O “Portugal em Foco” do Rio de Janeiro está em festa!
E bem merece, neste aniversário especial, que é uma verdadeira etapa de vida, palavras elogiosas, porque continua sendo um meio insubstituível de informação e de conhecimento sobre a comunidade lusa - brasileira em toda a sua dinâmica e capacidade de se afirmar.
Nas suas páginas marcam presença os mais participativos e influentes dos cidadãos e das cidadãs, os dirigentes das maiores instituições, os animadores das grandes realizações populares. E, por isso, o jornal é a memória de um tempo, que fica para sempre captado nas suas reportagens, crónicas e artigos - e servirá os vindouros, quando quiserem fazer a história da emigração portuguesa da nossa época e, também, a do trajecto dos indivíduos e das colectividades, que formam as nossas comunidades no Rio e no Brasil.
E o próprio jornal, que bem reflecte o pensamento e a acção dos seus criadores, a mítica Benvinda Maria e o marido, o Comendador Marques Mendes, se converteu em autêntica “instituição”. Quantas aventuras inéditas, ousadas e bem sucedidas nascerem do seu espírito empreendedor, da sua iniciativa concreta! Aventuras que se destinaram, sobretudo, aos jovens, como as fantásticas digressões anuais a Portugal do Rancho Português do Rio de Janeiro, que trouxeram até nós milhares de luso-brasileiros à procura e ao encontro das suas origens, das suas famílias. Ou os campeonatos desportivos, ou a celebração do dia do emigrante e de muitos dias de festa popular e de convívio… Exemplos, entre tantos outros, do contributo constante, inteligente e determinado para a preservação de uma presença portuguesa no Brasil - o que passa pela atracção dos descendentes de emigrantes, de novas gerações.
Muitos parabéns e muito futuro, em novos projectos, para todos os colaboradores do “Portugal em Foco”, e, muito em particular, para a Comendadora Benvinda Maria -que não gosta de ser chamada pelo título, a que tem pleno direito. Uma grande Mulher Portuguesa, irrepetível e inimitável, das poucas que, há décadas, se soube impor num mundo então quase totalmente masculino. Uma pioneira, referência e fonte de inspiração para as jovens no século XXI.
Maria Manuela Aguiar
Recordar tempos idos... Falar do presente, também. E até, de quando em vez, arriscar vatícínios. Em vários domínios e não só no da política...
terça-feira, 5 de abril de 2011
domingo, 3 de abril de 2011
Alegria e civilidade na festa do título em Espinho
Clima de alegria e de civilidade na festa do título do FCP na cidade de Espinho. Em frente à "Casa do FCP", bem no centro da cidade e tão perto do mar, os portistas afluíam, espontaneamente, dando a uma praça ali improvisada as cores, azul e branca, da sua bandeira.
Cheguei na hora certa para assistir à colocação da faixa de campeão 2010/2011 na fachada da "Casa" - no meio de uma multidão feliz. Lá dentro, o mesmo ambiente - e registo a visita de alguns benfiquistas, a darem um exemplo de desportivismo, que Lisboa deveria seguir.
Cheguei na hora certa para assistir à colocação da faixa de campeão 2010/2011 na fachada da "Casa" - no meio de uma multidão feliz. Lá dentro, o mesmo ambiente - e registo a visita de alguns benfiquistas, a darem um exemplo de desportivismo, que Lisboa deveria seguir.
terça-feira, 29 de março de 2011
Portugal é Portugal
Ontem, subitamente, tornei-me fã de DILMA .
Excelente, a Presidenta Dilma, no diálogo com Miguel Sousa Tavares. Nunca o imaginei a entrevistar uma assumida feminista, com o ar de quem está encantado. Mas quem não estava?
A Presidente impressiona. Usa a palavra certa, de uma forma contida e assertiva. A sua maneira de estar é perfeita - nem demais, nem de menos. Uma imagem do espírito e da força de um Brasil no feminino.
Gostei muito em especial desta frase sobre as relações luso brasileiras:
"Não acho que Portugal seja a Europa. Portugal é Portugal".
Que modo tão inteligente de nos singularizar, identificando-nos!
Excelente, a Presidenta Dilma, no diálogo com Miguel Sousa Tavares. Nunca o imaginei a entrevistar uma assumida feminista, com o ar de quem está encantado. Mas quem não estava?
A Presidente impressiona. Usa a palavra certa, de uma forma contida e assertiva. A sua maneira de estar é perfeita - nem demais, nem de menos. Uma imagem do espírito e da força de um Brasil no feminino.
Gostei muito em especial desta frase sobre as relações luso brasileiras:
"Não acho que Portugal seja a Europa. Portugal é Portugal".
