Committee on Equality (1987/89)
Representative of Portugal in the PACE, Parliamentary Assembly of the Council of Europe (1993/2005) and in A WEU, Assembly os the Western European Union
Chair of the Sub Committee on Migrations (1993)
Chair of the Committee on Migrations, Refugees and Demography (1994/1997)
Chair of the Sub - committee on Equality (2003/2005)
Head of the Portuguese Delegation to PACE (2002/2005)
Honorary Member of AWEU (2005)
Honorary member of the PACE (2005)
Municipality of Espinho elected Councilor (2205/2011)
NGO.s
Portugal - Brazil Foundation (Lisbon)
Luso-African Foundation (Oporto)
Former member of the Cultural Council of FCP (Football Club of Oporto)
Co-founder and member of the "Migrant Women - Association for Studies, Cooperation and Solidarity, President of the general Assembly (among others)
Publications
"Políticas de Emigração e Comunidades Portuguesas" (Policies for Emigration and the Portuguese Communities) - 1996 "Portugal - País das Migrações sem Fim" ( Portugal, endless migrations") - 1999 "Círculo de Emigração" (Emigration circle) - 2002 " Igualdade de Direitos entre Portugueses e Brasileiros – A questão da Reciprocidade" ( Equality of Rights for Portuguese and Brazilians - towards reciprocity in Portugal) - 2005 "Comunidades Portuguesas - Os Direitos e os Afectos" ( Portuguese Communities, Rights and Sentimental Links) - 2005 "Migrações - Iniciativas para a Igualdade de Género" (Migrations, towards gender equality ) - Associação Mulher Migrante, 2007( organizer). "Problemas Sociais da Nova Emigração" (Social Issues of a New Immigration) - Associação Mulher Migrante, 2009 (organizer); "Cidadãs da Diáspora– Encontro em Espinho" ( Women from the Diaspora - meeting in Espinho) - Associação Mulher Migrante, 2009 (organizer) "Encontro Mundial de Mulheres Portuguesas na Diáspora" (World Meeting of Portuguese Woman from the Diaspora) - Associação Mulher Migrante, 2011 (co-organizer) "Expressões Femininas da Cidadania" (Feminine dimensions of citizenship) - Associação Mulher Migrante, 2013 (co-organizer) "1974/2014 - 40 anos de Migrações em Liberdade" (1974/2014 - 40 years of migrations and freedom) - Associação Mulher Migrante, 2014 (co-organizer) "Entre Portuguesas - Maria Barroso na nossa memória" - (Among Portuguese Women - tribute to Maria Barroso) - Associação Mulher Migrante, 2015 (co-organizer)
CV
Maria Manuela Aguiar Dias Moreira
Data de nascimento 9 junho 1942 Naturalidade Gondomar - Portugal
FORMAÇÃO ACADÉMICA
(1960) - Curso do Liceu (18 valores) (1965) - Licenciatura em Direito, Universidade de Coimbra (17 valores e media geral de 16, Bom , com distinção). (1969) "Titularisation" - École Pratique des Hautes Études, Paris - Sociologia (1970) - Diplôme Supérieur d' Études et de Recherche en Droit, Institut Catholique de Paris, Faculté Libre de Droit et Sciences Economiques, Paris
2- ESTÁGIOS, CURSOS, BOLSAS DE ESTUDO (1966) - Estágio do Notariado (1966/1967) - Estágio de Advocacia (1968) - Bolsa do Instituto Internacional de Estudos do Trabalho, OIT - "Study course on Labour problems in economic and social development", Geneva (1968/1970) - Bolsa de Estudos da Fundação Gulbenkian, Paris Titularização na "École Pratique des Hautes Études", VI Section (Sociologia Industrial) Certificados em "Sociologia das Instituições", Filosofia do Direito (classificação Bom), Sociologia do Direito (classificação Muito Bom), Diplôme Supérieur d' Études et de Recherche en Droit (1970) - "Connaissance de Suède", Universidade de Upsalla, Instituto de Informação, Estocolmo (1974) . Bolsa das Nações Unidas, Genebra (1978) - United Nations Human Rights Fellowship - bolsa para um estudo comparativo dos modelos de "Ombudsman" ( Londres, Cardiff, Edimburgo, Estocolmo, Copenhaga, Paris) (1996) - Bolsa do Marshall Memorial Fellowship Program, EUA - palestras e conferências - Linfield College, Oregon, Lake Forest College, Illinois
ATIVIDADES PROFISSIONAIS
1967-1974 - Assistente do Centro de Estudos Sociais e Corporativos, Ministério das Corporações e Segurança Social. (1971-1972) - Assistente da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa (sociologia - assistente do Prof Álvaro Melo e Silva). (1974-1976) - Assistente da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (Teoria Geral do Direito e Introdução ao Estudo do Direito, assistente do Prof Rui Alarcão). (1975-1976) - Regência do curso de Introdução ao Estudo do Direito. Membro da Linha de investigação sobre Direito de Família, dirigida pelo Prof. Pereira Coelho. Eleita para o Conselho Pedagógico da Faculdade de Direito (1976-1978 - Assessor do Provedor de Justiça (área da Segurança Social) (!992-1994) - Docente convidada da Universidade Aberta, Lisboa, Mestrado de Relações Interculturais, Disciplina de "Políticas e Estratégias para as Comunidades Portuguesas"
ATIVIDADE POLÌTICA
(1978.1979) IV Governo Constitucional - Secretária de Estado do Trabalho (1980) VI Governo Constitucional - Secretária de Estado da Emigração e das Comunidades Portuguesas (1980) Deputada eleita pelo Circulo de Emigração Fora da Europa (1981/1982) VII Governo Constitucional - Secretária de Estado das Comunidades Portuguesas (1983) Deputada eleita pelo Círculo de Emigração Fora da Europa (1983/1985) Secretária de Estado da Emigração (1985) Deputada eleita pelo círculo de Emigração da Europa (1985/1987) Secretária de Estado das Comunidades Portuguesas (1987) Deputada eleita pelo Círculo do Porto (1987.1991) Eleita Vice-presidente da Assembleia da República (1991) Deputada eleita pelo Círculo de Aveiro (1992 2005) Representante de Portugal na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa e na Assembleia da UEO (1993) Presidente da Sub-comissão das Migrações (1993) Vice-Presidente da Comissão de Regimento (1994/1997) Presidente da Comissão das Migrações, Refugiados e demografia (1997 e, sgs) Membro da Direção ("Bureau") da Grupo Liberal (2002-2005) Presidente da Delegação Portuguesa à Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa e à Assembleia da UEO. Vice-Presidente da Assembleia da UEO Membro da Direção do PPE (2003-2005) Vice-Presidente da Comissão da Igualdade 2004 -2005 - Presidente da Sub-comissão da Igualdade (2005) Membro Honorário da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa e da Assembleia da UEO Numerosos relatórios nas organizações internacionais
PRESIDÊNCIA DE DELEGAÇÕES PORTUGUESAS A CONFERÊNCIAS E ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS
(1980) Presidente da Delegação Portuguesa à Conferência a meio da década das Nações Unidas para as Mulheres", Copenhaga (1983) Presidente da Delegação Portuguesa à II Conferência de Ministros do Conselho da Europa responsáveis pelas migrações, eleita Vice-presidente da Comissão, Roma (1984) Presidente da Delegação Portuguesa à I Conferência de Ministros do Conselho da Europa para a Igualdade, Estrasburgo (1987) Presidente da Delegação Portuguesa e Presidente eleita da III Conferência de Ministros dos Conselho da Europa, responsáveis pelas migrações, Porto (1988) Presidente da Delegação Parlamentar ao Japão, na primeira visita nas relações parlamentares dos dois países (1989) Presidente da Delegação Parlamentar à Hungria (1990) Presidente da Delegação Parlamentar à Suiça (2002-2005) - Presidente da Delegação Portuguesa às Assembleias Parlamentares do Conselho da Europa e da Organização da Europa Ocidental
COMUNICAÇÕES E RELATÓRIOS EM ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS
