quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Sobre Rui Machete

Raras vezes me vejo do mesmo lado da barreira com o banqueiro Ulrich, mas descobri que sobre Rui Machete estamos de acordo.
Rui Machete, que eu conheço há muitas décadas, e de quem fui assessora num gabinete ministerial, é uma raridade neste governo - inteligente, culto, bem formado, bem intencionado e experiente. Não se está servindo da política,  mas servindo o País.
 Como fez à frente da FLAD.
Não se curvou perante a grande potência e soube sempre defender os interesses de Portugal .
Um exemplo para os desastrados "juniores" que nos governam - ou desgovernam...

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

totalitarismo animalesco

A proposta de A Cristas sobre o controlo estatal do número de animais que vivem em nossas casas, quintais ou quintas é assustadora... porque retrata a falta de senso e de bondade deste governo
Até um deputado do partido da senhora ministra falou a  propósito de "fascismo higiénico".
Graça Franco na RTP Informação encontrou uma formulação inteligente para enquadrar as pulsões contraditórias que movem este estranho e perigoso colectivo que nos governa : "marxismo de direita"
Vontade de intervenção permanente...
Neste caso concreto, parece ter recuado, vergado  pelo ridículo...

terça-feira, 29 de outubro de 2013

A abrir o Encontro Mundial Mulheres da Diápora

Uma primeira palavra de agradecimento por estarem nesta reunião a que todos somos convocados por uma grande vontade de "fazer futuro" com as forças e as dinâmicas criadas pelo movimento constante das migrações.
É este o sentido que queremos dar a uma comemoração tão especial, porque, mesmo que nos permitamos alguns momentos de nostalgia  na memória de pessoas e de acontecimentos, é, sobretudo, a visão prospectiva que nos motiva.
 
São 20 anos da "Mulher Migrante- Associação de Estudos, Cooperação e Solidariedade".
 
20 anos de intenso envolvimento na vida das comunidades da Diáspora, olhando a sua situação e o seu evoluir, através da acção, das perspectivas e projectos de mulheres, que estão, ainda quando não parecem estar, na base da sua construção e das suas profundas transformações.
 
20 anos de estudo: de apelo constante a um encontro de mundos, não muito fáceis de aproximar - o mundo do "saber de experiência feito" e o da investigação científica - que sempre, com excelentes resultados, procurámos pôr em diálogo nos numerosos congressos, colóquios, jornadas de reflexão, em que é pródigo este passado de duas décadas.
 
20 anos de cooperação e solidariedade com instituições de muitas comunidades e países e com sucessivos governos, no que poderemos chamar políticas de emigração, com uma componente fundamental de género..
 
Em Portugal, o embrião das políticas para a igualdade e promoção activa da cidadania, através da audição das mulheres da diáspora, vem de longe, da meia década de 80, podendo nós, por isso,  reclamar neste domínio um inquestionável pioneirismo, em termos europeus e universais -  mais um dos assomos de  vanguardismo com que o nosso País surpreende os outros, de vez em quando... 
Mas foi preciso esperar pelo início do século XXI para podermos falar de políticas desenvolvidas com caracter sistemático, no cumprimento assumido, dentro e fora do País, das tarefas que o legislador constitucional impõe ao Estado para promover o aprofundamento da democracia, que passa necessariamente pela efectiva igualdade para as mulheres na vida da República, ou "res publica". 
Julgo que podemos afirmar que e emergência de um novo ciclo de políticas para a igualdade, se abriu com os " Encontros para a Cidadania - a igualdade entre homens e mulheres"., realizados em diferentes regiões do mundo, entre 2004 e 2009, e agora continuados  em Encontros Mundiais de caracter periódico, numa parceria entre o Governo e a "sociedade civil", conforme o previsto na inédita Resolução nº 32/2010, proposta pelo então deputado pela Emigração José Cesário.
 