Que modo tão inteligente de nos singularizar, identificando-nos!
domingo, 27 de março de 2011
"Quem interviu no meu despedimento?"
A interrogação é do douto Carlos Queiroz, na entrevista exclusiva concedida à TVI24, que acabou há poucos minutos.
INTERVIU? O homem precisa de voltar à escola primária!
A entrevista não teve graça nenhuma, mas eu resisti, de princípio ao fim. Fiquei a saber, por exemplo, que se sentiu pertubado no seu "momento de glória" (a decisão que o iliba no caso doping) pelas palavras de Pepe, lançando agora a nova acusação de que ele foi "instrumentalizado".
Queiroz meteu os pés pelas mãos - para usar uma daquelas expressões populares em que ele se exprime, habitualmente - e até chegou a reconhecer que a opinião de Pepe pode ser "verdadeira" (ou seja, que ele disse o que pensa). Não pode é ser "expressa".
Não pode ser expressa? Mas em que democracia vive este senhor?
Não pode ser expressa, porque não é "profissional". E serão "profissionais" os insultos xenófobos que ele dirigiu ao luso-brasileiro Pepe, gozando até com as cores da bandeira do BRASIL?
INTERVIU? O homem precisa de voltar à escola primária!
A entrevista não teve graça nenhuma, mas eu resisti, de princípio ao fim. Fiquei a saber, por exemplo, que se sentiu pertubado no seu "momento de glória" (a decisão que o iliba no caso doping) pelas palavras de Pepe, lançando agora a nova acusação de que ele foi "instrumentalizado".
Queiroz meteu os pés pelas mãos - para usar uma daquelas expressões populares em que ele se exprime, habitualmente - e até chegou a reconhecer que a opinião de Pepe pode ser "verdadeira" (ou seja, que ele disse o que pensa). Não pode é ser "expressa".
Não pode ser expressa? Mas em que democracia vive este senhor?
Não pode ser expressa, porque não é "profissional". E serão "profissionais" os insultos xenófobos que ele dirigiu ao luso-brasileiro Pepe, gozando até com as cores da bandeira do BRASIL?
sexta-feira, 25 de março de 2011
Queiroz : Por que no te callas?
Queiroz acabou. É um "has been". Ninguém por cá o vai querer nunca mais. É um produto invendável... De todos os erros de Madaíl, ele, com a sua arrogância, a disfarçar mal o medo de "ir a jogo", encarnou o mais monumenal de todos.
Falhou o "mundial" mais por essa falta de coragem e de "fair-play" do que pelos resultados e comprometeu o futuro no "europeu", de uma forma miserável, num clima persecutório de alguns, e de desânimo geral. Parente próximo do caos absoluto.
Desbaratou as potencialidades de um grupo talentoso, que emergiu, imediatamente, com a sua mera substituição por um treinador muito mais jovem, com curriculum bem mais modesto, mas com capacidades profissionais e, sobretudo, humanas, infinitamente superiores. Nem foi preciso Mourinho. Bastou Bento. Bastou Bento para mostrar onde estava o mal da selecção (Queiroz) e o bom (jogadores, libertos do ambiente kafkiano da era queirosiana).
O que Pepe disse, no seu apelo a que os deixe tranquilos com o novo e tranquilo responsável pela selecção, foram coisas úteis no contexto, mas que não constituem segredo ou novidade para ninguém.
O que Queiroz respondeu também não é surpresa, porque dele esperamos sempre o pior...
Foi vergonhoso!
Um ataque xenófobo a um luso-brasileiro - ridicularizando-o, a imitar sotaque e particularidades de expressão - coisa absolutamente inadmissível, que, num país civilizado lhe devia merecer processo e sanção. Óbvio! Se a atitude racista de meros adeptos, quando, por exemplo, atiram bananas a um jogador negro, o merece (evidentemente!), o que se dirá de um professor, de um ex-seleccionador que desce a estas profundezas de ódio anti-brasileiro?
Segue-se a referência, igualmente odiosa, a um episódio muito antigo e muito infeliz da vida de Pepe, um descontrolo emocional (do qual ninguém está livre). Uma agressão SEM QUAISQUER CONSEQUÊNCIAS para o agredido, mas que Queiroz refere como pontapear "selvaticamente" a cabeça do adversário. Na verdade, a cabeça do adversário ficou de boa saúde (ao contrário do que aconteceu em agressões deliberadas, a sangue frio, como aquelas de que foram vítimas, por exempolo, Pedro Mendes ou Petr Ceh, que só por sorte estão vivos. Ou Anderson, no Porto - SLB, ou Derlei, num amigável(?) Boavista-Porto, que ficaram muitos, muitos meses fora dos relvados. Ou Nani, recentemente.