ONU (1980) Intervenção na Conferência a meio da década das Nações Unidas à Mulher - Igualdade, Desenvolvimento e Paz, Copenhague, 15 de julho APCE (1981) Migrações portuguesas e cooperação internacional", exposição à reunião da Comissão das Migrações, dos Refugiados e da Demografia, Lisboa, Assembleia da República, 3 de setembro (1983) Intervenção na 2ª Conferência dos Ministros Europeus responsáveis pelas questões das migrações, Roma, 25 de outubro (1984) Comunicação ao Colóquio "Os estrangeiros - uma ameaça ou um trunfo?", organizado pela Comissão das Migrações, dos Refugiados e das Migrações. Estrasburgo, 20 de março (1984) Comunicação ao seminário sobre "As relações intercomunitárias", Estrasburgo, 8 de novembro (1988) ONU, Peticionária a favor de Timor Leste, Comissão de Descolonização. Nova York (1999) - Liens entre les Européens vivant à l' étranger et leur pays d' origine" (rapporteuses Manuela Aguiar et Ana Guirado), Commissin des migrations, des réfugiés et de la démographie (2001) - "Non-expulsion des immigrés de longue durée" (rapporteuse), Commission des migrations, des réfugiés et de la démographie (2001) - "Le droit de vivre en famille pour les migrants e les réfigiés", Commission des migrations, des réfugiés et de la démographie (2002) - "Séjour, statut juridique et liberté de circulation des travailleurs migrants en Europe: les enseignements du cas du Portugal", APCE, Commission des migrations, des réfugiés et de la demographie (2004) - "Droits de la nationalité e égalité des chances" (rapporteuse), Commission sur l' égalité des chances pour les femmes et les hommes (2005) - "Discrimination des femmes et des jeunes filles dans les activités sportives" (rapporteuse), Commission sur l'égalité des chances pour les femmes et les hommes AUEO (2001) - "European defence: pooling and srengthening national and European capabilities" (reply to the annual report of the Council), Defense Committee OCDE (1984) Comunicação à Reunião sobre "Aforro privado ao serviço do desenvolvimento da empresa nas regiões de emigração - o papel das instituições financeiras", Esmirna, 3 de abril (1986) "A experiência dos países europeus de origem", comunicação à Conferência sobre "L' Avenir des migrations, Paris, 13 de maio
" COMUNICAÇÔES
(1980) "Problemas e perspetivas da emigração portuguesa", exposição ao curso de Defesa Nacional, Instituto de Defesa Nacional, 10 de março (1981) Comunicação ao 1º Conselho das Comunidades Portuguesas, Lisboa, 2 de abril (1981) "Bases e prioridades da política relativa à emigração e às comunidades portuguesas", exposição ao Curso de Defesa Nacional, Instituto de Defesa Nacional, 5 de maio (1983) Comunicação ao 2º Conselho das Comunidades Portuguesas, Porto, novembro (1984) "A política de apoio ao emigrante português na conjuntura atual", exposição ao Curso de Formação para Emigrantes, Bona, 24 de fevereiro (1984) "As Comunidades Portuguesas no estrangeiro - situação atual e perspetivas futuras", exposição ao Curso de Defesa Nacional, Instituto de Defesa Nacional, 7 de março (1985) "Emigração: os regressos invisíveis", exposição ao Curso de Defesa Nacional, Instituto de Defesa Nacional, março (1985) Comunicação ao "1º Encontro de Mulheres Portuguesas no Associativismo e no Jornalismo", organizado pela SECP, Viana do Castelo, junho (1985) "A dupla nacionalidade dos imigrantes, do ponto de vista de um país de um país de emigração", Mesa redonda sobre Dupla Nacionalidade dos Migrantes, organizada pelo Governo Sueco, Estocolmo, 6 de setembro (1986) "Linhas fundamentais das politicas de emigração", exposição ao Curso de Defesa Nacional, Instituto de Defesa Nacional, 10 de março (1986) "Emigração e Regresso", exposição ao Curso Superior de Guerra Aérea, Instituto dos Altos Estudos da Força Aérea, 13 de março (1986) "Portugal na CEE - consequências para a emigração", colóquio organizado pelo Instituto Sindical de Estudos, Formação e Cooperação (1986) Intervenção no colóquio "A 2ª geração da emigração contemporânea no cinema" - Festival Internacional da Figueira da Foz, 20 de setembro (1986) Intervenção no II Congresso das Comunidades Açorianas, Angra do Heroísmo, 26 de setembro (1987) " Emigração portuguesa, fenómeno persistente - uma visão diacrónica", exposição ao Curso de Defesa Nacional, Instituto de Defesa Nacional, 9 de março (1987) Comunicação à III Conferência dos Ministros Europeus responsáveis pelas questões de emigração, Porto, 13 de maio (1988) " L' importance des liens des Européens de l'étranger avec leurs pays d'origine" - exposição à Assembleia Geral do Congresso dos Suíços no Estrangeiro" , Baden, 28 de agosto (1993) Comunicação à V Conferência dos Ministros Europeus responsáveis pelas questões das migrações, Atenas,18 de novembro (2015). "Políticas de Género na Emigração Portuguesa", Colóquio "Expressões de Cidadania no Feminino", organização da Mulher Migrante,Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade, da Universidade do Minho e da Câmara de Monção (2015) "Origem e Evolução do 1.º Conselho das Comunidades Portuguesas", Colóquio "Diálogos sobre Cultura, Cidadania e Género", Sorbonne Nouvelle, Paris (2016) "Políticas de Género e Movimentos Cívicos na Emigração Portuguesa", Colóquio "Mulheres em Movimento", Universidade de Toronto, Departamento de Espanhol e Português (2017) "O Conselho das Comunidades Portuguesas : institucionalização do Diálogo com o movimento associativo" - Colóquio "Dar voz à Diáspora - perspetiva diacrónica dos mecanismos de diálogo", promovido pela Comissão das Migrações da Sociedade de Geografia e pela "Mulher Migrante, Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade
PUBLICAÇÕES
(1987) "Política de Emigração e Comunidades Portuguesas", Série Migrações, Centro de Estudos, Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas (1995) "Portugal o Pais das Migrações sem fim", Lisboa, Cabográfica. (2004 ) "No Círculo da Emigração", Lisboa, Belgráfica (2005) "Comunidades Portuguesas - os direitos e os afetos", Gaia, Rocha Artes Gráficas. (2007) "Migrações - Iniciativas para a igualdade de género", (coord.) Edição Mulher Migrante, Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade (2006) Brasil-Portugal: a questão da reciprocidade (2009) "Cidadãs da Diáspora" (coord), Edição Mulher Migrante Associação de estudo, Cooperação e Solidariedade. (2009) Problemas Sociais da Nova Emigração (coord) Edição da Mulher Migrante, Associação de estudo, Cooperação e Solidariedade (2011) Encontro Mundial de Mulheres Portuguesas na Diáspora, Maria Manuela Aguiar e Maria da Graça Sousa Guedes (org) (2014) Entre Portuguesas 2014, Maia Manuela Aguiar, Graça Guedes, Arcelina Santiago, (coord), Ed Mulher Migrante Associação de estudo, Cooperação e Solidariedade (2015) Entre Portuguesas 2015, Maria Manuela Aguiar, Graça Guedes, Arcelina Santiago (coord), Edição Mulher Migrante Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade
ARTIGOS RECENTES
- Aguiar, Manuela (2008) "Mulheres migrantes e intervenção cívica", em Maria Rosa Simas (org.), A mulher e o trabalho nos Açores e nas comunidades, Ponta Delgada, UMAR- Açores, pp. 1247-1258
- Aguiar, Manuela (2009) "Formas de exteriorização da pertença", em Maria Beatriz Rocha Trindade (org.), Migrações, Permanências e Diversidades, Lisboa, Biblioteca das Ciência Sociais, pp.263-269
- Aguiar, Manuela (2009) "O Conselho das Comunidades Portuguesas e a representação de emigrantes" em Beatriz Padilha e Maria Xavier, Migrações entre Portugal e a América Latina, Revista Migrações, Lisboa, outubro, pp.257-263
- Aguiar, Maria Manuela (2010) "Emigração portuguesa - olhares sobre a ausência: uma perpetiva diacrónica" em Polígonos Revista de Geografia, nº 20, Departamento de Geografia, Universidade de León, pp 91-115
- Aguiar, Maria Manuela (2012) "Portuguese republican women out of the shadows" em Richard Herr and António Costa Pinto (ed.), The Portuguese Republic at one hundred, Portuguese Studies Program, University of California, Berkeley. pp.181-196
- Aguiar, Manuela (2014) "A questão de nas políticas de emigração portuguesa", em Joana Miranda e Ana Paula Beja Horta (org.), Migrações e Género - espaços, poderes e identidades, Lisboa, Mundos Sociais, pp. 75-93
Recordar tempos idos... Falar do presente, também. E até, de quando em vez, arriscar vatícínios. Em vários domínios e não só no da política...