A AEMM, cujas fundadoras haviam estado, quase todas, na organização do 1º Encontro Mundial em 1985, ligou, de uma forma explícita, querida e afirmada, o seu destino a este processo histórico - e o tê-lo conseguido até ao presente reforça a vontade de se transcender em novas iniciativas e colaborações cívicas, levadas a cabo, como sempre aconteceu, em espírito de puro voluntariado e com o impulso de fortes convicções.
As políticas de género na emigração - e a AEMM pode bem testemunha-lo enquanto parceira de governos de diferentes quadrantes político partidários - são um exemplo de continuidade, de respeito pelos princípios constitucionais, vazados em boas práticas  - uma continuidade que é coisa rara em Portugal,  cuja vida pública é marcada pela tentação de destruir tudo o que vem do passado, por vezes até dentro do mesmo governo (com a simples mudança do titular da pasta), num quadro de permanente instabilidade, em rupturas e recomeços que significam tremendos desperdícios de meios e energias...
É, pois, muito bom poder, em contracorrente, nesta excepção à regra, prosseguir, com o Dr José Cesário, o trabalho encetado com o Dr. António Braga, com a Dra Maria Barroso. a Presidente  dos Encontros para a Cidadania, grande cidadã Portuguesa, que nos deu a honra de connosco ter estado, como inspiradora e aliada, desde o início.
20 anos, a perseguir a utopia igualitária!
 Utopia ainda, mas a permitir-nos falar em certezas de progresso, nas expressões femininas da cidadania, pondo em foco realizações e projectos, nos múltiplos domínios em que interagem  com os homens no espaço nas comunidades do estrangeiro. Na verdade,  o todo das comunidades, os homens, como as mulheres, não estão ausentes das nossas preocupações, porque o equilíbrio que desejamos é necessariamente construído também com eles`.
É a emigração toda que está no horizonte das nossas preocupações, nesta conjuntura dramática que atravessamos, perante um êxodo desmesurado em que as mulheres, pela primeira vez autonomamente, ombreiam com os homens, e os trabalhadores menos qualificados, com o melhor da "inteligentzia" nacional...
 
Os movimentos migratórios actuais  criaram novos estereótipos. que levam à negação da existência, ou, melhor, da coexistência de uma emigração de perfil tradicional, num eterno recomeço... Portugal é o "País das migrações sem fim", como eu não deixei de lembrar nos tempos em que nascia a AEMM e em que a "classe política", se me posso permitir esta generalização, acreditava que a adesão à CEE, com a sua promessa de desenvolvimento imparável, pusera termo a um fenómeno até então considerado como inelutável...
 
Vamos agora, ao longo de dois dias de diálogo,  reflectir e falar  sobre a emigração feminina, sobre as jovens envolvidas nestas grandes vagas migratórias  e, igualmente, sobre as que têm já um longo percurso nas comunidades, questionando a relação entre género e formas de expressão na política, no associativismo, nas artes, na prática empresarial...
É ainda cedo para sabermos se os que partem deixam o País para trás, ou o levam afectivamene consigo, se são "desistentes" ou "resistentes"...
As mulheres terão a palavra para fazer prognósticos sobre o seu futuro no movimento para o futuro das comunidades, enquanto parte integrante da nação portuguesa em diáspora.

Maria Manuela Aguiar

domingo, 22 de setembro de 2013

Uma grande lição do Prof Marcelo...

Uma grande lição ao aprendiz de político, que nos governa.
Se fosse um exame, o primeiro ministro tinha "chumbado" logo.
Falar de um 2º resgate, que absurdo!!!
 Até custa a acreditar que o tenha aventado,  mas todos o ouvimos, dentro e fora do País...

A Lei da Paridade nas eleições autárquicas

Quantas são as mulheres candidatas à presidência de Câmaras?... E quantas serão eleitas?
Disso, é certo, não cura , diretamente, a "Lei da paridade"....
 A sua imposição é quantitativa - garantindo que nas listas haja um mínimo de equilíbrio de género.
Para cumprir os ditames legais, as mulheres estão, em regra  no 3º,  6º ,  9º lugar das listas (e assim sucessivamente, em grupos de 3, em que raras vezes há 2 mulheres e um homem -  ou mulheres no 2º, 4º ou 7º lugar.....  Sinal de que se satisfaz uma obrigação, pura e simplesmente.  . Porque tem de ser...
Algumas eleitas, porém, depois, não chegam a tomar posse, ou são rapidamente substituídas pelos homens que se seguiam na ordenação da lista...
Fraude, mentira... Está por fazer o estudo da sua extensão - indispensável para alterar a lei no curso para uma aplicação correta e vinculativa dos princípios.
A lei a tal obrigava a AR. Mas também neste aspeto não foi cumprida.
Alertei para o facto, sempre que tive oportunidade, em  escritos, em colóquios. Uma voz a clamar no deserto...
Aqui fica, na véspera de novas eleições, a memória de uma dessas insistências - em início de 2013, durante um colóquio promovido pela Professora da Sorbonne Isabelle Oliveira, no Porto


 
Rever a Lei da Paridade é preciso!
Assim manda o artº 8 da própria Lei Orgânica nº 3/2006:
"Decorridos 5 anos sobre a entrada em vigor da presente Lei, a
Assembleia da República avalia o seu impacte na promoção da paridade
entre homens e mulheres e procede a sua revisão de acordo com essa
avaliação".
Já lá vão 6, quase 7 anos.
As autárquicas são agora ,em  2013 - e se há correcções a fazer para melhor cumprir os objectivos da legislação é, certamente, a este nível. Será que o legislador anda distraído?