Selvático é, também, o ataque de Queiroz à moral e ao equilíbrio emocional de Pepe, que espero, possa resistir, com a força que lhe deve dar o facto de saber que falou verdade, em linguagem simples e respeitosa. Exactamente o oposto do que pode dizer-se de Queiroz...
O homem sem qualidade e sem clase, que devia ter sido demitido pela FPF, não nos tortuosos e extemporâneos processos, que lhe moveram "ex post" mundial, mas muito antes, quando, segundo a boa imprensa, agrediu, a sangue frio, em público. num aeroporto, um jornalista cujo único crime era o de o ter criticado, ao abrigo da liberdade de expressão.
Falhou o "mundial" mais por essa falta de coragem e de "fair-play" do que pelos resultados e comprometeu o futuro no "europeu", de uma forma miserável, num clima persecutório de alguns, e de desânimo geral. Parente próximo do caos absoluto.
Desbaratou as potencialidades de um grupo talentoso, que emergiu, imediatamente, com a sua mera substituição por um treinador muito mais jovem, com curriculum bem mais modesto, mas com capacidades profissionais e, sobretudo, humanas, infinitamente superiores. Nem foi preciso Mourinho. Bastou Bento. Bastou Bento para mostrar onde estava o mal da selecção (Queiroz) e o bom (jogadores, libertos do ambiente kafkiano da era queirosiana).
O que Pepe disse, no seu apelo a que os deixe tranquilos com o novo e tranquilo responsável pela selecção, foram coisas úteis no contexto, mas que não constituem segredo ou novidade para ninguém.
O que Queiroz respondeu também não é surpresa, porque dele esperamos sempre o pior...
Foi vergonhoso!
Um ataque xenófobo a um luso-brasileiro - ridicularizando-o, a imitar sotaque e particularidades de expressão - coisa absolutamente inadmissível, que, num país civilizado lhe devia merecer processo e sanção. Óbvio! Se a atitude racista de meros adeptos, quando, por exemplo, atiram bananas a um jogador negro, o merece (evidentemente!), o que se dirá de um professor, de um ex-seleccionador que desce a estas profundezas de ódio anti-brasileiro?
Segue-se a referência, igualmente odiosa, a um episódio muito antigo e muito infeliz da vida de Pepe, um descontrolo emocional (do qual ninguém está livre). Uma agressão SEM QUAISQUER CONSEQUÊNCIAS para o agredido, mas que Queiroz refere como pontapear "selvaticamente" a cabeça do adversário. Na verdade, a cabeça do adversário ficou de boa saúde (ao contrário do que aconteceu em agressões deliberadas, a sangue frio, como aquelas de que foram vítimas, por exempolo, Pedro Mendes ou Petr Ceh, que só por sorte estão vivos. Ou Anderson, no Porto - SLB, ou Derlei, num amigável(?) Boavista-Porto, que ficaram muitos, muitos meses fora dos relvados. Ou Nani, recentemente.
Selvático é, também, o ataque de Queiroz à moral e ao equilíbrio emocional de Pepe, que espero, possa resistir, com a força que lhe deve dar o facto de saber que falou verdade, em linguagem simples e respeitosa. Exactamente o oposto do que pode dizer-se de Queiroz...
O homem sem qualidade e sem clase, que devia ter sido demitido pela FPF, não nos tortuosos e extemporâneos processos, que lhe moveram "ex post" mundial, mas muito antes, quando, segundo a boa imprensa, agrediu, a sangue frio, em público. num aeroporto, um jornalista cujo único crime era o de o ter criticado, ao abrigo da liberdade de expressão.
sexta-feira, 18 de março de 2011
Sobre o (Des)Conserto
Uma entrevista di jornal "DEFESA DE ESPINHO"
Tem-lhe encantado mais a verve do maestro António Victorino D’ Almeida
ou os seus dotes musicais (ao piano) no ciclo “Café (des)conserto” (em curso
no Centro Multimeios)?
Acho que o músico genial - não só um virtuoso pianista, mas um grande maestro e compositor – tem o seu lugar de vanguarda na vida cultural portuguesa do nosso tempo. E não podemos deixar de reconhecer , antes do mais esta qualidade, que só por si, tornaria histórica a sua continuada presença em Espinho. Em concerto. O (Des)concerto, porém, só é possível, graças à outra faceta, que acresce e o torna tão versátil, tão fascinante para todos os públicos, mais ou menos eruditos: a de comunicador, tendo a seu crédito uma assombrosa vivacidade, uma vastíssima cultura geral e não só musical, mais a sua imaginação e a sua “verve”. Com ele no palco, tudo é imprevisto e espontâneo e temos a certeza, não só de viver momentos de emoção artística, como outros de puro humor e diversão. E, para além disso, a certeza de aprender, porque também é o perfeito professor.