sexta-feira, 7 de agosto de 2020
CAMINHOS DA POESIA prefácio e meus versos
OS CAMINHOS da POESIA
O Prefácio
e os meus versos
Prefaciar a nova coletânea galaico portuguesa de poemas e de lendas, narradas numa toada poética, foi convite inesperado, que recebi como uma honra, e aceitei como meio de me associar, em simples prosa, a um projeto tão conseguido nos seus vários propósitos, confluindo harmonicamente na finalidade maior de fazer futuro de duas comunidades geradas numa mesma língua antiga. Gente há quase um milénio separada pelos acasos da História, e por uma mera fronteira política, sem que se haja desfeito a magma de uma unidade antecedente... Aqui, em cada folha, vem impressa a voz livre e impetuosa dos Poetas, assumindo o papel de atores sociais de uma reaproximação pela amizade, renascida e reforçada, de encontro em encontro, pelos Caminhos da Poesia, assentes no mais recôndito, amplo e consensual denominador comum, que é sempre a Cultura!
Mulheres e homens, portugueses e galegos, qualquer que seja lugar onde nasceram ou habitam, as suas ocupações ou títulos académicos, estão juntos na consciência de pertença a um mesmo universo cultural em expansão. Cada um se apresenta de uma forma livre, alguns preferindo falar quase só pelos versos, outros dando-nos a síntese de "curricula" profissionais, breves traços biográficos ou uma simples saudação de irmãos.Partilham, essencialmente, a vontade de intervenção num mesmo movimento de fraternidade, institucionalizado, ou não, numa significativa pluralidade de grupos e tertúlias - movimento que das Letras, numa amável luta, parte para os afetos, e neles redimensiona, afinal, a própria identidade. Como diz a Poeta:"Veño dunha estirpe/guerreira, como a gran Boudice/levo no sangue a loita/as minhas armas são pluma e tinta"
No "país lendário, que começou a norte e se estendeu a sul", o caminho do meu próprio sentimento de identidade galaico-portuguesa, fez-se em dois andamentos, primeiro nas visitas à Galiza, onde tudo me parecia familiar, veredas de aldeias, casas de pedra, a hospitalidade, a confraternização nas esplanadas e nas ruas da cidade, os rostos das pessoas e até a forma de falar, que entendia, espontaneamente . Mais tarde, rumando a sul, ao Algarve. encontrei, (Infinita surpresa...), pinceladas de exotismo na cor ocre das falésias, nas casas brancas de barras azuis ou amarelas, nos pátios mouriscos, nos modos de estar... E, assim, ainda menina, num simples olhar em volta, me apercebi de que Portugal, tal como a Espanha, (e não ao invés, como pretende uma certa corrente), é uma sociedade multicultural, de tradições, de reminiscências muito diversas (admirável diversidade!), que se constitui numa outra unidade, singular e indestrutível, no seu território e na sua Diáspora.Todavia, mil anos de fronteiras, em que a Nação Portuguesa se forjou em Estado, não lograram esbater as eternas afinidades naturais do norte com a Galiza, ou do Algarve com a Andaluzia...Sintonias que se somam, sem antagonismos... E é (e, nesta ordem de das coisas, porque não haveria de ser?) um poeta andaluz, Manuel Machado, que vem proclamar a Galiza "Espanha madre de la Espanha entera"... E nós acrescentamos: da Espanha, sim, e, ainda mais, de Portugal. Avançamos, tendo "por lema a poesia dunha mátria sen fronteiras"... Ou, como diz outro Poeta: "que Galícia sexa luz en Lisboa"/Luz que ven dos fillos das terras nosas"
Um dos aspetos mais salientes e inovadoras desta terceira coletânea é a incursão nos domínios do nosso riquíssimo património lendário e mitológico, via privilegiada de uma demanda identitária, que anima o projeto poético coletivo. Aos Autores foi proposto que recriassem as nossas lendas, em versão de autor e linguagem de uma beleza e melopeia poética, e não admira que a ideia fosse tão apelativa e alcançasse tão abundante e excelente materialização! E, com ela, o trajeto se inicia mais atrás, mais perto das origens, em diálogo com a ancestralidade profunda da cultura popular, suas crenças, memórias, valores, enigmaticamente envoltos na penumbra do fantástico e do mistério pressentidos e anunciados. Foram, agora, convocados os Poetas na veste de mediadores da intelecção de uma vida primordial, que nos oferece o seu imemorial cortejo de deusas, espíritos, sereias, mouras encantadas, mágicas metamorfoses de homens e animais, trocando de pele ou de condição, o sobrenatural enlace dos vivos e dos mortos... Vestígios de histórias intangíveis que, sob a aparência do irracional e do absurdo, guardam a Verdade de outras idades. Há Poetas que, nesse relance retrospetivo, se interrogam: "Como teria sido essa outra vida/ vida que foi a nossa em outro tempo?"... E há os nos dotam de certezas: "Somos o Povo que fomos em tempos ancestrais"... Filhos da Suévia e do Miño co mar por padrinho”.E, antes de suevos, nos redescobrimos celtas, lusitanos, "querreiras e guerreiros, filhos da Deusa de que emana a vida", no imaginário, entrevendo as "Xacias" que: "Lapexan na Auga/no Miño e nos regueiros/bañandose nas pozas frías/enxugandose ao vento". Como Navia, a Deusa lusitana, e astur- galega, que se acolhe nas pontes, nas lagoas e rios... Presentes se fazem, vindos da Natureza, os espíritos: "materializados em chovia arribam nos vales /multitudes de espíritos a conviver aos mortais". E os mortos, fugazmente, reunidos aos seus, na súbita diafania das dimensões ocultas e espectrais: "abrense as portas entre o Alén e este mundo/e veñen as ánimas dos devanceiros/ camiñar entre os vivos… E, tão temidas e malignas, a norte e a sul do Minho, eis as bruxas, com seus "talismáns diabólicos": "Chegarón as bruxas vellas/ nas suas vassoiras rápidas como lóstregos/os gatos negros, as curuxas, os sapos". Quando não o diabo em pessoa, o "picaro diaño", um dia aparecido nas terras de Becerreá...
Nas ingénuas estórias do ilógico e do impossível pode assomar o lobo bom que fala à menina assustada, a jovem transmutada numa "serva branca", que só na morte recuperará a forma humana, a moura capaz de comer, todos os dias, um boi inteiro, e a outra que, com o filho ao colo, transporta a pedra colossal, a "pedra má"…Ou a xacía, que "ergue castelos na area/entre colo de lúar", e uma outra "loira e fermosa, que vive nas augas do Miño"...
Muitos dos nossos “Poetas-contadores-de-lendas” buscaram inspiração no legado mitológico das suas terras:Teixido, de onde trarás, com o amuleto, a "maxia por sempre contigo", Béade e a sua moura Mariña, que ali toma marido, a Feira, e o castelo da Princesa Lia, enamorada de um gentil mouro, Serradelo e o seu São Caetano, pronto a castigar os ímpios com a fúria dos temporais, Tabuado, onde se lembra como San Cristovo perdeu a capela votiva, Silvalde e a Bicha das sete cabeças, pelo povo cortadas, uma a uma, ou ali perto, em Esmojães, o vilão Catafula, herói improvável, morrendo em glória, na resistência ao invasor gaulês. Do mesmo modo, mais remotamente, o domínio romano em terras galaico- portuguesas permanece viveiro de Imortais, os bravos de Castro de Medeiros, o insubmisso Viriato. a merecer alturas de epopeia, a ardilosa donzela de Monsanto sitiado, qual outra Deu-la-Deu, a derrubar a força pela astúcia. Na luta hábil contra um Poder maior e prepotente, o mesmo alcançam as duas padeirinhas, no fogo do seu "forno sagrado" sacrificando o vil alcaide... No sulco histórico de uma religiosidade bárbara se insere a Lenda do Ferro em brasa, e, também, numa trama de contornos pitorescos, a do Galo de Barcelos, em ambas as ordálias, a justiça divina sobrevindo pelo milagre. Mais milagres revisitamos numa variante da saga arturiana da procura do Santo Graal, acontecida na capela de Cebreiro, onde se guarda "o cáliz e o relicário/dentro de duas ampolas/ feitas de vidro e de prata". E o suave "milagre das rosas" da Rainha Santa, que por ele, é mais venerada do que por feitos muito concretos, justificativos da mesma consagração de uma grande mulher política e paladina de uma Igreja dos pobres,segundo a doutrina joaquimita.