 Foi a pergunta que fiz no recente encontro das "Mulheres em Movimento".




EDMUNDO MACEDO ESCREVE SOBRE DECO


O texto de um notável português, que, mesmo de longe, acompanha de perto tudo o que se passa no País, e gosta, verdadeiramente, do futebol e dos seus talentos.
Não somos do mesmo clube, mas conseguimos concordar em tanta coisa!
Sobre Deco, nomeadamente...  


Anderson Luís de Sousa, natural de São Bernardo do Campo, nesse fabuloso Brasil, tinha pés de seda! A seu favor, uma espécie de alavanca  invisível combinando perfeitamente com força mecânica e  -- senhores! -- eis seu Deco! Do Corinthians para o Benfica, o técnico do Benfica de então, Graeme Souness, "a errar a pontaria", pelo que empréstimo de Deco ao Alverca e depois um pulo até ao venerando Salgueiros. Mais uma vez Pinto da Costa deve ter visto qualquer coisa que mais ninguém na altura viu e vai daí, Deco pr'ó Porto! O mesmo Porto que parece andar há anos virado a sotavento deixando aos outros o barlavento! O mesmo Porto que já tivera o Hernani e o Pavão a cintilar como estrelas! O mesmo Porto da figura mítica chamada Barrigana! E que fez então o Deco? Fez futebol de sonho! Médio de ataque  -- os puristas de Manchester, Londres e Chelsea chamar-lhe-iam "attacking midfielder" --, pôs o Porto a jogar um futebol de compêndio, de cátedra, categórico, categórico no sentido de explícito e positivo. Seu Deco -- já se disse e nunca é demais repetir -- tinha pés de seda. Tão de seda que garantiam poupança da relva. Tão de seda que pareciam deslizar em superfície oleosa. Tão de seda que era um encanto vê-lo jogar.
E o futebol de seu Deco exibia traços de peça dramática teatral, exsudava coreografia, vertia elegância de cisne.
É tudo  -- e não é pouco -- sobre o futebol divinalmente rico de Deco!

Acima de Deco, quer dizer, melhores do que Deco, só Figo, Ronaldo e Eusébio? Não parece dedução razoável. Que tem o futebol-arquitecto-desenhador-pensador-de Deco  -- "attacking midfielder"  -- a ver com o futebol-decididamente-e-quase-exclusivamente-golo de avançados, de homens-golo como Figo, Ronaldo e Eusébio?

Edmundo Macedo
Los Angeles, Setembro 2013

terça-feira, 27 de agosto de 2013

DECO - as notícias de 27 de agosto, nos 3 jornais desportivos

Do meu FACEBOOK
Maria Manuela Aguiar Todos esses jornais reservam às notícias sobre DECO as duas páginas centrais, mas o conteúdo não é fantástico, não dá a Deco tudo o que Deco merece... Os depoimentos de Scolari e de Figo não são nada de especial (melhor o de Figo!). Mais interessantes os de "A Bola" (Pinto da Costa e José Manuel Freitas) e as "reações" de Fernando Santos e de Derlei. em "O Jogo". Francamente, gostei mais das palavras dos comentadores do programa da RTP Informação "Grande Área", sobretudo do Bruno. Disse que, na história da nossa seleção, só Eusébio, Figo e Ronaldo se podem considerar acima de Deco. Todos o colocam no Top 10 do nosso futebol, em todos os tempos. E falaram de uma seleção que rodava à volta do médio, de "génio" , de "qualidade absolutamente excecional".
 
Ficou, nesse programa, sem resposta a pergunta que muitos fazem:  DECO foi o melhor jogador da história do Porto? Só o fazerem a pergunta já significa imenso... Sei que a resposta é difícil - nenhum a quis dar. Mas eu não tenho dúvida: sim, DECO foi o melhor jogador da história do FCP, o melhor de todos quantos vi jogar em mais de 6o anos. E não só o melhor, nas suas qualidades individuais, mas também o mais influente no jogo da equipa. No Porto como na seleção nacional. Nem Figo, nem Ronaldo,  nem mesmo Eusébio foram tão decisivos na produção do jogo coletivo!