Quando o título (Des)conserto me ocorreu (não esqueço que foi por acaso, ao descer, numa bela manhã de Outono, a Rua 19), pensei imediatamente no Maestro. Ou ele, ou nada! Apenas o achado de um trocadilho, sem mais consequências…
2 – Argumentando ser o música como pela
palavra”, a Câmara Municipal perspectivou na antecâmara didadas (seis) sessões
(nas primeiras quintas-feiras do corrente semestre) que o ciclo “Café
(des)conserto” iria “certamente” marcar a vida cultural da cidade, “com a
vivência de momentos inesquecíveis”… Assim foi (com o grupo coral da
Academia de Música de Espinho sob a batuta do maestro Fausto Neves, a
pianista Olga Prates e a cantora Nádia Sousa. E assim será nas noites de 7
de Abril, 5 de Maio e 2 Junho? Com puro café-concerto…
A aposta na “vivência de momentos inesquecíveis” foi certamente ganha nestes 3 primeiros (Des)consertos, como sabem os que podem dizer “eu estive lá!”
O que vão ser os próximos? Mais e mais surpresas, a animar a vida cultural de Espinho, e a recordar memórias de outros génios musicais que por aqui passaram ou aqui viveram. Cada sessão pode ter um “leit-motiv”, uma temática, mas será sempre, acima de tudo, improviso “(des)consertante”. O Maestro é ele próprio e cria as mais prodigiosas circunstâncias… Mas os participantes podem ser parte do improviso e do seu destino. Já aconteceu: um pequeno comentário sugestivo basta para provocar uma explosão de graça e uma mudança da rota do programa. Aqui fica o convite.
(publicado a 17 de Março)
Tem-lhe encantado mais a verve do maestro António Victorino D’ Almeida
ou os seus dotes musicais (ao piano) no ciclo “Café (des)conserto” (em curso
no Centro Multimeios)?
Acho que o músico genial - não só um virtuoso pianista, mas um grande maestro e compositor – tem o seu lugar de vanguarda na vida cultural portuguesa do nosso tempo. E não podemos deixar de reconhecer , antes do mais esta qualidade, que só por si, tornaria histórica a sua continuada presença em Espinho. Em concerto. O (Des)concerto, porém, só é possível, graças à outra faceta, que acresce e o torna tão versátil, tão fascinante para todos os públicos, mais ou menos eruditos: a de comunicador, tendo a seu crédito uma assombrosa vivacidade, uma vastíssima cultura geral e não só musical, mais a sua imaginação e a sua “verve”. Com ele no palco, tudo é imprevisto e espontâneo e temos a certeza, não só de viver momentos de emoção artística, como outros de puro humor e diversão. E, para além disso, a certeza de aprender, porque também é o perfeito professor.
Quando o título (Des)conserto me ocorreu (não esqueço que foi por acaso, ao descer, numa bela manhã de Outono, a Rua 19), pensei imediatamente no Maestro. Ou ele, ou nada! Apenas o achado de um trocadilho, sem mais consequências…
2 – Argumentando ser o música como pela
palavra”, a Câmara Municipal perspectivou na antecâmara didadas (seis) sessões
(nas primeiras quintas-feiras do corrente semestre) que o ciclo “Café
(des)conserto” iria “certamente” marcar a vida cultural da cidade, “com a
vivência de momentos inesquecíveis”… Assim foi (com o grupo coral da
Academia de Música de Espinho sob a batuta do maestro Fausto Neves, a
pianista Olga Prates e a cantora Nádia Sousa. E assim será nas noites de 7
de Abril, 5 de Maio e 2 Junho? Com puro café-concerto…
A aposta na “vivência de momentos inesquecíveis” foi certamente ganha nestes 3 primeiros (Des)consertos, como sabem os que podem dizer “eu estive lá!”
O que vão ser os próximos? Mais e mais surpresas, a animar a vida cultural de Espinho, e a recordar memórias de outros génios musicais que por aqui passaram ou aqui viveram. Cada sessão pode ter um “leit-motiv”, uma temática, mas será sempre, acima de tudo, improviso “(des)consertante”. O Maestro é ele próprio e cria as mais prodigiosas circunstâncias… Mas os participantes podem ser parte do improviso e do seu destino. Já aconteceu: um pequeno comentário sugestivo basta para provocar uma explosão de graça e uma mudança da rota do programa. Aqui fica o convite.