Do repositório lendário desta coletânea, referência ainda à singeliza da narração da vida e morte da "Vella Maruxa" , no andar dos seus últimos passos: “Marucha silente no seu camiñar/passiño a passiño achega-se al mar"...
Tantas são mulheres viventes neste outro universo!...Bem se podem dizer que, no feminino, sobejam em crónicas mitificadas, e, mais latamente, no imaginário poético, as figuras e os feitos extrordinários, que faltam nos anais da História, de onde andam desaparecidas.
Em tão original antologia, onde a Verdade, mitos, anseios e medos se abraçam em versos, que percorrem séculos ou milénios, num virar de páginas, a actualidade sofrida no planeta inteiro, neste ano fatídico de 2020, é assinalada com a curiosa introdução da palavra COVID, no léxico poético. A peste do século, que leva os homens como “bolboretas” deixadas no "almacén dos mortos"! Um apocalipse: "feche-se a gente e todos os eventos serão cancelados"... Um pesadelo: "Vinte dias do ano vinte vinte/Vinte dias sem abraços, sem beijos...".quedando-se "os amantes em quarentena"... Contudo, os Poetas da distopia dividem-se entre sentimentos de finitude ("Suspende-se a vida. Vive-se a morte"), e a sua denegação:("Confinado fisicamente/ mas livre como uma ave")...
De semelhantes contrastes se vai compondo o roteiro desta longa e variada viagem, entre paisagens do mundo exterior ou interior, paisagens de alma... Há os que conseguem "atravessar o mundo inteiro/nesta, mais uma, página do diário da vida" e os não encontram o seu rumo: "Perdi-me num ir e vir de sentimentos, vividos, sufridos". E aqueles que vão além dos limites da perda, porque lhes deixa "tão pouco que torna o nada enorme"...Os que à noite pedem: "abreme a friesta/que quero ver as estrela", Os que nela se quedam: solitários "O silêncio tomou conta da noite/Já entrouhá tanto tempo na nossa casa"... E os que tomam conta do quietude: "Não quero ruído que destrua a voz deste meu silêncio"
Falam a muitas vozes os poetas...ouçamo-los!.
Os Poetas do Mar...
Mar, fonte inesgotável de inspiração no "mundo de marinheiros", que é o nosso... "E o mar! Miña querida/ Noiva de sal e espuma (...) Cántate cual sereia/en rocha firme retida". Assim começa o dolente poema dedicado aos que no mar ficaram... Em mar se volver é utopia de grandeza, que em verso se permite: “Eu nacín sendo regato/Soñando com ser u mar/Dormir contando as estrelas/ E vendo a lúa brillar” (...) Ninguém podera parar/os soños e a fantasia/ e ainda muito menos/se istos son poesia". Mais triste é o mar sem horizontes, no claro-escuro de areia e bruma: "macera este mar...a areia e a bruma que encerra noites longas". Tantas são as formas de o cantar, "mar de letras, sonho de ideias"...
Os Poetas da Terra...
Os Poetas da Terra, de Natureza fecunda e graciosa, estão, hoje, mais a norte do que a sul do Minho - labregos, filhos de labregos (no sentido nobre da palavra, que se desvirtuou num Portugal a abandonar, na miragem da cidade ou na dura saga da emigração, os seus campos e aldeias). Na Galiza muito do que viram os olhos da Poeta, que é a maior de todos, ainda nós o poderemos ver e sentir :: "Cheira a ti, Rosalia/Cheira a tua presença/ á tua vida, ao teu leito/ É tudo teu, é tudo nosso!". São "aldeiñas de choros e risas", aldeias ainda vividas, não apenas sobreviventes na memória : “terra, terra/eco da vida que nos guarda a auga/que âncora as nosas árbores/e que espera a fin dos nossos corpos/ terra amada/lugar/orige/pátria/ terra/terra/terra”. Campos onde a vista se espraia em contemplação: “baixo un arbore cansado/de corroída corteza/sintome enamorado/de toda a Natureza”. Numa Galiza, para sempre "chea de sacras ribeiras regadas pela auga dos deuses/ a reverter de arte, de música e de grandes festas". Desta vida não se apartam: "non me leves/ ao teu mundo/ que nel/ non quero ficar". À mulher se pede: "nunca marches da terra/porque tu eres a terra/ da nossa amada terra Galega". Mulher, Mãe:: "Serás madre, emerxente de súa raiz/encherás os espaços ocos, os movementos /de sempre, as formas, o recanto no fogar .
À cidade. chegou o outono: "Só este sentir Portuense/do Outono que chega e te leva/ só este lamento... O Porto, de onde sempre se espera novas da Galiza, porque "é de lá que sopram/os ventos da esperança"
Os Poetas do Amor
O amor em que se gerou a lírica galaico-portuguesa: "Non me pídas a lúa a que non chego/ Pídeme amor, amor sinxelo". Amor que se quer reviver: "Tenho saudade do amor que era/ Mas quem sabe possa ainda ser" ..Ou de que se morre: "cando vexo que se morre/ por a pessoa querida/xa sei que é poesia".Amor sem limites:."Amar, só amar-te a construir/amor e mais amor no amor já feito". Amor universal: "querer amar os outros, com o amor que nos temos".Amor de uma galega por Portugal: "Deixei lá um bocadinhos de alma"...
Os Poetas do Caminho
"Posso mostrar-te o instante para além do instante?" No tempo e no espaço, a caminhada não terá fim.. “A ponte que me leva/ é infinita/ando correndo nela/mais non chego”: A ideia do longe, que não se alcança, pode bem ser a força que nos leva em frente: “vagabundo de sonhos/quanto mais os estreito/mais deles me aparto"..É preciso, apenas, dar ao caminho o sentido das nossas causas: "O Poeta olha-se ao espelho e vê o mundo/Veste-o com os sonhos replicados dos seus". Causas e crença: : "creo firmemente que a poesia transforma o mundo e faino muito mellor"... "Em cada poema que deixámos voar"!
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Citações colhidas um pouco ao acaso, que mais não pretendem do que salientar a pluralidade de leituras a que a coletânea nos chama - não apenas a puramente literária, que não esteve no centro destas breves considerações, mas, também a etnográfica, política, (na sua sede eminentemente cultural), a feminista (tantas são as mulheres, nas suas faces humanas ou divinas... ), histórica - num duplo olhar retrospetivo e prospetivo, Acompanhando os que pensam que a história que mais importa é a do futuro, sublinharemos o papel que vem assumindo, a publicação anual das coletâneas, lançadas em magnas assembleia de Poetas, alternadamente, na Galiza e em Portugal.
Por elas, pela Poesia se faz a prova da existência desta comunidade de iguais, cheia de afetos e de sonhos, que habita em todo o espaço das línguas nascidas do mesmo tronco, movida pela força matriz da Galiza e, (como diria Pessoa), por um Ímpeto de Portugal.
Por elas, pela Poesia se faz a prova da existência desta comunidade de iguais, cheia de afetos e de sonhos, que habita em todo o espaço das línguas nascidas do mesmo tronco, movida pela força matriz da Galiza e, (como diria Pessoa), por um Ímpeto de Portugal.
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Chamo-me Maria Manuela e sou de Gondomar, uma terra antiga com nome de rei godo - como outra, que, na Galiza, talvez partilhe conosco esse remoto fundador. Nasci, em junho de 1942, em casa da Avó materna, uma das chamadas "casas de "brasileiros" do norte de Portugal, e desde pequena, ouvi declamar poemas, ao som de música brasileira, e contar histórias felizes de emigração. Era uma família em que todos discutiam política, fraternalmente divididos, e em que quase todos versejavam, embora só tenham vindo a público os de um tio, autor da letra do hino de Gondomar, os de outro tio que glorificou as belezas da terra na lírica de um musical de teatro, e uma coletânea de sonetos de meu Pai, editada postumamente. Mãe e tias maternas eram, todas, discípulas de Florbela e uma Bisavó paterna tornou-se, para mim, figura mítica como poeta repentista, cantando ao desafio em romarias populares, para além de ser admirável contadora de lendas e tradições. Logo que comecei a dominar a escrita, tentei, com menos talento, mas igual propensão, seguir esses exemplos e guardo, no fundo das gavetas, muitos cadernos manuscritos em que posso seguir a evolução da minha caligrafia dos 9 aos 16 anos, período em que estudei num internato de Doroteias, o Colégio do Sardão. A partir do momento em que me libertei da clausura, logo me voltei, não sei porquê, para prosa... No meu último ano do curso de Direito, (em Coimbra), alguns colegas do Porto, à frente dos quais Mário Cláudio, editámos uma revista (A Tábua), na qual o meu contributo foi um poema feminista, assinado com pseudónimo. Depois, a vida levou-me, inesperadamente, para os terrenos da política, e para uma convivência de décadas com a emigração e a Diáspora portuguesas (como Secretária de Estado e deputada). Os vários livros ("Portugal, país das migrações sem fim" e outros)), os muitos artigos para revistas científicas ou jornais, que publiquei, são sobre Migrações, Direitos Humanos, Feminismo... e Desporto (futebol)..
O desafio que a Amiga Ester Sousa e Sá me lançou de participar nesta coletânea, (uma honra imerecida!), levou-me a mergulhar no passado, numa torrente de versos inéditos, de cantigas de escárnio e maldizer (ah, como o Colégio era inspirador!), às tão portuenses "quadras de São João", passando por sonetos ... Não resisti à tentação de reescrever alguns desses versinhos, e de incluir, igualmente, aqui e ali, modificado, dando-lhe, enfim, o meu nome, o "poema de intervenção", aparecido in "A Tábua", há 55 anos...
Maria Manuela Aguiar Dias Moreira
MULHER DO ROSTO DE VENTO
Vai
Pela Terra-Mãe adormecida
que em ti hiberna,
as mãos vazias
das rendas de outrora,
Vai dar sentido ao Dia!
Vai
Para que a Terra-Mãe
Seja em ti,
Ao chegar o momento...
Vai
Rosto de vento
Em busca de Alma!
Vai da noite moribunda
Do ter ser negado
Vai
Que agonizas
No corpo atormentado
Os sonhos a viver
Num amanhã
Num amanhã
2 - VIVER...
Queria ser guerreira e vencedora,
Queria andar perdida a vaguear,
Queria ser o tudo e ser o nada
Dos opostos fazer meu caminhar
Queria ser a nuvem que se esvai,
Como a ilusão de amor de uma donzela,
Queria ser o pássaro que voa
No rasto de uma antiga Caravela,
Seguir o sonho e logo o desfazer
Para sonhar mais alto, e mais cair.
Entre estrelas, que morrem sem se ver,
No sono, devagar, adormecer
Deixando, sem saudade, no adeus,
A breve eternidade de viver.
3 - QUADRAS DE SÃO JOÃO DO PORTO
Balão que sobe nos céus
Como miragem de vida
Leva com ele o devir
De uma promessa esquecida...
Deste-me um beijo de noite
Perfumado de alecrim
E a fogueira que saltámos
passou pr'a dentro de mim
Os balões e as cantigas
Unem-se à luz do luar
Que em noites de São João
O amor fala a cantar!
Quando saltares a fogueira,
Cuidado! Vê lá se cais...
Ao coração que se queima
O amor não volta mais!
Na manhã de vinte e quatro.
Olhando a cinza eu fiquei
Que, ao ver a cinza, lembrava
O amor que ontem te dei...
Meninas, vamos gozar
A noite de São João
Ponham sorrisos no rosto,
Fogueiras no coração.
À suave luz da fogueira
Teu coração desenhei
A imagem em contraluz
Sobre o meu a acharei
Quando à noite, no escuro,
Uma fogueira acendeste
Teus olhos disseram tudo
O que tu me não disseste...
Zangado estavas comigo
São João nos vai casar!
Que o amor e os santinhos
Sabem sempre perdoar...
Uma mensagem seixei
Na luz áurea de um balão,
Promessa de amor sincero
Em noite de São João
Meu Porto, que sais à rua
Nas festas de São João,
Não há no mundo cidade
Mais fraterna - não há, não!
Meu Porto sem São João
Por causa da pandemia,
Sem manjerico, alho porro,
Festa, balões, alegria...
quinta-feira, 6 de agosto de 2020
A AVÓ MARIA in "Avós, Raízes e Nós"
A AVÓ MARIA
in "AVÓS, RAÍZES E NÓS"
.
A Avó Maria Aguiar era figura pública proeminente em Gondomar, vila antiga, na fronteira sudeste do Porto. Os seus sete filhos, incluindo minha mãe, e todos os netos eram referidos, falados e considerados em função dela, para sempre umbilicalmente ligados à aura e ao nome da matriarca, quase sem luz própria, por mais brilhantes que fossem.
Nasci na sua casa, cercada de jardins murados, com um mirante florido na frente de rua e pomares e vinhedos a perder de vista, por detrás da mansão grande de "brasileiro", de cor rosada e venezianas verde-escuro. A Vila Maria. Aí, com ela e meus Pais, fui tão feliz quanto se pode desejar, nos primeiros anos de vida. Com ela, aprendi a gostar de histórias, (e mais de narrativas engraçadas sobre si e a família do que de contos infantis), a declamar poemas de Guerra Junqueiro, exercitando a memória em alguns dos que parecem intermináveis ("O melro, eu conheci-o, era preto, brilhante e luzidio... ), a bordar pequenos quadrados de linho a ponto de cruz, com o mínimo possível de habilidade inata. E a comportar-me surpreendentemente bem, tanto em procissões e novenas de Igreja, como nos lanches das confeitarias portuenses, a Villares ou a Ateneia, onde lhe fazia boa companhia. Criança rebelde, com reputação de indomável, várias vezes, emboscada atrás de um móvel, ou de uma porta, ouvi a Avó levantar a voz para me defender, dizendo: "Ninguém compreende esta menina! É preciso explicar-lhe a razão das coisas. Se ela perceber, aceita tudo muito bem". Na verdade, eu gostava de satisfazer expetativas, era sempre muito capaz de corresponder, na ação imediata, ao pior ou melhor que esperavam de mim...
A esta persuasiva pedagoga e querida Avó devo algumas das mais extraordinárias alegrias da infância, entre as quais se contam: a compra de uma carteirinha de verniz vermelho, usada a tiracolo, (a contragosto dos pais, naturalmente...), a oferta de um grande boneco pretinho, por muito tempo mirado e namorado na montra do bazar de Sá da Bandeira, e o traje de anjo amarelo, de grandes asas brancas, com que desfilei pelas ruas de São Cosme, em procissão, depois de vencida, uma vez mais, pela avó a relutância de mãe e pai em satisfazer tão ardente e desvalorizada ambição infantil.
Todavia, à Avó devo, igualmente, a remota origem do meu feminismo - o que não era, de todo, resultado que ela desejasse. De uma família de mulheres fortes, as mais heterodoxas das quais pareciam saídas de romances de Agustina, herdeira da sua fibra, era, porém, ela própria, um assumido expoente de conservadorismo e da prática das virtudes consideradas femininas, primeiro durante um casamento de dezasseis felizes anos, e, depois, ao longo de uma sofrida viuvez de mais de meio século. A sua influência na "res publica", crescera circunscrita ao pequeno círculo bem frequentado e bem visto das obras paroquiais, onde debutou, e extravasou, numa dinâmica natural, para o da comunidade, como um todo, do campo da assistência e do atendimento de casos sociais, ao da cultura, organizando peregrinações, a par de récitas e concertos beneficentes, cujos ensaios, muitas vezes, decorriam na sua sala do piano (piano que era emprestado para os espetáculos, fazendo, entre a Vila Maria e o Cine Teatro Nun' Álvares, uma curta e improvável viagem em carros de bois, necessariamente seguida de intervenção de um afinador). Outras vezes, as arcadas e a espaçosa adega do piso térreo transformavam-se em estaleiros de produção de carros alegóricos, enfeitados de flores de papel, confecionadas, aos milhares, por ruidosos bandos de meninas, a que as netas tinham licença de se juntar.