(publicado a 17 de Março)
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
MULHERES D ' ARTES
Uma exposição aberta unicamente a “Mulheres d’Artes” legitima à partida uma pergunta, que se insinua, incontornavelmente: porquê?
Primeira certeza que queremos dar: o propósito não é o de excluir, segundo o sexo. É, pelo contrário, o de procurar caminhos de aceitação e valorização recíproca. Sabemos que o"masculino" avulta, desde sempre, como o "padrão", enquanto o feminino é visto como a “alteridade”. Por isso, consideramos que os movimentos e experiências que contribuam para a chamada de atenção, o enfoque sobre esta matriz ancestral vão, afinal, no sentido do encontro das metades separadas (separadas ainda, em tantos domínios, a que o artístico, em alguns aspectos, não escapará...). Ou seja, vão no sentido da expansão e universalização da vida cultural.
Tão invulgar mostra do "feminino" na Arte, convocará, assim, à reflexão sobre condicionantes e estereótipos “sexistas”, sobre a relação entre “género” e formas de expressão da criatividade e do talento, sobre os modos de asserção das Mulheres, quer em áreas onde, supostamente, estão em igualdade (pintura, escultura, fotografia...) quer em outras, onde os homens praticamente inexistem (rendas e bordados tradicionais, por exemplo, que custa ainda a imaginar saídos de hábeis mãos masculinas...).
Todavia, esta reunião com Mulheres d'Artes, em Espinho nem por todas estas considerações sobre a aparente natureza das pessoas e sobre a origem da diversidade e das discriminações ("on ne naît pas Femme, on le devient", escreveu, para a eternidade, Simone de Beauvoir!) deixa de ser, antes do mais, um tempo de convívio entre todos nós, tempo de contemplação destes espaços do Museu Municipal de Espinho , esplendidamente preenchidos pela Arte, tempo de revelação da excelência de tantas obras, que valem e se impõem por si próprias, sem olhar a quem, a nomes e a títulos.
O meu “obrigada” a cada uma das admiráveis Artistas, vindas do País, de norte a sul, para dar curso a esta aventura colectiva e plural, e bem assim às autoras da ideia, surgida numa conversa, a que assisti, entre pintoras do Porto e Nassalete Miranda, a Comissária da exposição - conversa ocasional e breve, que espero venha a converter-se, através da sucessão de Bienais, num projecto com longo futuro.
Maria Manuela Aguiar
Primeira certeza que queremos dar: o propósito não é o de excluir, segundo o sexo. É, pelo contrário, o de procurar caminhos de aceitação e valorização recíproca. Sabemos que o"masculino" avulta, desde sempre, como o "padrão", enquanto o feminino é visto como a “alteridade”. Por isso, consideramos que os movimentos e experiências que contribuam para a chamada de atenção, o enfoque sobre esta matriz ancestral vão, afinal, no sentido do encontro das metades separadas (separadas ainda, em tantos domínios, a que o artístico, em alguns aspectos, não escapará...). Ou seja, vão no sentido da expansão e universalização da vida cultural.
Tão invulgar mostra do "feminino" na Arte, convocará, assim, à reflexão sobre condicionantes e estereótipos “sexistas”, sobre a relação entre “género” e formas de expressão da criatividade e do talento, sobre os modos de asserção das Mulheres, quer em áreas onde, supostamente, estão em igualdade (pintura, escultura, fotografia...) quer em outras, onde os homens praticamente inexistem (rendas e bordados tradicionais, por exemplo, que custa ainda a imaginar saídos de hábeis mãos masculinas...).
Todavia, esta reunião com Mulheres d'Artes, em Espinho nem por todas estas considerações sobre a aparente natureza das pessoas e sobre a origem da diversidade e das discriminações ("on ne naît pas Femme, on le devient", escreveu, para a eternidade, Simone de Beauvoir!) deixa de ser, antes do mais, um tempo de convívio entre todos nós, tempo de contemplação destes espaços do Museu Municipal de Espinho , esplendidamente preenchidos pela Arte, tempo de revelação da excelência de tantas obras, que valem e se impõem por si próprias, sem olhar a quem, a nomes e a títulos.
O meu “obrigada” a cada uma das admiráveis Artistas, vindas do País, de norte a sul, para dar curso a esta aventura colectiva e plural, e bem assim às autoras da ideia, surgida numa conversa, a que assisti, entre pintoras do Porto e Nassalete Miranda, a Comissária da exposição - conversa ocasional e breve, que espero venha a converter-se, através da sucessão de Bienais, num projecto com longo futuro.
Maria Manuela Aguiar
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