Para tudo havia regras, naquele mundo que se movia, sob o impulso de Maria Aguiar, a intransigente defensora do recato e das "boas maneiras" feminis, ao serviço das quais, tantas vezes, brandamente, me repreendia: "as meninas não fazem isso!".
Isso sendo o que era permitido aos primos da minha idade, como subir às árvores do jardim, ou até aos telhados, saltar de carros eléctricos em andamento, jogar à bola com os garotos da rua... Enfeitar altares ou colar florinhas de papel colorido em painéis, ao som de canções populares, sim, eram tarefas de meninas... O plural "as meninas" intrigava-me... A argumentação da Avó, neste capítulo, não me soava convincentemente, não respondia aos meus "porquês"... Achei por bem provar, a mim mesma e aos outros, pela "praxis", que "as meninas" podiam tornar-se, com o continuado exercitar, tão aptas como os rapazes a cumprir objetivos nos muitos domínios interditos. E assim me converti, a partir dos seis ou sete anos, ainda que sem consciência clara da existência das questões de género, em feminista praticante... Por sinal, os homens da família, o pai e o avô paterno, o inesquecível Avô Manuel, cedo me iniciaram na paixão pelo cinema, pelo teatro e pelo futebol, não mostrando partilhar as preocupações da avós, ambas a Avó Maria e a Avó Olívia, em completa sintonia nas suas teses sobre a construção cultural do feminino... .
Numa altura em que tanto já ressentia, em causa própria, as discriminações de sexo, não me ocorreu, nunca, indagar o porquê da posição singular que a Avó Maria ocupava na sociedade local, a tal ponto a via como decorrente de uma autoridade natural, de um estatuto seu, inquestionável. Só muito mais tarde me apercebi de que o ganhara num trabalho incansável, e interminável, que, mais do que vocação, fora destino, fatalidade de se ver mulher só, ter de encontrar os modos de se realizar numa outra vida. Ela e a “sua circunstância”…
Maria da Conceição Barboza Ramos era a mais nova de oito filhos de Carolina Ferreira Ramos, (de uma família enraizada, há séculos, em Gondomar) e de Joaquim Mendes Barboza, o tabelião, que viera do norte (Bitarães, Paredes), para nunca mais deixar a terra de adoção. Em tudo fora menina do seu tempo e condição social. Depois da escola primária, recebeu, em casa, os ensinamentos dos pais e professores, à espera de encontrar noivo. Das três raparigas, só uma, Glória, se formou na Escola do Magistério, no Porto, e nunca exerceu. A tuberculose levou-as aos 21 anos. O curso, pela raridade, bastou para que fosse uma das poucas mulheres biografadas na monografia “O Concelho de Gondomar”, ao lado do pai, irmãos e vários parentes masculinos, com largo “curriculum” de intervenção cívica e política.
A Maria, jovem inteligente, prendada, e lindíssima, não faltaram pretendentes. A sua escolha recaiu num conterrâneo emigrado no Brasil. António Carlos Pereira de Aguiar, nas suas próprias palavras, pessoa “muito ilustrada”, homem bonito, com enormes e expressivos olhos verdes, como nunca vira outros. O Avô António partira para o Rio de Janeiro em 1996, com 16 anos, levado por um dos seus quinze irmãos, João, bastante mais velho, quase com idade para ser seu pai, e, por essa altura, já um próspero joalheiro. O jovem António Carlos, revelando-se exemplar discípulo do melhor mestre, numa época áurea de desenvolvimento do país, como foi, para o Brasil, o início de novecentos, fez fortuna rápida e honesta, e era, então, o dono de uma joalharia da moda, na rua do Ouvidor. Sendo a Avó Maria uma incondicional entusiasta de viagens e excursões, de muita movimentação e convívio social, até aos seus últimos dias dos seus mais de noventa anos, é possível que a perspetiva de viver, por uns anos, no mundo novo brasileiro, com frequentes visitas à sua terra, a bordo de esplêndidos paquetes, tenha sido fator de peso na aceitação daquele pedido de namoro, logo depois convertido em pedido de casamento. Da parte do Avô Aguiar, fora o "coup de foudre", "amor à primeira vista" e até que a morte os separou... No mais clássico modelo de papéis conjugais, com rígida divisão de tarefas, uma união perfeita! Dos oito filhos, só três nasceram no Rio. Maria preferia ter os meninos em São Cosme, no conforto da casa materna... Vinha o marido, de bom grado, trazê-la e buscá-la e, durante o tempo de separação, escrevia-lhe extensas cartas de amor, em tudo idênticas às dos tempos idos de noivado...O noivado durou dois anos e está documentado por uma preciosa sucessão de postais ilustrados, com breves mensagens, que diríamos uma espécie de “tweets” do início do século passado, que serviam para troca de saudações amorosas e anúncio do próximo envio de longas cartas, infelizmente, quase todas desaparecidas.
A Gondomar regressaram em 1920, e viveram, por breves anos, na terra e na casa dos seus sonhos. A morte súbita do Avô António, aos 46 anos, deixou a viúva num estado de depressão profunda, que ameaçava eternizar-se. A senhora elegante e mundana das salas de festas transformou-se em vulto negro e austero (não menos elegante) dos salões paroquiais... Os retratos contam, sem necessidade de palavras, a tragédia da sua vida, pela forma e colorido dos chapéus, das abas imensas das capelines floridas da senhora casada aos pequenos chapéus de viúva, rentes à testa, enfeitados por uma simples "aigrette" (a que chamávamos, na sua ausência, "os quicos da Avó"). O momento da grande mutação foi o da perda do papel de esposa perfeita, em que teve de se assumir como mãe e o pai de sete crianças (difíceis e desafiantes...), com idades entre os dois meses e os catorze anos. Do torpor de muitos, muitos meses saiu, buscando orientação na fé, nas crenças e práticas religiosas, fonte inesgotável de novas energias, e razão de viver, intensamente, para a família e para os outros.
Fora a mulher do empresário António Aguiar, que o seu caráter extrovertido e generoso, tornara tão estimado e popular no Rio de Janeiro, como em Gondomar. Enquanto a sua memória permanecia entre os daquela geração, foi a sua respeitabilissima viúva. E, por fim, ela própria, Maria Aguiar, líder no feminino, universalmente querida e admirada. Protetora dos pobres, confidente e conselheira nas horas difíceis. Do seu apostolado de leiga, da organização de peditórios, peregrinações, festividades religiosas, passara aos domínios adjacentes da cultura, organização de concertos beneficentes, deixando, vir, de novo, à superfície o seu gosto pela música, poesia e teatro, num mesmo quadro de voluntariado socialmente aprovado para as senhoras. Latente, sempre, o culto do marido, simbolizado na sobriedade dos trajes escuros (em que se permitia o roxo e o cinza), ou no cuidado com que podava, por suas mãos, as rosas, com as quais ele se apresentava em exposições, (nunca filhos e netos, nem os criados (alguns ex- reclusos, pequenos ladrões mais ou menos regenerados) lhes puderam tocar). E no uso do seu apelido Aguiar… O nome que, hoje, descendentes de quarta e quinta geração continuam a usar, preterindo outros, do ramo materno e paterno, apenas por ser o dela. E não só por ter sido essa notável cidadã. Mais ainda, por ter sido a nossa Avô, a prodigiosa contadora de histórias, a grande matriarca, a força que reunia à volta da mesa na casa, que, sendo dela, era de todos, a família inteira, na intimidade das ceias de Natal ou nas festivas visitas do compasso pascal, em casamento e batizados e em todas as festas que se inventavam para estarmos juntos. Na mais completa fragmentação familiar, que se seguiu ao seu tempo, é ainda, afinal, a memória da Avó Maria Aguiar, que nos reúne, à volta do seu nome, numa árvore genealógica de afetos.


sábado, 25 de julho de 2020
ADELAIDE VILELA no LUSOPRESSE - sobre Manuela Aguiar
A história de hoje versa sobre a vida de uma Senhora que se deu ao luxo de fazer um percurso memorável. Nesta viagem com vida, por caminhos que fazem história, Portugal ganhou a primeira mulher Secretária de Estado, em domínios até aí reservados a homens, para gáudio de alguns e desgosto de outros. Maria Manuela Aguiar Dias Moreira nasceu no dia 9 de junho de 1942, na casa da avó Maria, avó materna, em São Cosme de Gondomar. Maria Antónia, ao dar à luz a pequena Manuela traz alegria aos familiares e energias boas a cada aposento da casa grande, uma das chamadas “casas de brasileiros”.
Naquela moradia, viveu, cresceu, brincou, sonhou e foi feliz a bela Manuela.
Depois de ler e analisar uma quantidade industrial de informação e muitos comentários contidos no Blog da Dra. Manuela Aguiar, deixei que a emoção me traísse. As coisas do passado provocam-se insónias mas trazem-me cheia de encantos. Assim, de imediato senti ternura imensa nas palavras desta querida amiga que tanto estimo e admiro, e nas respostas de seus primos e amigos, de todos quantos conhecem, privaram ou privam com Manuela Aguiar. O certo é que me vieram as lágrimas aos olhos: “Aí vivi os anos felizes da infância, num ambiente em que a cultura brasileira estava realmente presente, e mais nas narrativas, nas memórias, na música, na gastronomia do que propriamente na traça do edifício, ao gosto dos anos 20 do século XX”.
Manuela Aguiar desde muito cedo deu provas de grande maturidade e de uma inteligência fora do comum. Tinha apenas treze anos escreveu um soneto no qual emprega uma linguagem literária fora do comum, e surpreende os grandes poetas da época. O poema foi publicado no suplemento do Diário de Notícias, por muitos anos dirigido por Maria Lamas (Modas e Bordados), com honras de bravura à menina e a seus pais e avós. Agora entendo porque aceitou prefaciar o meu livro “Olhos nas Letras”, pois, sei ao certo que gosta de poesia! Pelo que lemos Manuela Aguiar foi sempre estudiosa. Para isso teve que ir à luta porque sabia de antemão que era necessário um bom quadro de formação, estudos e experiências.
E como a vida e as histórias se constroem dia a dia, Manuela ingressa na escola pública durante dois anos, mais sete no Colégio do Sardão, e dois no Liceu Rainha Santa Isabel do Porto, qualificando-se com 18 valores no ano de 1960. Às vezes não é fácil, no entanto Maria Manuela sabia o que a esperava. Vieram tempos difíceis e de muito trabalho, mas valeu a pena todo o esforço. Completou o curso de Direito na Universidade de Coimbra com 17 valores, corria o ano de 1965. E ganhou o título de aluna brilhante e estudiosa.
Claro que para ela as oportunidades são únicas, por isso volta a desafiar-se, ao regressar aos bancos da escola, desta vez como bolseira da Fundação Gulbenkian. Os estudos eram o seu forte, ainda que fosse fora de Portugal, e lá vai ela para Paris, entre os anos 1968 e 1970. Se o Direito a tinha convencido, as Terras de Molière viriam a ser o paraíso certo para fortalecer os seus conhecimentos em Sociologia, e naqueles tempos a França estava na moda. Ainda bem que hoje é Portugal que anda na boca do mundo. E foi estimulante saber que Maria Manuela concluiu o ano de titularização na “École Pratique des Hautes Études”, com Alain Touraine, vários certificados avulsos na "revolucionária" Universidade de Vincennes, entre eles o de "Sociologia Americana" e o "Diplôme Supérieur d' Études et de Recherche en Droit", na Faculdade de Direito do Instituto Católico de Paris (única instituição onde os ventos da revolução não tinham alterado o quadro de ensino).
Maria Manuela Aguiar teve ao longo da sua vida muitos mundos dentro do seu coração, assim podemos afirmar que tinha vários países na mira do seu pensamento, com o Canadá e as suas políticas democráticas no alto. Mas sobre as cidades onde viveu ainda hoje declama desta forma tão peculiar: “Em muitos lados fiz boas amizades que ficaram para sempre: O que António Vitorino de Almeida diz de Viena, posso eu dizer desta outra geografia: "A França não é o meu país, mas Paris é a minha cidade". (A par de Coimbra, e só perdendo para o Porto).
Percebe-se que já naquela altura, antes e depois do 25 de Abril, Maria Manuela Aguiar era uma mulher que gostava de avançar no tempo, pelo que, com rebeldia ou não, desenvolveu, dinamizou e conseguir uma série de conquistas demonstrando que, quando é necessário, muda-se o que está errado tornando cómodo quaisquer níveis de desenvolvimento úteis para a sociedade.
Durante os tempos de migração em França foi assistente do Centro de Estudos do Ministério das Corporações e Segurança Social (1967/74), onde granjeou grandes amizades e teve excelentes diretores, e que sempre lhe deram liberdade de expressão e de circulação (com bolsas da OIT, da OCDE, das Nações Unidas…). Um homem do regime (Cortez Pinto), o outro progressista e genialmente inteligente (António da Silva Leal).
Como professora universitária, Manuela Aguiar - a convite de Álvaro de Melo e Silva – foi docente na Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica de Lisboa (1972/73). Logo foi surpreendida com outro convite que a levou à Faculdade de Economia de Coimbra, e como as condições do passado a poucos interessava a Sra. Dra. foi uma sortuda ao encetar o novo e brilhante cargo no derradeiro dia da ditadura, no dia 24 de abril de 1974. Ainda no mesmo ano académico, na Faculdade de Direito, torna-se assistente de Rui Alarcão, futuro Reitor, e Mota Pinto, futuro Primeiro Ministro, vindo a reger o curso de Introdução ao Estudo de Direito, integrando a linha de investigação de Direito de Família do Prof Pereira Coelho. Tempos felizes em que a jovem docente colocava em evidência, perante os seus alunos, a temática sobre o respeito pela lei a como o maior apelo ao desenvolvimento numa nova realidade, sendo a liberdade, e a igualdade, de baixo para cima, um pilar fundamental para uma sociedade livre.
Em 1976, deixa a Faculdade para ser assessora do Provedor de Justiça, instituição inspirada no “Ombudsman” sueco, que acabava de abrir as portas:
“Aí trabalhei com o primeiro Provedor, um dos grandes “militares de Abril”, Coronel Costa Braz e, poucos meses depois, com o segundo, o mais admirável de todos os notáveis dirigentes com quem colaborei - o Dr José Magalhães Godinho". No início de 1990 Manuela Aguiar regressa ao ensino, como docente convidada da Universidade Aberta, e dirige os estudantes de mestrado em Relações Interculturais, curso de "Políticas e Estratégias para as Comunidades Portuguesas".
Em Portugal, foi interveniente no Governo e no Parlamento, incentivada pelo Doutor Mota Pinto e, depois, por Sá Carneiro, a fazer carreira política. E estava encontrada a primeira mulher Secretária de Estado da Emigração, que viria a conquistar a simpatia dos emigrantes espalhados pelo Mundo. No seu executivo conseguiu um feito jamais visto, do qual ainda hoje se fala com maior carinho e gratidão. Como podemos analisar muitos foram as viagens e as negociações que a Secretária de Estado teve que empreender para que os emigrantes lusos no Canadá pudessem reaver a nacionalidade portuguesa, pois aqueles que se tinham adquirido a nacionalidade canadiana perdiam automaticamente a portuguesa, isto na década de 70.
Não nos podemos esquecer que Manuela Aguiar foi uma das mulheres mais influentes na política nacional e internacional. Esteve na política em cinco governos e no parlamento durante cerca de 25 anos, sempre amarrada, de alma e coração, à problemática das migrações, dos Direitos Humanos, da igualdade. Fez igualmente parte do Governo de Mário Soares e de Cavaco Silva e foi a primeira mulher Vice Presidente da Assembleia da República, a dirigir Plenários e delegações Parlamentares
Para quem não se lembra, deixou como legado, aos parceiros sociais, a Comissão para a Igualdade no Trabalho e Emprego (CITE).
Foi também eleita, em sucessivas legislaturas, como representante de Portugal na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa e na Assembleia da União da Europa Ocidental e a primeira mulher a Chefiar a Delegação portuguesa nessas organizações, isto a partir de 2002.
Foi Presidente da Comissão das Migrações, Refugiados e Demografia e Presidente da Subcomissão da Igualdade da Assembleia e Parlamentar do Conselho da Europa, escolhendo para intervir, também a nível internacional, a causa dos marginalizados, migrantes, refugiados, mulheres...
Na política a nível local, foi deputada na Assembleia Municipal do Porto, nos anos noventa, e vereadora da Cultura da Câmara de Espinho (2005/2011).
Em todos os projetos desenvolvidos como docente ou através da sua carreira política, o projeto de valorização da mulher na sociedade, foi o mais valioso que lhe conhecemos e que na Diáspora Portuguesa desenvolveu, sobretudo entre 2005 e 2010, com a inesquecível Drª Maria Barroso, com ela percorrendo as "sete partidas do mundo". E aqui reconhecemos o quanto a Dra. Manuela Aguiar fez, no plano nacional como internacional, tendo dado prioridade a múltiplas ações na luta pelos Direitos dos Migrantes em todas os países de acolhimento por onde passou.
Para terminar este trabalho lembramos algumas da múltiplas condecorações e distinções que recebeu Maria Manuela Aguiar: a Grã- Cruz da Ordem do Infante Dom Henrique, atribuída pelo Presidente Jorge Sampaio, a Grã Cruz da Ordem do Cruzeiro do Sul e a da Ordem do Rio Branco (Brasil), a Grã-Cruz da Ordem do Império Britânico (OBE), a Grã Cruz de Francisco Miranda (Venezuela) ou o grande oficialato da Ordem da Estrela Polar (Suécia), e da Ordem de Mérito (França), o Título de "Cidadão do Rio de Janeiro", Medalha Tiradentes (Brasil). Recebeu ainda a Medalha de Mérito Cívico da Câmara de Gaia (classe ouro) e a Medalha de honra da Câmara de Espinho. Destacamos todas as condecorações que recebeu: “do significado que têm para mim, outras condecorações, e muitos títulos de sócia honorária de associações portuguesas, em Portugal e pelo Mundo”. Este ano Manuela Aguiar teria participado, no mês de março, nas celebrações do Dia da Mulher do Lusopresse, festividades canceladas derivado à pandemia que assolou o Mundo. É mais um prémio que vai arrecadar, assim que as linhas aéreas sejam normalmente abertas. Maria Manuela Aguiar tem apoiado o Jornal Lusopresse, através suas brilhantes atuações, e a cada vez que participa nos eventos como convidada especial. Também agradecemos o facto de ter apreciado e referido aos seus amigos e lugares o nosso jornal fazendo-nos acreditar que devemos continuar com a nossa missão de enaltecimento à língua e á cultura portuguesas.
quinta-feira, 2 de julho de 2020
FUTEBOL 2020
FUTEBOL 2020
O futebol vê-se, e é visto, como um mundo à parte, com as suas Leis e a sua justiça... Um Estado dentro do Estado. E nem uma pandemia global altera esta realidade. A declaração do “estado de emergência”, que levou ao abrupto termo dos campeonatos desportivos, em todas as modalidades, masculinas e femininas, excecionou o futebol profissional masculino (só a1ª Liga...)! Poucos foram os países que fizeram o contrário, caso paradigmático da França, onde o Paris St Germain, 1º classificado nessa altura, foi, sem mais, declarado campeão. A alternativa mais comum foi, porém, não atribuir o título, valendo a classificação existente como critério de apuramento para competições internacionais. Qualquer dessas soluções é aceitável, e, a meu ver, mais realista do que o apressado e perigoso reatamento de jogos oficiais, após cerca de três meses de confinamento dos atletas, sem possibilidade de organizar uma fase de preparação.
O recomeço, nestas condições, levanta, essencialmente, três ordens de questões: sanitárias, económicas e desportivas. Neste como em outros domínios, a difícil escolha entre as primeiras leva a uma gradação de soluções de compromisso para a abertura, tão segura quanto possível, das actividades do nosso anterior quotidiano. No futebol profissional, a economia falou mais alto, a bem da saúde financeira dos maiores clubes. Os riscos de contágio e os riscos de lesões graves dos atletas (algumas vão acontecendo, menos do que eu receava, graças, talvez, a um mais baixo ritmo de jogo…) foram subestimados pela DGS, que bem prega, mas aqui descura, o distanciamento social e a constante higiene das mãos, como fundamentais para impedir a propagação pandémica... Ora ambas – e, sendo a peleja realizada em espaço aberto, já nem falo das máscaras, aliás, muito úteis, mesmo ao ar livre, como os Orientais nos ensinam) – são impossíveis de respeitar num jogo de contacto físico intenso e constante, como é o futebol… Por isso, a coerência exigiria a proibição, sem apelo nem agravo, da retoma do campeonato nacional… Ao jogo, em si, acresce um outro factor de risco potencial: a mais do que provável movimentação de multidões à sua volta. E não para ouvir, placidamente, discursatas políticas, ou para marchar, a passo lento, num protesto de rua, mas para festejar a irrepetível vitória de um campeonato…. Na verdade, é muito fácil impor jogos à porta fechada, ou proibir a venda de manjericos em vésperas do S João, mas não o será a contenção do ímpeto dos eufóricos adeptos do novo campeão, por muito ordeiros que sejam (na Avenida dos Aliados costumam ser, no Marquês de Pombal, não tanto …). Tendo na memória imagens de Liverpool, esperamos,na melhor das hipóteses, uma massa compacta de gente abraçada a cantar e a gritar, sem máscaras nem viseiras!
Uma terceira, e não secundária questão, é a da “verdade desportiva” – ao menos para quem, como eu, admite a inevitabilidade do futebol profissional ser negócio”, sem, contudo, deixar de ser “desporto”! E a verdade é que, este ano, o campeonato nacional, prova de resistência, com as equipas no desenvolvimento pleno das suas capacidades e talentos, num percurso, que o público acompanhou e motivou, chegou ao seu termo em março... Teve princípio, meio e fim, ainda que prematuro. Após três meses de hibernação, em clausura, não há reinício possível! Há, sim, início de coisa de outra natureza: uma espécie de pré-época antecipada, ou de “pré-época da pré-época", onde os últimos podem derrotar facilmente os primeiros, porque, por força das circunstâncias, todos estão nivelados por baixo, a jogar igualmente mal - ainda que uns menos mal do que outros… Para mim, o campeão foi o FCP 2020 e apenas por um ponto apenas de vantagem. Mesmo que este arremedo de futebol estival lhe desse, porventura, maior vantagem, (ou que outro tivesse sido o vencedor) a minha opinião não sofreria mudança. Para a degradação qualitativa a que se assiste muito contribui a falta do público! O futebol genuíno é um diálogo constante entre os atletas, os apoiantes, as claques, emoção colectiva que faz jogar e, nessa medida, "joga!. Proibi-lo é um contra senso… e mais uma forma de discriminação, em que a DGS tem sido tão fértil. Se as primeiras figuras do Estado dão o exemplo da bondade de participação num espetáculo em espaço fechado, com mais de 2000 pessoas, porque têm de estar completamente vazios estádios com lotação de vinte, cinquenta, setenta mil pessoas? (ao ar livre). Porque não se permite um número limitado de convidados, ao menos, nos camarotes das direções dos clubes? Porque não se admite, nas bancadas, escassos milhares de adeptos (experimentalmente, digamos, somente 10% da lotação total), que sejam "a voz" de todos os demais? Muito mais complicado será, previsivelmente, lidar com a “loucura” da vitória final, do que com uma assistência limitada, jogo a jogo...
O "futebol 2020" vai ainda ser lembrado por outra nota chocante: a decisão da FPF de discriminar, ainda mais, o futebol feminino, impondo a este universo, menor e menorizado, tetos salariais , arbitrariedade impensável no futebol macho... Pela primeira vez, na esteira das indómitas campeãs do mundo norte - americanas, também as portuguesas ergueram a voz e exigiram "futebol sem género"! Mais um momento para a história do futebol global!
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